sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Umbanda do Futuro

Uma das mais importantes notícias da semana foi muito pouco divulgada: o governo americano destinará três bilhões de dólares ao estudo das sinapses  que ocorrem em nosso cérebro, mapeando o que ocorre a cada memória que temos, a cada informação que recebemos. Dentro de dez anos poderemos desvendar um pouco do quem somos, além de ter condições de ter uma infinidade de possibilidades de cura. Enquanto isto não acontece,gostaria de levá-los a uma tempestade mental, digna de uma filha de Yansã.
Lendo "O Dogma de Cristo" de Erich Fromm, publicado em 1930 as minhas sinapses quase entraram em colapso. Não é um livro que discute o aspecto espiritual, mas faz uma análise psicossocial do fenômeno e não há como não traçar um paralelo com a Umbanda. Nos primeiros cem anos do cristianismo, a religião era praticada pelos membros de classe mais baixa, de forma quase secreta, pois a perseguição que sofriam era muito grande. A comunidade era unificada apenas pelo laço comum da fé,esperança e amor, o que os dava uma liberdade de ação, pela despreocupação com instituições e fórmulas. Naquela irmandade cristã primitiva era comum a assistência econômica e o apoio mútuos, que foi essencial para o desenvolvimento da religião.Como se sentiam peregrinos e estranhos na terra, não havia necessidade de instituições permanentes.Não é o posto que faz a pessoa, mas a pessoa que prestigia o posto.E eles não precisavam disto.
A princípio o cristianismo foi uma atitude revolucionária, contra a pressão e opressão dos governantes, e do próprio judaísmo que era dividido em castas e elitizado. A partir do seu segundo século o cristianismo começou com o apoio de pessoas de pessoas mais intelectualizadas e com mais poder econômico. Aos poucos os governantes começaram a ver no cristianismo também uma excelente ferramenta de controle da população que acreditava que só por bons atos se chegaria ao paraíso espiritual. Assim começou a formação de uma hierarquia centralizada, começaram a formular questões de ordem e ingresso, fazendo que muito se perdesse ao longo de todos estes séculos da idéia original.
A idéia original da Umbanda é que o acesso ao mundo espiritual e do mundo espiritual para nós pode ser feito de maneira simples e direta. Uma religião de consolo, de luta e de cura. Uma religião em que os desvalidos, o que estão à margem da sociedade não ficariam sem uma palavra, uma mão forte que os elevasse. Nasceu justamente no seio do espiritismo que apregoava um nível intelectual mais alto para se ter acesso aos seres de luz. 
Nos primeiros 100 anos da Umbanda, fomos perseguidos, ameaçados, presos. Nos unimos em fé, caridade e esperança e ultrapassamos o primeiro século a salvo. Mas o que será de nós nos próximos cem anos? Preocupa-me de sobremaneira a possibilidade de acreditarmos que precisamos de uma hierarquia unificada, que por consequência será ditatorial. Hierarquia dentro de um terreiro é essencial, até por uma questão de segurança e organização, mas com limites no entendimento de seu poder. Não podemos nunca esquecer que a maioria das entidades que nos protegem foram escravos de alguma forma, para que hoje nos passem noções de liberdade real. A verdadeira beleza da Umbanda está na multiplicidade de rituais e a possibilidade que nos dá de servi-la onde ela nos chamar. E se há este "chamamento" é porque através do nosso potencial, poderemos agir de uma forma mais consistente na fé, caridade e amor ao próximo. Somos todos iguais e podemos ser livres se tivermos a consciência das limitações que temos ,assim como as têm também nossos pais e mães de santo, para podermos continuar vivenciando uma religião com alegria e vida longa. Saravá!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Flores da Umbanda



