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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Disciplina e Umbanda

Meu querido, acho fantástico que você ajude o seu pai a fazer novas leis, mas nosso problema no momento é fazer com que você cumpra as já existentes neste Colégio...A resposta foi dada a um filho meu que quis impressionar a coordenadora, em mais uma ida ao seu gabinete. Adolescente é assim mesmo: tem que contestar, argumentar, mas ainda não tem experiência suficiente para entender seus próprios equívocos. Disciplina é um norteador importante nesta fase. Tudo tem seu tempo certo, então a quem tem mais tempo é preciso discernimento para saber explicar com paciência,não basta dizer apenas que sabe mais.
Uma outra amiga minha falou estes dias que o lado "fofo" dela era Clarice Lispector. Tive que informar que Clarice nunca foi "fofa", ela era tão intensa quanto Yansã. Não que ela fosse obrigada a saber,pois hoje se faz leitura rápida feita apenas com frases soltas no Facebook.
É neste ponto que entro no meu assunto predileto: a Umbanda. Muitos sabem da Umbanda tanto quanto minha amiga sabe da Lispector, mas o que é pior, há outro tanto de gente que age como meu filho: querendo fazer mais leis, enquanto as já existentes são renegadas, porque o que está valendo é inovar.
Não sou contra inovações, até porque em termos de espiritualidade, quase tudo já existe ou existiu. Cada um segue a linha que mais é adequada a sua energia,mas cabe ao dirigente de cada casa ensinar cada filho de corrente da melhor forma possível. Sei que ninguém, nos dias atuais, pode dispor de muito tempo para seus filhos de corrente,mas são informações essenciais que vão evitar que o médium chame alguma Pomba Gira de "fofa".
Umbanda é séria, pois envolve necessariamente o tratamento da dor do próximo, seja ela qual for. Entender que mediunidade não é qualidade e sim funcionalidade, como sempre falo, também é essencial. Há muita coisa a aprender, mas é preciso não tornar a Umbanda inacessível, porque seu fundamento é fé, caridade e humildade. É necessário saber, mas o excesso de conhecimentos também é perigoso- assim como qualquer forma de poder sem equilíbrio- pois torna os incautos em arrogantes.
Rogo aos pais e mães de santo, que sejam realmente pais e mães. Sustentem seus filhos com o pão do conhecimento que têm, para que eles multipliquem as bençãos da Umbanda em fé fundamentada. Abençoem seus filhos de corrente com o conhecimento pleno da caridade, que começa no próprio médium. Cubram cada médium com o manto do amor dos caboclos, dos pretos-velhos e dos erês.
Aos médiuns cabe também o esforço do aprendizado, as entidades ensinam muito ,mas é preciso entender o que dizem e isto leva um certo tempo. Eu sempre falo que , por fazer psicografias, sempre tive o cuidado de prestar bem atenção: "vou te cobrir de ouro" e "vou te dar um couro" soam iguais ,mas são duas coisas bem distintas. Um querido pai de santo de São Paulo estes dias postou em minha página um desabafo: os médiuns não se preparam mais para as giras, talvez "por falta de tempo". Tão importante quanto a gira é a preparação, os cuidados que antecedem e os cuidados pós gira. É necessário, e sempre será, que sejam feitas as firmezas com anjo da guarda e com seu Orixá, os banhos de ervas. Há também os jovens médiuns que ,após a gira, vão aproveitar as baladas, que acabam por resultar em problemas invariavelmente.
A Umbanda "cobra" antes de tudo firmeza em nossos propósitos. É de extrema importância que ,de vez em quando, nos perguntemos o que esperamos da nossa atuação na religião. Seja qual for nossa posição dentro de uma gira, se a resposta for diferente de uma atuação pela fé, amor e caridade através da fraternidade, da paciência e do discernimento é melhor se afastar e buscar equilíbrio ficando na corrente.

domingo, 29 de abril de 2012

Quem Somos Nós?

Estes dias uma querida amiga me perguntou sobre uma invasão de formigas que havia em seu quarto. Perguntava-me se aquilo tinha a ver com o espiritual e eu neguei. Não havia porquê ter medo , porém deveria se livrar delas, pois trazem doenças a qualquer ambiente. Umbandista tem disto: nos movemos também por sinais dados pela natureza. Interpretar este sinais, que vão além de invasão de pequenos seres é preciso para que caminhemos em liberdade.
Outra coisa que todo umbandista gosta é de contar seus sonhos. Não escapo à regra, mas o farei aqui de forma diferente, vou passar o que aprendi, graças ao "start' que tive com uma conversa com minha amiga-irmã Celina Moreno Filgueiras. Afinal de contas, quem somos nós médiuns? O que buscamos no meio de tantas imagens, palavras e símbolos? Porque conseguimos ajudar alguns de forma tão fácil e outros nos sentimos com as mãos e pés amarrados?
A mediunidade não é uma brincadeira de copo feita numa sexta à noite. É muito sério pois envolve não somente nosso crescimento, mas mexe com toda a existência, sonhos e esperanças de quem nos procura. Vaidade, possessividade, promiscuidade, vícios com drogas que alterem  o padrão das ondas mentais são apenas alguns dos empecilhos que tolhem uma comunicação com esferas mais altas. Humildade é algo que não se obtém do dia para a noite, nem pelo querer, é preciso esforço e determinação para conseguir enxergá-la pelo menos. Ser perfeito é impossível, mas buscar melhorar dia-a-dia é necessário. Só conseguimos esta condição ao permitir que nosso coração entenda o sofrimento alheio e permita que consigamos estender nossa energia em busca da cura, seja lá como ela se apresente, de qual forma for necessária.
Nossas entidades na Umbanda são seres com os quais temos grande ligação espiritual, que em algum momento de outras vidas tivemos grande contato. A soma de nossa energia pessoal com a destas entidades possibilita que obtenhamos sucesso em nossa senda de caridade e fé para conosco mesmo e para com o próximo. Nada ocorre ao acaso, pois como Einstein disse " Deus não joga dados com o Universo".
Nossas palavras e atitudes interferem sim no meio.  E vou voltar às formigas da minha amiga Milly Pellegrini: elas têm sim um sentido espiritual querida. Veja como as pessoas têm se movido por idéias que não condizem com a espiritualidade que conhecemos. Repetem palavras que desconhecem o poder e se movem não como espíritos livres mas condicionados à uma única vertente. As formigas tem lá um tempo para colher e outro pra se recolher. Consomem o que precisam e só. Já os seres humanos que andam em manadas de pensamento fixo que proveito têm?
Muito se fala hoje em dia em demônios e possessões, em macumba e demandas.Igrejas, Terreiros, Barracões se tornando centros de comércio explícito, invocando forças que depois não há como segurar. Assim meus amigos vai crescendo a fé de que o poder está nas mãos de quem sabe melhor falar sobre o mal do que o que prega a paz. 
Cada médium consciente de suas funções nesta vida , independente da linha que siga ou de seu orixá natural, é, no meu ponto de vista, membro do grande exército de Ogum. Não há como ser diferente. Ogum contrói seu caminho ao pisar nele, o médium constrói seu entendimento no vivenciar. Um outro amigo, o Paulo Faria, filho legítimo e amado de Ogum, me falava que nós médiuns aprendemos também em sonhos. Deus em sua infinita sabedoria nos dá todos os elementos para que, com os dons que temos, sejamos instrumentos únicos na sua Grande Obra, para nos amparar, assim como aos que nos pedem auxílio. Só o entendimento nos equilibrará.
Então Milly Pellegriny e todos os que tem um meio de falar sobre a Umbanda ou qualquer outra religião: use seus meios para que as pessoas não se tornem apenas formigas, mas que em suas individualidades e particularidades sejam grandes no apoio à Obra Divina. Vou deixar aqui um pequeno texto de um grande médium: " Jovens: sabiam que a geração de vocês não é a primeira a aspirar por uma vida plena de beleza e de liberdade? Sabiam que todos aqueles que o precederam sentiam no coração aquilo que vocês sentem hoje e que depois foram vítimas do ódio e da infelicidade? Sabia que todos aqueles desejos ardentes que vocês possuem, somente vão se realizar se você for capaz de exercer amor e compreensão pelos homens, animais, plantas, e estrelas, de tal forma que cada alegria será também sua alegria, e cada dor também sua? Jovem, abra os olhos, o coração, abra as mãos e fuja daquele veneno que seus antecessores sugaram avidamente da História. Só então o mundo inteiro há de se tornar a pátria de todos vocês, e seu trabalho, seus esforços, se espalharão como bençãos sobre a Terra."   Albert Einstein


