quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Com a palavra Rotterdam - Mais uma carta aberta ao João


Não há satisfação maior , neste meu mundo, do que poder receber uma carta com conteúdo tão bem pensado e sincero quanto o seu João (vide abaixo a íntegra da resposta dele). Quem não questiona a religião estará fadado a se afogar em um mar de egos alheios, portanto, muito perigoso a qualquer um que venha buscar o mínimo de salvação.
Quando você usa a palavra respeito , a usa com muita propriedade. Respeito vem  do latim respicere , que vem a ser, em tradução literal,  olhar de novo.  E sinto em você esta necessidade de olhar de novo.Se é algo que se deve lançar um novo olhar, a Umbanda é uma religião a que se deve uma consideração e reflexão especial.
 A princípio João a fé em uma religião, seja ela qual for, deve partir da premissa que não conseguiremos responder palpavelmente todas as perguntas, mas seremos fiéis a estas ideias. Difícil isto não é João? Porque envolve pessoas e seus egos escravos que se prendem a seus pés em grossas correntes.
Poucas pessoas eu vi na religião sem estas correntes. Assim como as entidades têm suas legiões, estas pessoas não andam sozinhas em seu caminhar pela loucura. Sempre falo que o Erasmo de Rotterdam deveria , lá pelos idos de 1400, estar falando do que ocorre na Umbanda ) em seu texto Elogio à Loucura (e falo desta religião porque pouco sei do que ocorre nos bastidores de outras,mas não duvido que sejam iguais). Veja se não é idêntico ao processo que esta insensatez religiosa apresenta ,quando Erasmo fala dos fiéis colaboradores da loucura: “Se, por Júpiter, também quereis saber os seus nomes, eu vo-lo direi, mas somente em grego. Estais vendo esta, de olhar altivo? É Filavtia, isto é, o amor-próprio. E esta, de olhos risonhos, que aplaude batendo palmas? É Kolaxia, isto é, a adulação. E, a outra, de pálpebras cerradas parecendo dormir? É Lethes, isto é, o esquecimento. E aquela, que se acha apoiada nos cotovelos, com as mãos cruzadas? É Misoponia, isto é, o horror à fadiga(ou seja, a preguiça). E esta, que tem a cabeça engrinaldada de rosas, exalando essências e perfumes? É Idonis, isto é, a volúpia. E a outra, que está revirando os olhos lúbricos e incertos e parece dominada por convulsões? É Ania, isto é, a irreflexão. Finalmente, aquela, de pele alabastrina, gorducha e bem nutrida, é Trofís, isto é, a delícia. Entre essas ninfas, podeis distinguir ainda dois deuses: um é Komo, isto é, o riso e o prazer da mesa; o outro é Nigreton hypnon, isto é, o sono profundo.”
Sim João somos muito pequenos em relação ao Divino e a toda existência. Quando menor muitas vezes pensei, assim que descobri que existiam células, que a Natureza não é assim tão inovadora, ela repete padrões. E repetindo padrões , assim como somos compostos de bilhões de células, não seríamos nós células do Divino? Pensar é gratuito ainda, então gastei muito tempo pensando nisto e ainda reflito sobre tais coisas alguns dias.
Uma célula é infinitamente pequena aos nossos olhos e dizem que elas são trocadas em nosso corpo – no período de um ano- em quase 95 %. É assombroso! Mais assombroso ainda  João é saber que uma simples célula cancerosa pode matar um corpo forte e vigoroso. Porque elas se reproduzem numa velocidade tal que são capazes de acabar com uma história de vida, assim como ocorreu com meu pai.
Sei bem que a Umbanda anda doente João, mas muitos de nós também. Esta nossa tentativa de estar junto com o Divino faz com que muitos de nós  tenhamos esta sensação de superioridade, onipotência e talvez até seja isto que torne as pessoas células cancerígenas em potencial.

