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sexta-feira, 11 de março de 2011

Tsunami Mental

1975/76. Meus filhos quando se referem a algo muito antigo falam da década de 80, mas a década de 70, pré-histórica para eles, foram meus anos de descoberta. Nesse ano ,nas férias de verão tive uma amiga com a qual conversava muito na praia de Barra Velha. Um dia ela me contou sobre o filme Tubarão que havia assistido. Na época foi algo muito marcante e para uma criança então, motivo de muitos pesadelos. Quando fui contar para os adultos o que ela havia dito sobre o filme, todos se espantaram e me lembro muito bem disto. O motivo do espanto não foi pelo filme, mas pelo fato dela ser surda/muda.Eu era criança e sinceramente não sabia que isto era impecílio para nos comunicarmos. Na realidade nunca o foi.
Quando você incorpora , o que está sob controle da entidade é o seu mental. Como se você fizesse um "link' para transmitir as mensagens.E isso não tem nada de sobrenatural, antes é uma habilidade nata do ser humano. Por mais que nos vejamos como seres individuais estamos sempre física ou mentalmente ligados a alguém ou alguma coisa.
Uma das mais novas filósofas de nossa era, a Dra Amber Case, uma menina norte americana de 24 anos, afirma que somos ciborgues há milhares de anos. Um ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e mecânicas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial. E isso a humanidade faz desde que inventou a primeira machadinha....
Esta filósofa estuda específicamente nossas relações com a web. Veja o que ela diz: "Não somos como Robocop ou o Exterminador do Futuro,mas somos ciborgues toda vez que olhamos para uma tela de computador ou quando usamos os dispositivos dos nossos celulares". Em suma, somos ciborgues na atualidade no plano mental.
Em virtude das várias mídias sociais existentes, as pessoas têm se encontrado primeiro com um contato mental e depois, se chegar a acontecer, com um contato físico. Formam-se cada vez mais e, pela facilidade de comunicação, grupos por afinidades puramente mentais. E isso tudo tem muito a ver com o mundo espiritual, pois conseguimos cada vez mais reproduzi-lo em nossa vida real.
Se fala muito que todos somos médiuns e maior ou menor grau. Todo pai ou mãe tem afinidade com seus filhos onde quer que estejam. Sentem se estão bem ou mal. Mas não só eles. Quantas vezes você não teve aquela sensação esquisita de que há alguma coisa errada e no fim descobre que há alguém querendo muito falar com você? Estamos todos ligados neste mar invisível de informações. Estamos ligados a tudo e a todos. Então se você começar a pensar nisto tudo, não há como deixar de ver as incorporações na Umbanda como algo perfeitamente normal.
Falei em reprodução do mundo espiritual. Vendo a série de reportagens sobre a Cracolândia, não há como não compará-los aos espíritos que caminham no Umbral. É muito triste. E relembrando a frase do Deputado paranaense Caito Quintana "O crack é a criptonita que destrói o superhomem que há em você" aproveito também para pedir providências pelo Ministério da Saúde e atitudes mais significativas neste sentido. Todos deviam pedir.
Somos praticamente guiados por um Tsunami de sensações e pensamentos. Gostaria que refletissem sobre isto em cada imagem que está sendo veiculada sobre a tragédia que está instalada em nosso planeta neste momento. As ondas que avançam sobre diversos países podem se comparar as ondas mentais que invadem todos os espaços. 
Não sou adepta ao positivismo, porque nossa mente é dual, por nossa própria estrutura de preservação e necessidade de analisar todas as alternativas. De forma individual podemos sim ajudar a diminuir um possível caos: no momento que começarem a vir pensamentos ruins ,desvie deles imediatamente. É difícil, mas não impossível. Podemos melhorar e muito a saúde mental de nosso planeta desta forma. 