 Gostaria de agradecer aqui aos meus queridos amigos do CEUOM lá do berço da nossa Umbanda, em São Gonçalo/RJ que me agraciaram com a leitura de um texto aqui do blog na grande festa de Ogum que fizeram no último dia 28/04. Fico grata por uma energia tão boa como a de todos vocês daí chegar a este pequeno sítio aqui do Sul. A disciplina, a fé, a caridade e o amor que dispensam a todos interessados em seguir os verdadeiros caminhos de Ogum sejam exemplo para outras casas sempre. Saravá!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mágicos e Médiuns

Nos seus estudos de mágica, o Syrus aprendeu um grande ensinamento com seu mestre: mágica é algo para entretenimento, para fazer as pessoas felizes, para divertir. Nunca, em nenhuma apresentação, deve ser falado que é algo sobrenatural, pois mágica não é magia, e para ser mágico não é necessário ser mago. E por quê tudo isto? Porque se o mágico se desviar da função de entretenimento e dizer que tem poderes mediúnicos, em algum momento ele pode realmente acreditar nisto e aí todo seu profissionalismo estará comprometido. Um mágico pode ser um médium também, mas cada coisa a seu tempo e em seu lugar.
Achei isto interessante porque no início da nossa caminhada dentro da Umbanda  o médium também tem que se ater ao seguinte detalhe: ser médium não é ser mágico. Eu creio que até , em alguns atendimentos, possam acontecer alguns "efeitos especiais" não por vontade do médium, mas até pela necessidade da fé do consulente. Mas jamais, em tempo algum, o médium pode pensar que isto vá se repetir, ou que ele possa produzir isto sozinho. Até porque estes "efeitos  especiais"  são legais só no cinema. O que a Umbanda faz é muito maior do que isto.
Eu mesma tive um grande aprendizado esta semana. Seo Sete Cachoeiras chamou um jovem médium da corrente e pediu que segurasse a mão da consulente. Depois disse : passe para ela a mensagem meu filho. O menino, meio envergonhado, se enrolou, e seo Sete Cachoeiras falou que ele mesmo passaria: era para a senhora antes de responder qualquer coisa para o marido respirar e conversar, e no trabalho que exercia, ser mais direta em suas colocações , pois estava sendo infeliz deixando de falar o que precisava. O rapaz se espantou e disse que a mesma mensagem havia recebido só que de forma diferente: que a senhora acendesse uma vela antes de falar em casa e que no trabalho soubesse que em casa há uma vela acessa. Sabiamente, seo Sete Cachoeiras então explicou: meu filho se vem uma pessoa aqui nesta Casa e está aflita, ao ouvir seu conselho pode levar ao pé da letra. Já pensou se a pessoa realmente acender uma vela em cada momento destes? Veja: quanto mais claro e simples você for,mais resultado obterá.
A transmutação de pensamentos é algo muito ,mas muito mais espantoso que os "efeitos especiais" no meu entendimento. Ela conduz a estradas mais arejadas e luminosas. Fazer com que uma pessoa reflita e reveja seus pontos de vista por outro ângulo é também uma das grandes habilidades das entidades, e um processo que pode levar a uma cura de diversos males.Para isto o médium deve estar preparado. Eu nunca havia pensado neste ponto de vista exposto pelo seo Sete Cachoeiras e fiquei até pensando se o ensinamento não era também para mim. Como sempre escuto e presto atenção aos meus dirigentes no terreiro e leio bastante, a mensagem pode ser passada de uma forma adequada.
Como sempre falo , na Umbanda estamos todos interligados, e apesar de praticarmos rituais com diferenças ,somos muito mais unidos que pensamos. Hoje ,na postagem do blog do Ricardo Barreira ele fala como a Umbanda é ecosófica. Como o próprio nome diz , ecosofia, é ecologia aliada à filosofia. Vou deixar abaixo o link para que leiam o texto mencionado.Tem muito a ver com esta minha postagem de hoje.
Na Umbanda aprendemos a manipular campos de força com elementos da natureza, para processos de cura de uma forma geral. Mas também, aprendemos  a manipular nossos pensamentos para que possamos passar as mensagens de forma mais clara para cada indivíduo que nos procura, porque o pensamento é o elemento natural do ser humano. É através dos pensamentos, e das ações geradas por eles, que construímos nossas vidas e de nosso meio. O equilíbrio de nossas emoções e de nossas relações familiares, sociais e profissionais são conquistas inestimáveis, assim como nosso entendimento de que nossa relação com a natureza também é imprescindível. São os pequenos milagres que resultam na grande obra da Umbanda neste nosso solo brasileiro: a maravilha do bem viver.
Um médium ao acreditar que é um mágico, está correndo um sério perigo, então deixo a foto desta postagem para que não se esqueçam. E como meu lindinho diz, é preferível acreditar que vamos à gira, como médiuns,não para fazer caridade, mas sim para retribuir tudo que a Umbanda fez por nós, principalmente a nossa reconstrução como seres humanos melhores.

