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domingo, 20 de julho de 2014

Umbanda é Vida!


Foto Mathias Daniele
Vendo um destes documentários da tv a cabo, diziam que os tambores em diversas religiões do mundo tem a capacidade de alterar a estrutura do DNA. Tudo comprovado cientificamente. Dizem que cada cérebro tem a capacidade de "entender"um ritmo, uma tocada diferente. Não sei o quanto há de verdade neste estudo científico, mas sinto ,a cada vez que toca o barravento fico mais próxima do que sou.
Todo ritual religioso tem uma fundamentação, e a Umbanda é rica em detalhes e poucos tem tempo de prestar atenção.Infelizmente,na maioria das vezes, estão mais preocupados e ocupados com coisas mais "terrenas" nas giras, mas sempre há o que se aprender. Uma das nossas raízes, os nagôs, diziam que existiam nove planos. Entre os quatro superiores e os quatro inferiores, havia um plano intermediário que se localizava no espaço ocupado por nosso planeta; esse seria o plano astral terrestre. Era através desse espaço que chegavam a Terra os Orixás e ancestrais vindos dos vários outros planos.
Surgiam, pois, para os nagôs, os orixás e ancestrais de dentro da Terra. Assim, quando desejam chamar os Orixás, os nagôs tocavam três vezes o solo (após o nome de o orixá ser pronunciado).
O solo diante dos tambores também era tocado (antes ou depois de tocarem com os dedos o próprio atabaque), afinal, quem chamava (através do som) os orixás eram os tambores.O solo era sempre tocado três vezes; o três representa na cultura nagô ação, movimento e expansão… Tocar o solo três vezes era o gestual que significava o “assim seja”, o cumpra-se. Então quando, por exemplo, o nome de Ogum pronunciado, todos tocavam três vezes o solo; “assim seja”, “que Ogum venha até nós”… Diz-se que Yansã é aquele que se divide em 9 porque, evidentemente consegue "passear" nos nove planos.
No Brasil, os africanos, para consagrar o solo, para transformar o terreiro em uma pequena África, enterravam relíquias trazidas de lá, transformando ritualísticamente o solo brasileiro em solo africano ,ou seja o solo dos Orixás. Hoje as firmezas são enterradas nos terreiros com a função de proteção e irradiação destas energias, principalmente das entidades regentes.
Certa vez eu assoprei uma vela e alguém me falou que não deveria fazer aquilo, pois movimentava uma energia que não era apropriada. Falou algo sobre Yansã ,mas não tinha muita certeza. Não só na umbanda ,mas em várias religiões que utilizam velas elas jamais são apagadas com sopros e a justificativa é uma só: ao usarmos este meio para apagar as chamas, estamos querendo que a sua irradiação termine. Deus ao criar o Universo o fez com o seu sopro divino. E através desse sopro criou a luz, então, não devemos usar a mesma forma com que o Criador usou para extinguirmos a luz das velas. Ao ser extinta pelo abafador, nós simplesmente mudamos sua manifestação concentrada. Ela estará sendo absorvida na sua fonte. Quando extinguimos a chama da vela com um sopro há um simbolismo de que desejamos desintegrar a chama com a intenção de fazer com que ela não mais exista como luz. É considerada uma forma profana de extinguir a chama de uma vela. Até mesmo na antiguidade havia um simbolismo representado pela vela, no que diz respeito à sua substância. Eram confeccionadas exclusivamente de cera de abelha e que elas juntavam o mel sacrificando suas vidas.
No Terreiro da Vovó Benta, em Curitiba, após a defumação há a distribuição de pedaços de pão com ervas diferentes a cada gira, com o intuito de limpeza interna e preparação para o ritual que se inicia.É realmente muito lindo e significativo. É legal saber todas estas coisas e vivenciá-las, mas a magia verdadeira meus queridos só ocorre mediante a qualidade das emoções, das palavras e gestos, dentro e fora da gira. O que importa mesmo é fé, amor, determinação e certeza de que há muito mais entre nosso saber e o Amor que vem do Divino. Saravá!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Eram Duas Ventarolas.....


