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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Entre a Física e o Bodoque

Toda nossa tecnologia atual advém da Teoria Quântica. Foi o que falaram em um destes maravilhosos documentários do Canal Futura. É bem possível que daqui há alguns anos tenhamos um elevador que nos leve ao espaço e a NASA está oferecendo meio milhão de dólares a quem fizer um protótipo, baseado em cabos com nanotecnologia já existentes. Mas o que mais me impressionou nisto tudo foi uma afirmação: tudo o que conhecemos de física neste plano que estamos não se aplica a nenhum outro plano. Exemplificando: um átomo pode estar num lugar, desaparecer, e aparecer em outro sem aviso prévio.Ou estar em vários lugares ao mesmo tempo. Imediatamente me veio a idéia de que o plano espiritual segue as regras físicas do Universo, as quais não estamos inclusos.O deslocamento das entidades e o fato de incorporarem em mais de um médium ao mesmo tempo fica muito fácil de explicar por esta teoria. Mas isto é para quem entende realmente do assunto.Quando me pego nestes devaneios, parece que a voz do Pai Fernando Guimarães salta à minha mente falando: no que isto ajudaria num processo de cura?
Os cientistas querem criar organismos vivos com a nanotecnologia, ou seja, organismos do tamanho de átomos sem possuir nenhum elemento já existente em nosso planeta. Apesar de toda a aparência maravilhosa, estes micro-organismos criados pelo homem podem servir além da cura de várias doenças, para a guerra entre nações inteiras. Dizem que saberão tudo sobre o universo inteiro observando algo que é totalmente imprevisível como o átomo.
A ciência é algo muito admirável, principalmente para nós que não a conhecemos com profundidade, mas podemos usar um pouco de seus parâmetros para divagar sobre nosso caminhar. Por exemplo, todos nós que moramos do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul estamos inseridos no grande bioma da Mata Atlântica. Bioma é um conjunto de diferentes ecossistemas, que possuem certo nível de homogeneidade. São as comunidades biológicas, ou seja, as populações de organismos da fauna e da flora interagindo entre si e interagindo também com o ambiente físico. Como diz a música de Rui Maurity feita em 1976, "Eu vi chover, eu vi relampear, Mas mesmo assim o céu estava azul,Samborê, Pemba, Folha de Jurema, que Oxóssi reina de norte a sul"
Vivemos no meio das terras de Oxóssi. Por mais que se levantem prédios e indústrias neste espaço, a pouca vida que ainda sobrou deve ser preservada. Tem gente que pensa que os índios foram os primeiros ecologistas, mas eles nunca o foram: eram a própria mata . Porque um bioma é muito mais que uma árvore ou um animal, é tudo o que a floresta contém.Oxóssi é o índio, é a flor e é o pássaro. É da energia de Oxóssi que vem a cura, pois esta energia  se movimenta através de diferentes organismos vivos. Mesmo que, nesta região que atua o bioma da Mata Atlântica, você esteja num ponto de ônibus, esperando a condução para seu trabalho, ao ver um sabiá buscando comida à sua frente, ali estará a energia Oxóssi se manifestando.
Os grandes cientistas estão tentando criar formas diferentes de vida, pode ser válido, mas o nosso trabalho como umbandistas conscientes é bem maior.  Sabedores de que estamos em terras de Oxóssi, devemos respeito e este respeito só é notado quando somos disseminadores da idéia de preservação e não-poluição. Ninguém é obrigado a concordar com nossa religião e nosso jeito de pensar, mas pode ser sim conduzido a nos apoiar pela preservação de nossa própria espécie através de nossos atos. Há tantos projetos de preservação ambiental possíveis de nos engajar em nossas práticas diárias, inclusive nos terreiros.
O que não podemos é esperar que realmente surja este elevador que nos leve ao espaço para ver a grandiosidade do mundo que habitamos e o quanto somos responsáveis por ele. Encerro com um poema do Pai de Santo Leonardo Guimarães:
"Oxossi é como a cobra jibóia, igual onça pintada, tal e qual o gavião e o macaco sagui. Oxosse é a samabaia, o bambu e o jacarandá. É Oxosse qualquer rastro de relva verde. Ele próprio é a seiva vegetal que perfuma a floresta. Oxosse é o calor do sol e também a sombra da folha, do galho do tronco da árvore. Ele é a fruta suculenta que alimenta a vida, a alegria e a liberdade. Oxossi está na mata, na cidade, na terra inteira, onde seus filhos nascem vivem e morrem, guiados sempre por sua FLECHA CERTEIRA."
(Leo Guimarães, 2009)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Guerra Espiritual

Em meados da década de 70, quando estava na casa da minha avó, os sábados pela manhã tinham um ritual muito sério. Acordávamos bem cedo e íamos para a feira. Eram muitas viagens a pé trazendo as compras para casa e voltando para feira buscar mais.No final íamos com meu avô para a Praça da França brincar e , se fosse época de pinhões ele os sapecava ali mesmo e comíamos, sempre ouvindo uma história extraordinária. As lembranças do passado, além de nos conscientizar de quem somos, de onde viemos, mexem com nossas emoções e fortalecem nossa energia vital.
Tudo é energia e tudo gera energia neste mundo, fato inegável.  Há explosões de energia no nascimento de uma nova estrela, na união de um espermatozoide com um óvulo, no romper de uma semente.Há energia no romper da aurora e na hora do lusco-fusco, quando o sol se põe. Há energia no choro de emoção pela perda irreparável e na chegada de um filho ao mundo.Há energia nas mudanças de estação que sofrem um determinado lugar, como a explosão de vida que advém da primavera, como também as individuais como a saída da infância para a adolescência.
Numa das páginas de Umbanda a qual faço parte, hoje  o Alexandre Fsc perguntava se era lícito ou não dar presentes para entidades. Na Umbanda Pés no Chão que pratico isto não existe e creio mesmo que entidades nenhuma precise deste tipo de coisas. Mas a questão que, pelas respostas que li dentre outras situações que ando percebendo, é muito maior.
Vou contar novamente um sonho que tive quando entrei na Umbanda. Estava no meio do terreiro ,com uma imagem imensa de Oxum  e a mãe pequena Tânia fazia a entrega de um amalá para este orixá. Oxum puxava então aquela energia e a devolvia para a mãe pequena Tânia que então foi para a assistência tirar as pessoas do escuro. Oxum saiu de dentro da imagem , me abraçou e me disse: Andréa, é assim que funciona a Umbanda. Na época não entendi tão claramente, mas, mais e mais vejo o quanto é necessário cumprirmos a nossa parte.
Exercendo o livre arbítrio temos muitas escolhas nesta vida e muitos aprendizados também, o que nos faz crescer e nos aprimorarmos cada vez mais. Quem escolhe a Umbanda como religião deve ,em primeiro lugar saber como são manipuladas as energias para o bem comum. Trabalhamos nas giras em comunhão com entidades para o bem e para o consolo dos necessitados. Para que tudo ocorra da melhor maneira possível é preciso preparo, dedicação e concentração e isto também é exercício de liberdade. 
Como me ensinou em primeiro lugar Oxum, temos que nos fortalecer para conseguirmos cumprir o que nos propomos. Os amalá são fontes de energias, são campos de força que usamos para os mais diversos fins. Não fazê-los ou não entender exatamente para que servem, acaba por podar nossa livre manifestação e prejudicar o bom andamento de nosso intento para com o próximo. Um amalá não é um presente para uma entidade nem para um orixá, é uma forma de construir um campo de força, de agregar energia para um determinado fim. Sinceramente? Sei que não é barato frequentar Umbanda, mas mesmo sem muito dinheiro é possível fazer um amalá mais simples. Creio que ,infelizmente, alguns filhos não o fazem por questões que vão desde a preguiça até a total falta de entendimento e vontade de aprender. Vou citar uma frase do Pai Fernando Guimarães, que, muito embora tenha sido escrita quando versava sobre outro assunto, cabe bem aqui: "Terreiro não é clube social onde cada um faz o que quer. A paixão pela Umbanda tem que ser abrandada pela vontade de se encontrar com a alta espiritualidade." Os amalás também fazem parte do nosso encontro com a alta espiritualidade e não devem jamais ser esquecidos.