Este é o texto do Ricardo Barreira:
http://www.ricardobarreira.com.br/2011/07/umbanda-ecosofica.html?spref=tw

quarta-feira, 29 de junho de 2011

As Janelas da Percepção

Pai Antonio incorporado em Zélio de Moraes na Cabana de Pai Antonio,
 em Boca do Mato - Cachoeiras de Macacu - RJ.
O fato se passou na linha de ônibus escolar do Uvaranal, aqui em Colombo. O motorista do turno da noite observa pelo espelho duas alunas sentadas no fundo do veículo, mais à frente quatro rapazes conversam. Na parada o motorista espera descerem. Pergunta à moça que desce por último: sua amiga não vai descer? Eu sou a única mulher que vem nessa linha, tio. A verdade é que naquela linha andam acontecendo coisas estranhas, sempre com esta moça, que volta e meia é vista também numa encruzilhada de três ruas ,lá no meio das matas do local. Passos são ouvidos dentro do ônibus e ,em algumas paradas, se escuta um tchau de alguém que ninguém vê.
Ao me contarem esta história a primeira coisa que pergunto é se o motorista é médium. A resposta é positiva, tendo em vista a sua trajetória em ver e ouvir espíritos desde pequeno. Ser médium é ,meus amigos, funcionalidade e não qualidade. Por este motivo a mediunidade não é característica encontrada em membros de uma só religião. Seu desenvolvimento e suas características variam de pessoa para pessoa, assim como tudo o que é pertinente ao ser humano- definitivamente não somos iguais,mas semelhantes.
Falava sobre assombrações. Hoje não as temo, mas tenho amigos que falam de sua extrema coragem com as ditas aparições somente uma vez por semana e em horário determinado: das 20 às 21:50 e das 22 às 23:50h. É o horário que estão na gira e no meio de muita gente, sob os olhares do pai de santo. Fora deste período a coragem também tira folga. Não é o que vemos , como diriam os matutos daqui, com estes olhos que a terra há de comer, mas o que não vemos que devemos ter atenção.
Os extremos de nossos sentimentos são capazes de nos abrir portas para as vibrações mais perigosas. Chamo de extremos aqueles momentos em que acreditamos ,com uma alegria e orgulho inenarráveis, que somos os melhores médiuns interplanetários ou , na contrapartida, que somos um fracasso total e de forma irreparável. Nestes momentos, como médiuns que somos ,se aproximam de nós espíritos com a mesma vibração, que sutilmente vão alimentar estes pensamentos catastróficos.
Primeiro temos que ter em mente que estamos numa caminhada em busca da perfeição e enquanto buscamos, teremos acertos e erros. Sempre falo que em uma mensagem espiritual é muito fácil você confundir "vou te cobrir de ouro" com " vou te dar um couro", então esteja sempre atento. Saber o que são pensamentos seus e o que não são, bem como o das pessoas que o cercam, requer observação e humildade. Para ser humilde há que se entender o amor como energia universal. Entendendo a energia universal pratica-se a verdadeira caridade.
" E é preciso ter muito cuidado, haver moral, para que a Umbanda progrida e seja uma Umbanda de humildade, amor e caridade.É  esta nossa bandeira." Estas palavras são do Caboclo das Sete Encruzilhadas, ditas através do seu médium Zélio Fernandino de Moraes fundador da Umbanda.  Os ritos podem ser diferentes nas mais diversas casas, mas a bandeira da religião é uma só, que por sinal é a base que todo médium deve ter para que a sua funcionalidade, como falei antes, obtenha êxito. É a nosso objetivo evolutivo que nos diferencia e nosso conjunto de preceitos morais que nos equilibra e proteje.
Buscar manter sempre um equilíbrio familiar, pessoal e profissional são meios de nos protegermos de influências ruins e auxiliam sim em nosso desenvolvimento espiritual. Alguns outros cuidados são também imprescindíveis: observar os pensamentos e ações dos líderes espirituais a quem você vai confiar seu desenvolvimento, se quiser usar da ferramenta da mediunidade. Ter conhecimento do que é e o que objetiva a religião a ser escolhida também é importante. Agora em especial aos médiuns umbandistas: sempre mantenha um diálogo claro e respeitoso com seu pai/mãe de santo e prefira sempre os que te mantém com os pés no chão, nos caminhos da verdadeira Umbanda. Líderes religiosos e membros de hierarquia, como médiuns mantenham-se sempre com os pés no chão, porque também o lugar em que ocupam não é uma qualidade e sim uma função, não emitindo brincadeiras sobre médiuns iniciantes, antes encaminhe-os ao verdadeiro aprendizado que sempre é com respeito, humildade  e amor, porque o que ensinares assim será perpetuado nos corações dos aprendizes. Saravá!

A foto postada aqui aparece no blog http://todomundoquerumbanda.blogspot.com/ contudo não aparece o nome do autor, quem souber por favor me conte para dar o devido crédito.
  