Tenho uma irmã que tinha verdadeiro pavor do mar. Gritava horrores. Para podermos ficar na praia,só levando ela de costas até a areia. O porquê disto nunca soube, mas funcionava. Ficava contrariada ,mas ficava. Em compensação, se fosse a um cemitério ,não saía de lá sem muito choro: amava andar entre as catacumbas, ver lápides, admirar a paisagem soturna. Tem gente que gosta de mato, de cheiro de árvore, tem gente que ama uma cachoeira, há os que amam pedreiras e viagens por estradas bem longas. Todo mundo, independente de religião, tem um lugar para recarregar suas energias, se reestruturar, mexer com sua composição molecular.
É muito comum entre umbandistas saber sobre os Orixás, as características de cada filho e usar até como uma brincadeira saudável, coisa bem comum entre irmãos. O problema é quando isto passa a ser rotulação, acabando por criar uma certa dificuldade em entrar em contato com a energia que não é "simpática". Muito embora sejamos parte de uma única energia Orixá, precisamos durante a vida de composições com outras energias.
Nosso equilíbrio se faz de formas diferentes ,em diferentes fases da vida mediúnica. Filhas de Yansã precisam às vezes de Oxossi, às vezes de Ogum, às vezes precisa mesmo mimetizar a energia de Oxum e agir como tal. Somos filhos do Divino e como tais podemos parecer um desenho diferente neste grande caleidoscópio que é a existência.
Comecei falando do mar. Tem muita gente ,por incrível que pareça, que não gosta de praia e muitos outros não se atrevem a entrar no grande mar. Yemanjá é um Orixá misterioso. Oxum é a grande rainha das bruxas, Yansã rege todos os mortos, mas quem é Yemanjá? A Rainha do Mar? É muito pouco...
Pelas escrituras, Deus ,antes da criação do mundo, pairava sobre as águas onde a sabedoria soprava constantemente.Primeiro Deus criou a luz, no segundo dia: "E disse Deus faça-se o firmamento e separa umas aguas das outras, e fez a separação entre as águas que estavam sob o firmamento, daquelas que estavam por cima do firmamento, e chamou o firmamento de Céu." As águas do mar são a representação das águas que estão acima do Céu, onde está o Criador.
Yemanjá é a energia que rege nossa Criação, a possibilidade de transmutação das energias muito maior que o próprio fogo, porque simplesmente além da mudança ela é a energia que cria também.  Se há algo que precise ser mudado em sua vida, se algo novo tem que surgir é pelas mãos de Yemanjá que ocorrerá. Se Exu é a energia mais próxima do homem, e o ser humano busca Exu nos momentos mais difíceis, a quem ele recorreria para obter força suficiente para recriação do que está aparentemente perdido? Somente em Yemanjá. Falando em termos de energia, Yemanjá é tão importante nos trabalhos de Exu que há uma proteção dos ventos de Yansã para que não se misturem. Há uma ordem no Universo, que nós, às vezes limitados nas rotulações, não conseguimos perceber.
Nossos olhos nos enganam, nossos conceitos nos embotam. Tem muita gente que não gosta dos filhos de Yemanjá, mas nunca pararam para pensar e sentir o que eles sentem. Há um grande peso nestes filhos que carregam esta energia: a necessidade de recriar um mundo inteiro, da forma como pensam ser o correto. Apesar de ser das águas salgadas, as mesmas que saem do suor do trabalhador e das lágrimas, eles precisam saber trabalhar com todas energias para um bom resultado. Aí se parecem muito com os filhos de Yansã, que também devem, saber lidar com as demais energias dos Orixás. A energia de Oxum atravessa a energia de Oxossi, se junta a ela, e desemboca em Yemanjá para se transmutar. Oxóssi se integra a Oxum, Ogum e até Xangô, única energia Orixá que tem uma função única.
Yemanjá e Yansã não são chamadas só para limpeza nos terreiros. Yansã pode trazer potenciais que temos e que perdemos com o tempo, enquanto Yemanjá pode criar em nós um grande potencial de mudança, ela é sem dúvida a única energia capaz de quebrar paradigmas. 
Falando em paradigmas que devem ser quebrados, creio que o mais importante para os Umbandistas de fé é o de limitar as energias Orixás aos erros humanos, pois acabam por limitar a visão do potencial que há em cada energia Divina. Há muito mais entre o céu e a terra.......Salve Yemanjá! Salve Yansã! Odoyá! Eparrey!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Energia da Ética

