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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Magia, Feitiço e Mulambo

Fiquei completamente de "molho" por 4 dias.o que me restou foi programação de tv a cabo e reflexão. Aprendi duas coisas: a primeira é que tem dias que ter vários canais à disposição não quer dizer nada e a outra é que até a tv serve de sinalizador para suas idéias.
Num seriado sobre exorcismo, o padre fala que ele acha o melhor pecado o do orgulho, pois nos faz cometer erros imensos.Tem a piadinha que é melhor a preguiça,pois faz você evitar os demais, mas neste ponto nenhum religioso é pego porque religião requisita um certo movimento, principalmente a Umbanda.
Médium tem que aprender que é, antes de tudo uma testemunha constante da fé,portanto tem que ser observador e enquanto eu estiver aqui ,sempre escreverei isto, depois do desencarne mando em psicografias ou venho puxar uns pés umbandistas na madrugada.  Imagina que você está lá , de branco bonitinho e incorporado e a entidade faz um trabalho de cura que dá certíssimo. a família da pessoa vem e te agradece e puft! tá lá você, por mais que não queira, incorporando o orgulho umbandista.Basta mais umas duas curas destas e você médium foi pro beleléu se não for observador e suas entidades vão deixar,não tenha dúvida disto.Nossa tendência natural é copiar o que deu certo e atropelamos as entidades quando fazemos isto.
Pessoas podem ter problemas iguais,mas em situações diferentes, com aprendizados diferentes. O seu desenvolvimento é para aprender a conhecer a energia da entidade que você trabalha em conjunto, para que, com segurança, permita-a desenvolver seu trabalho com seu apoio e sem seus "pitacos". Resumindo: desenvolvimento não é para te dar super poderes,mas principalmente para firmar uma relação respeitosa e segura.
O orgulho nos impede de sermos canais de observação e sim só de julgamento.Há um outro lado que o orgulho te dissocie da razão. Quem demanda contra o próximo comete um erro tenebroso. Se a pessoa souber fazer bem feito, que atinja seu objetivo , só estará -de fato- fortalecendo quem deve atingir. Não são nossas vitórias que fazem com que criemos "músculos espirituais", mas é nossa coragem e determinação de superar os percalços que nos coloca numa posição bem  em frente de Zambi. Não quero dizer que você tenha que sair por aí arranjando confusão para "progredir", não funciona assim.
A vida funciona com observação. Só se pode falar que um evento é bom ou ruim depois de ter visto todas as consequências dele e isto leva um tempo. Vou contar uma das coisas mais tolas que já fiz, por conta e risco próprio-pressionando uma entidade- e por estar com pressa.Fiz cinco firmezas em cinco pinheiros, no meio de muitos outros, achei que minha proteção deveria ser feita imediatamente. Duas semanas depois caiu um raio queimando exatamente estas cinco árvores no meio de muitas.Sou filha de Yansã,não podia me mostrar de outra forma.
Há duas giras atrás um filho de corrente veio dizer à Dona Mulambo do Cemitério que tinha medo de ser pai de santo, algumas outras pessoas conversaram com ela e foi também pedido por mim. No alto da sabedoria desta alma brilhante que é Dona Maria, ela prometeu a todos auxiliar, mas do jeito dela e frisou isto. Tenho medo quando entidades frisam as coisas que dizem. Quatro dias depois adoeci, o que me deu muito tempo pra pensar e o médium que tinha medo de ser pai de santo teve que assumir meu lugar. Hoje ,segunda das almas, apareceu em cima da firmeza dela uma rosa branca, destas estrangeiras grandes e sem nenhum espinho.Poxa, me senti tão abençoada! Como amo esta Umbanda que faz refletir, reverberar o Verbo Divino. Umbanda só é possível como religião-no uso exato da palavra religamento- se há uma união tal que supere problemas e entenda que ninguém aqui neste plano é melhor do que ninguém.
Os melhores e mais profundos milagres exigem tempo, observação e fé! Saravá a todos!


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

De Olho na Ética Umbandista

Sabe quando algo te deixa vermelho de vergonha, sem graça, com batimentos cardíacos alterados? É a reação física quando você vai contra seus conceitos morais, seus valores. Algo simples aparentemente, mas profundo e complexo, muito bem explicado pelos filósofos  Clóvis de Barros Filho e Mario Sergio Cortella no último Café Filosófico . Os padrões morais  variam de cultura para cultura. A Ética que se fala tanto na atualidade é um conjunto de valores específicos de um grupo. Se , ao pertencer a um grupo, eu entender os padrões morais que o regem -a sua ética- e for contra eles e não me envergonhar, não tiver uma reação física imediata, terei que repensar minha participação no grupo.
Trocando em miúdos, se eu prego uma verdade dentro da  cultura do meu grupo e não a vivencio, não estou no lugar adequado. É lógico que todos nós erramos, não somos perfeitos, estamos em evolução constante. Assim como nosso rol de valores não é petrificado, ele também evolui.A questão é absorver os valores a tal ponto de externá-los com naturalidade, porque moral também se incorpora ao nosso físico. Como andar de bicicleta, valores se adquirem em grupo e  se externam de maneira espontânea.
Uma mãe passa seus padrões morais a um filho para que ele não sofra ao se adaptar à sociedade, lugar em que ele vai se desenvolver como adulto, com bases sólidas para que seja feliz e livre. A nossa liberdade como umbandistas é "limitada" dentro da fé ,do amor e da caridade.Cada valor destes deve ser entendido para que exerçamos com ética nossa religião.
Pedi à mãe Lilian Maria Dallastra que escrevesse algo sobre ética umbandista e o texto que ela fez conceituo como uma base bem sólida para construirmos uma Umbanda cada vez mais voltada para a evolução. Peço aos meus leitores que nos comentários complementem, acrescentem, discutam porque sempre acrescentará a quem busca na religião crescimento e verdade:

Ética na Umbanda


Escrever alguma coisa sobre este assunto requer mais do que um parágrafo, pois eu divido a Ética da Umbanda que pratico em 3 pontos:
Ética Sacerdotal
Subdivido esta categoria em mais três pontos.
Respeitar os fundamentos de outras religiões e de outros Terreiros de Umbanda é premissa para ser ético como sacerdote. A minha verdade temporária é o que aprendi até então com os guias que me regem e tais ensinamentos permeiam o terreiro que dirijo. Além desta margem respeito todos os terreiros e seus ideais, regras e fundamentos, assim como espero que o terreiro que dirijo seja respeitado. Neste quesito, ser ético é não julgar o que não lhe compete. Outros dois pontos que merecem citação é a relação entre o pai ou mãe de santo e seus filhos,além da discrição entre assuntos confidenciais do filho para com seu pai ou mãe de santo, a relação fraternal e philia deve ser respeitada. Como assim? Explicarei...
O que um filho de santo confidencia ao seu pai/mãe é por confiar no mesmo. O ser humano tem como hábito (triste hábito) a necessidade de contar um segredo que ouvir como forma de desabafo. Instintivamente isso acontece. O melhor amigo conta um segredo para o amigo, que conta para seu melhor amigo, que por sua vez conta para outro e por aí vai. Um sacerdote precisa ser ético com a sua referência e não transferir o peso da confissão para outro. O que eu conto à você é para você e não para um telefone sem fio. Pai/mãe de santo precisa aprender a não fazer telefone sem fio! A capacidade de ouvir e discernir sobre o assunto sem devaneios e auxiliar o filho fazendo-o pensar em soluções e caminhos diferentes sem interferir no livre arbítrio e em sigilo é papel do sacerdote umbandista.
Um assunto que para mim é algo simples de falar é sobre o envolvimento de filhos de santo com seus pais/mães de santo. O amor, filosoficamente falando, pode ser classificado em três vertentes: eros, philia e ágape. O amor Eros é o erótico, é aquele que pertence à carne, o tesão, a paixão, o desejo.  Philia é o amor de pai para filho e vice-versa, aquele que ama sem interesses, aquele que ama apenas por intenção da felicidade do outro, sem interesses obscuros. Já o Ágape é o amor ao Divino, à Deus, ao Supremo. Não consigo conceber outra forma de amor entre um pai/mãe e um filho que não seja o Philia, ambos (pai e filho) vibrando no amor Ágape. Não consigo entender, mas sei que existe e aqui também entra a ética...