Vou terminar esta extensa missiva explicando o que eu quis dizer quando falei no começo sobre o termo “ o mínimo de salvação”  : no meu entendimento , ser relevante nesta vida é , como o Divino antes da criação, ficar pairando sobre as águas da sabedoria, num ato legitimo de amor monogâmico à Filosofia e com isto multiplicar células fortes o suficiente para resistir a correntes. Saravá!



Desculpe-me João,mas posto aqui sua resposta ao http://coisasdecasados.blogspot.com.br/2016/09/o-gato-de-schrodinger-carta-aberta-ao.html porque acredito que seus questionamentos sejam ao de outros também:
 Asas pra que te quero - uma carta fechada para Andrea                         
 Joao: Então, refletindo muito sobre sua carta e relembrando o possível sobre nossa conversa, quero que você saiba que vai ser muito difícil encontrar alguém que respeite o que vocês fazem como eu respeito, ainda mais lendo sua carta e vendo suas ações de cara limpa, sem o fazer por minha aprovação e sim para servir de lição para quem você inspira, e digo isso mesmo tendo esse meu ceticismo em relação a tudo nesse mundo. 
E justamente por me permitir questionar tenho também a ciência de que não posso ser eu o guardião da verdade, seria incongruente comigo mesmo, sendo assim espero que não pense que o que digo a seguir eu mesmo não possa questionar eventualmente. 
Eu concordo em absoluto contigo que a fé ajuda a dar força para as batalhas que travamos diariamente, especialmente para os mais fracos, mas eu me questiono se ela também não pode ajudar a dar corpo, forma, para atitudes que não são legais, egoístas, em pessoas com moral baixa. A sensação de proximidade com o divino as vezes leva algumas pessoas a se sentirem intocáveis e acho que é aí que mora o perigo, nos levando a imitar Ícaro e desperdiçar uma oportunidade de aproveitar para viver tranquilamente planando pelas tragédias da vida.

Eu cheguei num ponto da vida em que você começa a observar o quanto somos insignificanteS perante a imensidão do universo, e isso vale desde as mesquinharias que somos capazes de pensar e fazer uns aos outros até a insignificância física mesmo. Eu não consigo mais compreender essa necessidade em procurar uma explicação para praticamente tudo o que nos rodeia, e ao mesmo tempo, não parar para observar que na realidade somos nós que rodeamos tudo. Sem dúvidas somos seres de extraordinária inteligência e feitos impressionantes, mas também o é a natureza na sua forma mais pura e simples.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O Gato de Schrödinger - Carta Aberta ao João

