Ser mãe é padecer no Paraíso.Não conheço frase mais abominável do que esta. Sempre que alguém me diz , e desculpe quem já me disse isso alguma vez, dou um sorrisinho daqueles que querem dizer vou ali e não sei se volto. Você não tem noção do que é amar um filho até que ele saia de sua barriga. O que a gente ama quando está grávida , principalmente pela primeira vez, é a idéia de ser mãe de uma criaturinha linda e parecida com a gente.Mas mesmo nesta época uma série de coisas passam pela cabeça da gente, e nem sempre muito legais.
Bom, os filhos nascem e com o tempo, e só com o tempo, aprendemos a amá-los.E os amamos um pouco mais a cada dia.Porque amar também envolve aprendizado, compreensão e observação constante e diária. Os filhos também nos amam, embora cada um o faça de uma forma diferente, no final descobrem em si mesmos um lugar no coração em que só nós mães habitamos.
Muito se fala hoje em dia que a palavra amor está banalizada. Não creio nisto, porque amor nunca é um ato banal. A palavra tem sido muito usada sim, mas pela necessidade que as pessoas têm de usufruí-la, como , e principalmente, escudo protetor , que impede que todas as atrocidades do mundo afetem nossa alma, nossa essência.O amor é uma energia, a mais poderosa e a mais misteriosa, e deve ser invocada em todos os momentos desta nossa existência e isto só é feito com simplicidade. O amor por si só é mais, então não admite arrogância,nem prepotência, porque para se entregar a ele não podemos ter amarras.
A Umbanda é amor. Um amor livre na humildade de sua criação, e o que não for simples neste processo está fadado a não firmar seu real propósito. Elitizar a Umbanda é colocar vendas em seus médiuns e soltá-los em campo aberto, educar em amor e simplicidade é dar asas aos anjos que comunicarão, aos que buscam consolo, que a continuidade da vida, com fé e coragem, é possível.
Quando alguém vai a um terreiro espera uma mensagem clara e um resultado imediato, na maioria das vezes. As entidades, os caboclos, os pretos, os exus, os erês, boiadeiros, ciganos, todos sem exceção vão orientar os consulentes a traçarem um caminho pela luz do entendimento, e esta vai ser acessada primeiro em seu cérebro e depois em seu coração. O médium, antes de mais nada, precisa aprender a ser simples e aprender que é sendo simples que se é umbandista de fato. Ninguém dá o que não tem. Se adquirimos a força e a energia do amor pelas pessoas, transbordamos nele e ,sem dúvida nenhuma, fica muito mais fácil transmitir qualquer mensagem, porque as entidades sejam quais forem, encontrarão em nós os elementos necessários para o exercício de sua função dentro da religião.Amar é compartilhar o que temos dentro de nós mesmos.
Quem ama entende que todos unidos em um só propósito tem maior facilidade em auxiliar ao próximo. Só uma pessoa egoísta pode pensar que sozinha vai resolver os problemas de outro ser humano. Temos que ter a sensibilidade de entender que o amor atua na unidade, quando todos juntos numa gira formamos esta unidade. Cada um tem uma importância muito grande nesta energia do Amor: seja o pai de santo, as pessoas que compõe a hierarquia, os ogans, o médium novato e o que vai já para o toco, a firmeza do cambone e a vibração da pessoa que está na assistência e que está sintonizada, cantando todos os pontos. Tudo somado , na Umbanda, se traduz em amor.
Estamos todos crescendo, todo dia. Tenhamos oito ou oitenta anos. É difícil, mas a vida é um cenário de grandes aventuras.São as matas escuras de nossos pensamentos que temos que atravessar, são os rios que nos levam com força para direções desconhecidas, mas que nos ensinam a nadar. São as pedreiras que nos fazem sentir pequenos diante da grandiosidade de alguns momentos, são as trevas que nos ensinam a buscar a luz para dar passos mais firmes. São os grandes tsunamis que nos ensinam a reconstruir cada tijolo do que desmoronou. Viver esta aventura é necessário para que aprendamos o uso do amor em cada momento.
Ser mãe ou pai, ser filho, ser médium não é padecer num paraíso, é compartilhar o melhor amor que temos dentro de nós. É viver a grande aventura do amor nesta terra abençoada pelos Orixás. Saravá à sua aventura! Saravá a todo amor que você possa apreender neste caminho!
A Mandala acima é mais uma da série do Marcelo Dalla, e se refere ao amor incondicional
Esta postagem é dedicada às grandes mães guerreiras, que vivem esta aventura grandiosa de ter filhos:
Georgiana, Karin Elizabeth, Lucília, Dani Aymé, Renata Passos, Sonia Leão,Claudia Carneiro, Cinthia Schunig, Eni Lúcia, Carla Flores, Beatriz Silva, Paula Dantas.