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Yemanjá

Por volta das 8 da manhã, do dia 26 de dezembro de 2004, ocorreu um dos maiores tsunamis da era moderna no Oceano Índico. Um mês após o fato eu lancei pela Editora Juruá o livro Tsunami-A Onda Letal , sobre o ocorrido, falando também de outros tsunamis históricos,além de como se prevenir neste tipo de catástrofe natural e todas as conseqüências pós-tsunami.Apesar de já decorridos 6 anos, esta publicação continua sendo vendida, principalmente a estudantes. Na época acreditei que escrever um livro que apresentasse a história de tais eventos seria mais instrutivo do que apenas explorar o evento em si.
Sentei-me aqui em frente à tela deste computador para falar sobre Yemanjá e o livro não saía da minha cabeça. Falar sobre a Deusa do mar para brasileiro é tornar-se redundante e a força que seu elemento da natureza tem sobre nós, o mar, é , literalmente, chover no molhado Tenho um amigo que apesar de dizer que não gosta nem de umbanda nem de candomblé, não deixa de fazer entregas a Yemanjá todo ano para se fortalecer.Então, mediante a tanta admiração por Ela, resolvi começar pelo não tão óbvio.
Fomos educados para acreditar que a energia Divina tem reações humanas, o que é um grande erro. Deus "É", e não "Está". O Divino é Verbo presente e imutável.Assim como as energias cósmicas dos Orixás que fazem parte Dele. Na Umbanda Orixás não têm sentimentos humanos como nós: inveja, orgulho,ira ou até a mais simples predileção. Os tsunamis não ocorreram devido à fúria divina, como nenhum outro evento da natureza. O mundo em que vivemos é um organismo vivo, que produz alterações geológicas e, como toda ação resulta de uma reação, é óbvio que em algum momento presenciaremos tais reações.
Fazemos parte da Natureza e somos seres espirituais em evolução também.Todos os orixás são o Amor Divino em ação para nosso próprio desenvolvimento. Um amor como não conhecemos igual. Yemanjá é a prova disto. Simbolizada pelas águas do mar ,ela é em si um agente catalisador deste amor. Portanto nossos espíritos podem e devem entrar em sintonia com esta energia, para se purificar e se elevar.
Sempre gosto de brincar que sou como um rádio: às vezes, nos bons dias, capto a FM, nos maus, capto AM e ainda um pouco fora de sintonia. Contudo, em frente ao mar todos somos iguais. Quem não parou ainda para admirar a beleza das ondas e se sentiu apenas um espírito em comunhão com o sagrado? Quem não conversou com o mar e ficou ali aguardando uma resposta? O som hipnótico das ondas, é o canto das sereias, é o canto de uma mãe ninando e acalmando um filho confuso em seus pensamentos sobre a vivência.
Genéticamente viemos há milhões de anos do mar, espiritualmente ainda estamos nele. Eu imagino que bilhões de pessoas neste mundo pensando ao mesmo tempo formem oceanos de emoções e nela se sobressaem e atingem esferas de energia mais altas, quem tem um elemento preponderante: a fé.
Indubidavelmente Yemanjá nos ajuda na fé e a mantê-la. Não costumo, por ética, comentar atendimentos, mas creio que este que narrarei tem a capacidade de auxiliar mais pessoas. Um senhor veio pedir ao seo Beira Mar que 'energizasse" algumas conchas, na véspera do dia de Yemanjá, para que ele distribuisse à assistência da gira , em prol das vítimas da catástrofe no Rio de Janeiro, sua terra natal. Então ele pediu água e as energizou e as entregou falando o seguinte: "As conchas são descartes de organismos vivos no mar. Chegam à praia e serão com o tempo transformadas para outras utilidades. Que cada um que venha a receber estas conchas acenda uma vela à Yemanjá, pedindo que as pessoas que estão passando por esta transformação tenham força e entendimento, e se fortaleçam na fé." O bom de ser médium consciente é receber grandes ensinamentos.Eu aprendo sempre.
Há vida abundante no mar, nem os grandes cientistas conseguiram catalogar todas as espécies. Há muito o que se aprender também com ele em nossa vida pessoal e espiritual. Recuar e avançar quando as condições são favoráveis.Força e leveza combinadas. Equilíbrio. Talvez seja isso: sonhamos em ser surfistas nesta vida, mas nem sempre há ondas de energia suficientes para nos fazer deslizar pelo mar das oportunidades. A fé e a observação fazem os surfistas continuarem no mar. Os bons surfistas são corajosos e respeitam o mar que os acolhe no prazer de viver.
Sejamos assim em frente ao mar da vida que o Divino nos propiciou : corajosos e prudentes, tentando manter sempre o equilíbrio diante de nossas emoções e considerando que neste oceano de vida que vivemos estamos sempre ligados pelas águas de Yemanjá. Odoyá!