Há uns anos atrás, li um texto no qual Chico Xavier falava que, para melhorar a energia de um lar ,bastava plantar rosas no jardim. Comecei então a plantá-las, na casa de meus pais. Aqui no sítio bem que tentei, mas o cavalo as tratou como iguarias culinárias. Na Umbanda o uso das flores é muito importante, sendo que seu uso iniciou com a própria religião.
Todo evento da criação da Umbanda, pelo médium Zélio de Morais em 1908, começou com ele levantando,no meio de uma sessão espírita, falando: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.
Desde o início da humanidade, as flores foram associadas com o Sol, por se voltarem para ele,e , assim como ele dissiparem a escuridão, simbolizando a energia vital, o final do inverno e a vitória sobre a morte. O Lírio de Oxum por exemplo, segundo a mitologia antiga, teria nascido do leite de Hera, que gotejava na Terra no mesmo tempo em que era criada a Via Láctea. Outra lenda diz que o perfume dos lírios espanta serpentes e por parecer com um cetro aparecem em muitos brasões de famílias da Europa antiga.
Fitzgerald-1859-Morte adornada de rosas
De todas as flores talvez a que mais tenha poder em nosso espírito seja a rosa. Na antiguidade, esta flor remonta o mito de Adônis , o amado de Afrodite, de cujo sangue teriam brotado as primeiras rosas, assim se tornaram símbolo do renascimento e do amor que sobrevive a morte.No século 1a.C. os romanos faziam uma Festa das Rosas em homenagem a seus mortos, e até hoje na Itália o domingo de Pentecostes é considerada a "Páscoa das Rosas".Em contraposição no culto a Dionísio, deus do Vinho, era comum as pessoas se coroarem de rosas,pois acreditavam que abrandava o calor da bebida e impedia que alcoolizados contassem seus segredos, por este motivo ela se tornou também símbolo da reserva e da discrição. Assim esta flor começou a ser desenhada em cima dos confessionários - "sub-rosa", ou seja, sob o signo do silêncio e da discrição. Na iconografia eclesiástica tornaram-na a "Rainha das Flores" simbolo da rainha celeste,Maria.
"Da rosa sai o mel que alimenta abelhas" primeiro símbolo Rosa Cruz
Enquanto as rosas vermelhas representam desde os primórdios o amor terreno, as brancas são relatadas em sagas e lendas como a flor que simboliza a morte. Os alquimistas viam nas rosas brancas e vermelhas o sistema dualístico com elementos dos dois princípios originários: o enxofre e o mercúrio. A rosa vermelha também é considerada nas tradições antigas, um símbolo de honra nas guerras para os oficiais do exército-em especial os romanos- pois Marte (deus da guerra) teria nascido de uma rosa. 
Uma gira de umbanda tem o formato de uma flor, onde o veio principal de energia - o caule- vem do congá. São muitas as flores de Umbanda, as que representam a sabedoria, a discrição como os pretos e as pretas velhas, a vitalidade e a batalha diária pela vida como os caboclos, a alegria das cores da existência como as flores das crianças, ciganas e boiadeiras, e dos necessários resgates como os das pomba-giras.Na minha opinião ainda de aprendiz, talvez a mais importante flor que exista na Umbanda seja a que floresça no coração do médium,que deva ser sempre cuidada com verdade, amor, caridade e consciência de que nosso invólucro é provisório, porque é dela que virá o perfume que envolverá outros em seu caminhar. Saravá!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Umbanda on Line