Não terminamos aquela conversa de ontem sobre fé , João, então resolvi te escrever. Acho justo existirem pessoas que desistem de religiões e até não crerem em nada, o mundo não nos dá muitos motivos mesmo e eu, mesmo sendo mãe de santo, não acho justo "forçar a amizade" obrigando outros a aceitarem como missão seja lá o que for em que acredito. Se eu fosse pastora, freira, seja lá o que estivesse tecido pelas Moiras para meu caminhar ,não agiria de forma diferente.
A liberdade João é uma coisa muito séria e não permite deslizes. Quem não pensa ,pelo menos uma vez por dia, em desistir de tudo,não está fazendo a coisa certa. Viver é definitivamente a arte de acordar todo dia  checar a afiação da espada e ver se alguma coisa faz sentido. Se fizer, se valer, vá atrás. Soldados só desistem da guerra quando ela não faz sentido.
Fiz um acordo com Divino e cara, Ele não brinca, mas é capaz de jogar os dados na nossa cabeça. Você escolhe uma missão e fica nela como se estivesse numa caixa - como o gato do Schrödinger- meio vivo e meio morto.E ,apesar de tudo que escuta João e do que vê, do que o Universo pensa ,o importante é identificar a caixa.
Estou na Umbanda porque identifico a caixa e quero, na menor menção de alguém pedindo ajuda e estendendo a mão para fora,puxar imediatamente. Há caixas perigosas onde há tortura, dor, sofrimento, falta de esperança. Vejo sentido em, mesmo eu sangrando ao final de um combate, ouvir alguém dizer : Eu me levantei finalmente!
Ninguém descreve campos de batalha com flores, sol e brisa fresca. Sempre chove e faz frio, onde há dor e exaustão, onde há guerra, infelizmente, também há os dois lados num mesmo batalhão. Estou na Umbanda para ser livre, mas há os que se aprazem com a escravidão. Hoje mesmo escutei um pedido de uma pessoa umbandista para que eu acendesse uma vela para uma entidade, pedindo para dar um susto num desafeto que não teria cumprido o que prometeu.
João demorei alguns minutos para entender. Fiéis acorrentando seus anjos em prol do que? Guerreamos por vida e não por vingança. Não há um acordo promíscuo entre mim e a religião: jamais falei a qualquer entidade que dou um dia da minha semana para a fé e eles me ressarcem no que eu for pedir. Para mim incorporação não é a mistura café-com-leite: as entidades estão vivas e nós somos aquela metade do gato morto. Quando estou incorporada o tempo não chuta minha caixa e eu posso ficar ali sentada dentro de mim, observando as cores de que não sou capaz de te descrever,mas é tudo tão maravilhosamente claro que as pessoas se tornam livros abertos.
Incorporamos a vida na Umbanda João, e até que o médium consiga abrir os olhos ele ainda procurará por nomes e histórias corriqueiras de outras caixas - porque simplesmente não consegue enxergar algo que não seja parecido.Hoje eu comando um exército, de vivos e meio mortos, e aqui não há medalhas por simpatia, por persistência, nem se ganha prêmios dizendo palavras floreadas. Umbanda é religião de luta.
Nós conseguimos nos levantar João e aquele que não vê sentido na morte dos que amou, na doença que assola seus dias ,na depressão que o leva ao inferno de sentimentos, na tristeza profunda que assola os drogados? Num mundo onde há coisas deste naipe, como é que eu vou ficar quieta? Inquieta-me a falta de esperança e ação, a falta de sonho, a falta de fé em si mesmo. Inquieta-me João uma Umbanda promíscua e prostituída por discípulos e dirigentes. Então te digo, quem está comigo, neste plano, tem que ter disciplina e saber da caixa que o envolve e que terá que sair de lá,mais cedo ou mais tarde. Quem está comigo, mas é de outro plano, sabe que não desisto e que sei do potencial deles: jamais acorrentarei entidades a planos mesquinhos de polir egos.
Vejo inquietação em sua alma, sei que procura onde está Deus nesta roda punk João. Não é justo que quem procura com o amor que você procura, seja cooptado sem ter escolhido as armas ainda. Guerreiros caminham sozinhos em seus pensamentos e forjam sua defesa e seu ataque nas decisões que tomam. Confio em ti. Ogunhê!