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Grande Magia

Amendoins salvam se acompanhados de sabedoria. Vendo o pânico das crianças ,que apesar de morarem na sua grande maioria em sítios, sabiam que o mundo ia acabar naquele sábado, a Barbra Voigt, atendente do ônibus escolar teve uma idéia. Se o mundo não acabasse no sábado, na segunda cada um traria umas moedinhas e fariam uma vaquinha para comprar amendoins. Seria um lanche comemorativo no ônibus, na volta da escola. Como as crianças estão praticamente chegando no mundo agora, ter uma data pro fim do mundo assim tão próximo assustou, mas a comemoração por não ter acabado foi uma grande festa.Agora esperam ansiosas por mais um fim de mundo, e mal sabem que vão ter muitos anúncios antes de chegarem à uma idade avançada, mas certamente não esquecerão deste primeiro.
Assim como a Barbra, heroína desconhecida ainda de Colombo, teve a professora Martha Rivera Alanis do México. Enquanto acontecia lá fora um violento tiroteio entre traficantes, a professora primária resolveu cantar para os alunos, para que o episódio passasse quase despercebido, mantendo-os calmos dentro da sua inocência. Mais do que letras e contas estas pessoas ensinam o que é mais necessário nesta vida: aprender a superar dificuldades com alegria. E isso é inestimável.
Na Umbanda não acreditamos no inferno nem em demônios. Talvez o grande mérito da religião seja, através das entidades ensinar a enfrentar as situações difíceis com coragem e humildade. A Umbanda, como sempre fala Pai Fernando, é uma religião de combate. Eu tenho comigo que devíamos mesmo fazer um alongamento antes da gira. Parece engraçado, e é no fundo, porque quando adentramos em nosso solo sagrado para começar nosso ritual sabemos que vamos enfrentar não só as assombrações produzidas pelo medo dos outros ,mas pelos nossos próprios medos. Medo de ficar só, medo da morte, medo da vida insegura. 
A agressividade de alguns momentos da nossa própria vida podem ser combatidos com amor e bom humor, além de coragem, não podia ser diferente. Umbandistas são fiéis corajosos e isto não há como negar. E é tanta coisa que se vê numa gira que às vezes nós médiuns nos esquecemos de nós mesmos, porque há infindáveis situações piores que as nossas próprias.
Prova disto estes dias li no Blog do Pai Maneco , no tópico o que você não entende na Umbanda , a seguinte pergunta, feita pela Marli que vou resumir aqui: os guias do médium não ajudam o próprio cavalo?
Vou postar a resposta do Pai Fernando na íntegra pois creio ser de utilidade pública para qualquer médium: "Marli, seria um absurdo um seguidor da Umbanda não poder pedir atendimento às entidades para ajudá-lo nos seus problemas pessoais, seja ele qual for. Nunca a Umbanda vai lhe dar dinheiro, poder ou vai lhe trazer benefícios jurídicos sem merecê-los, mas com toda certeza vai lhe trazer todas as oportunidades possíveis para que suas necessidades sejam supridas, desde que isso não fira alguma lei do carma ou possa prejudicar terceiros. Essas afirmações na pergunta, inclusive com relação ao seu relacionamento com o Caboclo, na minha ótica não têm fundamento. Talvez seja uma forma de expressão. Eu jamais iria entender a razão que as entidades atendam aos consulentes e nada façam por seus cavalos. Os médiuns têm suas dificuldades, sofrimentos e mesmo falta de dinheiro. Acho que talvez os dirigentes não estejam esclarecendo os médiuns como isso possa acontecer. Não sei se vc está passando algum problema difícil e que não esteja sendo atendida pelas entidades, mas vou sugerir que a todos que experimentem fazer um teste. Aos que estão com a vida sem rumo, desorganizada façam uma entrega para o Orixá Oxum, que é a que põe tudo em ordem. Feita essa entrega, se for falta de emprego faça um amalá para o Exu. Se for falta de dinheiro um amalá para o Preto Velho. Se for um problema familiar, que faça uma entrega aos ciganos. Assim por diante os médiuns podem sim pedir e serem atendidos pelos maravilhosos guias que nos usam como instrumento de trabalho. Não podemos esquecer jamais que eles são nossos amigos e só querem o nosso bem estar. Vamos levar isso para o lado da matéria. Seria o mesmo que nosso pai carnal não nos ajudasse. Só que ele tem que saber das nossas dificuldades, o mesmo acontecendo com os nossos pais espirituais. Eles têm que saber o que queremos e precisamos, aos menos para liberá-los na interferência no nosso livre arbítrio, como muito bem explicou varias vezes em nosso terreiro o Pai de Santo Beco de Oxossi. A todos desejo sucesso e a solução dos seus problemas. "
Além do proposto pelo Pai Fernando, gostaria que o observassem a tônica do conselho, que é algo que venho colocando aqui frequentemente. Entendimento e pés no chão. Somos todos educadores, cuidadores do próximo e de nós mesmos. Temos que ter em mente que nosso bem maior é a vida, assim como é dos que nos rodeiam. Com amor à vida temos a coragem necessária para enfrentar qualquer coisa e, com bom humor e discernimento, sempre é mais fácil. Se estamos num grupo é necessário pedir ajuda quando precisamos, porque se ajudamos o próximo com tanto amor, temos que pensar em nós mesmos para que fiquemos cada vez melhores em nossa função escolhida. Há uma grande magia aqui,pense nisso. Saravá!

Esta postagem de hoje é dedicada aos Cuidadores Online que fazem um trabalho fantástico pela educação do próximo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Nós come o peixe"

Numa destas conversas sábias entre meus filhos, o Dyogo afirma ao Syrus: Sempre quis saber porque você jogava longe a mamadeira quando terminava o leite.Resposta óbvia: ué, pensei que se terminasse e jogasse fora apareceria outra cheia, como sempre aconteceu!  Um detalhe importante: nesta época nenhum dos dois falava pois eram muito pequenos: um tinha dois anos e pouco e o outro 10 meses.Outro detalhe importante é que nunca contei a respeito
Eles não falavam português, nem pensavam em português, nem em nenhuma outra lingua, mas o pensamento existia. Por este motivo qualquer espírito pode se comunicar com qualquer médium ,pois o pensamento é que é repassado.Mas o que quero hoje é ir um pouco além disto.
Hoje a casa está bagunçada. Tudo é direito, nem que seja errado. Tenho direito de me expressar como quiser e da maneira que eu quiser. Tenho o direito de não sofrer nenhum tipo de punição, pois eu posso tudo. Posso usar palavras estrangeiras para definir minha falta de limites, como também minha contrariedade e minha falta de atitude pode ser definida com palavras que apontam para doenças que eu nem sei direito o que são, mas estão lá catalogadas no consciente coletivo, ou seja, na mídia.E assim caminham os pensamentos brasileiros.
Coincidentemente, estava vendo uma série da Tv Cultura, neste final de semana, sobre o crescimento e desenvolvimento humano nos primeiros quatro anos de vida. A lógica gramática se desenvolve nos primeiros anos de fala: isto é uma coisa instintiva e , de certa forma,relacionada à sobrevivência. A criança se esforça em falar corretamente para poder pedir o que lhe garantirá a subsistência. É lógico que temos uma imensidão de coisas a se aprender durante toda nossa existência, mas temos os mecanismos necessários para isto.
Por minha própria essência sou contra a qualquer tipo de preconceito, mas é esta mesma essência, e vivência, que me alerta de abusos que cada vez fluem para as trevas da existência.
O pensamento é um cavalo selvagem que deve ser adestrado, sob pena de perdermos o controle sobre nosso próprio bem estar.Se não tivesse falado e imposto um limite ao meu filho que jogava as mamadeiras na parede, hoje ele estaria fazendo normalmente isto com pratos de comida. Perder os parâmetros entre o certo e o errado, deixar se conduzir conforme o vento sopra, é o primeiro passo para o estouro da boiada. E como sabiamente falou seo João Boiadeiro, é melhor sacrificar um boi do que ver o dito estouro.
Uma médium ontem foi pedir uns esclarecimento ao seo Zé. Perguntou em que "gaveta" estava, qual era a sua classificação como médium. A resposta não poderia ser outra: não há gavetas,nem armários na Umbanda, não há nada fechado, nem classificado como melhor ou pior. Os questionamentos fazem parte do desenvolvimento de cada um ,seja médium de corrente , seja entidade. Os questionamentos mudam conforme seu grau de desenvolvimento e este é um processo individual.
Minha questão é esta: como pode haver desenvolvimento sem disciplina? Como pode haver questionamento sem conhecimento? A Umbanda não tem dogmas, mas tem uma disciplina rígida e não poderia ser diferente. Trabalhamos com direcionamento das forças da natureza para equilibrar seres humanos em sua caminhada nesta vivência. O Terreiro que não tem disciplina e que não disciplina seus médiuns na caminhada para a real caridade, ao amor e à fé, experimenta as intempéries das sombras. Chamo de sombras o ódio, o medo, a pretensão, o desânimo e a tristeza. Quem pode ajudar ao próximo desta forma?
Pais ,educadores e líderes religiosos peço que eduquem com amor, com fé, com coragem e disciplina aqueles que estão sob sua guarda. Ensinar como se pesca é possibilitar que o futuro pescador desenvolva outros métodos melhores e mais eficazes,e tenha coragem de prosseguir por outros mares . É permitir a toda uma geração o progresso e a luz do conhecimento, sem medo do amanhã. Se permitirmos o "nós come o peixe" , amanhã o "peixe come nós". Saravá.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tsunami Mental