Lá nos idos de 1977, quando Elvis Presley morreu e eu ainda não havia completado 10 anos, estava brincando feliz na escola e uma colega me disse que eu era uma insensível, fiquei chocada. Eu , na opinião dela,deveria estar chorando pelo ídolo. De verdade ,nem sabia direito quem era e pessoas morrem sempre, pra que chorar? Três meses depois morria meu avô querido, e, confesso, chorei para não para não parecer má. Amava e ainda amo meu avô,mas fui entender mesmo que havia falecido quando achei algo que queria mostrar e ele não estava lá,neste dia sim chorei muito e então entendi o que era morrer.
Vi algumas postagens de jovenzinhos achando muito chato pessoas que não tinham parentes lá falarem e se sentirem tristes sobre as mortes de Santa Maria. Não os recrimino,pois não têm ainda entendimento do que seja a dor de uma mãe ou de um pai.Entender a dor também necessita de aprendizado.
Um médium umbandista só aprende observando, analisando e nunca julgando. Cada ser humano que anda sobre esta terra está num grau de entendimento e porisso é preciso aprender a caridade, entender que antes de vestir o branco há que se despir de conceitos e pré-conceitos. Um dia aprendi que temos atender com a mesma atenção a menina de 13 anos que teve uma decepção amorosa e a senhora que tem uma doença grave. Hoje entendo que cada um está num grau de entendimento,mas a dor pode ser a mesma.
Em termos espirituais é o que te incomoda o que te faz crescer,não o que te acomoda. Observar o fluxo da vida e ouvir os mais experientes sempre acrescenta, e  saber que, independente de nossa idade, há sempre algo que faz nossa espiritualidade melhorar.
A grande magia da transmutação feita pelas entidades é justamente passar as palavras-chaves na medida do entendimento do consulente. Há uma frase bíblica que diz o seguinte: "Senhor, não sou digno que entres na minha morada, mas diz-me uma palavra e serei salvo". Quantos e quantos não entram em terreiros em busca de uma palavra apenas? Não há fórmulas para as palavras certas, porque ,como disse antes, cada caso é um caso.Contudo é sempre necessário lembrar que a Umbanda é para ser praticada não somente na casa santa. Sabiamente seo Tiriri, numa gira que assisti nos últimos dias, disse que o umbandista deve ir onde a Umbanda chama. Com o advento das redes sociais há inegavelmente um instrumento valoroso em nossas mãos. Quantas vezes aquela palavra que você precisava estava ali, na rede, e acrescentou ao seu dia.
Tomando os devidos cuidados - como com a pólvora no terreiro- podemos torná-la cada vez mais propícia para a propagação da caridade. Nas palavras também se transmite energia e se recebe, então é necessário que se vigie sempre.
Este texto foi feito sob a grande alegria que a jornalista Marcela Marcos me proporcionou que divido aqui com todos, no link abaixo. Ela fez uma grande pesquisa entitulada "SARAVIRTUAR-Umbanda em Rede e Rituais On-line e Off-line" , um TCC para a conceituada Faculdade Casper Líbero. Ao observar e estudar a Umbanda num novo tempo Marcela, você dá condições para que ela cresça não só no entendimento dos que a amam como verdadeira religião brasileira, mas para que leigos entendam também o poder consolador desta energia que nos envolve, numa linguagem simples, mas profunda,reflexiva e respeitosa. Que todas as entidades de Umbanda iluminem sua caminhada!

http://www.casperlibero.edu.br/rep_arquivos/2012/10/04/1349385591.doc.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Regente de 2013

