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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Yemanjá

Por volta das 8 da manhã, do dia 26 de dezembro de 2004, ocorreu um dos maiores tsunamis da era moderna no Oceano Índico. Um mês após o fato eu lancei pela Editora Juruá o livro Tsunami-A Onda Letal , sobre o ocorrido, falando também de outros tsunamis históricos,além de como se prevenir neste tipo de catástrofe natural e todas as conseqüências pós-tsunami.Apesar de já decorridos 6 anos, esta publicação continua sendo vendida, principalmente a estudantes. Na época acreditei que escrever um livro que apresentasse a história de tais eventos seria mais instrutivo do que apenas explorar o evento em si.
Sentei-me aqui em frente à tela deste computador para falar sobre Yemanjá e o livro não saía da minha cabeça. Falar sobre a Deusa do mar para brasileiro é tornar-se redundante e a força que seu elemento da natureza tem sobre nós, o mar, é , literalmente, chover no molhado Tenho um amigo que apesar de dizer que não gosta nem de umbanda nem de candomblé, não deixa de fazer entregas a Yemanjá todo ano para se fortalecer.Então, mediante a tanta admiração por Ela, resolvi começar pelo não tão óbvio.
Fomos educados para acreditar que a energia Divina tem reações humanas, o que é um grande erro. Deus "É", e não "Está". O Divino é Verbo presente e imutável.Assim como as energias cósmicas dos Orixás que fazem parte Dele. Na Umbanda Orixás não têm sentimentos humanos como nós: inveja, orgulho,ira ou até a mais simples predileção. Os tsunamis não ocorreram devido à fúria divina, como nenhum outro evento da natureza. O mundo em que vivemos é um organismo vivo, que produz alterações geológicas e, como toda ação resulta de uma reação, é óbvio que em algum momento presenciaremos tais reações.
Fazemos parte da Natureza e somos seres espirituais em evolução também.Todos os orixás são o Amor Divino em ação para nosso próprio desenvolvimento. Um amor como não conhecemos igual. Yemanjá é a prova disto. Simbolizada pelas águas do mar ,ela é em si um agente catalisador deste amor. Portanto nossos espíritos podem e devem entrar em sintonia com esta energia, para se purificar e se elevar.
Sempre gosto de brincar que sou como um rádio: às vezes, nos bons dias, capto a FM, nos maus, capto AM e ainda um pouco fora de sintonia. Contudo, em frente ao mar todos somos iguais. Quem não parou ainda para admirar a beleza das ondas e se sentiu apenas um espírito em comunhão com o sagrado? Quem não conversou com o mar e ficou ali aguardando uma resposta? O som hipnótico das ondas, é o canto das sereias, é o canto de uma mãe ninando e acalmando um filho confuso em seus pensamentos sobre a vivência.
Genéticamente viemos há milhões de anos do mar, espiritualmente ainda estamos nele. Eu imagino que bilhões de pessoas neste mundo pensando ao mesmo tempo formem oceanos de emoções e nela se sobressaem e atingem esferas de energia mais altas, quem tem um elemento preponderante: a fé.
Indubidavelmente Yemanjá nos ajuda na fé e a mantê-la. Não costumo, por ética, comentar atendimentos, mas creio que este que narrarei tem a capacidade de auxiliar mais pessoas. Um senhor veio pedir ao seo Beira Mar que 'energizasse" algumas conchas, na véspera do dia de Yemanjá, para que ele distribuisse à assistência da gira , em prol das vítimas da catástrofe no Rio de Janeiro, sua terra natal. Então ele pediu água e as energizou e as entregou falando o seguinte: "As conchas são descartes de organismos vivos no mar. Chegam à praia e serão com o tempo transformadas para outras utilidades. Que cada um que venha a receber estas conchas acenda uma vela à Yemanjá, pedindo que as pessoas que estão passando por esta transformação tenham força e entendimento, e se fortaleçam na fé." O bom de ser médium consciente é receber grandes ensinamentos.Eu aprendo sempre.
Há vida abundante no mar, nem os grandes cientistas conseguiram catalogar todas as espécies. Há muito o que se aprender também com ele em nossa vida pessoal e espiritual. Recuar e avançar quando as condições são favoráveis.Força e leveza combinadas. Equilíbrio. Talvez seja isso: sonhamos em ser surfistas nesta vida, mas nem sempre há ondas de energia suficientes para nos fazer deslizar pelo mar das oportunidades. A fé e a observação fazem os surfistas continuarem no mar. Os bons surfistas são corajosos e respeitam o mar que os acolhe no prazer de viver.
Sejamos assim em frente ao mar da vida que o Divino nos propiciou : corajosos e prudentes, tentando manter sempre o equilíbrio diante de nossas emoções e considerando que neste oceano de vida que vivemos estamos sempre ligados pelas águas de Yemanjá. Odoyá!