segunda-feira, 27 de junho de 2016

Magia, Feitiço e Mulambo

Fiquei completamente de "molho" por 4 dias.o que me restou foi programação de tv a cabo e reflexão. Aprendi duas coisas: a primeira é que tem dias que ter vários canais à disposição não quer dizer nada e a outra é que até a tv serve de sinalizador para suas idéias.
Num seriado sobre exorcismo, o padre fala que ele acha o melhor pecado o do orgulho, pois nos faz cometer erros imensos.Tem a piadinha que é melhor a preguiça,pois faz você evitar os demais, mas neste ponto nenhum religioso é pego porque religião requisita um certo movimento, principalmente a Umbanda.
Médium tem que aprender que é, antes de tudo uma testemunha constante da fé,portanto tem que ser observador e enquanto eu estiver aqui ,sempre escreverei isto, depois do desencarne mando em psicografias ou venho puxar uns pés umbandistas na madrugada.  Imagina que você está lá , de branco bonitinho e incorporado e a entidade faz um trabalho de cura que dá certíssimo. a família da pessoa vem e te agradece e puft! tá lá você, por mais que não queira, incorporando o orgulho umbandista.Basta mais umas duas curas destas e você médium foi pro beleléu se não for observador e suas entidades vão deixar,não tenha dúvida disto.Nossa tendência natural é copiar o que deu certo e atropelamos as entidades quando fazemos isto.
Pessoas podem ter problemas iguais,mas em situações diferentes, com aprendizados diferentes. O seu desenvolvimento é para aprender a conhecer a energia da entidade que você trabalha em conjunto, para que, com segurança, permita-a desenvolver seu trabalho com seu apoio e sem seus "pitacos". Resumindo: desenvolvimento não é para te dar super poderes,mas principalmente para firmar uma relação respeitosa e segura.
O orgulho nos impede de sermos canais de observação e sim só de julgamento.Há um outro lado que o orgulho te dissocie da razão. Quem demanda contra o próximo comete um erro tenebroso. Se a pessoa souber fazer bem feito, que atinja seu objetivo , só estará -de fato- fortalecendo quem deve atingir. Não são nossas vitórias que fazem com que criemos "músculos espirituais", mas é nossa coragem e determinação de superar os percalços que nos coloca numa posição bem  em frente de Zambi. Não quero dizer que você tenha que sair por aí arranjando confusão para "progredir", não funciona assim.
A vida funciona com observação. Só se pode falar que um evento é bom ou ruim depois de ter visto todas as consequências dele e isto leva um tempo. Vou contar uma das coisas mais tolas que já fiz, por conta e risco próprio-pressionando uma entidade- e por estar com pressa.Fiz cinco firmezas em cinco pinheiros, no meio de muitos outros, achei que minha proteção deveria ser feita imediatamente. Duas semanas depois caiu um raio queimando exatamente estas cinco árvores no meio de muitas.Sou filha de Yansã,não podia me mostrar de outra forma.
Há duas giras atrás um filho de corrente veio dizer à Dona Mulambo do Cemitério que tinha medo de ser pai de santo, algumas outras pessoas conversaram com ela e foi também pedido por mim. No alto da sabedoria desta alma brilhante que é Dona Maria, ela prometeu a todos auxiliar, mas do jeito dela e frisou isto. Tenho medo quando entidades frisam as coisas que dizem. Quatro dias depois adoeci, o que me deu muito tempo pra pensar e o médium que tinha medo de ser pai de santo teve que assumir meu lugar. Hoje ,segunda das almas, apareceu em cima da firmeza dela uma rosa branca, destas estrangeiras grandes e sem nenhum espinho.Poxa, me senti tão abençoada! Como amo esta Umbanda que faz refletir, reverberar o Verbo Divino. Umbanda só é possível como religião-no uso exato da palavra religamento- se há uma união tal que supere problemas e entenda que ninguém aqui neste plano é melhor do que ninguém.
Os melhores e mais profundos milagres exigem tempo, observação e fé! Saravá a todos!