Gente que não evolui está fadada a extinção. Eu avisei ao Dyogo, que só passou de ano em virtude do Conselho de Classe da Escola. Se agora tem uma nova chance - e chances não aparecem assim todo dia - se abrace a ela como se fosse uma namoradinha nova. Não dá pra ter quizila com o destino, ainda mais tão próximo do fim do mundo. Para quem não conhece o termo, quizila vem do termo quimbundo Kijila, que vem a ser uma proibição definitiva ou temporária, determinada pelo Orixá a seus filhos, em geral no Candomblé e em alguns terreiros de Umbanda.
Hoje me deparei com uma entrevista antiga que havia dado ao jornal Gazeta do Povo aqui em Curitiba. O que me chamou a atenção foi o título: Uma Revolução Lenta e Silenciosa - feita pelo meu querido amigo jornalista- e pela frase, quase guru José Carlos Fernandes. Pensei de imediato que estamos vivenciando isto na Umbanda e quem não se atentou ainda a este fato, conduzirá sua casa a extinção. Proibições e permissões sem esclarecimento , falta de atenção a médiuns, brigas entre seres que professam a mesma fé embora em terreiros diferentes , estão tão evidentemente ligados ao ego de cada dirigente e é inevitável que os adeptos mudem constantemente de casa- em busca da evolução.
O fato é um só: a Umbanda é uma religião. Uma religião de guerreiros em prol da caridade, em prol do amor ao próximo,não amor próprio - o que pronunciando parece ser igual, mas não é. Rituais podem divergir - e eu mesma não gosto de alguns- mas é inevitável que cada médium observe os sinais na escolha de sua casa, do local onde irá praticar o bem ao próximo.
Ficar alheio ao que acontece ao seu redor- o clássico "faço a minha parte e o resto não me interessa"- não se aplica definitivamente a um grupo que soma energia ao realizar a gira. Concordo que ninguém é perfeito- se assim fosse não haveriam médiuns- mas há que se ter cuidado. Se quer fazer algo de forma isolada faça sozinho, e se fizer sozinho não é Umbanda. É uma forma de ajudar ao próximo também e também é válida, mas não é Umbanda- porque Umbanda necessita de uma gira para promover a troca de energias.
O que me levou a pensar: o que é realmente necessário para uma gira acontecer a contento? Uma coisa é essencial e não é ritualística: o senso comum da prática do bem. Ok. Se você for como eu vai falar que o bem e o mal são relativos. E o são mesmo. Umbanda que é Umbanda é equilíbrio de energias da natureza. Nós pobres mortais- que adoramos ficar em filas em shoppings para comprar uma nova tecnologia- nos afastamos um bom tanto desta energia, e crescentemente nos afastamos de nós mesmos.
O Divino, em sua Infinita Sabedoria, sempre dá um jeito de fazer com que nos aproximemos de nossa essência e assim acontecem coisas que às vezes fogem dos padrões de nossa rotina. Às vezes nos pegamos pensando que é um mal o que nos sucede, que é isto ou aquilo. Mas se pararmos para pensar- depois que a tempestade passa- é só mais um momento de aprendizado, por vezes dolorido-mas aprendizado. Porisso devemos respeitar quem pisa num terreiro em busca de ajuda: ali está invariavelmente a última oportunidade de achar uma solução.
Caboclos, pretos velhos, erês, exus,pomba-giras incorporam e falam com consulentes por um só motivo: passar a mensagem e transmutar a energia de pensamento de quem precisar enxergar as coisas de uma outra forma- e este é um trabalho tremendo: transformar a água em vinho e fazer com que as pessoas despertem para vida. Médium inconsciente é o que não se atenta a isto e se prende a rituais - que servem na realidade para mantermos nosso foco na fé e não dispersarmos atenção.
Como mulher de fé, como médium umbandista, como defensora da religião gostaria de propor aqui que focássemos em Oxalá para o próximo ano de 2013. É ele quem trará o consolo pelas palavras das entidades aos que buscarem ajuda, os grandes aprendizados aos médiuns no próximo ano e grandes provas a todos os terreiros de boa fé. Que este mundo que estamos vivenciando dentro da religião realmente acabe dia 21, quando a maioria dos terreiros entra em férias. Que façamos a travessia dos justos, dos fiéis e principalmente dos que têm consciência que não são donos da verdade absoluta, pois a verdade está no amor do Criador e nos desígnios que Ele permite a cada filho e filha.
Termino com uma citação de Fernando Pessoa, para refletir a Luz Divina: " Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Saravá!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Justiça e Magia

