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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Disciplina e Umbanda

Meu querido, acho fantástico que você ajude o seu pai a fazer novas leis, mas nosso problema no momento é fazer com que você cumpra as já existentes neste Colégio...A resposta foi dada a um filho meu que quis impressionar a coordenadora, em mais uma ida ao seu gabinete. Adolescente é assim mesmo: tem que contestar, argumentar, mas ainda não tem experiência suficiente para entender seus próprios equívocos. Disciplina é um norteador importante nesta fase. Tudo tem seu tempo certo, então a quem tem mais tempo é preciso discernimento para saber explicar com paciência,não basta dizer apenas que sabe mais.
Uma outra amiga minha falou estes dias que o lado "fofo" dela era Clarice Lispector. Tive que informar que Clarice nunca foi "fofa", ela era tão intensa quanto Yansã. Não que ela fosse obrigada a saber,pois hoje se faz leitura rápida feita apenas com frases soltas no Facebook.
É neste ponto que entro no meu assunto predileto: a Umbanda. Muitos sabem da Umbanda tanto quanto minha amiga sabe da Lispector, mas o que é pior, há outro tanto de gente que age como meu filho: querendo fazer mais leis, enquanto as já existentes são renegadas, porque o que está valendo é inovar.
Não sou contra inovações, até porque em termos de espiritualidade, quase tudo já existe ou existiu. Cada um segue a linha que mais é adequada a sua energia,mas cabe ao dirigente de cada casa ensinar cada filho de corrente da melhor forma possível. Sei que ninguém, nos dias atuais, pode dispor de muito tempo para seus filhos de corrente,mas são informações essenciais que vão evitar que o médium chame alguma Pomba Gira de "fofa".
Umbanda é séria, pois envolve necessariamente o tratamento da dor do próximo, seja ela qual for. Entender que mediunidade não é qualidade e sim funcionalidade, como sempre falo, também é essencial. Há muita coisa a aprender, mas é preciso não tornar a Umbanda inacessível, porque seu fundamento é fé, caridade e humildade. É necessário saber, mas o excesso de conhecimentos também é perigoso- assim como qualquer forma de poder sem equilíbrio- pois torna os incautos em arrogantes.
Rogo aos pais e mães de santo, que sejam realmente pais e mães. Sustentem seus filhos com o pão do conhecimento que têm, para que eles multipliquem as bençãos da Umbanda em fé fundamentada. Abençoem seus filhos de corrente com o conhecimento pleno da caridade, que começa no próprio médium. Cubram cada médium com o manto do amor dos caboclos, dos pretos-velhos e dos erês.
Aos médiuns cabe também o esforço do aprendizado, as entidades ensinam muito ,mas é preciso entender o que dizem e isto leva um certo tempo. Eu sempre falo que , por fazer psicografias, sempre tive o cuidado de prestar bem atenção: "vou te cobrir de ouro" e "vou te dar um couro" soam iguais ,mas são duas coisas bem distintas. Um querido pai de santo de São Paulo estes dias postou em minha página um desabafo: os médiuns não se preparam mais para as giras, talvez "por falta de tempo". Tão importante quanto a gira é a preparação, os cuidados que antecedem e os cuidados pós gira. É necessário, e sempre será, que sejam feitas as firmezas com anjo da guarda e com seu Orixá, os banhos de ervas. Há também os jovens médiuns que ,após a gira, vão aproveitar as baladas, que acabam por resultar em problemas invariavelmente.
A Umbanda "cobra" antes de tudo firmeza em nossos propósitos. É de extrema importância que ,de vez em quando, nos perguntemos o que esperamos da nossa atuação na religião. Seja qual for nossa posição dentro de uma gira, se a resposta for diferente de uma atuação pela fé, amor e caridade através da fraternidade, da paciência e do discernimento é melhor se afastar e buscar equilíbrio ficando na corrente.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Seguindo o Sol

Mamãe pode me falar o por quê das pessoas chorarem em casamento? Ora, o porquê é um só: emoção! Mas não faz sentido, ficar feliz faz sentido,mas chorar não! E, me dando as costas, lá se vai o Syrus com seus 11 anos de perplexidade sobre a existência humana.
Não tem sentido chorar em casamentos, tem? Nunca havia pensado nisto ,mas é um condicionamento. Uma cena que nos remete a um arquétipo de felicidade, que entra em choque com tudo que conhecemos de vida real. Conheço uma pessoa, que além de mim, também chora até em comercial de supermercado. Basta ter uma ligeira sugestão de felicidade eterna, que lá está ela chorando - como eu. Daria um maravilhoso estudo psicológico. Como não é minha área, vou me ater no que conheço.

Todo bom médium é hiper sensível. Não tem como ser diferente.É esta sensibilidade exacerbada que o torna apto a ficar em estado de vigília para exercer sua função mediúnica, e é o que proporciona também noites de sono mal dormidas.O processo de desenvolvimento é mais para te relembrar como se reconhece uma energia, porque somos todos espíritos que já tem experiências neste "reconhecimento".

Na grande maioria das vezes somos condicionados culturalmente a aceitar as coisas como são, mas quem trabalha com energias sutis tem que, necessariamente, estar alerta aos sinais que nossos protetores nos mostram. 
Estes dias uma amiga foi ver o nascer do Sol na Praia do Rosa e se emocionou muito. Dava para sentir de longe a energia boa que ela emanava. Ali ela encontrou o Divino e o Divino fez morada nela. Assim, além de se abastecer partilhou a energia com os que estavam perto. Ela então foi a prova viva da influência energética.
Por outro lado, fica, também, evidente a energia ruim nas pessoas e depende sim do que você alimenta sua alma. Com mediunidade ou você é quente ou você é frio, não existe meio termo. Algumas vezes já ouvi a seguinte frase: "Olha eu frequento tal lugar, eles fazem coisas erradas, mas eu faço a minha parte para o bem e tá tudo bem." Gente, isto "non ecxiste"! Fazendo parte de uma egrégora, de uma corrente eu sou você e você sou eu, não há distinção. Até porque , para surtir efeito, na hora da gira há meio que um nivelamento de energia para um determinado fim. Embora sejam instrumentos diferentes, todos tem que tocar a mesma música, senão não há concerto, no caso, a gira não "gira".

Da mesma forma, em outras religiões é bem comum encontrar dissonância entre o que se vê e o que cada praticante acha que está fazendo. Como a sua energia é algo totalmente "lida" pelas pessoas com as quais você interage, há que se cuidar sim com a egrégora a que queira pertencer. Quando você vai procurar emprego, fechar algum negócio ou mesmo fazer uma nova amizade a outra pessoa lê intuitivamente a energia que você passa. Não conseguimos o transbordar de energia boa o tempo inteiro, todos temos problemas ,mas temos que buscar sempre o equilíbrio , procurar alinhar nossos pensamentos com nossos sentimentos.  

Alguns umbandistas não gostam muito das lendas dos Orixás, mas elas são instrumentos para entendermos como é possível a transmutação de energias para exercermos plenamente nossos dons e quanto estamos ligados uns aos outros. Quando se trata de energia quanto mais observamos,mais aprendemos a ler e a perceber o mundo que nos envolve. Se nos entregamos a convenções culturais e sociais, passaremos a vida nos emocionando em casamentos, em instituições humanas, mas, se nos entregamos a luz de um novo dia nascendo, a presença do Criador fora e dentro de nós cada vez vai ser mais evidente. Não é fácil,mas é possível. Saravá!

As fotos usadas aqui estão disponíveis na página:  https://www.facebook.com/Pictures.1.Ooo.ooO