A maior guerra espiritual é a que travamos com nossos próprios egos. Conhecimento também é energia e exercício de liberdade. Perguntem sempre aos responsáveis pela gira que frequentam, porque podem ser diferentes na realização de um lugar para outro, e quem não frequenta nenhuma gira ,mas curte a Umbanda e gostaria de saber como se faz um amalá indico o seguinte link:


domingo, 4 de setembro de 2011

Umbanda on Line

Tirei a semana para observar as pessoas, como são e para onde se movem seus pensamentos. Não com o intuito de julgar,mas apenas observar uma paisagem. Alguns estacionam seus pensamentos em propósitos nobres, outros se contentam com os pequenos poderes, das pequenas elites. O mais engraçado é que os que depositam seus pensamentos em nobres atitudes, não estão nem aí para , como se dizia antigamente, "a hora do Brasil". São os revolucionários e vou dizer que gosto muito deles.
Hierarquias e elites sempre dominaram o mundo. Vez por outra, surgem os insurrectos, as pessoas que não aceitam a submissão a valores pré-estabelecidos. Na década de 20 aconteceu uma onda de mudanças mundiais neste sentido. Foi a era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e do início do cinema falado, que criaram, principalmente nos Estados Unidos, um clima de prosperidade sem precedentes , constituindo um dos pilares do chamado "american way of life" (o estilo de vida americano).
Algumas décadas depois, vem os hippies. Talvez eu tivesse me tornado uma ,quem sabe, só que creio que não seria o suficiente. Paz e amor são bons objetivos, mas tem que ser um pouco mais práticos no meu entendimento. Pensando em todas estas coisas, vi ,quase sem querer, um documentário sobre a internet. Qualificam-a como um prosseguimento deste movimento hippie dos anos sessenta. 
Nivelamento da população, sem hierarquias e sem elites, um lar para a mente, um espaço só dela. Na internet você não precisa ser ninguém ,para ser alguém. Milhares podem te seguir pelo que você pensa, mesmo que o que você pense seja fútil ou extremamente inovador. Você não precisa de diplomas nem de uma carinha bonita. Pode ser que daqui há algum tempo haja algum tipo de hierarquia, mas por enquanto o que voga é este nivelamento. Eu pessoalmente, consigo ver uma aspecto diferente. São grupos afins que navegam pelo ciber espaço , assim como os grupos espirituais se movem em outros planos: por afinidades.
Por princípio a Umbanda no meu ver tem muito mais de processo revolucionário do que uma religião. Surgiu em 1908, quando o médium Zélio de Morais incorporado com o caboclo das Sete Encruzilhadas, falou a todos numa sessão espírita, depois de terem recusado a presença de alguns espíritos de pretos-velhos e índios: " Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O vidente retrucou: "Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto" ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse: "cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".
E assim, no passar destes anos todos de Umbanda seus adeptos têm vivenciado uma luta constante das entidades que passam mensagens de igualdade, amor e fraternidade, independente da linha em que trabalhem e da roupagem com que se mostrem nos mais diversos terreiros. Todos os grupos espirituais têm lideranças para conduzir e auxiliar, assim como deveria ser neste nosso plano material. Contudo ,aqui estamos bem acostumados com hierarquias enérgicas e com gosto pelo poder e pelas elites. Bobagens que com o tempo, dentro da Umbanda se dispersam, pela própria vontade das entidades e de seus ensinamentos.
Quando no início da minha caminhada, vieram perguntar para o caboclo que eu recebia qual era seu nome ele disse: sou UM caboclo de Ogum Beira Mar. Achei estranho ,mas depois aprendi que eles são muitos e que seus nomes não são o elemento primordial desta religião libertária: o foco principal é a liberdade. Liberdade de amar, de entender, de vivenciar. Nomes nos prendem a valores terrenos e é nesta terra que devem ser valorizados.
Dentre as muitas coisas que já vivenciei na Umbanda, uma em especial vou citar para o resto da vida como sendo motivo principal para continuar nesta religião de inssurrectos. E nem estava dentro de uma gira. Conversava eu com um querido amigo lá no terreiro, quando chega o Pai Fernando. Depois de explicar detalhadamente um sonho com um caboclo ao pai de santo e esperando um veredito justo, Pai Fernando do alto dos seus cinquenta anos na espiritualidade pergunta: me diga , sabendo de tudo isto, o que vai te ajudar na hora que chegar uma pessoa para você e perguntar: estou com câncer , o que é que eu faço? 
Pés no chão significa muito mais do que todo conhecimento esotérico que se possa ter. Porque com os pés descalços no chão você trilha um caminho muito maior, do que o trilhado pela mente em devaneios. Não que o sonho deste meu amigo não seja importante, pois ele é, mas só para o conhecimento pessoal dele. Umbanda é partilha, então o conhecimento que adquirirmos deve ser algo que possamos usar em benefício do próximo também ,não só do nosso. As lideranças da Umbanda têm que entender que é partilhando que se cresce, sendo objetivo, simples e diretos que não perdemos o caminho traçado pelo Ogum ,lá em nosso início.
Exemplificando um pouco de tudo que falei hoje, vou citar uma notícia que saiu no blog da minha querida Telma Monteiro. A foto acima é de Marimop Surui Paiter. Você pode não conhecer ,mas ele foi muito importante em sua tribo: "A Nação Surui Paiter fica órfã de um grande homem, uma pessoa que carregava consigo um balaio de conhecimento sobre suas tradições, respeito à natureza e adaptação às bruscas mudanças em sua cultura impostas pelo contato compulsório com o mundo ocidental eurocêntrico.Marimop Surui Paiter viveu no planeta Terra por mais de oitenta anos, não se sabe ao certo em que ano nasceu, isto não parecia importante para ele. Tempo suficiente para apreender as formas, ritos e sons de uma sociedade onde o bem estar coletivo era prioridade."
Através da internet temos acesso ao mundo desconhecido, como o do Marimop , um guerreiro importante no seu local de nascimento. As idéias de Marimop sobre o bem estar coletivo se assemelham as idéias que devemos ter enquanto libertários: devemos viver numa sociedade onde o bem estar coletivo seja prioridade. No caso da Umbanda Pés no Chão sempre haverá lugar e voz para quem compactuar com os ideais das entidades desde sua fundação:  
falar aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.

Para ler mais no blog da Telma Monteiro: 

domingo, 21 de agosto de 2011

Com os Pés no Chão

Olhe para mim. Preste bem atenção.Pode não parecer por fora, mas não sou o mesmo homem mamãe. Estou mais calmo, sou só paz de agora em diante.Tomei consciência de tudo que você e o papai fazem por mim, não vou mais fazer bagunça. Eventualmente (palavra dita com bastante ênfase) pode ser que ao pegar meu boletim alguma das professoras, principalmente aquela de português, venha te falar que meu comportamento não mudou,mas é bem como você diz: o cara que apronta muito, quando não faz nada, é culpado também. E tem outra coisa, as notas nem sempre refletem o conhecimento da gente, as provas as vezes são feitas num momento que a gente não tá bem de saúde e assim não dá para prestar atenção. Mas saiba mamãe que eu confio no que você pensa a respeito de mim, porque como te amo muito ,você também me ama. Ok, Dyogo, mas já sabe né? Se não melhorou ,vamos conversar.... 
Homens. O Dyogo tem 12 ,mas já tem uma lábia bem fundamentada, e usa tudo o que digo contra mim. Esta história se desenrolou justamente numa semana que recebi um presente do blog Rede de Correções, do meu amigo Robson Santiago. Trata-se de um livro que não deve sair de nossas cabeceiras: As Mentiras que os Homens Contam do Luis Fernando Veríssimo. Há um verdadeiro tratado, em cada conto, do trato dos homens com a verdade, quando suas vidas conosco corre um certo risco. A vida cotidiana é engraçada quando contada com simplicidade e ,invariavelmente, a gente diz: é, eles são assim mesmo.
Um rapaz novo ainda, beirando os 25 talvez, chega na frente do seo Capa Preta, com uma cara de santo e surge a seguinte conversa: Gostaria de saber como vai minha vida espiritual. Que vida espiritual rapaz? Tua vida financeira é que está ruim.É verdade seo Capa....É né? E por quê? Você quer responder ou quer que eu te diga? - silêncio- Pois eu vou te dizer : você sai aí na noite fazendo bagunça, gastando todo dinheiro e deixa a família de lado.Então vou te dizer uma coisa: pare de aprontar, dê valor à sua família e depois, com tudo organizado volte a vir aqui e perguntar sobre vida espiritual. Sim, senhor, vou fazer isso.Você deu sorte hoje, estou de bom humor, mas não tente mais enganar nenhuma entidade. Sim senhor.
Talvez fosse neste ponto que este menino, que não era mal, começasse a passar de fase. Porque Umbanda trata de cotidiano também, e talvez esta seja uma das funções dela: aquela fagulha que falta para os pensamentos darem partida para novos caminhos. Em novos caminhos meninos e meninas se transformam em homens e mulheres.
"O importante é não deixar nunca que o menino morra completamente dentro da gente. Caso contrário, ficamos velhos mais depressa. Dizem que é por isso que os chineses, de incontestável sabedoria, conservam o hábito de soltar papagaio(ou pipa, se preferirem) mesmo depois de adultos. Não sei se é verdade, nunca fui chinês." Isto tudo me lembrou o autor desta frase, cuja leitura dos seus escritos sempre me divertiu muito. Stanislaw Ponte Preta- o Sérgio Porto, falecido há 43 anos. Por mais que tudo hoje seja muito moderno, as situações do cotidiano não mudam muito. Façam a comparação entre o Veríssimo de hoje e o Porto de quase 50 anos atrás. Elas são óbvias depois que lemos estas crônicas, mas é preciso uma mente brilhante para escrever o óbvio e conseguir mostrar aos outros depois de forma clara.
Ultrapassar o próprio entendimento, rasgar fórmulas pré-estabelecidas e mudar a própria opinião com simplicidade e bem fundamentado é um estágio superior ao que homens e mulheres podem chegar, apesar de eu acreditar que isto não se consegue em uma só vida. Porque é preciso ser simples e transparente,para explanar suas idéias, sem dúvidas nem segundas interpretações. Como já diria meu companheiro das tardes de leitura em minha adolescência - sim ,porque fiquei íntima- o Stanislaw Ponte Preta: "Difícil dizer o que incomoda mais, se a inteligência ostensiva ou a burrice extravasante."  Tenho uma preguiça danada de ler gente prolixa, que diz uma coisa querendo te incitar a entender outra.
Umbanda é uma religião que se molda ao nosso cotidiano, é uma ferramenta do entendimento do dia-a-dia. É o toque de bom senso em nosso livre-arbítrio. Não é a toa que os espíritos que nela trabalham se apresentam  como figuras simples. Eu acredito que o mundo espiritual seja simples e porisso mesmo, mais difícil de enxergar se você coloca um monte de obstáculos na frente, como palavras difíceis.
Tive o imenso prazer de ler o último comentário do Pai Fernando Guimarães no site do Terreiro do Pai Maneco e vou ressaltar um parágrafo: "Os médiuns gostam e fazem questão de saber os nomes das entidades que incorporam, mesmo que essa pressa possa prejudicá-los no futuro. Apesar de toda minha experiência fico confuso com isso. Pais Joaquim, Pais João, Exus Caveira, Caboclos Pena Brancas, Tupinambás em uma gira existem aos montes. Isso sem falar nos Oguns Beira Mar e nos Caboclos do Mar. Então, como pode ser isso? Como eles podem se multiplicar dessa forma? Dizem os eruditos que os médiuns se confundem e a verdadeira entidade incorpora nele, no erudito. Os outros são falsos." E lá estava o cotidiano de uma religião completamente à mostra. Ele ali falou o óbvio, apontou o problema e expôs, durante o texto, uma saída que ele enxergou. É preciso coragem para ser assim, muito bom humor, e um espírito que ainda solte pandorgas pelos céus de Curitiba. Tenho uma baita sorte de conhecê-lo.