Rabequista Árabe - Pedro Américo
Quem já não ouviu a máxima : "não se meta a rabequista..." ? Pois, começo a crer, que ela deveria ser mais difundida tanto em todos os meios, porque, pelo menos, se invocaria uma imagem de um dito materno e muita gente não faria bobeira assim à esmo. Por uma destas coincidências irônicas, o mesmo autor do quadro do grito do Ipiranga, simbolo máximo de nossa independência é o mesmo autor desta gravura que coloquei hoje aqui. Este quadro, pelo que já falei podia estar em todos os lugares também.
Já comentei aqui uma vez, mas sempre é bom lembrar: no livro Mago de Strovolos do pesquisador Kiryacos Marquides há uma passagem bem interessante em que um mago verdadeiro explica como funciona a energia e como funcionam as pessoas. Ele ensinava a alguns discípulos como fazer projeções de animais com a própria energia. Era um exercício simples para treinar a mente, mas um espertinho resolveu que seria  legal criar um cão para guardar sua casa. Legal porque não precisava alimentar e nem limpar a sujeira. Lógico que a criatura se voltou contra o criador. Então, Daskale que era seu mestre teve que ir na casa do neófito, desmanchar o mal feito e de quebra dar uma bronca no infeliz prepotente.
Para se fazer caridade e ter amor ao próximo verdadeiro nem precisa de religião. Sempre falei que conheço muitos ateus convictos que servem muito melhor a Deus que muito religioso por aí. Mas o que quero explicar aqui hoje é sobre a egrégora que pertenço, que é da Umbanda. A Umbanda é , aparentemente simples: é regida pela energia de 7 orixás: Oxalá, Yemanjá, Ogum, Oxum,Oxossi, Xangô e Yansã mais Omoluh e Nanã na ala esquerda. Não aparenta, mas entender como funciona cada energia e como empregá-la demanda leitura e tempo de convívio na religião - porque aprendemos muito na prática diária. Ninguém "vira" pai de santo da noite pro dia. Como não há regras rígidas na Umbanda, pode até acontecer que outro Orixá venha a ser cultuado, pois são muitos no Candomblé. Vai aí da experiência e do conhecimento de cada um. Nestes anos todos de experiência na Umbanda, foram pouquíssimas vezes nas quais a pessoa que veio se queixar de que a "haviam macumbado" tivesse de fato algum feitiço feito. Na maioria das vezes seus próprios pensamentos a estavam detonando. Isto é bem comum, pois uma pessoa que não está desenvolvendo sua mediunidade dificilmente reconhece a energia que a cerca com uma certeza absoluta. Porisso, existem pais e mães de santo dedicados, que além de atenderem o público ensinam corretamente os fundamentos.
Estes dias postei no facebook uma frase que adaptei:  “A Umbanda sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha". Ensinar a quebrar magia feita a quem não conhece nada, falando de orixás que desconhecemos, é como ensinar uma pessoa que nunca ligou um carro a dar cavalo de pau. Como entendo pouco de Candomblé e nunca fui visitar um barracão, nem tão pouco li sobre outros Orixás, resolvi fazer uma entrevista com quem de direito e trazer aqui para apreciação de vocês. Para que ,pelo menos meus leitores, não se metam a rabequista de tentar mexer com energias que não conhecem. Segue abaixo:


Samir Castro é iniciado no Candomblé de Kétu desde o ano 2000. É Secretário Geral da Federação de Umbanda e Candomblé Luz e Verdade do Estado de São Paulo e do Brasil. Apresentador do Canal EsuAkesan: www.youtube.com/EsuAkesan , escritor do Blog EsuAkesan http://www.esuakesan.blogspot.com/. Fundador da Egbè Èsù Akèsan e Sociedade Umbandistas Zé Pilintra e Professor do Centro de Estudos Espirituais Luz e Verdade. Contatos: (11)3895.9911 ou luzeverdade@luzeverdade.com.br


Quanto tempo leva no Candomblé para se tornar um Babalorixá ou Yalorixá?

R: O termo Ìyáwò (esposa),virou sinônimo no Brasil de Iniciado. A Iniciação é o renascimento, é a entrada para uma nova vida. Durante este período, o noviço é recolhido durante um período que poderá levar de 21 a 90 dias para mais. Durante este tempo o mesmo passa por diversas ritualísticas para o início do caminho sacerdotal. Com o passar dos anos o mesmo passará por outras obrigações, que nada mais são que ritualísticas relacionadas ao culto ao Orixá. As obrigações são divididas em: 1, 3 e 7 anos. A Obrigação de Sete anos é a mais importante, onde o mesmo é considerado um Egbomì, ou seja, um mais velho, é onde receberá o Oyé (cargo). A partir deste momento, após estes anos de aprendizado o mesmo terá o direito de ter seu Ilé Asè (Casa de Axé/Terreiro) aberto e poder iniciar outras pessoas dentro do culto. Existem outros cargos dentro do Candomblé que na verdade já nascem com seus sete anos, como por exemplo, o cargo de Ògán (Ogã). Ao contrário do culto de Umbanda, o Ogã no Candomblé nunca manifesta a energia do Orixá. O mesmo é exclusivamente relacionado aos atabaques. Entre outras funções dentro de uma casa de Orixá, o Ògán ainda se divide em outros cargos com função sacerdotal, importantíssima dentro do Ilé Asè. Existem outros cargos dentro do Candomblé que já se “nasce” com sete anos, ou seja, com cargo sacerdotal.

Um Zelador (a) no Candomblé trabalha com todos os orixás existentes? 
R: Além de trabalharmos com nossos Orixás Regentes, trabalhamos com a energia do Orixá como um todo, em nossas ritualísticas, em nossas oferendas, rezas e em nossos cânticos.