1975/76. Meus filhos quando se referem a algo muito antigo falam da década de 80, mas a década de 70, pré-histórica para eles, foram meus anos de descoberta. Nesse ano ,nas férias de verão tive uma amiga com a qual conversava muito na praia de Barra Velha. Um dia ela me contou sobre o filme Tubarão que havia assistido. Na época foi algo muito marcante e para uma criança então, motivo de muitos pesadelos. Quando fui contar para os adultos o que ela havia dito sobre o filme, todos se espantaram e me lembro muito bem disto. O motivo do espanto não foi pelo filme, mas pelo fato dela ser surda/muda.Eu era criança e sinceramente não sabia que isto era impecílio para nos comunicarmos. Na realidade nunca o foi.
Quando você incorpora , o que está sob controle da entidade é o seu mental. Como se você fizesse um "link' para transmitir as mensagens.E isso não tem nada de sobrenatural, antes é uma habilidade nata do ser humano. Por mais que nos vejamos como seres individuais estamos sempre física ou mentalmente ligados a alguém ou alguma coisa.
Uma das mais novas filósofas de nossa era, a Dra Amber Case, uma menina norte americana de 24 anos, afirma que somos ciborgues há milhares de anos. Um ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e mecânicas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial. E isso a humanidade faz desde que inventou a primeira machadinha....
Esta filósofa estuda específicamente nossas relações com a web. Veja o que ela diz: "Não somos como Robocop ou o Exterminador do Futuro,mas somos ciborgues toda vez que olhamos para uma tela de computador ou quando usamos os dispositivos dos nossos celulares". Em suma, somos ciborgues na atualidade no plano mental.
Em virtude das várias mídias sociais existentes, as pessoas têm se encontrado primeiro com um contato mental e depois, se chegar a acontecer, com um contato físico. Formam-se cada vez mais e, pela facilidade de comunicação, grupos por afinidades puramente mentais. E isso tudo tem muito a ver com o mundo espiritual, pois conseguimos cada vez mais reproduzi-lo em nossa vida real.
Se fala muito que todos somos médiuns e maior ou menor grau. Todo pai ou mãe tem afinidade com seus filhos onde quer que estejam. Sentem se estão bem ou mal. Mas não só eles. Quantas vezes você não teve aquela sensação esquisita de que há alguma coisa errada e no fim descobre que há alguém querendo muito falar com você? Estamos todos ligados neste mar invisível de informações. Estamos ligados a tudo e a todos. Então se você começar a pensar nisto tudo, não há como deixar de ver as incorporações na Umbanda como algo perfeitamente normal.
Falei em reprodução do mundo espiritual. Vendo a série de reportagens sobre a Cracolândia, não há como não compará-los aos espíritos que caminham no Umbral. É muito triste. E relembrando a frase do Deputado paranaense Caito Quintana "O crack é a criptonita que destrói o superhomem que há em você" aproveito também para pedir providências pelo Ministério da Saúde e atitudes mais significativas neste sentido. Todos deviam pedir.
Somos praticamente guiados por um Tsunami de sensações e pensamentos. Gostaria que refletissem sobre isto em cada imagem que está sendo veiculada sobre a tragédia que está instalada em nosso planeta neste momento. As ondas que avançam sobre diversos países podem se comparar as ondas mentais que invadem todos os espaços. 
Não sou adepta ao positivismo, porque nossa mente é dual, por nossa própria estrutura de preservação e necessidade de analisar todas as alternativas. De forma individual podemos sim ajudar a diminuir um possível caos: no momento que começarem a vir pensamentos ruins ,desvie deles imediatamente. É difícil, mas não impossível. Podemos melhorar e muito a saúde mental de nosso planeta desta forma. 





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Yemanjá

Por volta das 8 da manhã, do dia 26 de dezembro de 2004, ocorreu um dos maiores tsunamis da era moderna no Oceano Índico. Um mês após o fato eu lancei pela Editora Juruá o livro Tsunami-A Onda Letal , sobre o ocorrido, falando também de outros tsunamis históricos,além de como se prevenir neste tipo de catástrofe natural e todas as conseqüências pós-tsunami.Apesar de já decorridos 6 anos, esta publicação continua sendo vendida, principalmente a estudantes. Na época acreditei que escrever um livro que apresentasse a história de tais eventos seria mais instrutivo do que apenas explorar o evento em si.
Sentei-me aqui em frente à tela deste computador para falar sobre Yemanjá e o livro não saía da minha cabeça. Falar sobre a Deusa do mar para brasileiro é tornar-se redundante e a força que seu elemento da natureza tem sobre nós, o mar, é , literalmente, chover no molhado Tenho um amigo que apesar de dizer que não gosta nem de umbanda nem de candomblé, não deixa de fazer entregas a Yemanjá todo ano para se fortalecer.Então, mediante a tanta admiração por Ela, resolvi começar pelo não tão óbvio.
Fomos educados para acreditar que a energia Divina tem reações humanas, o que é um grande erro. Deus "É", e não "Está". O Divino é Verbo presente e imutável.Assim como as energias cósmicas dos Orixás que fazem parte Dele. Na Umbanda Orixás não têm sentimentos humanos como nós: inveja, orgulho,ira ou até a mais simples predileção. Os tsunamis não ocorreram devido à fúria divina, como nenhum outro evento da natureza. O mundo em que vivemos é um organismo vivo, que produz alterações geológicas e, como toda ação resulta de uma reação, é óbvio que em algum momento presenciaremos tais reações.
Fazemos parte da Natureza e somos seres espirituais em evolução também.Todos os orixás são o Amor Divino em ação para nosso próprio desenvolvimento. Um amor como não conhecemos igual. Yemanjá é a prova disto. Simbolizada pelas águas do mar ,ela é em si um agente catalisador deste amor. Portanto nossos espíritos podem e devem entrar em sintonia com esta energia, para se purificar e se elevar.
Sempre gosto de brincar que sou como um rádio: às vezes, nos bons dias, capto a FM, nos maus, capto AM e ainda um pouco fora de sintonia. Contudo, em frente ao mar todos somos iguais. Quem não parou ainda para admirar a beleza das ondas e se sentiu apenas um espírito em comunhão com o sagrado? Quem não conversou com o mar e ficou ali aguardando uma resposta? O som hipnótico das ondas, é o canto das sereias, é o canto de uma mãe ninando e acalmando um filho confuso em seus pensamentos sobre a vivência.
Genéticamente viemos há milhões de anos do mar, espiritualmente ainda estamos nele. Eu imagino que bilhões de pessoas neste mundo pensando ao mesmo tempo formem oceanos de emoções e nela se sobressaem e atingem esferas de energia mais altas, quem tem um elemento preponderante: a fé.
Indubidavelmente Yemanjá nos ajuda na fé e a mantê-la. Não costumo, por ética, comentar atendimentos, mas creio que este que narrarei tem a capacidade de auxiliar mais pessoas. Um senhor veio pedir ao seo Beira Mar que 'energizasse" algumas conchas, na véspera do dia de Yemanjá, para que ele distribuisse à assistência da gira , em prol das vítimas da catástrofe no Rio de Janeiro, sua terra natal. Então ele pediu água e as energizou e as entregou falando o seguinte: "As conchas são descartes de organismos vivos no mar. Chegam à praia e serão com o tempo transformadas para outras utilidades. Que cada um que venha a receber estas conchas acenda uma vela à Yemanjá, pedindo que as pessoas que estão passando por esta transformação tenham força e entendimento, e se fortaleçam na fé." O bom de ser médium consciente é receber grandes ensinamentos.Eu aprendo sempre.
Há vida abundante no mar, nem os grandes cientistas conseguiram catalogar todas as espécies. Há muito o que se aprender também com ele em nossa vida pessoal e espiritual. Recuar e avançar quando as condições são favoráveis.Força e leveza combinadas. Equilíbrio. Talvez seja isso: sonhamos em ser surfistas nesta vida, mas nem sempre há ondas de energia suficientes para nos fazer deslizar pelo mar das oportunidades. A fé e a observação fazem os surfistas continuarem no mar. Os bons surfistas são corajosos e respeitam o mar que os acolhe no prazer de viver.
Sejamos assim em frente ao mar da vida que o Divino nos propiciou : corajosos e prudentes, tentando manter sempre o equilíbrio diante de nossas emoções e considerando que neste oceano de vida que vivemos estamos sempre ligados pelas águas de Yemanjá. Odoyá! 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os Donos da Espada