*Se você que lê se acha  bom em coisas óbvias, ache o gato que está na foto que postei neste texto.

Para ler o texto do Pai Fernando na íntegra:

Para conhecer a Rede de Correções

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Comida de Santo

Este é o Pai Fernando, na Cruz das Almas no Terreiro do Pai Maneco
No início minha juventude, que faço questão de frizar que ainda não terminou, eu buscava em oráculos respostas para minhas perguntas. Se você parar para pensar um pouco vai ver que tudo que previram para você , está esquecido, porque a vida se movimenta muito rápido.  Tem uma resposta que obtive, porém, que nunca esqueci. Já não sei qual foi a pergunta, me desculpem, mas o resultado do I Ching foi:  "observe pessoas alimentando outras e repare como elas se alimentam a si mesmas". 
Não pude parar de pensar nisto ao ler o livro do Alexandre Cumino, "História da Umbanda"  publicado pela Editora Madras, principalmente por um detalhe. Lá ,contando um pouco da história do Zélio Ferdinando de Moraes, a conhecida como fundador da Umbanda no Brasil, nos revela o detalhe da incursão dele como vereador a partir de 1924. Zélio era comerciante, porque desde sua fundação a Umbanda tinha como norma não cobrar pelos atendimentos. Decidiu pela vida pública não para difundir sua religião, mas para poder atuar na difusão das escolas públicas. Isto me chamou bastante a atenção, principalmente pela época em que se passou e pelo próprio propósito inicial da Umbanda.
Nós médiuns temos sim um privilégio sobre os outros praticantes da Umbanda, que não precisam estar necessariamente dentro de uma gira: a possibilidade de entrar em contato com a consciência de outros espíritos diferentes do nosso e de nossa formação. Todo privilégio leva a uma responsabilidade maior. Tudo o que lemos ,aprendemos e vivenciamos , na medida que trabalhamos com estas entidades vai ,certamente, acrescentando e moldando não só nosso conhecimento dentro da religião, mas fazendo com que nossa sabedoria tome um aspecto mais universal.
Ainda sou uma aprendiz, mas me dei ao direito de vislumbrar um pouco do futuro da Umbanda ao ler o livro do Cumino. Pai Fernando fala que existe um ponto de maturidade no médium onde ocorre uma simbiose com as entidades. De uma certa forma eu creio que a Umbanda esteja iniciando seu processo de maturidade, talvez criando uma simbiose com a população brasileira. Hoje já não há quem não conheça esta religião e que não tenha ,em algum momento, lido algum texto de alguma entidade. Podemos esquecer muitas coisas nesta vida, mas quando somos alcançados por palavras de sabedoria imediatamente nos alimentamos delas.
A nossa falta de dogmas tem nos tornado muito mais responsáveis pelas mensagens que passamos. É  a liberdade com responsabilidade. Talvez Zélio com todo conhecimento que compartilhou com as entidades tenha chegado, em uma certa altura, à conclusão que somos responsáveis pelo desenvolvimento, também, dos que nos cercam. Possibilitar que crianças tenham acesso ao conhecimento e ao aprendizado, no começo do século passado, era uma idéia não muito comum, mas extremamente necessária.
Creio que como religião brasileira, a Umbanda tem um quê que me alimenta e proporciona que eu alimente outros. As pessoas vão ali em busca de cura num amplo sentido e são, muito suavemente, conduzidas a caminhos mais amplos pelas próprias entidades. Estes caminhos levam inevitavelmente à uma consciência de responsabilidade não só consigo mesmo, mas com próximo e com a realidade do tempo em que vivemos. É a nossa cidadania sendo desenvolvida, seja pela consciência ecológica que obtemos em nossas práticas, seja pelo conhecimento das necessidades básicas das pessoas que nos procuram. E o que fazemos com este conhecimento em nossas vidas fora do Terreiro é de extrema importância.
Hoje há muitos umbandistas ligados à área de direito e política, de comunicação, de saúde e tecnologia, tanto que não se pode mais falar que é uma religião dos menos favorecidos. Isso vejo como sinal claro de que toda a sabedoria que nos é passada, pode sim ser aplicada cada vez mais na vida pública, com proveito de toda uma população, sem preconceitos de religião.
De fato não importa o porquê da pessoa ter procurado a Umbanda, mas sim o que ela fará com o que vier a aprender. Hoje estou aqui para deixar aqui a seguinte mensagem adaptada: observe as pessoas na Umbanda alimentando outras com caridade, amor ao próximo fé e conhecimento e veja como se alimentam a si próprias.