Quais são as conseqüências para alguém que realiza algum trabalho sem o devido preparo?
R: Todo preparo é necessário. Como se diz, “é preciso saber-se firmar até mesmo uma vela”. Infelizmente mesmo na inocência, um trabalho que alguém venha a fazer sem o devido preparo pode atrair diversas energias negativas que poderão atrapalhar na saúde espiritual, acarretando conseqüências seríssimas na vida material. Muitas vezes o que é feito com fé e na inocência poderá ser bem aceito. Infelizmente as pessoas fazem certas ritualísticas em um momento de desespero, que pode se tornar um trabalho negativo. Por isso é sempre importante que uma terceira pessoa, no caso um zelador (a) faça a oferenda, o ritual, e até mesmo dêem o banho de ervas naqueles que necessitam de auxílio. Eu não recomendo nenhum tipo de oferenda ou ritualística por conta própria.
Quais são os orixás que requerem mais conhecimento para trabalhar?
R: Na verdade todos os Orixás dentro do Candomblé requerem um grandioso aprendizado. É importante conhecermos a história do Orixá, suas cantigas, suas rezas, suas ofendas. Todos os Orixás, as grandes energias da natureza são de extrema importância e requerem um extremo conhecimento.

Como uma pessoa pode ter certeza que há algum mal direcionado a ela? Isso é comum?
R: Isso é uma questão complicada, porém existem sinais que podemos detectar se há uma energia ou algo que esteja nos influenciando negativamente. Por exemplo, quando tudo dá errado, tonturas, dores de cabeça, arrepios constantes, desanimo, entre outros. O ideal é que caso a pessoa após ter procurado um médico, por exemplo, nada seja constatado, que então procure ajuda espiritual. Realmente isso é muito comum.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amor sem Fronteiras

Ser mãe é padecer no Paraíso.Não conheço frase mais abominável do que esta. Sempre que alguém me diz , e desculpe quem já me disse isso alguma vez, dou um sorrisinho daqueles que querem dizer vou ali e não sei se volto. Você não tem noção do que é amar um filho até que ele saia de sua barriga. O que a gente ama quando está grávida , principalmente pela primeira vez, é a idéia de ser mãe de uma criaturinha linda e parecida com a gente.Mas mesmo nesta época uma série de coisas passam pela cabeça da gente, e nem sempre muito legais.
Bom, os filhos nascem e com o tempo, e só com o tempo, aprendemos a amá-los.E os amamos um pouco mais a cada dia.Porque amar também envolve aprendizado, compreensão e observação constante e diária. Os filhos também nos amam, embora cada um o faça de uma forma diferente, no final descobrem em si mesmos um lugar no coração em que só nós mães habitamos.
Muito se fala hoje em dia que a palavra amor está banalizada. Não creio nisto, porque amor nunca é um ato banal. A palavra tem sido muito usada sim, mas pela necessidade que as pessoas têm de usufruí-la, como , e principalmente, escudo protetor , que impede que todas as atrocidades do mundo afetem nossa alma, nossa essência.O amor é uma energia, a mais poderosa e a mais misteriosa, e deve ser invocada em todos os momentos desta nossa existência e isto só é feito com simplicidade. O amor por si só é mais, então não admite arrogância,nem prepotência, porque para se entregar a ele não podemos ter amarras.
A Umbanda é amor. Um amor livre na humildade de sua criação, e o que não for simples neste processo está fadado a não firmar seu real propósito. Elitizar a Umbanda é colocar vendas em seus médiuns e soltá-los em campo aberto, educar em amor e simplicidade é dar asas aos anjos que comunicarão, aos que buscam consolo, que a continuidade da vida, com fé e coragem, é possível.
Quando alguém vai a um terreiro espera uma mensagem clara e um resultado imediato, na maioria das vezes. As entidades, os caboclos, os pretos, os exus, os erês, boiadeiros, ciganos, todos sem exceção vão orientar os consulentes a traçarem um caminho pela luz do entendimento, e esta vai ser acessada primeiro em seu cérebro e depois em seu coração. O médium, antes de mais nada, precisa aprender a ser simples e aprender que é sendo simples que se é umbandista de fato. Ninguém dá o que não tem. Se adquirimos a força e a energia do amor pelas pessoas, transbordamos nele e ,sem dúvida nenhuma, fica muito mais fácil transmitir qualquer mensagem, porque as entidades sejam quais forem, encontrarão em nós os elementos necessários para o exercício de sua função dentro da religião.Amar é compartilhar o que temos dentro de nós mesmos.
Quem ama entende que todos unidos em um só propósito tem maior facilidade em auxiliar ao próximo. Só uma pessoa egoísta pode pensar que sozinha vai resolver os problemas de outro ser humano. Temos que ter a sensibilidade de entender que o amor atua na unidade, quando todos juntos numa gira formamos esta unidade. Cada um tem uma importância muito grande nesta energia do Amor: seja o pai de santo, as pessoas que compõe a hierarquia, os ogans, o médium novato e o que vai já para o toco, a firmeza do cambone e a vibração da pessoa que está na assistência e que está sintonizada, cantando todos os pontos. Tudo somado , na Umbanda, se traduz em amor.
Estamos todos crescendo, todo dia. Tenhamos oito ou oitenta anos. É difícil, mas a vida é um cenário de grandes aventuras.São as matas escuras de nossos pensamentos que temos que atravessar, são os rios que nos levam com força para direções desconhecidas, mas que nos ensinam a nadar. São as pedreiras que nos fazem sentir pequenos diante da grandiosidade de alguns momentos, são as trevas que nos ensinam a buscar a luz para dar passos mais firmes. São os grandes tsunamis que nos ensinam a reconstruir cada tijolo do que desmoronou. Viver esta aventura é necessário para que aprendamos o uso do amor em cada momento.
Ser mãe ou pai, ser filho, ser médium não é padecer num paraíso, é compartilhar o melhor amor que temos dentro de nós. É viver a grande aventura do amor nesta terra abençoada pelos Orixás. Saravá à sua aventura! Saravá a todo amor que você possa apreender neste caminho!

