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| Helen Keller 1880-1968 |
Há três tipos de frutas que gosto aqui no sítio: pitanga, araçá e saco de bode (este último virou "hit' e é conhecido por physallis, apesar de ser na verdade um "mato", que cresce sozinho). Pois bem, este é o primeiro ano em que o pé da araçá está repleto de frutos. Todos os dias vamos lá ver se estão maduros, mas até agora nada. A sensação é a mesma que antecede ao término do cozimento do bolo de chocolate, quando se eleva no ar o cheiro, mas bem mais demorada.
E por anos tive esta sensação ao pensar em Oxalá. Orixá que a princípio não é relacionado com nenhum elemento da natureza, aparentemente. De uma certa forma é fácil descrever os outros Orixás e suas correlações com o vento, as pedreiras, as matas e assim por diante.Esta noite amadureceram minhas idéias sobre Oxalá e aproveito o dia para dividir com vocês.
Há dias venho pensando em Hellen Keller. Para quem não conhece, ela nasceu em 1880 em Tuscumbia, Alabama, descendendo de família tradicional do Sul dos Estados Unidos. Quando completou 18 meses de vida perdeu a audição e a visão no que chamaram de febre cerebral, mas que na verdade deveria ser escarlatina.
Hellen não tinha então nenhum contato com o mundo exterior, e ficou nestas "trevas" até os sete anos (por coincidência um número sempre presente na Umbanda) quando conheceu sua professora Anne Sullivan, que na época com 21 anos foi ser sua educadora . A professora Anne Sullivan havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind) pois, quando criança tinha sido cega, mas recuperou a visão através de nove operações. Sua indicação para ensinar Hellen foi feita por Alexander Graham Bell (inventor do telefone), que havia sido procurado pelos pais de Helen. Desde essa época, professora e aluna, tornaram-se inseparáveis até a morte do Anne Sullivan em 1935.
Anne Sullivan assumiu a tarefa de ensinar Hellen e para isso necessitou de muita coragem a persistência. As alunas cegas da Escola Perkins fizeram-lhe uma boneca pare levar à Helen. Anne Sullivan iniciou seu trabalho com Helen utilizando a boneca e tentando relacionar o objeto à palavra através da soletração da palavra “BONECA” pelo alfabeto manual. Helen logo aprendeu a repetir as letras corretamente, mas não sabia que as palavras significavam coisas. Aprendeu através desse método, um tanto incompreensível para ela, a soletrar, com o uso das mãos, várias palavras.
No dia 5 do abril de 1887 Helen e sua professora estavam no quintal da casa. perto de um poço, bombeando água. A professora Sullivan colocou a mão de Helen na água fria o sobre a outra mão soletrou a palavra “água” primeiro vagarosamente, depois rapidamente. De repente, os sinais atingiram a consciência de Helen agora com um significado. Ela aprendeu que “água” significava algo frio e fresco que escorria entre suas mãos. A seguir, tocou a terra e pediu o nome daquilo e, a anoitecer já havia relacionado trinta palavras a seus significados.
Hellen aprendeu a falar, a ler e a escrever. E foi além. Em 1898 entrou na Escola Cambridge para Mocas; em 1900, para a Universidade Radcliffe onde, em 1904, recebeu seu diploma de bacharel em filosofia. Durante seu período de estudante a professora Anne Sullivan foi sua orientadora constante transmitindo todas as aulas para Hellen, através do alfabeto manual, encorajando-a e estimulando-a. todos os livros de consulta que não existiam em braille eram laboriosamente soletrados nas mãos de Helen. Além das aulas da Universidade, Anne soletrava aulas de francês, latim e alemão.
Bom , e o que tudo isto tem a ver com Oxalá? Pois lhe digo que essa é a força natural desta Energia Cósmica. O Divino escondeu o poder natural em um lugar que custássemos a achar, para melhor valorizá-lo: dentro de nós mesmos. Oxalá é a força da energia natural da fé.Nos terreiros não se incorpora a energia de Oxalá, porque é a energia que movimenta todas as outras , as quais não se sustentariam sem ele.
A Justiça Divina, sua execução, a prosperidade e a vida, os ciclos que passamos, tudo está interligado com a fé. Uma das grandes dúvidas que eu tinha era a respeito desta superioridade dele: se é maior que os outros Orixás ele mesmo seria mais do que uma energia divina em forma de Orixá. Na verdade, Oxalá não tem mais poderes que os outros nem é hierarquicamente superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família.
A fé encabeça qualquer movimento espiritual. Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo, mas ele próprio é anterior à história de Jesus. Oxalá está na base da criação Divina, onde há o início. Em momento algum o Divino pensou se era possível a Criação. A Fé que movimentou a Criação , em um exemplo muito simples e simplório até, é de mesma qualidade que a fé que movimentou o interior de Hellen Keller. Movimento que só foi possível através de um instrumento externo, no caso, a dedicação de Anne Sullivan.
Devo confessar que por ter uma aptidão por jornalismo, o meu entendimento tende a ser mais objetivo e por morar no meio do mato, descomplicar vira uma regra de vida diária. No meu entendimento muitas coisas de que o intelectual de umbanda Rivas Neto fala são muito prolixas. Sua formação é na medicina, e , como doutor, fala de maneira apropriada para o seu nível de conhecimento. Contudo uma coisa ele postou estes dias no twitter que foi uma das coisas mais sensatas que já ouvi, e que me acendeu uma luz em minha alma: "Teologia é a crítica e auto-crítica da religião. Teologia não pode ser confundida com religião."
Posso falar aqui neste espaço sobre os Orixás, sobre a Umbanda, mas nunca o farei em um aspecto teológico, porque nem tenho conhecimento para isto. Falo do que sinto dentro da minha experiência religiosa e pessoal. E Oxalá é a energia que possibilita que eu fale de fé.
Achei algo muito bonito em um site, o Soldados da Mata, falando do motivo de se vestir branco nas giras:" Por causa de Oxalá a cor branca esta associada ao candomblé e aos cultos afro-brasileiros em geral, e não importa qual o santo cultuado num terreiro, nem o Orixá de cabeça de cada filho de santo, é comum que se vistam de branco, prestando homenagem ao Pai de todos os Orixás e dos seres humanos."
Por último, mas essencial nesta nossa conversa, escrevi tudo isto para que você saiba que esta energia de Oxalá reside em você. Esta semana extraordinariamente várias pessoas me escreveram e falaram comigo sobre suas preocupações e a dificuldade em superá-las, afirmando que estavam em seu limiar. Há algo dentro de nós capaz de transformar as dificuldades materiais em elementos criativos de prosperidade, há algo dentro de nós capaz de transmutar a saudade dos que já se foram em lembranças vívidas de amor presente e eterno, há algo em cada um de nós capaz de transformar as doenças e limitações em aprendizado de força e coragem. Há sem dúvida algo dentro de nós que propicia a reencarnação nesta mesma vida, e este é o elemento natural regido por Oxalá: a fé. Tenham coragem de abrir seus olhos para seu interior, pois nele há uma força descomunal.Espero que despertem como Hellen despertou ao compreender o que era água. ÈPA BÀBÁ !
Para Saber mais sobre Hellen Keller:
Site Soldados da Mata:
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