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Grande Magia

Amendoins salvam se acompanhados de sabedoria. Vendo o pânico das crianças ,que apesar de morarem na sua grande maioria em sítios, sabiam que o mundo ia acabar naquele sábado, a Barbra Voigt, atendente do ônibus escolar teve uma idéia. Se o mundo não acabasse no sábado, na segunda cada um traria umas moedinhas e fariam uma vaquinha para comprar amendoins. Seria um lanche comemorativo no ônibus, na volta da escola. Como as crianças estão praticamente chegando no mundo agora, ter uma data pro fim do mundo assim tão próximo assustou, mas a comemoração por não ter acabado foi uma grande festa.Agora esperam ansiosas por mais um fim de mundo, e mal sabem que vão ter muitos anúncios antes de chegarem à uma idade avançada, mas certamente não esquecerão deste primeiro.
Assim como a Barbra, heroína desconhecida ainda de Colombo, teve a professora Martha Rivera Alanis do México. Enquanto acontecia lá fora um violento tiroteio entre traficantes, a professora primária resolveu cantar para os alunos, para que o episódio passasse quase despercebido, mantendo-os calmos dentro da sua inocência. Mais do que letras e contas estas pessoas ensinam o que é mais necessário nesta vida: aprender a superar dificuldades com alegria. E isso é inestimável.
Na Umbanda não acreditamos no inferno nem em demônios. Talvez o grande mérito da religião seja, através das entidades ensinar a enfrentar as situações difíceis com coragem e humildade. A Umbanda, como sempre fala Pai Fernando, é uma religião de combate. Eu tenho comigo que devíamos mesmo fazer um alongamento antes da gira. Parece engraçado, e é no fundo, porque quando adentramos em nosso solo sagrado para começar nosso ritual sabemos que vamos enfrentar não só as assombrações produzidas pelo medo dos outros ,mas pelos nossos próprios medos. Medo de ficar só, medo da morte, medo da vida insegura. 
A agressividade de alguns momentos da nossa própria vida podem ser combatidos com amor e bom humor, além de coragem, não podia ser diferente. Umbandistas são fiéis corajosos e isto não há como negar. E é tanta coisa que se vê numa gira que às vezes nós médiuns nos esquecemos de nós mesmos, porque há infindáveis situações piores que as nossas próprias.
Prova disto estes dias li no Blog do Pai Maneco , no tópico o que você não entende na Umbanda , a seguinte pergunta, feita pela Marli que vou resumir aqui: os guias do médium não ajudam o próprio cavalo?
Vou postar a resposta do Pai Fernando na íntegra pois creio ser de utilidade pública para qualquer médium: "Marli, seria um absurdo um seguidor da Umbanda não poder pedir atendimento às entidades para ajudá-lo nos seus problemas pessoais, seja ele qual for. Nunca a Umbanda vai lhe dar dinheiro, poder ou vai lhe trazer benefícios jurídicos sem merecê-los, mas com toda certeza vai lhe trazer todas as oportunidades possíveis para que suas necessidades sejam supridas, desde que isso não fira alguma lei do carma ou possa prejudicar terceiros. Essas afirmações na pergunta, inclusive com relação ao seu relacionamento com o Caboclo, na minha ótica não têm fundamento. Talvez seja uma forma de expressão. Eu jamais iria entender a razão que as entidades atendam aos consulentes e nada façam por seus cavalos. Os médiuns têm suas dificuldades, sofrimentos e mesmo falta de dinheiro. Acho que talvez os dirigentes não estejam esclarecendo os médiuns como isso possa acontecer. Não sei se vc está passando algum problema difícil e que não esteja sendo atendida pelas entidades, mas vou sugerir que a todos que experimentem fazer um teste. Aos que estão com a vida sem rumo, desorganizada façam uma entrega para o Orixá Oxum, que é a que põe tudo em ordem. Feita essa entrega, se for falta de emprego faça um amalá para o Exu. Se for falta de dinheiro um amalá para o Preto Velho. Se for um problema familiar, que faça uma entrega aos ciganos. Assim por diante os médiuns podem sim pedir e serem atendidos pelos maravilhosos guias que nos usam como instrumento de trabalho. Não podemos esquecer jamais que eles são nossos amigos e só querem o nosso bem estar. Vamos levar isso para o lado da matéria. Seria o mesmo que nosso pai carnal não nos ajudasse. Só que ele tem que saber das nossas dificuldades, o mesmo acontecendo com os nossos pais espirituais. Eles têm que saber o que queremos e precisamos, aos menos para liberá-los na interferência no nosso livre arbítrio, como muito bem explicou varias vezes em nosso terreiro o Pai de Santo Beco de Oxossi. A todos desejo sucesso e a solução dos seus problemas. "
Além do proposto pelo Pai Fernando, gostaria que o observassem a tônica do conselho, que é algo que venho colocando aqui frequentemente. Entendimento e pés no chão. Somos todos educadores, cuidadores do próximo e de nós mesmos. Temos que ter em mente que nosso bem maior é a vida, assim como é dos que nos rodeiam. Com amor à vida temos a coragem necessária para enfrentar qualquer coisa e, com bom humor e discernimento, sempre é mais fácil. Se estamos num grupo é necessário pedir ajuda quando precisamos, porque se ajudamos o próximo com tanto amor, temos que pensar em nós mesmos para que fiquemos cada vez melhores em nossa função escolhida. Há uma grande magia aqui,pense nisso. Saravá!

Esta postagem de hoje é dedicada aos Cuidadores Online que fazem um trabalho fantástico pela educação do próximo.

domingo, 1 de maio de 2011

O Homem do Saco

Gravura de Gustav Doré
Vá fazendo isso que o homem do saco já te leva... Nunca vi tal homem ,mas tinha medo. O simples fato de "levar pra sempre" já era o suficiente pra deixar qualquer criança quieta. Hoje não. Tenho que falar que o homem do saco faz comércio ilegal de orgãos humanos para meus filhos entenderem. Aqui no mato tem mais coisas que assustam as crianças que o homem do saco, e os pais se aproveitam de todas elas.
Tinha uma outra figura que metia medo na minha infância: uma mulher que costurava e usava aquelas faixas roxas que ornamentavam as coroas de flores dos cemitérios. Curitiba de antigamente me dava medo mesmo.Como tudo é entendimento, os medos se foram e ficou o respeito.
Um dia, um homem chamado  "homem da rosa" entrou numa barbearia onde tinha levado meu filho para cortar o cabelo, me olhou e falou: vá lá resolver o problema da escola do piá ,senão ele não vai estudar mais.Esse homem, reza a lenda, era um engenheiro que havia perdido a família num acidente de carro,e, desde então,perambulava pelas ruas com uma flor para levar ao cemitério. Bom, quanto à escola do meu filho, realmente tive que ir até lá resolver uma questão de mensalidade. Afortunadamente, acabei trabalhando lá por cinco anos.
Tenho muito respeito por este povo, moradores de rua. Lógico que hoje a incidência de drogas como o crack está fazendo com que esta população aumente e eles, estes usuários,no meu entender não tem a ver com o verdadeiro povo da rua.As cracolândias que hoje se encontram até nas menores cidades do país são um grave problema brasileiro. Tudo que se descreveu até hoje sobre os planos espirituais onde vivem os drogados bate exatamente com que temos visto no plano material.
Na Umbanda há uma linha específica do povo da rua. Apesar de virem com aparência de mendigos, têm uma luz espiritual muito grande, e quando são solicitados trazem a humildade e o calor espiritual para limpar o ambiente.Hoje no Brasil quando se fala em povo da rua ,nos termos que estou falando, é comum lembrar do poeta Gentileza, cujo nome real era José Datrino. Mais recentemente o morador de rua encontrou uma criança numa lixeira, jogada pela própria mãe.São tantas histórias que as vezes nem sabemos.
Hoje me emocionei ao ler uma crônica/conto/reportagem do meu escritor predileto:  o jornalista curitibano José Carlos Fernandes. Com a maestria que lhe é peculiar, em seu artigo apresenta ao público o trabalho desenvolvido pela artista Cíntia Glock . Ele começa o texto assim: "Eu, você – a maioria – não saberíamos o que fazer diante de um corpo estendido no chão. A atriz Cíntia Glock também não. Até se ver diante de um esfaqueado recém-alçado à vida eterna, a dois palmos da ponta de sua bota, manchando de sangue as ruas de Colombo. Foi há sete anos. Ganhou sete vidas desde aquele dia." A matéria completa está disponível no link ao final deste texto. Parabéns Zeca por falar desta pessoa que batalha pelo bem, porque estas palavras encontram reflexo em outros corações e talvez despertam mais espíritos auxiliadores da humanidade. Quanto à Cíntia, não sei qual sua religião,mas sei que já deve ter um monte de auxiliares espirituais ajudando-a nesta sua caminhada.
Dignidade. É isto que esta moça doa sem reservas. Quem se dispõe a fazer isto,nos dias atuais? Quem é capaz de atravessar o muro de seus próprios sentimentos e ver que o do próximo pode ser pior? Será que é necessário ajudar só em casos em que a mídia esteja cobrindo? Lembro da minha mãe, que toda segunda entregava jornais à uma carrinheira que passava lá na frente de casa. O filho dela só ganhava algo se mostrasse os cadernos com lição bonita e bem feitinha. Aprendi com minha mãe a não ter preconceitos, a ver gente como ela é: igualzinha a mim.
Na Umbanda eu fui além. Aprendi que todos os que sofreram preconceitos, no passado e no presente, hoje estão em espírito auxiliando os mais necessitados. Tem dado muito certo. Cada vez mais há mais gente nos Terreiros e sinceramente espero que cada um que encontrou a solução neles tenha passado a considerar melhor a vida neste plano e a respeitá-la, em todas as suas formas. Como disse meu amigo Ronald Stresser Jr. em um depoimento no Blog do Pai Maneco, quando estas entidades da linha dos Mendigos vem ,seu choro e gemidos não são de dor e sofrimento,mas sim de sua proximidade com Oxalá. E como diz Pai Fernando neste mesmo tópico do blog: "Conversar com eles é um lenitivo para nossa alma. São mansos, calmos e carinhosos". 
Escrevi tudo isto apenas para chegar aqui e poder perguntar a você: quem mendiga o quê nesta vida?