A Mandala acima é mais uma da série do Marcelo Dalla, e se refere ao amor incondicional


Esta postagem é dedicada às grandes mães guerreiras, que vivem esta aventura grandiosa de ter filhos:
Georgiana, Karin Elizabeth, Lucília, Dani Aymé, Renata Passos, Sonia Leão,Claudia Carneiro, Cinthia Schunig, Eni Lúcia, Carla Flores, Beatriz Silva, Paula Dantas.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ponto Riscado

Passei anos da minha infância, ao fechar os olhos antes de adormecer, vendo um semi círculo verde. Não fazia a menor idéia do que era aquilo e um dia este círculo se fechou e nunca mais o vi. Faz já um tempo razoável que minha infância acabou, mas tem certas coisas de que não esqueço.
Consumimos e decodificamos símbolos 24 horas por dia. Tudo é permeado de múltiplos sentidos e se manter são no meio de tanta informação é um ato heróico. Temos que decifrar as sensações do dia, a percepção que temos das pessoas e dos fatos, reler o que a mídia nos passa além do que ela mostra. Sinceramente estou mais convicta hoje que as crianças precisam mais do que filosofia nas escolas é de um bom entendimento de semiótica.
Até você ter certeza absoluta que está mesmo incorporando na Umbanda leva um tempo. Talvez uma das maiores provas pessoais sejam os pontos riscados, que é basicamente a assinatura da entidade por meio de símbolos. Uma das que mais marcou na minha experiência pessoal foi o do Caboclo das Sete Cachoeiras, linha de Xangô. Primeiro porque eu pensava que era um caboclo de Oxossi, segundo que na época eu não sabia da existência desta entidade maravilhosa e terceiro porque me veio à lembrança uma outra coisa que marcou minha infância.
Meu avô,o Amadeu Destefani, conhecido por todos pelo apelido de Lulo, era uma figura fantástica. Ele dizia que as 7 quedas iam acabar e todos o chamavam de louco.Ao receber seo Sete Cachoeiras lá estava a lembrança dele comigo novamente. Sempre pensei que meu avô fosse um tipo de xamã com estilo muito próprio de ser. Adorava fazer esculturas com troncos que iam dar nas areias da praia de Barra Velha. Certa vez fez uma sereia e colocou ao sol, no fundo da casa que dava para o lago, para secar o verniz. Não pôde tirar porque os pescadores iam pedir a benção a ela antes de irem ao ofício. E aí me lembra uma outra entidade que recebo, seo Beira Mar. Meu avô era de fato um cara que amava a naturezaentão é natural que todas estas coisas me lembrem dele.
Círculos e círculos. O círculo é o símbolo mais antigo para a representação de Deus em várias religiões. Me atrevo a dizer que as entidades traçam meios círculos porque eles também buscam a elevação e a comunhão completa com o Divino.Setas que indicam direção e movimento, estrelas que iluminam os caminhos, cruzes que identificam nossas encruzilhadas pessoais e são bem anteriores à cruz do cristianismo.
Ontem na gira, outro círculo em minha vida, num ritual para a energia do perdão se movimentar e eliminar mágoas que pudessemos ter, me descobri uma pessoa feliz. Nestes tantos círculos que formei com a energia das pessoas que conheci, me foram acrescentados símbolos pessoais muito marcantes.
Meus avós que já se foram, minha mãe, alguns amigos que já não andam sobre esta terra fizeram a sua função no círculo verde que via quando criança. Outros ainda que participam dela e não fecharam ainda seu círculo em minha vida,mas me acrescentam na medida exata que evoluem. Como sempre falo nada anda sozinho neste mundo e agradeço à evolução de cada um, me faz um bem danado.
Às vezes as entidades não precisam de palavras para nos fazer entender uma situação. É o que precisamos entender na Umbanda. Para fazer uma energização ou uma limpeza na aura da pessoa sendo atendida não é necessário o toque físico, mas para se acolher e se mostrar solidário à dor nada melhor do que um abraço. Sinto falta destes círculos que já se fecharam e dos abraços que não vou mais dar, apesar de tê-los transformados em elos fortes de um círculo maior que circunda meu coração espiritual e que me fortalece.
Então vou usar as palavras símbolos de nossa época para montar um ponto básico pelo qual talvez você possa se nortear, nesta curta estada sobre a terra. Seja próativo: ame.  Recicle incessantemente seus sentimentos e pensamentos ruins, antes que polua sua aura. Seja objetivo: a sua versão de felicidade pessoal é a que vale, não a dos modelos que a mídia expõe. A vida é interdisciplinar: em tudo e em todos há condições de você aprender algo novo.Cada pessoa que está na sua vida é um pequeno símbolo de sua assinatura espiritual. Deus salve a pemba* que a risca. Deixe a gira de sua vida girar, com muita música , amor e bom humor.