Imagem intuitiva do Cab. Akuan feita pelo médium Jimmy do Terreiro do Pai Maneco

Um grande amigo escreve-me sobre o último texto e faz a seguinte colocação: nós dois não somos filhos de Oxóssi, mas não devemos nada a nenhum filho dele. Abençoada seja esta pessoa. Senti o tilintar das espadas e as engrenagens do meu cérebro funcionando a mil. Hoje, graças a este estopim, gostaria de divagar um pouco sobre o tipo de inteligência das energias Orixás de Yansã e Ogum. Minhas divagações têm como base minha observação e vivência, então elas não são um “ultimato” irrevogável, antes acredito que partilhando o que me vem à cabeça tenha condições de ver de outros ângulos estas energias provenientes do Divino, e as formas de manifestar sua potencialidade.
Algumas vezes observei o caboclo Akuan, entidade de Ogum com a qual o pai Fernando trabalha.  Os caboclos de Ogum sempre me pareceram mais solitários e reflexivos com relação à vida. Numa batalha é importante defender sua posição e caminhada, mas Ogum vai além disto. Ogum comanda o elemento ferro, que não está somente nas espadas e nos aparelhos que nos rodeiam. Está e é imprescindível dentro de nós mesmos. A sua falta em nosso organismo nos debilita, esgota nossas forças e nos faz adoecer. É o ferro que dá força ao nosso sangue.
Num campo de batalha como o da gira, já vi seo Akuan vencendo grandes demandas, como também já vi este filho de Ogum indo curar os feridos de outras batalhas. E aqui talvez esteja a grande beleza do guerreiro. Os feridos em demandas pessoais ,naturais à própria vida e ao aprendizado, não podem ser deixados para trás. A energia de Ogum é dinâmica, então não pode criar raízes porque seu caminho é longo. Forjar armas para ter uma compreensão melhor da própria existência requer conhecimento e sabedoria. Ogum tem em si o dom de ensinar.  Todos os Oguns sempre estão de ronda, como nosso próprio sangue, porque têm em sua composição o propósito de trazer elementos para que nós possamos entender o caminho que percorremos e, consequentemente,  nos dá caminhos para nossa própria evolução, tanto física como mental. De todos os Orixás, Ogum representa sob meu ponto de vista claramente a palavra  altruísmo.
Há um estudo nos Estados Unidos que diz  que em  nosso corpo há uma estrutura que foi gerada para que possamos desenvolver o altruísmo- chama-se nervo vago. O psicólogo Dacher Keltner, diretor do Laboratório de Interações Sociais da Universidade da Califórnia, em Berkeley, investiga essas questões por vários ângulos e apresenta resultados maravilhosos: “O nervo vago é um feixe neural que se origina no topo da espinha dorsal. Ele estimula diferentes órgãos (como coração, pulmão, fígado e aparelho digestivo). Quando ativo, produz uma sensação de expansão confortável no tórax, como quando estamos emocionados com a bondade de alguém ... O neurocientista Stephen W. Porges, da Universidade de Illinois em Chicago, há tempos argumenta que essa região cerebral é o “nervo da compaixão”. Acredita-se que esse nervo estimule alguns músculos na cavidade vocal, permitindo a comunicação. Estudos recentes apontam que ele pode estar conectado à rede de receptores para a oxitocina, neurotransmissor relativo à confiança e aos laços maternais. Nossas pesquisas e as de outros cientistas indicam que a ativação dessa região está associada aos sentimentos de cuidado e intuição que humanos de diferentes grupos sociais têm. Pessoas com alta ativação dessa região cerebral são mais propensas a desenvolver compaixão, gratidão, amor e felicidade.”
Vejam, não quero teorizar sobre Orixás. Quero antes de tudo que possamos vê-los sob outros ângulos. A Umbanda nos permite, justamente por não termos dogmas, que sejamos livres pensadores, desde que observemos e vivenciemos esta religião com a certeza de que o que conseguimos captar é uma parte pequena da energia como um todo...
Um vórtice tocando a terra
Foi uma outra amiga que ao vir me contar um sonho hoje me ofereceu uma pista para eu complementar este texto. Disse-me que , em sonho, estava contando aos amigos que havia tido uma aula sobre o vórtice que orienta a energia de Yansã.  Infelizmente não chegou, em sonho, a explicar aos amigos qual era este vórtice. Um vórtice é um movimento espiral ao redor de um centro de rotação. Eles estão em todos os locais da natureza do átomo ao tornado, dos redemoinhos do que meus filhos dizem ser provocados por curupiras e sacis até o resultado de mexer o açúcar que está na xícara de café. Em meu ver Yansã também tem o mesmo aspecto solitário e reflexivo de Ogum, contudo sua missão é mais objetiva. Yansã cumpre a mudança de estado. São as frutas depositadas no leite que depois do vórtice causado pelo liquidificador se transformam em vitamina.
Ela é aquele túnel, que já ouvimos em  dezenas de relatos espíritas e em filmes que leva os desencarnados à luz de um outro plano, que nem sempre é o paraíso sonhado. Assim como foram pequenas frases que causaram o vórtice em minha mente para produzir este texto, assim também ocorre com os raios dos quais também é senhora, em comunhão com Xangô. É o clarão rápido que lhe traz o entendimento e que na hora, há de se ter o conhecimento para tal.
Estes dias assistindo um programa de música na tv à cabo, soube da história da cantora Melody Gardot. Ela estava viajando ,meio sem rumo, com uma amiga. Acabou a gasolina do carro e estavam totalmente sem dinheiro. Entraram, já sem saber o que fazer, em um restaurante para pedir ajuda. Melody se deparou com um piano e perguntou se poderia tocar. O dono do restaurante agradeceu aos céus por estar ela estar ali, pois o músico que tocaria aquela noite não poderia vir. Ela tocou e recebeu cem dólares. Aí foi o vórtice que atingiu este plano na vida dela, contudo se não estivesse preparada de nada serviria.
Outro exemplo vem de um grande médium:  em dezembro de 1913, tem uma visão enquanto viajava para visitar uma parente, em uma cidade próxima a Zurique: toda a Europa coberta por um mar de sangue, com milhares de cadáveres boiando, do norte até o sul. É uma imagem terrível que se repetiu como se fosse um sonho aterrorizante. Ele relatou os detalhes em seu livro de memórias, assinalando a necessidade premente que sentiu de compreender o sentido. De início, chegou a pensar que estivesse sofrendo de uma grave crise psíquica e que a visão talvez dissesse respeito a uma doença mental iminente. Só quando, pouco tempo depois, a Europa mergulhou na Primeira Guerra Mundial (1914- 1918) com seus incontáveis mortos e o profundo sofrimento para milhões, ele pôde compreender o sentido antecipatório de sua visão. E é neste ponto, onde descobre o que era a visão e o que fazer com ela, que o considero um grande médium. Seu nome é Carl Gustav Jung e chegou à conclusão de que as visões também se referiam a algo interno, uma profunda transformação interior. As mudanças interiores aconteciam paralelamente às dolorosas alterações da estrutura mundial. E isto é pressentido, não só por médiuns/cientistas como Jung, mas por cada um de nós. Entender o porquê se antevê as coisas e relacioná-las a algo interior é entender que tudo nesta vida, como tenho enfatizado, é “casado’ com tudo. É a mudança de pensamento que nos leva a uma nova condição de vida.
Como filha de Yansã vejo,não só em mim, mas em amigas sob a mesma influência Orixá a necessidade de estar sempre preparada e informada. Talvez porque os vórtices em nossas vidas sejam meio constantes. Sempre falo uma frase que é muito corriqueira: o caos antecede a criação da estrela. Neste ponto diverge de Ogum: Yansã não é uma professora, antes uma jornalista: ela passa os fatos e você os interpreta e utiliza da forma que tiver o entendimento para isto. Enquanto Ogum é o sangue em nossas veias ,Yansã é o átomo que lhe confere velocidade, é a transformação evolutiva. Quem muda nossos caminhos, nos passando de um plano para o outro é certamente Yansã. Contudo, Yansã é a energia que cumpre  a Lei Divina, que se assenta nas mãos de Xangô,portanto não é necessário  nem proveitoso ficar pedindo a ela mudanças constantes.
Ogum e Yansã são energias interdependentes, como ocorre com todos os Orixás. Não existe esta coisa de que são opostos. O Divino é perfeito. Basta-nos buscar conhecimento para entende-las e aplica-las.   Ogunhê ! Eparrey!