Acesse e leia a matéria do José Carlos Fernandes: 
http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1120785&tit=Nos-que-aqui-estamos-por-vos-esperamos

Blog do Pai Maneco- Linha dos Mendigos
http://paimaneco.blogspot.com/2009/05/linha-dos-mendigos.html

terça-feira, 19 de abril de 2011

Anjos

Uma das famílias de caseiros que tive aqui gostava muito do Índio, que é o nosso cavalo. A mulher fazia uns bolinhos maravilhosos e, toda vez que os fazia, dava alguns pra agradar este pampa teimoso. Apesar de aconselhá-la a não fazê-lo na porta de casa , ela continuava. E volta e meia, lá estava ela dando os quitutes e beijando o cavalo.Certo dia, muito atarefada, fez os bolinhos e foi cuidar dos seus afazeres.O Índio que já era "íntimo" não se fez de rogado e entrou na casa para servir-se sozinho. Olha ,um cavalo dentro de casa dá um certo trabalho de tirar e é de fato uma lembrança inesquecível.
Nós e nossas experiências pessoais.Lembro-me  que na escola primária um dia a professora ensinou a diferença entre história e estória. Hoje nem sei se ensinam mais.Ela foi tão enfática que até hoje não esqueci, talvez porque goste tanto de história como de estórias. As duas têm grande importância, porque tanto com uma quanto com outra aprendemos um pouco mais a viver.
Paulo Mendes Campos numa de suas estórias falava uma grande verdade:"toda vida vivida até seu fim, dá um grande romance". Isto é real. Se você tem quarenta e bem pouquinhos anos como eu, já sabe que algumas coisas que não faziam sentindo em determinado tempo na sua vida, se resolveram e são repletos de significado. Se alguma coisa ainda não tem um significado ou um sentido claro, deixe o tempo projetar as outras cenas de sua vida que tudo se esclarecerá.
Creio que antes de nascermos escrevemos nossos roteiros de vida.Porém, em algum momento da viagem, esquecemos que é só um roteiro. Muitos espíritas e espiritualistas falam que viemos com uma missão, com algo que precisamos aprender para evoluir. Apesar de entendermos isto, quando passamos por alguma dificuldades ,sofremos de verdade e dolorosamente, esquecendo tudo que é espiritual e vivenciando o sofrimento achamos que ele é eterno. O único filme de terror que assisti no cinema  foi a Volta dos Mortos Vivos, confesso que esqueci que era uma estória e não consegui dormir por alguns dias....
O bom da vida é que nos entregamos à história, mas o ruim é que nos esquecemos de dar atenção aos detalhes às vezes. Não sei se vocês já assistiram ao filme Asas do Desejo de Win Wenders. Ali um dos anjos fala que gostaria de estar entre os vivos, não para ter filhos ou plantar árvores, mas para saborear um café e fazer coisas corriqueiras do nosso cotidiano. É um filme intenso e vale a pena ver.
Falando em intensidade, neste mesmo filme um senhor pensa assim: por que na história da humanidade não houve um período de paz grande o suficiente para ser relatada pelos historiadores? Talvez este nosso roteiro produzido antes de encarnarmos venha com uma frase específica: sem sofrimento não há evolução. E aqui coloco mais um talvez: talvez por este motivo a humanidade goste tanto de assistir sobre tragédias na mídia. A mídia explorou tanto o caso de Realengo e colocou tanto sobre o assassino que cheguei a pensar que a imprensa estava fazendo o caminho inverso da ética. A mídia sozinha não tem culpa, ela apenas alimenta a humanidade conforme sua fome. Pode ser a nossa necessidade urgente de evoluir que nos faça só absorver sofrimento.Sei lá.
Heróis e vilões se confundem em nosso dia-a-dia. E alternam seus papéis. Isto me surpreende sempre. Num só dia alguém que te defende pode subitamente empunhar a espada na jugular, como também o vilão que te deixa preso na masmorra pode te ensinar a voar livre.Tem tanta princesa por aí domesticando o dragão e tanto príncipe à espera de salvação, que estamos todos confusos quanto aos nossos verdadeiros papéis.
Infelizmente não há uma receita perfeita e única para se viver bem. Somos espectadores e atores de nosso papel principal na vivência.
Passamos a vida procurando respostas fora de nós.Diferente do famoso seriado que prega que a verdade está lá fora, posso afirmar que não. Gosto muito de uma tese descrita no livro Grifos do Passado, do pai Fernando Guimarães, que diz que nosso anjo da guarda só pode ser o nosso próprio espírito. Transcrevo aqui a explicação: " - Se temos dentro de nós a vontade e a partícula Divina, não pode ser essa essência, nosso próprio guardião? E se nessa vida, estamos vivendo uma unidade de encarnação, temos todo direito de evocar a somatória de nossas vidas anteriores, para proteger a nossa atual. Quem melhor que nosso próprio espírito, para nos proteger?
Leve sua história a sério, mas não tanto a ponto de achar que ela é infinita. Aproveite cada momento e dê um tempo a você mesmo, para estourar umas pipocas e pensar um pouco no enredo de sua vida. Daqui há pouco volto pra contar um pouco mais da minha...


 A ilustração de hoje é mais uma mandala maravilhosa do Marcelo Dalla, a Íris Mágica, que creio que cada um de nós possui. Aproveito para parabenizá-lo pelos mil seguidores e pelo trabalho fantástico que tem feito.

O livro Grifos do Passado, do Pai Fernando Guimarães, já está esgotado,mas você pode lê-lo na íntegra no site:

domingo, 20 de março de 2011

Espíritos de Umbanda

Havia passado umas três ou quatro semanas olhando para aquela pequena senhora. Como eu estava incorporada,não sei dizer ao certo quem a estava de fato observando, se eu ou seo Beira Mar, e observando todos os que trabalhavam na energia dela. Não sabia quem era, nem qual problema tinha, mas chamava a minha atenção.São mais de cem atendimentos por noite, então é difícil fixar uma fisionomia específica, mas na ultima gira  ela veio sentar bem à minha frente, quando eu estava trabalhando com Dona Antonia.
Como eu explicava ontem a um rapaz que estava meio atônito por ter ido a um terreiro pela primeira vez, nós todos somos médiuns em maior ou menor grau. Somos como rádios, daqueles antigos sabe, que só sintonizam corretamente se você estiver num lugar compatível com a sua sintonia. Tem rádios humanos que só sintonizam em canais de energia espírita, outros em templos  muçulmanos, judaicos,protestantes. Meu rádio pessoal só funciona no toque do terreiro de Umbanda, e como bom ser humano às vezes pego em AM ,às vezes em FM.
Neste dia da senhorinha, eu estava em FM, mas só soube depois. E muito curiosa ,por sinal. Mediante os problemas que ela descreveu, começou o atendimento. Num momento eu falava com um sotaque, em outro já de uma forma totalmente diferente. Estava ficando meio confusa, mas como me entrego totalmente nem parei para pensar. No final Dona Antonia avisa que ali estiveram três entidades diferentes, atendendo a situação.
A pequena senhora , um pouco mais leve em seus movimentos comenta que, durante o dia todo, a sensação que tinha era de que aquele dia era definitivo em sua busca: tudo se resolveria.A filha havia visto um médico sentado na beira de sua cama, talvez o mesmo que havia atendido naquela gira.
Conto a vocês isto, porque na verdade quero  chamar a atenção para uma observação específica. Médium igual a mim, apenas no terreiro que freqüento, há quase dois mil. Quantas entidades de fato trabalharam na restauração da saúde desta senhora? E quantas se identificaram? Eu não tenho dúvidas de que a fé e a humildade dela, aliada à persistência, aproximaram toda esta energia. Mas esta energia provinda do Divino atende prontamente sem exigir créditos ou se vangloriar.
Os espíritos trabalham em equipe, seja qual for a energia Orixá que pertençam. É um erro pensar que eles não se unam frente a um bem maior que é o Amor Divino. Talvez eu tenha prestado atenção em todo o processo desta senhorinha, porque nele se encerra um grande milagre: o da cooperação em prol do próximo, maior e mais relevante do que apenas um procedimento isolado.
Quando descobrimos nossos dons temos que ter o cuidado de entender que não somos os únicos a possuí-los, mas para que nos tornaremos ainda mais fortes se nos unirmos a pessoas com a mesma capacidade de freqüência, e que os resultados desta forma podem ser sim maravilhosos. A Natureza é sábia, se renova a cada dia e se reconstrói. As entidades sob influencia dos Orixás cósmicos compreendem que a natureza humana precisa ser constantemente renovada em propósitos e sentimentos para evoluir. 
Adoro observar e pensar sobre o que vejo. Não consigo enxergar mais a mediunidade na Umbanda de uma forma individual depois da observação desta senhora e de sua fé. Mas ela não é um caso isolado, de outra vez um senhor veio também agradecer à dona Antonia pelo trabalho que as entidades do Pai Fernando tinham dito com ele e resolvido um problema seu, e que sentiu necessidade de falar com ela sobre isso. Ela olhando fixamente para ele fala: Olha meu filho nós todos queremos saber uma coisa só de você: porque, acreditando em todos nós e sabendo o que sabe hoje, não se cuida? Por que se alimenta só de madrugada? O senhor então, até meio constrangido, fala que é o único tempo que tem para se alimentar,pois trabalha demais. Foi aconselhado a se cuidar mais para não somente ter uma vida melhor e com mais qualidade, mas como também poder retribuir com o bem a quem lhe procurasse.
Talvez o real e mais significativo sentido de haver terreiros de Umbanda seja de fato o exercício pleno da caridade. A caridade que começa na percepção que mesmo sob a influência de diferentes Orixás, nós médiuns estamos ali para nos unirmos e nos compreendermos, para aceitarmos nossas diferenças e construirmos com elas um entendimento maior do Amor Divino.  Que é na observação do movimento das entidades e na sua atuação, que temos que entender que é no equilíbrio de todas as energias, com as mais diferentes matizes,que este Amor Divino se faz presente. 
A pergunta que deixo hoje é a seguinte: em que ponto de nossa evolução espiritual conseguiremos agir em grupo da mesma forma que as entidades o fazem, em prol do amor ao próximo, em prol do nosso próprio crescimento?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desenvolvimento Espiritual