Esta é mais uma mandala de meu amigo querido Marcelo Dalla
@marcelodalla 
http://marcelodalla.blogspot.com/ 

*pemba é , a grosso modo, um giz  confeccionado em calcário e modulado em formato ovóide alongado, e serve para, ao riscar, estabelecer ritualisticamente o contato vibratório com as energias cósmicas dos Orixás.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Oxalá

Helen Keller 1880-1968
Há três tipos de frutas que gosto aqui no sítio: pitanga, araçá e saco de bode (este último virou "hit' e é conhecido por physallis, apesar de ser na verdade um "mato", que cresce sozinho). Pois bem, este é o primeiro ano em que o pé da araçá está repleto de frutos. Todos os dias vamos lá ver se estão maduros, mas até agora nada. A sensação é a mesma que antecede ao término do cozimento do bolo de chocolate, quando se eleva no ar o cheiro, mas bem mais demorada.
E por anos tive esta sensação ao pensar em Oxalá. Orixá que a princípio não é relacionado com nenhum elemento da natureza, aparentemente. De uma certa forma é fácil descrever os outros Orixás e suas correlações com o vento, as pedreiras, as matas e assim por diante.Esta noite amadureceram minhas idéias sobre Oxalá e aproveito o dia para dividir com vocês.
Há dias venho pensando em Hellen Keller. Para quem não conhece, ela nasceu em 1880 em Tuscumbia, Alabama, descendendo de família tradicional do Sul dos Estados Unidos. Quando completou 18 meses de vida perdeu a audição e a visão no que chamaram de febre cerebral, mas que na verdade deveria ser escarlatina.
Hellen não tinha então nenhum contato com o mundo exterior, e ficou nestas "trevas" até os sete anos (por coincidência um número sempre presente na Umbanda) quando conheceu sua professora Anne Sullivan, que na época com 21 anos foi ser sua educadora . A professora Anne Sullivan havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind) pois, quando criança tinha sido cega, mas recuperou a visão através de nove operações. Sua indicação para ensinar Hellen foi feita por Alexander Graham Bell (inventor do telefone), que havia sido procurado pelos pais de Helen. Desde essa época, professora e aluna, tornaram-se inseparáveis até a morte do Anne Sullivan em 1935.
Anne Sullivan assumiu a tarefa de ensinar Hellen e para isso necessitou de muita coragem a persistência. As alunas cegas da Escola Perkins fizeram-lhe uma boneca pare levar à Helen.  Anne Sullivan iniciou seu trabalho com Helen utilizando a boneca e tentando relacionar o objeto à palavra através da soletração da palavra “BONECA” pelo alfabeto manual. Helen logo aprendeu a repetir as letras correta­mente, mas não sabia que as palavras significavam coisas. Aprendeu através desse método, um tanto incompreensível para ela, a soletrar, com o uso das mãos, várias palavras.
No dia 5 do abril de 1887 Helen e sua professora estavam no quintal da casa. perto de um poço, bombeando água. A professora Sullivan colocou a mão de Helen na água fria o sobre a outra mão soletrou a palavra “água” primeiro vagarosamente, depois rapidamente. De repente, os sinais atingiram a consciência de Helen agora com um significado. Ela aprendeu que “água” significava algo frio e fresco que escorria entre suas mãos. A seguir, tocou a terra e pediu o nome daquilo e, a anoitecer já havia relacionado trinta palavras a seus significados.
Hellen aprendeu a falar, a ler e a escrever. E foi além. Em 1898 entrou na Escola Cambridge para Mocas; em 1900, para a Universidade Radcliffe onde, em 1904, recebeu seu diploma de bacharel em filosofia. Durante seu período de estudante a professora Anne Sullivan foi sua orientadora constante transmitindo todas as aulas para Hellen, através do alfabeto manual, encorajando-a e estimulando-a. todos os livros de consulta que não existiam em braille eram laboriosamente soletrados nas mãos de Helen. Além das aulas da Universidade, Anne soletrava aulas de francês, latim e alemão.