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Exercício Espiritual

Acordei decidida a fazer exercícios hoje. Com uma sensação térmica de uns três graus aqui, já possibilita movimentos mentais mais livres, então convido você a treinar comigo  alguns neurônios menos usados.
O primeiro é bem simples:quem tem uma saúde perfeita tem uma vida emocional equilibrada? Sabe lidar com equilíbrio em situações difíceis em suas relações pessoais? Bom, nem sempre, não é? Agora me diga: quem é equilibrado emocionalmente,pode ter uma doença ? Embora sua saúde emocional auxilie em muito sua saúde física e sua imunidade,ninguém está livre de, por exemplo ,uma picada do mosquito da dengue.
Mais um exercício: quem nunca quis saber o signo da pessoa por quem está apaixonado? Se você chegou a se casar com esta pessoa, o fato de saber o signo dela mudou alguma coisa em sua vida?Não estou aqui falando mal de signos ,nem de previsões astrológicas, mas apenas querendo mostrar que independente do signo, se vocês se amarem vão ficar juntos e será a convivência entre educações diferentes que resultará numa vida amorosa mais harmônica.
Agora a pergunta que vai fazer você suar um pouco mais: sua vida espiritual tem que ter um reflexo em sua vida material? Vou te responder assertivamente: sim e não. Primeiro o não: não é porque você está numa igreja e numa religião seja qual for que você será próspero materialmente.Não é porque você é um devoto fervoroso que sua vida vai se ajeitar financeiramente. A religião ajuda sim a você se equilibrar no raciocínio material. Dinheiro é energia e como a religião também lida com energia, nada mais justo que eu ,como mãe de santo, cobre dos exus de meus filhos de corrente que estiverem passando por dificuldades que os ajudem, para que possam auxiliar o próximo com mais qualidade. Agora ajudar o médium não é fazer o trabalho todo sozinho.
No caso específico de problemas financeiros, a religião ajuda em várias formas : auxilia no entendimento do que é essencial para uma vida feliz e saudável e no entendimento do que é vital e do que é mera onda materialista. Eu posso precisar, por exemplo, de um carro para me locomover,mas não preciso necessariamente que ele seja um top de linha. Outro ponto de apoio é querer ser uma pessoa melhor, mais disposta e com auto estima,pois sabe que assim poderá auxiliar ao próximo com mais segurança tendo uma fé em seus princípios básicos.
Continuando nossa musculação mental: uma pessoa que faz tudo corretamente pode ter obsessores? Pode sim e por um simples motivo: ninguém é completamente perfeito.Se você vibra numa frequência , de alguma forma parecida com seu obsessor certamente ele terá acesso a você. Inclusive a função das sessões de desobsessão é alterar sua vibração para afastá-lo, porque não há outra forma de fazê-lo. Encaminhar para luz um espírito requer primeiro a vontade dele de seguir e humildade do "encaminhador" em saber que não possui poderes ilimitados e que também, como aquele espírito, está em evolução. Por isto, digo a todos que não acreditem em pais e mães de santo que dizem não sofrer ataques de obsessores: ninguém é tão perfeito na seara espiritual que não esteja exposto a isto.
As entidades que estão com você sempre vão ajudar, porque vocês estão numa parceria contínua,mas a sua vontade é sempre soberana e o entendimento disto é essencial para sua evolução. Axé a todos!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Laroyê!

Exus em terra e Miguel, no alto de seus três anos, vendo coisas que nós não enxergamos desatou a chamar seo Capa Preta e só sossegou quando a Molambo falou que o próprio havia liberado sua capa.E lá estava aquele menino feliz todo enrolado na capa do exu . Não bastando isto, Felipe de 7 anos adora cantar "Com faca de dois gumes não se deve mexer....." . Fã incondicional. 
Conheço gente grande que tem medo do seo Capa. O que é certo é certo pra ele, não é de muito sorriso, nem muita conversa. Detesta "simpatias" e seus simpatizantes, diz que a maioria não sabe o que faz. Eu sei que o que ele desfaz não tem volta.
Na Tenda de Umbanda Yansã e Ogum Beira Mar, por determinação do seo Beira, não se "muda" pra esquerda, não é de forma alguma gira de Quimbanda, porque não temos duas religiões.Umbanda é uma religião, Quimbanda é outra ,as duas muito fortes e que exigem conhecimento.Exu, Pomba Gira e Exu Mirim de Umbanda trabalham em outra frequência.
Algumas coisas é necessário ponderar: exu é movimento, movimento em espiral, contínuo e absorvente, abrangente e transmutador. Se a natureza é perfeita uma gira de Umbanda não pode ser diferente, deve ter em cada sessão equilíbrio entre todas as forças.
Exu é mensageiro, portanto ao conversar com eles você deve notar que o que se fala tem nexo: médium que transmitem mensagens vazias não estão bem conectados com seus guardiões e portanto devem desenvolver mais estes laços para que possam passar mensagens bem "configuradas".  Ninguém perde , ao estar incorporado, escutar mais o que a entidade ensina e falar menos.Todas as entidades de Umbanda ensinam se nos colocarmos na condição de aprendiz.
Exu não é "bonzinho", é guardião, então ele não vai deixar você fazer algo errado sem te ensinar o certo. "To sentindo que "meu" exu tá brabo!" Realmente pode estar, o problema é que se ele está com você mesmo. Tenha a certeza que ele faz as máscaras caírem, até as de sua noção errônea sobre o que o cerca.
Não sabemos, e quem disser que sabe está mentindo, o que são de fato as entidades. O mistério é a mola propulsora da fé, assim como os milagres o são. Volta e meia temos confirmações maravilhosas de trabalhos feitos por estes guardiões de Lei, mas na maioria das vezes são confundidos com "agentes do mal" pela função inequívoca de dar a cada um o que merece, conforme seus atos atuais. Se você tem um guardião ande na linha , porque a cobrança e o aprendizado vem sempre, tenha certeza.
Dia 13 de junho, dia de Santo Antônio é dia de Exu também. Festa de Exu é marco de um novo recomeço, de mudança de ciclo, então aproveitem e repensem a importância desta entidade em nossa amada Umbanda. E perguntem, aprendam , afinal estamos entre anjos.Laroyê! Exu é Mojubá!

domingo, 5 de junho de 2016

Quando a Jurema Chorou

Um dia após a gira e eu ainda com ressaca moral.Chovia e eu no supermercado cheio,lá fora meu marido me esperava no carro. Voltei e no meio do caminho encontramos o único pedinte do centro de Colombo, ele havia dito que tinha fome e meu marido pediu para dar dois pães. Enquanto ele mordia um deles veio uma pergunta da boca do pai dos meus filhos, que talvez fosse um eco da humanidade: como um miserável pode alimentar outro?
Ontem a cabocla Jurema desceu chorando. A mata chorava por seus filhos: como miseráveis alimentando miseráveis.E ali a mata perguntava: do que se alimentam os filhos de Umbanda?  Do que vive o seu médium?
As crises e só as crises é que nos elevam o espírito.Não se pode dar o que não se tem. Se eu doo dinheiro ,ele não me pertence, se eu doo pão ele nunca foi meu.A única coisa que tenho é minha alma e é ela que está em doação,poucos entendem.
Há toda uma preparação para uma gira: a nossa só depende de nos abster de prazeres por 24horas, para as entidades é se abster da vida (no sentido espiritual que está longe da nossa compreensão) por uma existência nossa.São pactos estabelecidos para que outros descubram o prazer de respirar aliviado.
A tristeza impera neste mundo pesa toda nossa atmosfera. O ar se renova pela troca e com a energia não é diferente: o que dou de mim mesma me transforma e muda o mundo inteiro.Busque na Umbanda quem é você e descobrirá o outro em ti.
Experiência espiritual é algo individual,não há como envolver o outro em sua missão.Se quem ama é evangélico, católico, espírita,satanista ou ateu diz respeito a quem ele é e não a quem você é, assim como o contrário é verdadeiro. Cada coração tem uma morada e este deveria ser um direito irrevogável.
Quando alimento o outro desconhecido que bate à minha porta, alimento a mim mesma.Antes de abrir o terreiro, não me achava digna disto.Enquanto eu chorava por meu ego corrompido,alguém batia na porta: eram duas crianças amigas minhas e o Wellington (o que aparece de touca nesta foto) dizendo: porra Andréa você demorou para abrir esta porta hein? 
Demorei.E sabia que era pra sempre. Desde então tem sido demanda em cima de demanda, curas preciosas e precisas e muito, muito aprendizado. O que a Umbanda tem me dado ninguém me tira: aprendizado.
Não tenho tudo o que quero, mas exijo que cada entidade dê dignidade aos seus médiuns. Dignidade nem sempre é vista como uma forma de poder,mas é uma base de sobrevivência. Ontem aprendi que para ser digno de ser presenteado com meios de dignidade há de se ter o mínimo de humildade- que é um processo individual de aprendizagem.
As palavras enganam então na Tenda de Yansã e Ogum Beira Mar ninguém pergunta o que quem entrou pela porta está buscando, apenas damos abertura às entidades para que o façam da melhor forma possível para que nosso próximo possa caminhar o resto de estrada que lhe resta nesta existência.Sigo o que as entidades pedem,então o nosso terreiro não é melhor nem pior que nem um outro: é um local para o cumprimento da Lei Maior de Umbanda. 
Aos médiuns deste chão peço que dêem às suas entidades dignidade também. São portadores de almas como nós,somente estão em planos diferentes dos nossos e são tão trabalhadores na fé como somos. Querer dominar uma entidade é regredir à época da escravidão. Que cada um abra sua porta com cuidado,porque certas portas jamais se fecham e outras jamais abrem. Saravá a todos! 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Captando o Além!

Se você gosta de um certo conforto, limites bem definidos e segurança em termos de religião, a Umbanda não é para você. Não que a religião em si seja difícil, mas a mediunidade é uma jóia em constante lapidação, que só termina com seu desencarne.
Prática mais constante da mediunidade na Umbanda é a incorporação, o que acredito que acaba confundindo um pouco o adepto. A primeira coisa a se dar conta é que se você é médium, você possui um canal aberto para comunicação, é um instrumento- assim como o telefone. Um telefone cumpre sua função: recebe ligações de quem souber seu número. Então você pode receber qualquer “ligação” desde que a entidade comunicante saiba acessar seu nível vibratório.
Como todo mundo se acha do bem, é difícil que o médium admita que pode estar numa vibração menor ou mais densa, recebendo assim mensagens de entidades que se afinizam. Sendo um pouco mais realista, é muito mais fácil estar numa vibração mais baixa do que mais perto do equilíbrio e são várias as situações que nos levam a isto. A primeira e a mais perigosa forma de acessarmos um nível mais baixo é o medo. Tenho cá comigo que este sentimento é a mola propulsora de toda uma série de males que atingem a humanidade; não que não nos seja lícito ter medo,mas permanecer nele, alimentá-lo e justificá-lo só pioram nossa vida.  Medo de não conseguir superar um problema pessoal, medo de perdas, medo da vida – por experiência própria- afirmo que só piora a situação toda. Quanto mais medo você tem de algo é maior a possibilidade que ele ocorra, pois se a natureza é justa atrairá tal situação a você para poder superá-la. Portanto digo: acredite em você e se um sonho não der certo, você tem todas as possibilidades de acreditar em outros caminhos, não desanime!
As obsessões pessoais estão em segundo lugar, embora sejam tão fatais quanto o medo.  A paixão desenfreada, ou o ódio exacerbado    com relação ao próximo atraem espíritos que se alimentam destes sentimentos. É aquela pessoa que você quer só para você e que não corresponde a suas expectativas – mas mesmo assim você insiste ou aquela pessoa que você mantém um vínculo de ódio constante, que não consegue nem perdoar,nem esquecer.
O terceiro problema sério é a sua visão de mundo. Quanto você julga o outro. Muito se fala de evangélicos radicais, mas há e muito umbandistas radicais. Se vê muito nas mídias sociais umbandistas atacando evangélicos e sinceramente quando se divulga o erro do outro você perde um tempo e espaço precioso para divulgar o bem da filosofia religiosa que se prega e que realmente pode ajudar o próximo.

O que é preciso e precioso no entendimento da umbanda é que, embora vivamos num mundo material o que nos rege são nossas ondas mentais. Ninguém é obrigado a ser um ser espiritual perfeito- se assim fosse não estaríamos nesta vivência- mas é sim nossa obrigação primordial tentarmos nos conscientizar do poder de nossos pensamentos.É humanamente impossível não sentir raiva, medo ou tristeza,mas é nosso dever não deixar estes sentimentos se prolongarem em nossa vida. Axé a todos!