Alguns fantasmas novos me rondam. Antes que alguém venha tentar tirá-los de mim, peço que deixe-os ficar ainda e mais um pouco, para que possa decifrá-los e libertá-los, assim como minha alma. E aí Pai Fernando Guimarães posta um texto que fala sobre vida e morte no site do terreiro, então consigo saber que estou no limbo das idéias.Convido-os a visitarem ele comigo.
Vou começar do início. A Umbanda ,no princípio, tinha provas de fogo. Provas para saber se o médium estava incorporado mesmo ou não.Era um tal de andar sobre brasas, espinhos , queimar pólvora na mão, enfim uma profusão de testes absurdos mesmo e perigosos. Acredito que ninguém mais faça isso. Porém ainda percebo que os testes continuam, mas de outra forma, na  busca pelos mais fortes, e nos fortalecem para o caminho a ser seguido.
Certa vez perguntei ao pai Fernando se as entidades nos testam.Ele me respondeu que sim, mas não seria através de "pegadinhas".  A Umbanda trabalha com um elemento mágico muito importante, realmente transformador, que se chama entendimento. Para que haja entendimento você deve estar sempre consciente, o que apesar de parecer fácil não o é.
Para ser um bom umbandista você deve ser humilde, caridoso e ter fé.  Ser humilde em um mundo que preza pelo materialismo é tarefa pra Hércules nenhum botar defeito. A tudo se agrega um valor. Os nomes de entidades são um destes fatores. Há um orgulho indisfarçável em se falar que recebe tal entidade com nome mais do que conhecido no meio. Quando não é isso que importa, o que importa é a mensagem e não o mensageiro. Quando entramos numa mata escura e densa de nossas pequenas vaidades só a luz do entendimento para nos tirar de lá. Alcançar a humildade é uma prova de fogo, porque mesmo humildes podemos ter orgulho disto.
Outra prova que equivale a andar em brasas é a caridade. Ser caridoso não é só na hora em que ajudamos alguém com as mensagens e a transmutação das energias. Ser caridoso é também entender que cada um anda conforme consegue distanciar um passo do outro, o que é mais rápido para alguns é mais demorado para outros. Traçar paralelos entre os desenvolvimentos das pessoas é algo além de ridículo, vão e sem propósito. Um dia uma amiga deste meu mundo virtual da internet, me falou que sua colega de gira era muito "saidinha" e que aos olhos dela a mãe de santo nada fazia para deter aquele comportamento. Se há uma coisa que os pais e mães de santo, legítimos desenvolvedores de nossa espiritualidade, sabem é que mais cedo ou mais tarde as próprias entidades tratam de educar seus filhos no caminho da caridade. Cabe aos pais educarem, mas cabe aos filhos apreenderem a lição e incorporarem ao seu dia-a-dia.
Falo do processo educacional da Umbanda, porque ele também está presente na vida de todos sobre esta terra que querem fazer parte das falanges do bem, independente da formação religiosa. Caridade é uma palavra de sentido tão amplo que às vezes é difícil ter consciência plena dela. Caridade é saber perdoar também, é saber que todos temos limitação e que todos, enquanto vivos neste plano, ainda estamos em pleno desenvolvimento.Ser caridoso é dar a oportunidade ao próximo de ser quem ele é e de deixá-lo aprender, é ajudar quando é solicitado e principalmente não tecer julgamentos precipitados. Todo julgamento é precipitado, porque a pessoa que você é hoje pode não ser a mesma que você será daqui há um mês, como também ocorre às pessoas que estão à sua volta.Pense nisso.
Ter fé é andar sobre os espinhos desta vida. É saber que nada permanece e tudo está sempre em movimento. O calor que sente hoje será substituído pelo inverno que se aproxima, e que toda estação tem sua função. É difícil imaginar o verão nomeio de inverno rigoroso. Ser médium é saber passar esta mensagem aos que buscam conforto.
Ser médium de umbanda não é ter poderes fenomenais e irrestritos. Se assim fosse não seriam necessárias as giras. Ser médium de umbanda é saber que nada se faz sozinho e que todos fazemos parte de todos. São elos de diferentes energias Orixás que se unem formando um arco-íris de energia. 
Para ser médium de umbanda é preciso coragem. Coragem para largar velhos hábitos, e antes perceber que os possui. É se libertar dos casulos construídos com tanto carinho para nos proteger, em prol do próximo. É saber que você não é santo e como em qualquer convívio haverá conflitos pessoais, mas que o intuito disto tudo é tirar proveito e aprender a perdoar. Ah, o perdão.... Este sim é aquela mironga de congá, o grande segredo que as entidades e os altos iniciados escondem, para que aprendamos sozinhos o seu valor. Perdoando nos libertamos e almas livres alçam vôos maiores.E às vezes a pessoa mais difícil de perdoar somos nós mesmos. Como diz o texto que Pai Fernando postou , e que pertence ao Oriovisto Guimarães:" Não sabem os tolos, que imaginam se preservar, que é impossível a vida sem a morte, que o medo em excesso impossibilita o pleno viver." 
Se você crê por algum motivo, que o Divino esteja testando seus limites, pode ser que isto seja verdade. Então aconselho que ultrapasse a barreira do som e deixe seu coração falar. Escute-o com atenção. Será que é necessário mesmo sofrer? Será que não é o momento de mudar os móveis dentro de sua cabeça? Defumar as idéias e saravar um novo começo. Tudo é possível sem pré-conceitos.
"Algo só é impossível até que alguém duvida e resolve provar o contrário." Albert Einstein


Texto que citei no site do Terreiro do Pai Maneco 
 http://www.paimaneco.org.br/textos/minha-opiniao-fevereiro-2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os Donos da Espada