Sobre a bondade como desenvolvimento genético: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_ciencia_da_bondade.html

domingo, 2 de janeiro de 2011

Estruturando 2011

Um dos maiores aprendizados que tenho com meu pai ,desde pequena, é sem dúvida prestar atenção em tudo. Tenho 43 anos e quando pequena  já ouvia ele falar sobre segurança. Prestar atenção antes de entrar em casa era uma prática bem comum. Lembro que certa vez meu pai achou estranha a presença de um rapaz que andava de muletas lá perto de casa. Chamou a polícia e o policial dizia que o pobre incapacitado não tinha condições de fazer mal a ninguém. Então, numa averiguação o coitadinho tinha uma ficha criminal duas vezes maior que sua altura e era de alta periculosidade.
Nem tudo é o que parece ser neste mundo. Estar atento não é estar desconfiado o tempo todo. Atenção faz com que nossos sentidos avancem cada vez mais, como se fossem antenas capazes de captar o menor movimento.É como respirar, com o tempo nem se nota. Ter atenção para a própria preservação é vibrar de forma positiva e nos permite não só expulsar e repelir os invasores como saber saudar as boas energias.
Quando se desenvolve a mediunidade, me desculpem os iniciantes, você não se transforma em um ser com poderes fenomenais. Você aprende a fazer uma leitura dos seus sentimentos de uma forma mais clara e definida. Não vai acertar cem por cento, mas chegará a uma porcentagem razoável, se for bem aplicado.
Vou dizer que serás mais feliz se não se meter a "rabequista". A expressão é antiga, mas encerra uma grande verdade quanto a mediunidade. Não invente, não se 'alugue' e não vá ajudar a quem não te pede ajuda. Princípio básico para ser feliz com sua mediunidade e com você mesmo.
Minha avó materna e uma sobrinha dela iam toda segunda-feira acender velas no cemitério. Um dia ,em um túmulo de uma parente a sobrinha de minha avó estava se lamentando pois havia prometido à falecida um presente e não teve tempo de cumprir. Passados alguns minutos ela começa a gritar para a minha avó desesperadamente ,pois o espírito da falecida estava puxando sua perna. O espírito da falecida devia estar é rindo, pois a meia de nylon usada pela sobrinha de consciência pesada, havia se enroscado em outro túmulo.
É engraçado rir de assombrações onde elas não existem, mas o que eu acho perigoso é ver salvadores em lugares em que eles não estão. 
Não se preocupe com os mortos, mas fique sempre alerta aos vivos. Trace parâmetros de segurança e felicidade na sua vida. A caridade real começa por nosso modo de viver. Tudo que cerceie sua liberdade de expressão ou que de alguma forma de inferiorize ou te eleve acima dos outros não é bom.Tem gente que só acredita em livre arbítrio e tem gente que só acredita em destino.Ninguém é detentor da verdade, antes buscamos sinais de que um ou outro norteia nossas vidas.
Acredito que estejamos todos em casulos, nos alimentando do que vemos através de um fino véu que nos recobre. Esse véu são nossas vaidades e todas aquelas coisas que nos impedem de nos movimentar. Faço aqui mais um pedido para 2011: que cada um saiba rasgar seus véus e alçar o vôo necessário para sua própria felicidade.

A foto pertence a Nely Rosa e foi cedida generosamente para ilustrar este texto. 


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quem é você?