Fé, caridade e amor ao próximo. Mistérios e descobertas. Deslumbramento. Felicidade na luta pelo bem, pela saúde, pela alegria, pela dedicação. É de fato tudo muito bonito dentro da Umbanda. A religião sem dogmas, a religião da liberdade, a religião dos guerreiros de Oxalá. Descobrir entidades, Orixás regentes, manipulação de energia é muito estimulante, mas você já chegou a pensar o que há além disto?
Afinal, quem somos nós? Na individualidade, sob o teto que nos abriga quando não exercemos nossa função religiosa. Aponte um médium de qualquer religião que não atravesse algumas vezes corredores escuros em sua vida pessoal  e eu lhe direi que este ainda não é um médium em pleno desenvolvimento. 
Desenvolvimento espiritual é longo e árduo, além de solitário. Não há ninguém, nem neste, nem de outro mundo que possa usar os seus pés para caminhar.
Não estou dizendo que não temos ajuda, mas é impossível saber o que é uma xícara de café, oferecendo-a somente para seu vizinho provar. Um dia Mestre Cipriano me falou que o caminho não é fácil, mas que ficar olhando os buracos em que tropeçamos não auxilia em nada nosso processo de desenvolvimento, e que ,com frequência, nesta caminhada, é comum nos confundirmos com coisas que parecem boas e com as que parecem más.
A vida de uma forma geral não é fácil e eu digo que a Umbanda não é o lugar mais correto para fugirmos da realidade.A Umbanda nos dá subsídios para transformarmos a realidade que enfrentamos em fontes de sabedoria para o engrandecimento de nosso espírito. Contudo ,em momento algum, as experiências que vivenciamos devem ser vistas com resignação. É a nossa reação aos revezes o elemento transformador essencial à nossa evolução.
Dia 21 de Dezembro é o fim do mundo. Lembro do meu filho mais velho falando há mais de dez anos atrás que achava injusto, pois cairia um dia antes de seu aniversário. Hoje eu entendo que o fim do mundo acontece várias e várias vezes nesta mesma vida. O que fomos há dez anos atrás será bem diferente se sobrevivermos a mais dez anos. Muitas e muitas vidas vivemos numa só.
Na Umbanda não há sacrifícios. É uma meia verdade. Há o nosso próprio sacrifício. Já me perguntei várias vezes sobre o porquê disto, de caminharmos às vezes como cordeiros assustados. Como o Divino deixaria coisas ruins ocorrerem a quem pratica o bem? Ah ,meus caros, uma pergunta bem "perguntada" jamais fica sem resposta pelo Universo. Em um dos meus textos falei que a representação dos grandes iluminados é sempre feita pela imagem do leão. E numa destas minhas distrações ouvi no um filme "Lutem e lutem novamente, até que cordeiros se tornem leões" (Robin Hood) 
Se as coisas não estiverem fáceis para você, tente lembrar que faz parte da sua transformação pessoal e nunca, em momento algum, desista de lutar. Há um leão dentro de cada um de nós, e aí reside a Justiça e a Grande Magia Divina. Saravá Xangô!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Seguindo o Sol

Mamãe pode me falar o por quê das pessoas chorarem em casamento? Ora, o porquê é um só: emoção! Mas não faz sentido, ficar feliz faz sentido,mas chorar não! E, me dando as costas, lá se vai o Syrus com seus 11 anos de perplexidade sobre a existência humana.
Não tem sentido chorar em casamentos, tem? Nunca havia pensado nisto ,mas é um condicionamento. Uma cena que nos remete a um arquétipo de felicidade, que entra em choque com tudo que conhecemos de vida real. Conheço uma pessoa, que além de mim, também chora até em comercial de supermercado. Basta ter uma ligeira sugestão de felicidade eterna, que lá está ela chorando - como eu. Daria um maravilhoso estudo psicológico. Como não é minha área, vou me ater no que conheço.

Todo bom médium é hiper sensível. Não tem como ser diferente.É esta sensibilidade exacerbada que o torna apto a ficar em estado de vigília para exercer sua função mediúnica, e é o que proporciona também noites de sono mal dormidas.O processo de desenvolvimento é mais para te relembrar como se reconhece uma energia, porque somos todos espíritos que já tem experiências neste "reconhecimento".