Imagem intuitiva do Cab. Akuan feita pelo médium Jimmy do Terreiro do Pai Maneco

Um grande amigo escreve-me sobre o último texto e faz a seguinte colocação: nós dois não somos filhos de Oxóssi, mas não devemos nada a nenhum filho dele. Abençoada seja esta pessoa. Senti o tilintar das espadas e as engrenagens do meu cérebro funcionando a mil. Hoje, graças a este estopim, gostaria de divagar um pouco sobre o tipo de inteligência das energias Orixás de Yansã e Ogum. Minhas divagações têm como base minha observação e vivência, então elas não são um “ultimato” irrevogável, antes acredito que partilhando o que me vem à cabeça tenha condições de ver de outros ângulos estas energias provenientes do Divino, e as formas de manifestar sua potencialidade.
Algumas vezes observei o caboclo Akuan, entidade de Ogum com a qual o pai Fernando trabalha.  Os caboclos de Ogum sempre me pareceram mais solitários e reflexivos com relação à vida. Numa batalha é importante defender sua posição e caminhada, mas Ogum vai além disto. Ogum comanda o elemento ferro, que não está somente nas espadas e nos aparelhos que nos rodeiam. Está e é imprescindível dentro de nós mesmos. A sua falta em nosso organismo nos debilita, esgota nossas forças e nos faz adoecer. É o ferro que dá força ao nosso sangue.
Num campo de batalha como o da gira, já vi seo Akuan vencendo grandes demandas, como também já vi este filho de Ogum indo curar os feridos de outras batalhas. E aqui talvez esteja a grande beleza do guerreiro. Os feridos em demandas pessoais ,naturais à própria vida e ao aprendizado, não podem ser deixados para trás. A energia de Ogum é dinâmica, então não pode criar raízes porque seu caminho é longo. Forjar armas para ter uma compreensão melhor da própria existência requer conhecimento e sabedoria. Ogum tem em si o dom de ensinar.  Todos os Oguns sempre estão de ronda, como nosso próprio sangue, porque têm em sua composição o propósito de trazer elementos para que nós possamos entender o caminho que percorremos e, consequentemente,  nos dá caminhos para nossa própria evolução, tanto física como mental. De todos os Orixás, Ogum representa sob meu ponto de vista claramente a palavra  altruísmo.
Há um estudo nos Estados Unidos que diz  que em  nosso corpo há uma estrutura que foi gerada para que possamos desenvolver o altruísmo- chama-se nervo vago. O psicólogo Dacher Keltner, diretor do Laboratório de Interações Sociais da Universidade da Califórnia, em Berkeley, investiga essas questões por vários ângulos e apresenta resultados maravilhosos: “O nervo vago é um feixe neural que se origina no topo da espinha dorsal. Ele estimula diferentes órgãos (como coração, pulmão, fígado e aparelho digestivo). Quando ativo, produz uma sensação de expansão confortável no tórax, como quando estamos emocionados com a bondade de alguém ... O neurocientista Stephen W. Porges, da Universidade de Illinois em Chicago, há tempos argumenta que essa região cerebral é o “nervo da compaixão”. Acredita-se que esse nervo estimule alguns músculos na cavidade vocal, permitindo a comunicação. Estudos recentes apontam que ele pode estar conectado à rede de receptores para a oxitocina, neurotransmissor relativo à confiança e aos laços maternais. Nossas pesquisas e as de outros cientistas indicam que a ativação dessa região está associada aos sentimentos de cuidado e intuição que humanos de diferentes grupos sociais têm. Pessoas com alta ativação dessa região cerebral são mais propensas a desenvolver compaixão, gratidão, amor e felicidade.”
Vejam, não quero teorizar sobre Orixás. Quero antes de tudo que possamos vê-los sob outros ângulos. A Umbanda nos permite, justamente por não termos dogmas, que sejamos livres pensadores, desde que observemos e vivenciemos esta religião com a certeza de que o que conseguimos captar é uma parte pequena da energia como um todo...
Um vórtice tocando a terra
Foi uma outra amiga que ao vir me contar um sonho hoje me ofereceu uma pista para eu complementar este texto. Disse-me que , em sonho, estava contando aos amigos que havia tido uma aula sobre o vórtice que orienta a energia de Yansã.  Infelizmente não chegou, em sonho, a explicar aos amigos qual era este vórtice. Um vórtice é um movimento espiral ao redor de um centro de rotação. Eles estão em todos os locais da natureza do átomo ao tornado, dos redemoinhos do que meus filhos dizem ser provocados por curupiras e sacis até o resultado de mexer o açúcar que está na xícara de café. Em meu ver Yansã também tem o mesmo aspecto solitário e reflexivo de Ogum, contudo sua missão é mais objetiva. Yansã cumpre a mudança de estado. São as frutas depositadas no leite que depois do vórtice causado pelo liquidificador se transformam em vitamina.
Ela é aquele túnel, que já ouvimos em  dezenas de relatos espíritas e em filmes que leva os desencarnados à luz de um outro plano, que nem sempre é o paraíso sonhado. Assim como foram pequenas frases que causaram o vórtice em minha mente para produzir este texto, assim também ocorre com os raios dos quais também é senhora, em comunhão com Xangô. É o clarão rápido que lhe traz o entendimento e que na hora, há de se ter o conhecimento para tal.
Estes dias assistindo um programa de música na tv à cabo, soube da história da cantora Melody Gardot. Ela estava viajando ,meio sem rumo, com uma amiga. Acabou a gasolina do carro e estavam totalmente sem dinheiro. Entraram, já sem saber o que fazer, em um restaurante para pedir ajuda. Melody se deparou com um piano e perguntou se poderia tocar. O dono do restaurante agradeceu aos céus por estar ela estar ali, pois o músico que tocaria aquela noite não poderia vir. Ela tocou e recebeu cem dólares. Aí foi o vórtice que atingiu este plano na vida dela, contudo se não estivesse preparada de nada serviria.
Outro exemplo vem de um grande médium:  em dezembro de 1913, tem uma visão enquanto viajava para visitar uma parente, em uma cidade próxima a Zurique: toda a Europa coberta por um mar de sangue, com milhares de cadáveres boiando, do norte até o sul. É uma imagem terrível que se repetiu como se fosse um sonho aterrorizante. Ele relatou os detalhes em seu livro de memórias, assinalando a necessidade premente que sentiu de compreender o sentido. De início, chegou a pensar que estivesse sofrendo de uma grave crise psíquica e que a visão talvez dissesse respeito a uma doença mental iminente. Só quando, pouco tempo depois, a Europa mergulhou na Primeira Guerra Mundial (1914- 1918) com seus incontáveis mortos e o profundo sofrimento para milhões, ele pôde compreender o sentido antecipatório de sua visão. E é neste ponto, onde descobre o que era a visão e o que fazer com ela, que o considero um grande médium. Seu nome é Carl Gustav Jung e chegou à conclusão de que as visões também se referiam a algo interno, uma profunda transformação interior. As mudanças interiores aconteciam paralelamente às dolorosas alterações da estrutura mundial. E isto é pressentido, não só por médiuns/cientistas como Jung, mas por cada um de nós. Entender o porquê se antevê as coisas e relacioná-las a algo interior é entender que tudo nesta vida, como tenho enfatizado, é “casado’ com tudo. É a mudança de pensamento que nos leva a uma nova condição de vida.
Como filha de Yansã vejo,não só em mim, mas em amigas sob a mesma influência Orixá a necessidade de estar sempre preparada e informada. Talvez porque os vórtices em nossas vidas sejam meio constantes. Sempre falo uma frase que é muito corriqueira: o caos antecede a criação da estrela. Neste ponto diverge de Ogum: Yansã não é uma professora, antes uma jornalista: ela passa os fatos e você os interpreta e utiliza da forma que tiver o entendimento para isto. Enquanto Ogum é o sangue em nossas veias ,Yansã é o átomo que lhe confere velocidade, é a transformação evolutiva. Quem muda nossos caminhos, nos passando de um plano para o outro é certamente Yansã. Contudo, Yansã é a energia que cumpre  a Lei Divina, que se assenta nas mãos de Xangô,portanto não é necessário  nem proveitoso ficar pedindo a ela mudanças constantes.
Ogum e Yansã são energias interdependentes, como ocorre com todos os Orixás. Não existe esta coisa de que são opostos. O Divino é perfeito. Basta-nos buscar conhecimento para entende-las e aplica-las.   Ogunhê ! Eparrey!

Sobre a bondade como desenvolvimento genético: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_ciencia_da_bondade.html