Bom , e o que tudo isto tem a ver com Oxalá? Pois lhe digo que essa é a força natural desta Energia Cósmica. O Divino escondeu o poder natural em um lugar que custássemos a achar, para melhor valorizá-lo: dentro de nós mesmos. Oxalá é a força da energia natural da fé.Nos terreiros não se incorpora a energia de Oxalá, porque é a energia que movimenta todas as outras , as quais não se sustentariam sem ele.
A Justiça Divina, sua execução, a prosperidade e a vida, os ciclos que passamos, tudo está interligado com a fé. Uma das grandes dúvidas que eu tinha era a respeito desta superioridade dele: se é maior que os outros Orixás ele mesmo seria mais do que uma energia divina em forma de Orixá. Na verdade, Oxalá não tem mais poderes que os outros nem é hierarquicamente superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família.
A fé encabeça qualquer movimento espiritual. Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo, mas ele próprio é anterior à história de Jesus. Oxalá está na base da criação Divina, onde há o início. Em momento algum o Divino pensou se era possível a Criação. A Fé que movimentou a Criação , em um exemplo muito simples e simplório até, é de mesma qualidade que a fé que movimentou o interior de Hellen Keller.  Movimento que só foi possível através de um instrumento externo, no caso, a dedicação de Anne Sullivan.
Devo confessar que por ter uma aptidão por jornalismo, o meu entendimento tende a ser mais objetivo e por morar no meio do mato, descomplicar vira uma regra de vida diária. No meu entendimento muitas coisas de que o intelectual de umbanda Rivas Neto fala são muito prolixas. Sua formação é na medicina, e , como doutor, fala de maneira apropriada para o seu nível de conhecimento. Contudo uma coisa ele postou estes dias no twitter que foi uma das coisas mais sensatas que já ouvi, e que me acendeu uma luz em minha alma: "Teologia é a crítica e auto-crítica da religião. Teologia não pode ser confundida com religião." 
Posso falar aqui neste espaço sobre os Orixás, sobre a Umbanda, mas nunca o farei em um aspecto teológico, porque nem tenho conhecimento para isto. Falo do que sinto dentro da minha experiência religiosa e pessoal. E Oxalá é a energia que possibilita que eu fale de fé.
Achei algo muito bonito em um site, o Soldados da Mata, falando do motivo de se vestir branco nas giras:" Por causa de Oxalá a cor branca esta associada ao candomblé e aos cultos afro-brasileiros em geral, e não importa qual o santo cultuado num terreiro, nem o Orixá de cabeça de cada filho de santo, é comum que se vistam de branco, prestando homenagem ao Pai de todos os Orixás e dos seres humanos."
Por último, mas essencial nesta nossa conversa, escrevi tudo isto para que você saiba que esta energia de Oxalá reside em você. Esta semana extraordinariamente várias pessoas me escreveram e falaram comigo sobre suas preocupações e a dificuldade em superá-las,  afirmando que estavam em seu limiar. Há algo dentro de nós capaz de transformar as dificuldades materiais em elementos criativos de prosperidade, há algo dentro de nós capaz de transmutar a saudade dos que já se foram em lembranças vívidas de amor presente e eterno, há algo em cada um de nós capaz de transformar as doenças e limitações em aprendizado de força e coragem. Há sem dúvida algo dentro de nós que propicia a reencarnação nesta mesma vida, e este é o elemento natural regido por Oxalá: a fé. Tenham coragem de abrir seus olhos para seu interior, pois nele há uma força descomunal.Espero que despertem como Hellen despertou ao compreender o que era água. ÈPA BÀBÁ !  