Uma das coisas que são mais peculiares na Umbanda , dentro da minha observação, é a necessidade de saber quem são as entidades com as quais se trabalha, curiosidade bem comum no começo da caminhada. E quanto mais conhecido o nome da entidade, melhor.Equivaleria mais ou menos a dizer assim: se eu sou amiga do George Clooney porque é que eu vou ficar falando do Joãozinho da Silva que também é meu amigo, mas ninguém conhece?
Estávamos todos reunidos no aniversário do neto do meu lindinho em uma chácara aqui perto. A família dele é evangélica, portanto não conversamos sobre religião para evitar constrangimentos. A netinha mais nova  tem quatro anos, e é uma menininha linda e esperta. Meu apelido na família dele é Deca,mas ela pequena não consegue me chamar de outra coisa senão Neca. Pois bem, todos reunidos ela vem e abre os braços e fala em alto e bom tom: Veja Neca consigo dominar os ventos! Nisto alguma bexigas estouram, meus filhos gritam: Eparrey! Logicamente todos olham para mim e eu como não tinha o que dizer falei: muito bem filhinha é por aí mesmo!
Como é mágico ser criança e descobrir tudo o que conseguimos fazer. Esquecemos isto pelo caminho e achamos que conhecemos todo nosso potencial. Quando se entra na Umbanda  a primeira coisa é descobrir qual é a sua regência energética e logo depois vamos para a fase que citei, descobrir as entidades.Entre estas duas pontas há de ser construída uma ponte, mas as vezes não conseguimos enxergar esta necessidade.
Quem somos nós, o que temos a oferecer são perguntas que cabem muito bem nesta religião. Porque é com base nas respostas que vemos e descobrimos porque determinadas entidades se aproximam de nós e outras são mais distantes. Tudo neste mundo ocorre por afinidade.Nossos amigos mais queridos tem algo de nós dentro deles, pois certamente não os amaríamos se não fosse assim.
Um médium não precisa ter poderes fenomenais. Efeitos especiais cabem bem somente nas telas dos cinemas. Um médium deve entender sobre os elementos naturais, estar bem integrado com a natureza e principalmente, desenvolver mais e mais sua sabedoria.Isso leva um tempo. A sabedoria é a junção do que você testemunhou nesta vida, seus pensamentos sobre tais coisas aliado ao que você aprendeu nos livros. E isso vai crescendo continuamente.É  a ponte entre nós e as entidades.
Não creio em médiuns intelectuais. Creio em médiuns dedicados, humildes, comprometidos mesmo com a caridade.Ora, qual é o principal elemento da caridade na Umbanda? A palavra, amigos. É isto que o médium doa, porque no que tange a transformação dos elementos quem sabe perfeitamente o que está fazendo é a entidade.A Umbanda é consolodora, porque na medida em que o médium está preparado as entidades usam do seu conhecimento para melhor repassar uma idéia. E ,por incrível que possa parecer, mostrar um ponto de vista diferente para um problema , uma coisa simples, pode se tornar mágico e transformador para quem escuta.
Saber escutar é mágico. Estar aberto a todas as possibilidades desta vida, sem preconceitos, pode ser a salvação da lavoura.Estamos em constante crescimento e desenvolvimento, tenhamos 20 ou 80 anos.E vou lhes dizer que as pessoas que mais repensam suas idéias e concepções são as que têm mais de setenta. Não concordo com a idéia de que pessoas mais velhas não mudam de opinião. Elas entenderam o sentido da vida através da sabedoria e porisso se permitem mudar. Coisas que nós mais jovens, às vezes não nos permitimos por ter idéias pré estabelecidas, o que nos faz regredir em verdade.
Hoje deixo a todos um poema, que bem poderia ter sido escrito para os Umbandistas:

Ainda ontem pensava que não era

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"
Kahlil Gibran


Dedido este texto a médium Denise Zanchetta que possibilitou, com sua dedicação aos ideais umbandistas, que hoje eu esteja um pouco mais firme em meus propósitos. Saravá Dede!


Atenção twitteiros: Vamos participar? #AmigoOculto no #NatalSolidario #CAZUZA Veja as informações no Blog >>> http://bit.ly/ecTdME

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Carta Aberta

Hoje permito-me fazer o caminho inverso da comunicação entre entidades e médiuns. Venho falar com o Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade que trouxe ao nosso convívio a Umbanda. Pretendo que seja mais que uma oração, que seja uma conversa e um pedido entre amigos, mesmo para os não-umbandistas. O Divino que nos entrelaçou benéficamente na amizade e no respeito uns pelos outros neste blog há de nos atender por este seu mensageiro.

Caboclo das Sete Encruzilhadas, zelador da criação venho aqui respeitosamente pedir que ilumine todos nós coforme as encruzilhadas desta vida.
Na encruzilhada de Oxalá, que escolhamos sempre o caminho do bem comum onde as vestes brancas da alma dos médiuns sejam aos poucos coloridas pelas energias dos Orixás e do aprendizado que obtivermos nesta experiência de vida.
Na encruzilhada de Oxum meu pai, que suas lágrimas se transformem num rio, e nos faça escolher o caminho da vida plena, onde bate o coração riscado em seu ponto, a ponto de encontrarmos felicidade ao nos doarmos ao próximo.
Na encruzilhada de Xangô, que escolhamos a direção da Vontade Divina com humildade e não enveredemos pela estrada que leva à justiça a qualquer preço, pois somos cegos ainda no entendimento da justiça espiritual.
Na encruzilhada de Oxóssi, na escolha entre sermos a doença ou a cura, sejamos também humildes para escolhermos a cura, não com a pretensão de alcançarmos a glória e a notoriedade destes feitos, mas para termos a alegria de sermos instrumentos de vida.
Na encruzilhada de Yansã, que tomemos o caminho das batalhas em nome do bem e da paz, onde no final imperam as brisas da prosperidade plena. Que não tenhamos medo de nada , nem de ninguém, antes mostremos que a corahem é atributo Divino.
Na encruzilhada de Ogum, escolhamos a estrada que nos ensine a mostrar o caminho para quem anda nas sombras  E que nossa espada, para defender os mais fracos, brilhe na intensidade da luz Divina.
E por fim, e não menos importante,quando chegarmos à encruzilhada de Yemanjá, escolhamos a estrada que guie nosssos passos no caminho do fazer caridade, mais próximo do que o Criador idealizou.
Sei que estás sempre presente ao nosso lado, nos terreiros onde o amor , a fé e a caridade estão sempre à frente nos ideais umbandistas. Peço que dê a força da sabedoria e da paciência que carregas contigo, aos pais e mães de santos jovens em suas atribuições na Umbanda. Peço também que permita aos pais e mães de santo mais antigos sentirem em seus corações que ,mesmo com todos os percalços sofridos até aqui, a Umbanda do futuro será uma religião transformadora das realidades tristes em novos recomeços mais esperançosos.Meu grande amigo Sete Encruzilhadas, aponta-nos nossos defeitos com a ponta de sua lança e nos ensina a manipular suas flechas para aniquilar cada um deles e nos tornar mais fortes, para o bem comum.
E depois de trilhadas todas as encruzilhadas e cumprido nosso caminho, que nos encontremos em outro plano, onde as cachoeiras são plenas da água da vida, que torna vigorosa à terra, para que possamos ter a dignidade de dizer:  obrigada pela companhia em meu caminhar na Umbanda! Saravá!