domingo, 21 de novembro de 2010

Magia

Tinhamos um terreno grande quando pequenos. Éramos em quatro irmãos e a diferença de idade entre um e outro não era maior que um ano. Então, um dia meu pai resolveu ocupar uma parte do terreno com canteiros. Eram muitos e eu lembro disto. Preparávamos a terra, plantávamos ,regavamos e colhíamos. Devia haver uns quarenta. Serviço que ocupava grande parte de nosso dia . Gostava muito daquilo.Talvez isto tenha grudado em minha genética e meu filho do meio adora plantar. Tanto, que mesmo morando em um sítio, as janelas da minha cozinha estejam cheias de vasos com pés de feijão dentre outras plantas.
Lembrei-me disto porque fiquei pensando sobre as coisas que nos impomos a fazer, quase que mecânicamente, e outras que fazemos porque estão irremediavelmente ligadas à nossa alma. Só há algo , uma necessidade, que nos une a todos: a necessidade de aprender.Não o que é necessariamente ensinado nas escolas. Aprender os caminhos que nos levam a felicidade, seja lá onde achemos que ela está. A porção do Divino que cabe neste espirito que vos escreve é o do Orixá Yansã, então meu nível de curiosidade é meio alta, embora meu discernimento não seja tão grande quanto à alguns fatos desta vida.
Esta semana foi uma daquelas em que tive o prazer de aprender muitas coisas. Uma delas é que Umbanda não é para qualquer um. E falo da Umbanda, porque é a minha religião, mas entendo que as outras devam ser assim também. E sabe por quê? Porque amor não é pra qualquer um . Ele exige um certo esforço e comprometimento. Onde não há amor proliferam todos tipos de coisas contrárias a ele:  tristeza, ódio, mágoa, e por aí afora, porque o amor é uma energia que vibra tão fortemente que para rebate-la é necessário muitas energias contrárias como estas que citei.
Um amante da vida é aberto ao conhecimento, e , com isto, não quer dizer que a pessoa seja alienada aos problemas.  Nem que seja perfeita. afinal somos seres em fase de aprendizado neste planeta. Amor é uma grande magia, pois não o entendo ainda na totalidade. A pessoa que incorpora o Amor Maior não consegue mais se livrar, o que me alivia muito.
A Umbanda trata de criar campos de energia.E olha o Pai Fernando precisou me falar isto esta semana talvez pela milésima vez. Entendi de fato desta (fique aliviado viu painho?) e acho até que por ter entendido definitivamente, entendi uma série de outras coisas ,ou pelo menos consegui entendê-las ao adquirir conhecimento. Para criar campos de força efetivos , temos que primeiro nos aprimorar, gerar energia compatível com a pureza dos elementos da natureza. As entidades vem só nos trazer elementos para que cultivemos o amor em nós mesmos, este que será partilhado nas giras deste mundo sem porteiras.
Precisamos a coragem dos índios. Vi um documentário à tarde sobre eles.Um índio no meio da floresta contando sobre uma caçada à noite. Diz que de repente sentiu uma dor no estômago: poderia ser feitiçaria.Ou fome. Esperou sem ter medo. Era fome.Isso é um grande ensinamento: paciência que nos dá o equilibrio de ver a verdade , é coragem.
Precisamos da humildade dos pretos. No livro Grifos do Passado, Pai Fernando Guimarães conta que Pai Maneco é um grande protetor das doceiras, porque ele acredita que elas tragam felicidade às pessoas. Vou confessar que cada vez que faço doce de abóbora aqui há pequenos pontos de luz pela casa toda.Todo mundo fica feliz.Humildade de reconhecer a beleza das pequenas coisas que fazem toda a diferença.Talvez aí na sua memória existam memórias de canteiros também como os que fiz quando criança, de doceiras e aconselho a lembrar deles em momentos difíceis.
Todas as crianças na Umbanda quando descem batem palmas. Nunca entendi isto de fato, até achar este pequeno texto que posto abaixo do professor de Amor Léo Buscaglia (isto mesmo, ele dava aulas sobre o Amor numa universidade da Califórnia, teria sido um grande Umbandista). É um texto que revela a essência do que os erês vem nos trazer:
 "Sempre que estou decepcionado com meu lugar na vida, eu paro e penso no pequeno Jamie Scott.
Jamie estava disputando um papel na peça da escola. Sua mãe me disse que tinha procurado preparar seu coração, mas ela temia que ele não fosse escolhido.
No dia em que os papéis foram escolhidos, eu fui com ela para buscá-lo na escola. Jamie correu para a mãe, com os olhos brilhando de orgulho e emoção:
- Adivinha o que, mãe!
E disse aquelas palavras que continuariam a ser uma lição para mim:
- Eu fui escolhido para bater palmas e espalhar a alegria! "

Tem pessoas que você olha e sabe o que o amor está impregnado nelas de forma irremediável. Podem não estar bem todos os dias, mas um sorriso, que você sabe que vem lá do fundo da alma já te alimenta.Já falei aqui e torno a falar. O primeiro ponto riscado da Umbanda tinha um coração, simbolo mundial do amor. Não era à toa.

Se você apesar de tudo se acha também um escolhido e mesmo sem entender todos os mecanismos do amor leia e participe: Blog World Cicle: ONDE O MUNDO NUNCA PÁRA: CAMPANHA CRACK NEM PENSAR! http://t.co/cFQ1O72

Acessem o novo site do Terreiro do Pai Maneco: http://www.paimaneco.org.br/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Liderando Almas

Não tem coisa melhor para dormir do que ouvir a narração daqueles programas sobre a vida no fundo do mar. A voz continuada do locutor falando sobre os camarões azuis encontrados nas profundezas do oceano Pacífico e lá está você se entregando ao colo de Yemanjá para sonhar com as belezas marítimas, principalmente nos domingos à tarde. Gosto mesmo de programas sobre a vida selvagem, aprendemos muito com eles.
Um dia vi um programa sobre elefantes. E fui até buscar dados na revista Superinteressante para embasar meu texto: "Os dados são alarmantes. Desde 1992, no Parque Nacional de Pilanesberg, na África do Sul, elefantes adolescentes estupram e matam rinocerontes fêmeas. Em 2003, também, o vilarejo de Kyambura, em Uganda, se tornou palco de um ataque súbito dos paquidermes. Detalhe: todos machos e adolescentes. Segundo a revista New Scientist, dezenas de casas e plantações foram destruídas no local. Aldeões foram mortos, esmagados ou pisoteados pelos animas. Ao todo, no ano de 2005, nos países africanos da Zâmbia, Tanzânia e Serra Leoa, mais de 300 camponeses tiveram de evacuar suas casas, aterrorizados por elefantes jovens. Como membros de gangues, os elefantes destroem rotineiramente cidades e plantações, matando jovens, velhos e crianças. Na Índia está acontecendo a mesma coisa. “Os rugidos eram terríveis”, diz um morador de um vilarejo do estado de Jharkhand, no norte da Índia, atacado por elefantes em 2001."
E qual foi a solução para toda esta balburdia? Uma professora de psicologia de animal dos EUA, Gay Bradshaw, descobriu que a causa de toda esta revolta é que os elefantes adolescentes não tinham um líder mais velho que os orientasse. Foram colocados em contato com elefantes mais velhos, e acho eu que depois de alguma conversa, se acalmaram.
Mas minha incursão pelo mundo animal ainda não termina aqui. Olha só, na mesma revista, que exemplo de politica: "Na luta por poder e prestígio, nem sempre são os chimpanzés mais fortes que se dão bem. O que eles fazem pelo poder? Trocam favores, cuidam uns dos outros, cultivam alianças úteis entre amigos e famílias e, quando brigam, se reconciliam para manter a paz. “Trechos de Maquiavel parecem diretamente aplicáveis à vida dos chimpanzés”, escreveu De Waal em Chimpanzee Politics. O cientista estudou a intriga pelo poder entre Jeroen e Luit, dois chimpanzés do zoológico de Arnehm, na Holanda. O bando de 8 animais era liderado por Jeroen, que se mostrava autoritário. Luit se rebelou contra ele. Começou a contestá-lo e a desrespeitá-lo com uma tática cheia de esperteza. Resolveu paparicar e dar presentes aos colegas de jaula, como bananas e amendoins. Em 3 meses, Luit destronou Jeroen."
São duas situações completamente fora do que é natural. O homem no primeiro caso destruiu manadas de elefantes mais velhos por causa do marfim de suas presas e no segundo deixou em cativeiro chipanzes, que deveriam viver em liberdade. Diante de tanta selvageria humana, se portaram como humanos. Vida selvagem de fato. E por quê? Porque não têm o nosso poder de raciocínio e discernimento.Não, não falo dos animais, falo dos homens que cometeram estas brutalidades com os animais.
As pessoas devem sempre buscar elementos que as façam crescer em amor e respeito a si mesmas e ao próximo. Onde elas podem buscar isso? Acredito que dentro das religiões. Cada ser busca o que sua alma lerá com mais facilidade, que seja mais adequado ao seu caminhar. Não há religiões certas ou erradas, mas necessariamente teremos que analisar quem lidera e como trada de uma assunto tão delicado como o nosso  religare com Deus.
Me entristeceu de sobremaneira um fato ocorrido ontem em Porto Alegre: "Oito evangélicos realizavam um retiro de orações, em uma reserva ambiental particular, quando um carro com cinco praticantes de uma religião de origem africana chegou ao local. Eles queriam fazer rituais e oferendas no mesmo lugar. As diferenças religiosas acabaram se transformando em uma briga. O fiel da igreja Deus é Amor, Nilton Rodrigues, de 34 anos, levou uma facada no pescoço e morreu na hora. Um pastor também ficou ferido e está internado em estado grave. Os três homens e as duas mulheres praticantes da religião africana fugiram."
Vida selgavem. Nenhum dos dois grupos tinha um líder espiritual capaz de falar que não é com uma guerra que se cultua a Deus.
Quando vamos a um templo religioso temos que encontrar ali um outro lar, pessoas preparadas e com sabedoria para nos escutar e não nos encher de esperança, mas nos equilibrar para que tenhamos condições de caminhar neste mundo de forma que nossos passos sejam firmes, que nosso olhar irradie a luz divina. O único defeito que tenho com relação à minha religião é o baita orgulho que tenho em ter um líder como o Pai Fernando Guimarães, cujo ensinamento sobre amor, fé e caridade tem feito com que eu pratique da melhor forma possível a Umbanda, a Umbanda Pés no Chão. Tanto que aqui neste espaço consigo reunir pessoas de diferentes religiões, porque temos sem dúvida a mesma finalidade: melhorar como seres humanos e ajudar ao próximo. Estão aí todos os depoimentos em meus textos que não me deixam mentir. São neles também que aprendo muita coisa e aproveito também para agradecer a vocês. Saravá!