Na grande maioria das vezes somos condicionados culturalmente a aceitar as coisas como são, mas quem trabalha com energias sutis tem que, necessariamente, estar alerta aos sinais que nossos protetores nos mostram. 
Estes dias uma amiga foi ver o nascer do Sol na Praia do Rosa e se emocionou muito. Dava para sentir de longe a energia boa que ela emanava. Ali ela encontrou o Divino e o Divino fez morada nela. Assim, além de se abastecer partilhou a energia com os que estavam perto. Ela então foi a prova viva da influência energética.
Por outro lado, fica, também, evidente a energia ruim nas pessoas e depende sim do que você alimenta sua alma. Com mediunidade ou você é quente ou você é frio, não existe meio termo. Algumas vezes já ouvi a seguinte frase: "Olha eu frequento tal lugar, eles fazem coisas erradas, mas eu faço a minha parte para o bem e tá tudo bem." Gente, isto "non ecxiste"! Fazendo parte de uma egrégora, de uma corrente eu sou você e você sou eu, não há distinção. Até porque , para surtir efeito, na hora da gira há meio que um nivelamento de energia para um determinado fim. Embora sejam instrumentos diferentes, todos tem que tocar a mesma música, senão não há concerto, no caso, a gira não "gira".

Da mesma forma, em outras religiões é bem comum encontrar dissonância entre o que se vê e o que cada praticante acha que está fazendo. Como a sua energia é algo totalmente "lida" pelas pessoas com as quais você interage, há que se cuidar sim com a egrégora a que queira pertencer. Quando você vai procurar emprego, fechar algum negócio ou mesmo fazer uma nova amizade a outra pessoa lê intuitivamente a energia que você passa. Não conseguimos o transbordar de energia boa o tempo inteiro, todos temos problemas ,mas temos que buscar sempre o equilíbrio , procurar alinhar nossos pensamentos com nossos sentimentos.  

Alguns umbandistas não gostam muito das lendas dos Orixás, mas elas são instrumentos para entendermos como é possível a transmutação de energias para exercermos plenamente nossos dons e quanto estamos ligados uns aos outros. Quando se trata de energia quanto mais observamos,mais aprendemos a ler e a perceber o mundo que nos envolve. Se nos entregamos a convenções culturais e sociais, passaremos a vida nos emocionando em casamentos, em instituições humanas, mas, se nos entregamos a luz de um novo dia nascendo, a presença do Criador fora e dentro de nós cada vez vai ser mais evidente. Não é fácil,mas é possível. Saravá!

As fotos usadas aqui estão disponíveis na página:  https://www.facebook.com/Pictures.1.Ooo.ooO 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Havia uma Perda no meio do Caminho