Para Saber mais sobre Hellen Keller:

Site Soldados da Mata:

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domingo, 16 de janeiro de 2011

Orixás e a Tragédia no Rio

Lembro-me vivamente da fisionomia do casal e seu pequeno filho, aterrorizados diante da afirmativa do Dyogo: Coelhos são para comer. Não se brinca com eles e nem se dá nomes. Comida é comida. Lógico, moramos em um sítio e uma vez em Roma seja romano. O casal e seu filho acostumados à vida selvagem que shoppings e lanchonetes podem proporcionar jamais sonhariam em receber tal resposta ao tentarem agradar os dois coelhos que estávamos criando.
O fato é que o Dyogo desde pequeno já viu matarem porcos ,coelhos,galinhas e para ele isso é normal, além de sinal de festa. Não há maldade nisto, apenas sobrevivência de uma certa forma. Hoje por exemplo foi um grande domingo: os filhotes de cachorro já têm mais de um mês então as crianças puderam nomeá-los e com isso fortalecê-los para que sobrevivam. É outras das coisas comum do pessoal dos matos.
Esta semana vários amigos me perguntaram se os Orixás estão brabos e por este motivo ocorreu a tragédia no Rio de Janeiro. Estaria Yansã incomodada com o comportamento humano? Ou Oxum abrindo seus leitos dos rios para afogar  os incautos ,como vingança? Ou ainda o barro teria sido despejado por Nanã a pedido de Xangô?Devemos fazer amalás pedindo perdão? Foram muitas e variadas perguntas. Vou copiar aqui um pequeno trecho do novo livro do pai Fernando que diz o seguinte sobre os Orixás: “No Terreiro do Pai Maneco nós cultuamos os seguintes Orixás que eu considero Cósmicos: Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Iemanjá, Oxum e Iansã. Entendo como Orixá Cósmico aquele pedaço do espaço que tem uma atuação direta no nosso planeta irradiando por afinidade áreas especificas. Ogum sobre os metais, Oxossi sobre a Natureza, Xangô sobre as pedras, Iemanjá sobre o mar, Oxum sobre os rios e cachoeiras e Iansã sobre o vento e tempestades. Oxalá atua em todo o planeta através dos outros seis Orixás
Ora, são energias imanentes do Divino, pedaços do Todo para compreendermos melhor. São energias que nos regem há milênios ,embora levem outros nomes nas mais variadas religiões. Enquanto a humanidade entendia muito pouco do funcionamento da natureza, quando tudoera apenas um grande sítio, era normal atribuir aos deuses a prosperidade ou o caos. Hoje sabemos que o planeta está vivo e portanto a natureza se renova e se reconstrói. Um rio seguirá seu curso,mesmo que seja necessária força para isso. Ninguém impede o vento, nem a chuva de cair, mas há com certeza conhecimento para evitar tragédias. E se há uma forma de antever tais tragédias há de se presumir também que, o Divino em sua Infinita Sabedoria, nos deu condições intelectuais de nos preservarmos. Então fica claro que não é culpa de nenhum Orixá e sim da falta de planejamento.
Gostaria também de falar sobre amalás. Ao fazer uma oferenda a um Orixá estamos criando um campo de energia que através de nosso pedido fortalecerá alguém ou alguma situação. Aprendi com o Pai Fernando que se por exemplo projetarmos esta energia a algo muito grande , como por exemplo ,o combate às drogas, esta energia se dissipará. Se a focarmos ela surtirá um efeito melhor. Sugiro aos que querem fazer amalás que foquem nas pessoas que estão auxiliando, a um grupo específico, para que tenham cada vez mais força para ajudar a quem precisa. Ou a parentes e amigos envolvidos.
A grande manifestação de força da energia dos Orixás está sendo demonstrado nas pessoas que têm auxiliado exaustivamente. Voluntários e mais voluntários anônimos, verdadeiros heróis brasileiros. Albert Einstein falava: "A alegria de ver e entender é o mais perfeito dom da natureza." Estamos vendo e entendendo que o único meio de auxiliar é arregaçando as mangas. Seja por meio das doações e do controle de entrega das mesmas, seja pessoalmente no voluntariado mais que precioso, seja buscando cobrar políticas mais adequadas.
O Terreiro do Pai Maneco, aqui em Curitiba estará recebendo doações, de alimentos não perecíveis e material de higiene, de segunda a sexta, das 14 às 17 horas. O endereço é: estrada Nova de Colombo, número 5487, no bairro da Santa Cândida na cidade de Curitiba estado do Paraná. Fone: (41) 3356-7660. Gostaria que todos os Terreiros que estão em férias também se solidarizassem com os flagelados.

Coloquei hoje as tirinhas da Mafalda para que ,com bom humor, refletíssemos sobre nossa própria natureza. Gostaria também de deixar um recado para minha amiga Juliana Fideles: querida, a religião é uma forma de conversarmos com Deus, como numa espécie de rede social. Pode ser que ele não responda de pronto, mas tenha a certeza que todas as mensagens são lidas.

A citação do livro do Pai Fernando a que me referi está contida  
em http://www.paimaneco.org.br/filosofia/livro/grifos-e-recortes

Por fim gostaria de recomendar aqui  uma homenagem feita por meu amigo Francisco Vieira em seu blog às Yabás, muito bonito: