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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Regente de 2013

Gente que não evolui está fadada a extinção. Eu avisei ao Dyogo, que só passou de ano em virtude do Conselho de Classe da Escola. Se agora tem uma nova chance - e chances não aparecem assim todo dia - se abrace a ela como se fosse uma namoradinha nova. Não dá pra ter quizila com o destino, ainda mais tão próximo do fim do mundo. Para quem não conhece o termo, quizila vem do termo quimbundo Kijila, que vem a ser uma proibição definitiva ou temporária, determinada pelo Orixá a seus filhos, em geral no Candomblé e em alguns terreiros de Umbanda.
Hoje me deparei com uma entrevista antiga que havia dado ao jornal Gazeta do Povo aqui em Curitiba. O que me chamou a atenção foi o título: Uma Revolução Lenta e Silenciosa - feita pelo meu querido amigo jornalista- e pela frase, quase guru José Carlos Fernandes. Pensei de imediato que estamos vivenciando isto na Umbanda e quem não se atentou ainda a este fato, conduzirá sua casa a extinção. Proibições e permissões sem esclarecimento , falta de atenção a médiuns, brigas entre seres que professam a mesma fé embora em terreiros diferentes , estão tão evidentemente ligados ao ego de cada dirigente e é inevitável que os adeptos mudem constantemente de casa- em busca da evolução.
O fato é um só: a Umbanda é uma religião. Uma religião de guerreiros em prol da caridade, em prol do amor ao próximo,não amor próprio - o que pronunciando parece ser igual, mas não é. Rituais podem divergir - e eu mesma não gosto de alguns- mas é inevitável que cada médium observe os sinais na escolha de sua casa, do local onde irá praticar o bem ao próximo.
Ficar alheio ao que acontece ao seu redor- o clássico "faço a minha parte e o resto não me interessa"- não se aplica definitivamente a um grupo que soma energia ao realizar a gira. Concordo que ninguém é perfeito- se assim fosse não haveriam médiuns- mas há que se ter cuidado. Se quer fazer algo de forma isolada faça sozinho, e se fizer sozinho não é Umbanda. É uma forma de ajudar ao próximo também e também é válida, mas não é Umbanda- porque Umbanda necessita de uma gira para promover a troca de energias.
O que me levou a pensar: o que é realmente necessário para uma gira acontecer a contento? Uma coisa é essencial e não é ritualística: o senso comum da prática do bem. Ok. Se você for como eu vai falar que o bem e o mal são relativos. E o são mesmo. Umbanda que é Umbanda é equilíbrio de energias da natureza. Nós pobres mortais- que adoramos ficar em filas em shoppings para comprar uma nova tecnologia- nos afastamos um bom tanto desta energia, e crescentemente nos afastamos de nós mesmos.
O Divino, em sua Infinita Sabedoria, sempre dá um jeito de fazer com que nos aproximemos de nossa essência e assim acontecem coisas que às vezes fogem dos padrões de nossa rotina. Às vezes nos pegamos pensando que é um mal o que nos sucede, que é isto ou aquilo. Mas se pararmos para pensar- depois que a tempestade passa- é só mais um momento de aprendizado, por vezes dolorido-mas aprendizado. Porisso devemos respeitar quem pisa num terreiro em busca de ajuda: ali está invariavelmente a última oportunidade de achar uma solução.
Caboclos, pretos velhos, erês, exus,pomba-giras incorporam e falam com consulentes por um só motivo: passar a mensagem e transmutar a energia de pensamento de quem precisar enxergar as coisas de uma outra forma- e este é um trabalho tremendo: transformar a água em vinho e fazer com que as pessoas despertem para vida. Médium inconsciente é o que não se atenta a isto e se prende a rituais - que servem na realidade para mantermos nosso foco na fé e não dispersarmos atenção.
Como mulher de fé, como médium umbandista, como defensora da religião gostaria de propor aqui que focássemos em Oxalá para o próximo ano de 2013. É ele quem trará o consolo pelas palavras das entidades aos que buscarem ajuda, os grandes aprendizados aos médiuns no próximo ano e grandes provas a todos os terreiros de boa fé. Que este mundo que estamos vivenciando dentro da religião realmente acabe dia 21, quando a maioria dos terreiros entra em férias. Que façamos a travessia dos justos, dos fiéis e principalmente dos que têm consciência que não são donos da verdade absoluta, pois a verdade está no amor do Criador e nos desígnios que Ele permite a cada filho e filha.
Termino com uma citação de Fernando Pessoa, para refletir a Luz Divina: " Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Saravá!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Justiça e Magia

Fé, caridade e amor ao próximo. Mistérios e descobertas. Deslumbramento. Felicidade na luta pelo bem, pela saúde, pela alegria, pela dedicação. É de fato tudo muito bonito dentro da Umbanda. A religião sem dogmas, a religião da liberdade, a religião dos guerreiros de Oxalá. Descobrir entidades, Orixás regentes, manipulação de energia é muito estimulante, mas você já chegou a pensar o que há além disto?
Afinal, quem somos nós? Na individualidade, sob o teto que nos abriga quando não exercemos nossa função religiosa. Aponte um médium de qualquer religião que não atravesse algumas vezes corredores escuros em sua vida pessoal  e eu lhe direi que este ainda não é um médium em pleno desenvolvimento. 
Desenvolvimento espiritual é longo e árduo, além de solitário. Não há ninguém, nem neste, nem de outro mundo que possa usar os seus pés para caminhar.
Não estou dizendo que não temos ajuda, mas é impossível saber o que é uma xícara de café, oferecendo-a somente para seu vizinho provar. Um dia Mestre Cipriano me falou que o caminho não é fácil, mas que ficar olhando os buracos em que tropeçamos não auxilia em nada nosso processo de desenvolvimento, e que ,com frequência, nesta caminhada, é comum nos confundirmos com coisas que parecem boas e com as que parecem más.
A vida de uma forma geral não é fácil e eu digo que a Umbanda não é o lugar mais correto para fugirmos da realidade.A Umbanda nos dá subsídios para transformarmos a realidade que enfrentamos em fontes de sabedoria para o engrandecimento de nosso espírito. Contudo ,em momento algum, as experiências que vivenciamos devem ser vistas com resignação. É a nossa reação aos revezes o elemento transformador essencial à nossa evolução.
Dia 21 de Dezembro é o fim do mundo. Lembro do meu filho mais velho falando há mais de dez anos atrás que achava injusto, pois cairia um dia antes de seu aniversário. Hoje eu entendo que o fim do mundo acontece várias e várias vezes nesta mesma vida. O que fomos há dez anos atrás será bem diferente se sobrevivermos a mais dez anos. Muitas e muitas vidas vivemos numa só.
Na Umbanda não há sacrifícios. É uma meia verdade. Há o nosso próprio sacrifício. Já me perguntei várias vezes sobre o porquê disto, de caminharmos às vezes como cordeiros assustados. Como o Divino deixaria coisas ruins ocorrerem a quem pratica o bem? Ah ,meus caros, uma pergunta bem "perguntada" jamais fica sem resposta pelo Universo. Em um dos meus textos falei que a representação dos grandes iluminados é sempre feita pela imagem do leão. E numa destas minhas distrações ouvi no um filme "Lutem e lutem novamente, até que cordeiros se tornem leões" (Robin Hood) 
Se as coisas não estiverem fáceis para você, tente lembrar que faz parte da sua transformação pessoal e nunca, em momento algum, desista de lutar. Há um leão dentro de cada um de nós, e aí reside a Justiça e a Grande Magia Divina. Saravá Xangô!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Umbanda 2012 - Mensagem Ogum Beira Mar

Centro Espirita Cosme Damião comandado pelo Pai de Santo Paulo Faria,
esta foi uma gira na Praia do Vilatur, no RJ
Pensei em falar muitas coisas nesta postagem. Pedi aos amigos fotos de suas giras.Ia falar como são bonitas as famílias dos pequenos terreiros e que apesar dos problemas, são sólidas na fé, porque não são apenas um número, um conhece bem o outro. Então, senti que não apenas eu, mas seo Beira Mar tinha algo a dizer. Não costumo fazer isto, mas cedi ao meu mentor, porque sei que através dele muitos encontram a luz de que necessitam. Como em toda psicografia que faço, não altero nada em seu conteúdo. Nem tudo está bem claro para mim, pois creio que ainda não tenha conhecimento pleno. Se você ler e quiser postar alguma concepção nova que teve, ou opinião que queira compartilhar será extremamente bem vindo, pois juntos aprenderemos mais. Gostaria que notassem também cada sorriso de cada membro das giras que postei aqui. Ser de Umbanda também é sinônimo de alegria.

Aldeia Mata Virgem comandada pelo Pai de Santo Kiko Codina,
em São Sebastião- São Paulo
" Na qualidade de representante de muitas vozes, externo a todos o carinho e o amor divino que nos enlaça na Umbanda. Esta religião, criada em comum acordo entre seres de vários planos tem particularidades que devem ser pensadas. Uma delas é  a sua necessidade de uma corrente vibratória, tanto interna (médiuns), quanto externa (assistência). A partir da formação desta comunidade é que se desenrolam todas as funções espirituais de uma casa. Apesar desta aparência, a Umbanda também foi criada com outra necessidade, ou função, não menos importante que prestar assistência ao próximo.
Na qualidade de Ogum, a Umbanda foi criada para  proporcionar um caminho claro a cada ser, a cada indivíduo e assim, com a possibilidade de trilhar pela luz do conhecimento favorecer os que estão próximos.
Esta turma é do Centro Espiríta de Umbanda Ogum Mege e Oxum do Mar  comandado
pelos Pais de Santo  Eriich A. dos Santos Silva  e Celina Moreno Filgueiras ,
em São Gonçalo/RJ

Na qualidade de Yemanjá, foi criada para mostrar ao indivíduo que do mar da Criação Divina sempre poderá encontrar um meio de se renovar e crescer em harmonia com sua Origem.
Na qualidade de Oxum, foi estabelecida a religião na qual cada um tenha a possibilidade de enxergar em seu próximo a centelha Divina que há em si próprio, bem como a interligação de todos os seus atos refletidos no espelho das intenções do Criador.
Na qualidade de Yansã, a Umbanda firma no indivíduo a visão do Tempo como aliado às suas realizações íntimas de transformação, no vórtice da caridade plena, no momento em que consegue visualizar que é na base de seu ser que há uma fonte de onde jorra toda e qualquer energia de que necessite.
Na qualidade de Xangô, a religião dos mais simples, ensina ao adepto que é na falta de orgulho pessoal que há a verdadeira fortaleza , onde mal algum penetra.
Na qualidade de Oxóssi, a verdadeira Umbanda mostra a todo ser que busque a verdade, que ela está ,invariavelmente na alegria de cada fração de tempo vivida em harmonia com a sua própria natureza.
Na qualidade de Omoluh e Nanã, há a condição do ser descobrir os grandes mistérios do nascer e morrer, da reencarnação, dos propósitos mais íntimos do espírito e a realidade em que está embasada toda a fé.
Um delicioso café da manhã no
 Centro Espiríta de Umbanda Ogum Mege e Oxum do Mar 
Na qualidade de Oxalá, por fim, aquele que escolheu a Umbanda como morada há de descobrir que a felicidade é um meio e não um fim de sua busca pela integração com o Divino.
Falo a quem tem ouvidos na alma, a quem busca socorrer antes de pedir socorro, a quem sabe que a missão a que se determinou é anterior à esta vida. Estejamos todos em harmonia com a Luz Divina que vem de dentro, sob a eterna benção dos Orixás."
Caboclo de Ogum Beira Mar.




Finalizando , gostaria de desejar a todos um ótimo 2012, com a consciência de que é na individualidade que entramos em contato com os Orixás e nossos mentores espirituais. Faço uso desta foto linda do Alexandre Cumino, num "papo especial" com Xangô. Saravá a todos, Saravá 2012!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Grande Gira

Numa destas outras vidas ,nesta  mesma existência, conheci o sr. Felipe, um homem de mais de setenta anos na época. Ele era judeu, mas sempre que conhecia as pessoas passava alguma mensagem sobre Jesus, a maioria que ele próprio inventava. Quando me conheceu, estava vivendo um período de dúvidas , então ele me disse: na Bíblia que não é contada, Andréa era o nome de uma das mulheres que acompanhava Jesus e a função dela no grupo , era entrar nas cavernas e trazer as pessoas para a luz. O Divino sabe o quanto eu própria sempre precisei da luz do entendimento e a busco incessantemente.
Hoje sei que não tiro ninguém das cavernas, elas é que saem sozinhas se assim o quiserem. Somos livres para acreditar no que quisermos, sempre falo isso, inclusive em nós mesmos. A Umbanda tem me ensinado muitas coisas . Sempre gostei de religião, mais pelo aspecto da atração que elas exercem sobre as pessoas do que as religiões em si, por este motivo posso afirmar seguramente que a única que trata do tempo presente, na atualidade, é a umbandista.
Lidamos com entidades todas as giras ,bem como com as energias Orixás. Não fazemos previsões e muito embora acreditemos em reencarnação, não nos atemos às nossas experiências passadas e como diria Pai Maneco, nem devemos buscar este tipo de informação, pois não nos acrescentaria nada.
Buda indagado por um discípulo sobre como seria após a morte e como seria a reencarnação respondeu que não falava sobre estas coisas porque não eram pertinentes. Dizia ele que o que era pertinente nesta existência era saber lidar com o sofrimento, coisa que o discípulo estava precisando aprender, pois se pensava na vida pós-morte era porque não estava sendo feliz.
A cada gira de umbanda aprendemos um pouco mais. O caboclo Tucuruvu, incorporado no Pai Jussaro, que rege a gira que frequento falou a todos um pouco de sua história. Ele havia se retirado para o alto da montanha para meditar e quando desceu para sua tribo estava toda dizimada, obra de inimigos. Ora, era ele o responsável por toda aquela tribo então isto tudo pesou sobre seus ombros. O caboclo da Cachoeira, que incorpora no Pai Fernando, também contou há um tempo atrás a história de como resolveu abandonar tudo para se refugiar no interior da mata e como teve que retornar. O caboclo Beira Mar que recebo também contou uma história de como teve que abandonar sua tribo para achar a cura com o Divino, o qual procurou por anos a fio e como depois descobriu que ele esteva sempre presente em cada um.
Juntei todas estas histórias porque percebi uma grande mensagem que Zambi, através de seus mensageiros dos mais diversos Orixás, busca nos passar. A verdadeira espiritualidade é vivida e vivenciada em nosso dia-a-dia , junto às pessoas e em nossos relacionamentos. Não podemos fugir deles. Às vezes me pedem que fale sobre demandas espirituais, sobre movimentos dos espíritos desencarnados, mas a visão de que tenho da Umbanda é vida, é a transmutação causada pelos pensamentos , é ,enfim, o fortalecimento causado pelo entendimento de cada processo que vivenciamos. Portanto não há nada mais útil do que focarmos na qualidade de nossas vidas junto aos que nos cercam.
Morando aqui no alto de Colombo, num sítio mais ou menos isolado, pelo menos neste período da vida, sou feliz e de fato não me sinto só.  A cada gira que frequento sei  que entre os que estão de branco não há diferenças além das cores das faixas, que designam a que Orixá pertencem. Apesar de sermos diferentes em pensamentos e culturas na hora do "aperto",  além dos dirigentes logicamente, sempre haverá alguém do nosso lado para estender a mão quando literalmente caímos ou para nos amparar num momento de emoção forte. Como também juntos rimos muito, porque se há um sinal de que há uma energia superior nos envolvendo é sem dúvida o bom humor.
Giramos, giramos e giramos em nossa existência pelas mais diversas situações e precisamos ter a certeza de que sós, no momento que ficarmos tontos, não conseguimos o equilíbrio perfeito. Eu busco repassar aqui o que compreendo porque sei que a partir disto, às vezes um pequeno insigth, quem realmente precisar vai encontrar a sua verdade, porque nada do que falo é absoluto, antes minhas experiências na Umbanda se adaptam a realidade de cada um. Porque a própria Umbanda é assim: uma religião que auxilia a enfrentar os sofrimentos e a entendê-los, porque cada passo que damos no presente tem uma enorme valia em nossa evolução e ele deve ser dado com a coragem de Ogum, a firmeza de Xangô, com o amor à vida de Oxóssi, sob a proteção sempre de Oxalá. Afinal, a vida é uma grande gira.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Corpo e Espírito

Eu avisei. Syrus passou o dia assistindo vídeos de sustos pelo Youtube. À noite , quando eu já estava quase dormindo veio a gritaria e o choro: Mamãe as caras que eu vi na internet estão se multiplicando em minha mente,  estou com medo dos meus pensamentos! Posso dormir com vocês? Mais calmo me explicava que não conseguia dominar seus pensamentos, que fugiram do seu controle. Não havia nada de sobrenatural ,além da própria mente dele. Pensei na hora: já pensou se cada vez que nossos pensamentos fugissem do controle a gente começasse a gritar? Seria muito mais fácil de se viver assim na realidade, pois saberíamos que o que está fora do controle é nossa mente e não nossa vida.
Não é só a vida espiritual que é misteriosa, nosso próprio corpo tem um mecanismo extraordinário. Há várias teorias, por exemplo, sobre o motivo pelo qual envelhecemos. Um deles me deixou pensativa: nossa renovação celular é constante e muito pequenas partes do corpo permanecem as mesmas num período máximo de 10 anos. Em um ano apenas conseguimos trocar quase que 90% de nossas células. As células vão se copiando como um filme,e no final somos quase como uma cópia pirata grosseira do que fomos na infância.O corpo humano é uma miniatura do que é a natureza fora dele.
A idéia de que somos regidos por uma energia específica de Deus é antiga, pois vem do início do Judaísmo, que falava que nosso espírito era guardado por um anjo específico. Na Umbanda cada membro é regido por uma energia , um Orixá Cósmico. A nossa mini-natureza interna contudo se assemelha em muito as energias que regem o todo.
No cérebro acontecem tempestades como as que vemos na natureza, com direito aos raios causados pelas sinapses dos neurônios e é ele que rege toda a movimentação do tempo em nossa vida, então o cérebro e todas as suas atribuições seriam guiados pela energia Yansã/ Xangô. Outro elemento importante é o sangue e sua fluência pelo nosso corpo, sendo bombeado pelo coração e nessa nossa natureza interna seria regido por Oxum.  A vida que se renova e se copia através das células estaria a cargo de Oxóssi, orixá que personifica a saúde corpórea. Os sais minerais desempenham funções vitais em nosso corpo como manter o equilíbrio de fluidos, controlar a contração muscular, carregar oxigênio para a musculatura e regular o metabolismo energético,esta função seria inevitavelmente de Ogum. Outro elemento muito importante, que determina quem somos e como somos ,são nossos hormônios e sua variação estaria inegavelmente correlata com Yemanjá. A relação do funcionamento de nosso corpo e sua ligação com nosso espírito seria feito, neste nosso universo particular, através de Oxalá.
Nós somos definitivamente um microcosmo e isso é brilhante. O nome de Deus na Umbanda é Zambi, e se Zambi rege o Universo temos que ter em conta que Ele está dentro de nós. É nossa obrigação manter nosso universo equilibrado, tendo em vista que temos um morador tão ilustre. Nossa ação neste mundo pode ser limitada, pois não conseguimos por vezes auxiliar a todos, nem tão pouco mudar o rumo das coisas que nos cercam.
Sozinhos não temos força que gostaríamos de ter, mas ao unirmos estes diferentes Universos, nossas naturezas tão semelhantes, e a centelha divina que há dentro de cada um, em equilíbrio, somos sim capazes de reverter situações em que a vida e a dignidade do ser humano estejam ameaçadas. Um povo unido pode sim fazer com que seus líderes apliquem recursos com mais objetividade contra a violência e à prevenção e combate às drogas.É necessária a união para que as políticas públicas de educação e incentivo às pesquisas sejam também prioridade.Enquanto não entendermos o poder que dispomos como seres humanos dotados de um espírito Divino nossa conta continuará sendo esta: 10-7=4.
Somos como velas acessas em frente ao altar do Divino. Que a sua luz se some a dos outros e que todos consigamos um caminho nessa nossa existência de mais comunhão e caridade.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Oxalá

Helen Keller 1880-1968
Há três tipos de frutas que gosto aqui no sítio: pitanga, araçá e saco de bode (este último virou "hit' e é conhecido por physallis, apesar de ser na verdade um "mato", que cresce sozinho). Pois bem, este é o primeiro ano em que o pé da araçá está repleto de frutos. Todos os dias vamos lá ver se estão maduros, mas até agora nada. A sensação é a mesma que antecede ao término do cozimento do bolo de chocolate, quando se eleva no ar o cheiro, mas bem mais demorada.
E por anos tive esta sensação ao pensar em Oxalá. Orixá que a princípio não é relacionado com nenhum elemento da natureza, aparentemente. De uma certa forma é fácil descrever os outros Orixás e suas correlações com o vento, as pedreiras, as matas e assim por diante.Esta noite amadureceram minhas idéias sobre Oxalá e aproveito o dia para dividir com vocês.
Há dias venho pensando em Hellen Keller. Para quem não conhece, ela nasceu em 1880 em Tuscumbia, Alabama, descendendo de família tradicional do Sul dos Estados Unidos. Quando completou 18 meses de vida perdeu a audição e a visão no que chamaram de febre cerebral, mas que na verdade deveria ser escarlatina.
Hellen não tinha então nenhum contato com o mundo exterior, e ficou nestas "trevas" até os sete anos (por coincidência um número sempre presente na Umbanda) quando conheceu sua professora Anne Sullivan, que na época com 21 anos foi ser sua educadora . A professora Anne Sullivan havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind) pois, quando criança tinha sido cega, mas recuperou a visão através de nove operações. Sua indicação para ensinar Hellen foi feita por Alexander Graham Bell (inventor do telefone), que havia sido procurado pelos pais de Helen. Desde essa época, professora e aluna, tornaram-se inseparáveis até a morte do Anne Sullivan em 1935.
Anne Sullivan assumiu a tarefa de ensinar Hellen e para isso necessitou de muita coragem a persistência. As alunas cegas da Escola Perkins fizeram-lhe uma boneca pare levar à Helen.  Anne Sullivan iniciou seu trabalho com Helen utilizando a boneca e tentando relacionar o objeto à palavra através da soletração da palavra “BONECA” pelo alfabeto manual. Helen logo aprendeu a repetir as letras correta­mente, mas não sabia que as palavras significavam coisas. Aprendeu através desse método, um tanto incompreensível para ela, a soletrar, com o uso das mãos, várias palavras.
No dia 5 do abril de 1887 Helen e sua professora estavam no quintal da casa. perto de um poço, bombeando água. A professora Sullivan colocou a mão de Helen na água fria o sobre a outra mão soletrou a palavra “água” primeiro vagarosamente, depois rapidamente. De repente, os sinais atingiram a consciência de Helen agora com um significado. Ela aprendeu que “água” significava algo frio e fresco que escorria entre suas mãos. A seguir, tocou a terra e pediu o nome daquilo e, a anoitecer já havia relacionado trinta palavras a seus significados.
Hellen aprendeu a falar, a ler e a escrever. E foi além. Em 1898 entrou na Escola Cambridge para Mocas; em 1900, para a Universidade Radcliffe onde, em 1904, recebeu seu diploma de bacharel em filosofia. Durante seu período de estudante a professora Anne Sullivan foi sua orientadora constante transmitindo todas as aulas para Hellen, através do alfabeto manual, encorajando-a e estimulando-a. todos os livros de consulta que não existiam em braille eram laboriosamente soletrados nas mãos de Helen. Além das aulas da Universidade, Anne soletrava aulas de francês, latim e alemão.
Bom , e o que tudo isto tem a ver com Oxalá? Pois lhe digo que essa é a força natural desta Energia Cósmica. O Divino escondeu o poder natural em um lugar que custássemos a achar, para melhor valorizá-lo: dentro de nós mesmos. Oxalá é a força da energia natural da fé.Nos terreiros não se incorpora a energia de Oxalá, porque é a energia que movimenta todas as outras , as quais não se sustentariam sem ele.
A Justiça Divina, sua execução, a prosperidade e a vida, os ciclos que passamos, tudo está interligado com a fé. Uma das grandes dúvidas que eu tinha era a respeito desta superioridade dele: se é maior que os outros Orixás ele mesmo seria mais do que uma energia divina em forma de Orixá. Na verdade, Oxalá não tem mais poderes que os outros nem é hierarquicamente superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família.
A fé encabeça qualquer movimento espiritual. Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo, mas ele próprio é anterior à história de Jesus. Oxalá está na base da criação Divina, onde há o início. Em momento algum o Divino pensou se era possível a Criação. A Fé que movimentou a Criação , em um exemplo muito simples e simplório até, é de mesma qualidade que a fé que movimentou o interior de Hellen Keller.  Movimento que só foi possível através de um instrumento externo, no caso, a dedicação de Anne Sullivan.
Devo confessar que por ter uma aptidão por jornalismo, o meu entendimento tende a ser mais objetivo e por morar no meio do mato, descomplicar vira uma regra de vida diária. No meu entendimento muitas coisas de que o intelectual de umbanda Rivas Neto fala são muito prolixas. Sua formação é na medicina, e , como doutor, fala de maneira apropriada para o seu nível de conhecimento. Contudo uma coisa ele postou estes dias no twitter que foi uma das coisas mais sensatas que já ouvi, e que me acendeu uma luz em minha alma: "Teologia é a crítica e auto-crítica da religião. Teologia não pode ser confundida com religião." 
Posso falar aqui neste espaço sobre os Orixás, sobre a Umbanda, mas nunca o farei em um aspecto teológico, porque nem tenho conhecimento para isto. Falo do que sinto dentro da minha experiência religiosa e pessoal. E Oxalá é a energia que possibilita que eu fale de fé.
Achei algo muito bonito em um site, o Soldados da Mata, falando do motivo de se vestir branco nas giras:" Por causa de Oxalá a cor branca esta associada ao candomblé e aos cultos afro-brasileiros em geral, e não importa qual o santo cultuado num terreiro, nem o Orixá de cabeça de cada filho de santo, é comum que se vistam de branco, prestando homenagem ao Pai de todos os Orixás e dos seres humanos."
Por último, mas essencial nesta nossa conversa, escrevi tudo isto para que você saiba que esta energia de Oxalá reside em você. Esta semana extraordinariamente várias pessoas me escreveram e falaram comigo sobre suas preocupações e a dificuldade em superá-las,  afirmando que estavam em seu limiar. Há algo dentro de nós capaz de transformar as dificuldades materiais em elementos criativos de prosperidade, há algo dentro de nós capaz de transmutar a saudade dos que já se foram em lembranças vívidas de amor presente e eterno, há algo em cada um de nós capaz de transformar as doenças e limitações em aprendizado de força e coragem. Há sem dúvida algo dentro de nós que propicia a reencarnação nesta mesma vida, e este é o elemento natural regido por Oxalá: a fé. Tenham coragem de abrir seus olhos para seu interior, pois nele há uma força descomunal.Espero que despertem como Hellen despertou ao compreender o que era água. ÈPA BÀBÁ !  

Para Saber mais sobre Hellen Keller:

Site Soldados da Mata:

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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Das Terras de Jurema!




Com essa coisa toda de Copa do Mundo, acabamos escutando algumas besteiras. Essa difusão de que a Umbanda é africana não sei de onde saiu, mas percorre o twitter dos desavisados. A palavra Orixá é de origem africana ,mas Umbanda é brasileira!
Sempre falo aqui que Orixá não é um ser, é antes de tudo uma energia provinda de Deus, um aspecto apenas Dele, para que possamos com nosso pequeno entendimento olhar para a Sua Grandeza. Energias que sempre existiram e sempre existirão. Meu primeiro contato com o entendimento do que é um orixá não foi na Umbanda, mas sim na igreja católica, para a qual eu trabalhava. Naquele tempo não era adepta de nenhuma religião. Todos nós passávamos por cursos para entender a religiosidade de uma forma ampla. Durante uma hora um religioso de Recife falou de todos os atributos de Yemanjá. Confesso que tinha um conhecimento imenso e nos mostrou uma face maravilhosa desta Orixá. Certa vez, de tanto perguntar, um outro religioso me contou o porquê das escolas deles terem tantas árvores em volta: é que a mata tem um tipo de energia que aguça a inteligência humana. A mata a que ele se referiu é o domínio realmente de um orixá: Oxóssi.
Eu sou completamente apaixonada por esta energia e pelos filhos dela.Admiro todos os caboclos e caboclas de Oxóssi. Seo Folha Verde ,entidade desta linha, quando desce no terreiro em seus médiuns, Pai Jussaro e na Mãe Lucília, me fazem transbordar de emoção literalmente. A sensação que se tem é que há ali uma tribo inteira, não só uma entidade.E a pedido de meu filho mais novo , que é filho de Oxóssi e afilhado do Seo Folha Verde, ao saber que escreveria sobre este orixá pediu que eu falasse que este caboclo citado é uma ligação dos homens com a energia da mata, como são todos os caboclos/caboclas desta linha.
Para exemplificar aos leigos, vou falar aqui de um ilustre homem, que eu acredito ser um grande exemplo de ser possuidor desta energia de Oxóssi e que nasceu há quase 200 anos atrás. Ele reconheceu seu amor pela natureza ainda muito pequeno, quando levava as vacas de propriedade dos pais para pastar. Seu nome era Henry David Thoreau.Na adolescência, ajudou o naturalista suíço Louis Agassiz a coletar espécimes da região para estudo. Formou-se em Literatura clássica e Letras. Fez parte de um grupo que se chamava os transcendentalistas, mas quando se discutia sobre reencarnação sempre falava: vamos viver uma vida de cada vez e não discutir isso.
Porque Thoreau foi tão importante? Porque seus ensinamentos foram colocados em prática com sucesso por Mahatma Gandhi. Porque influenciou ainda pessoas como Tolstói e Martin Luther King Jr. Há duzentos anos atrás já era abolicionista e naturalista, visitava com freqüencia tribos indígenas(coisa que era impensável na época) e seu pensamento político era extremamente atual:"Não peço, imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor"
Oxóssi é caçador. Ele vem e nos alimenta a alma de conhecimentos que edificam. Cura-nos da ignorância que nos levam para abismos como o preconceito e a intolerância. Sua condição de simplicidade e ao mesmo tempo abundância no amor ao próximo nos afasta do egoísmo e do egocentrismo, um mal arrasador. É a energia da prosperidade irrestrita, que vem da condição de respeitar a vida onde quer que ela se manifeste. Oxóssi educa com sorriso e acalma com um abraço.
Na última segunda-feira havia me programado para falar primeiro de Ogum que nos forja a alma e depois de Oxóssi que a educa e a alimenta.Então me deparo com a mensagem do Caboclo Junco Verde para todos os médiuns do terreiro que frequento, mas que certamente serve para todo ser humano que trilha o caminho da verdadeira caridade:
"Deve ser avisado a todas as pessoas das giras que a Umbanda mantem um exército que obedece as ordens de Oxalá. Igual ao exército da Terra, os soldados da Umbanda tem como compromisso assumido no amaci*:defender os fracos;enaltecer os humildes; coibir a prepotência; tirar da escuridão os aflitos, os desesperados e os obsediados; curar os doentes; alegrar os tristes;acalmar os nervosos;. aliviar a dor; encaminhar os desajustados; salvar os viciados e trazer honra para a religião brasileira que é a Umbanda. Quem não quiser fazer isso pode se juntar aos pedintes do amor. Quem se doa, ganha." CABOCLO JUNCO VERDE - 28.06.2010