Todo e qualquer religioso dá atenção a seus sonhos. Eu não sou diferente. A vida não é fácil então ficamos rastreando o Divino para ver se ,pelo menos em sonhos, ele nos dá um sinal que as coisas vão melhorar para o nosso lado ou pelo menos que elas têm solução. Esta noite tive um sonho que me levou a uma série de questionamentos e isso, antes do café da manhã. Vou ser sucinta para não incomodar ninguém e também para que partilhem comigo e acrescentem com suas idéias. 
Sonhei que estava tirando uma série de espíritos ruins de uma mulher e eles me enchiam muito a paciência com efeitos especiais que -como sempre falo- são só legais no cinema. Briguei e esbravejei muito com eles e pensei: é um porre ter que fazer tudo sozinha! Então, no sonho, mesmo cansada pensei: a Umbanda na verdade só pode ser isto: um conjunto,eu sozinha não sou Umbanda. Simples né? Mas acredite que muita gente ainda não descobriu isto. Não só a Umbanda ,mas toda e qualquer religião se não formar um grupo em prol de um bem maior, não é religião, mas apenas a tratativa do ego da própria pessoa.
Ego, aliás, não tem a ver com nenhuma religião enquanto "link" para acessar Deus. Religião não é para dar poderes ilimitados, é para partilhar a energia que você possui e formar uma força maior. E esta força maior dissipa-se quando de dedo em riste apontamos para a religião do outro. Tem muito umbandista preconceituoso por aí que fala dos evangélicos, católicos e espíritas e dos próprios irmãos de religião. Isto dissipa a força maior que poderiam ter.
Todos nós umbandistas somos guerreiros em potencial. Primeiro temos que guerrear para manter o próprio equilíbrio, depois combater o ego das conquistas e a frustração das perdas. Acredito porém que nossa maior batalha é parar de acreditar que tudo é demanda. Quem somos nós para sermos alvos do mal? Só se acreditarmos que temos uma força benigna tão grande que temos que ser eliminados. É, de fato, um contrassenso: a religião dos humildes ter tanta gente com o ego inflado.
Tocar a Umbanda sozinho é impossível. Neste caso você não é um umbandista e sim um manipulador de energias solitário.Não que não tenha valor, temos todos os benzedores aí para provar isto. O que quero dizer é que Umbanda é a unidade das diversidades em prol de uma finalidade só: o equilíbrio energético de quem a procura afinizando com a Lei Maior.
 Se você for analisar as próprias entidades em algum momento entenderam que em conjunto têm muito mais força. Nenhuma delas tem nome próprio, antes se identificam ao grupo a que pertencem. Sabemos muito pouco sobre o que são na realidade e quais caminhos usam para o bem comum. Muitos umbandistas ainda as vêm como guarda-costas pessoais ou pior, como oráculos dispostos a nos fazer previsões sem um sentido prático. Na verdade não sabemos escutá-las.
Invariavelmente queremos saber das coisas que nos darão prazeres imediatos: se ficaremos com aquele amor, se conseguiremos isto ou aquilo, mas me parece que eles falam uma língua e nós outra. Eles nos falam de coisas que podem mudar o rumo de nossos pensamentos e principalmente nosso nível vibracional. Eles nos falam de nossa evolução enquanto queremos só saber do próximo capítulo de nossa Avenida Brasil pessoal. Temos que prestar atenção ao que nos falam e refletir sobre isto, afinal nosso hino não é " Refletiu a  Luz Divina....."?
Eu estou num processo de reflexão. Os poucos contatos que tenho tido com entidades incorporadas tem sido extremamente significativos, porque tenho que absorvê-los com calma. Vou partilhar com vocês três coisas que ouvi, vi e vivenciei e que me foram trazidas por Mestre Cipriano - incorporado em um médium completamente entregue à Umbanda , o qual não citarei o nome por razões óbvias.
Primeiro ele me falou de uma grande surpresa em meu retorno à minha casa, depois falou-me da ligação espiritual que tenho com uma grande amiga-irmã e por último de como deve agir um médium ao cair em sua caminhada.
A surpresa foi o reencontro do meu companheiro com um filho que buscava a 34 anos - que ocorreu uma semana após a minha volta. A ligação com minha amiga-irmã se deu ainda no plano astral, onde nos ajudamos e nos comprometemos a nos encontrar aqui. E a lição que me deu foi a que todo médium cai frequentemente na sua caminhada, mas que ao cair deve se levantar e erguer a cabeça,não dando muita atenção ao buraco em que caiu. 
A você meu leitor digo que o Divino é um só. Mestre Cipriano foi o incumbido de me trazer uma mensagem, de me fazer ver uma realidade nova, então transformar o que sei e que sinto numa mensagem para você. Experimentamos uma série de perdas durante toda nossa vida nesta terra. Algumas eternas outras transitórias,mas todas sem exceção nos conduzem ao entendimento que a vida espiritual não é algo transitório e de consumo rápido. Tudo o que vivenciamos nos fortalece se temos em mente nosso aperfeiçoamento em prol de uma unidade maior. A unidade maior é o Amor, porque este sim é eterno e unificador.  Onde há muitos unidos pelo verdadeiro amor haverá sempre vida. Saravá!


A foto que postei aqui é do site da fotógrafa http://www.daniellarosario.com.br