- Ética dos Médiuns
                Ser médium não é fácil justamente por ser tão simples e ninguém acreditar nisso. Ser médium é não fazer absolutamente nada que não seja ser instrumento nas mãos de um espírito de luz. Sabiamente que todo médium deve estudar e procurar mais conhecimento, mas isso requer ética para que não faça de seus estudos assuntos de consulta. Ler livros, ouvir depoimentos e tantas outras fontes de conhecimento são maravilhosas oportunidade de aprendizado, mas isso não pode ser confundido com o saber do espírito que se incorpora. A mistura do “café com leite” é fato, mas separar o que você pensa do que a entidade quer dizer é uma prática necessária e ética. Se o consulente quisesse a sua opinião, falaria com você e não com um guia. Já fui surpreendida algumas vezes quando minha resposta era A e a entidade queria dizer B. Neste momento eu poderia intervir na consulta, mas não o fiz. Assim também como a ética num momento de consulta também é não quebrar regras da casa na qual você pertence. A partir do momento que você aceita as regras de um terreiro, cabe à você ser ético e cumpri-las. Além da ética está também a moral e os valores agregados ao convívio com os demais.
                Neste caso é muito simples ser médium. Basta ser instrumento e não querer inventar moda. Passe a mensagem do espírito e não queira ser mais que o espírito, pois o espírito certamente não tem a vaidade que o médium tem muito menos a pretensão em querer falar além do necessário.
                Notoriamente é importante falar também dos médiuns que adoram “posar de pai/mãe de santo”. Saem por aí (incorporados ou não) dizendo frases do tipo:
- Eu sei com quem você trabalha na esquerda!
- Se eu fosse você pedia para jogar obi novamente, pois acho que você não é de Ogum, é de Oxossi!
- Você viu aquele irmão que ficou no meio na hora de Ogum de Ronda? Coitado, deve estar muito perdido...
- Tenho um recado da pomba-gira para você!
- Ei! Eu sonhei com o seu caboclo de Oxóssi! Sei quem ele é!
- Sua cigana usa uma saia azul com listras laranjas e bolinhas verdes!
                Atitudes como esta são totalmente antiéticas! Qual é o direito que uma pessoa tem de determinar o que é ou não é para o outro médium? A vaidade faz as pessoas fazerem muitas coisas, infelizmente. Hoje, como mãe de santo, não faço isso por não me achar no direito de roubar o aprendizado do médium... Em contrapartida das frases acima, eu responderia se eu fosse o médium vitimado da seguinte forma:
- Que bom que sabe! Mas não abra a boca, quero que ele mesmo que diga!
- Ainda bem que você não é meu pai de santo!
- Preocupe-se com a sua vida!
- Deixa que ela venha falar comigo!
- Que beleza! Quando ele quiser ele vem me dizer quem ele é!
- A cigana não é minha, mas quando minha mãe Cigana quiser algo, ela dirá incorporada no terreiro... Agradeço a intenção!
               
                Neste caso, ser ético é não se intrometer no desenvolvimento do outro. Ser ético é ajudar seu irmão de corrente em dificuldades sim, mas não se intrometer na espiritualidade. Há pessoas que se julgam tão boas na questão da adivinhação, desdobramento, clariaudiência, clarividência e psicografia que não sei mesmo porque vão ao terreiro... Se possuem toda esta mediunidade porque possuem tantos problemas ainda na sua vida carnal? Será que com toda essa informação espiritual ainda não adquiriram o equilíbrio necessário para se ajudar e ajudar os outros sem atrapalhar? Enfim... aqui já foi mais um desabafo sobre a minha indignação sobre o “Triste hábito”, breve texto que já escrevi sobre o assunto tempos atrás.
                A ética do médium se resume em respeitar a Umbanda da casa que pertence, não se intrometer na espiritualidade dos outros e ser fiel as mensagens dos espíritos. Como falei lá no início do texto, é muito simples... o médium é que complica tudo! (risos)

Ética entre as religiões e terreiros
                As religiões são responsáveis em explicar a morte. Isto eu aprendi na faculdade. Além disso, agrego como função das religiões a capacidade em explicar a nossa existência. Assim forma nascendo as religiões, cada qual com suas intencionalidades e paradigmas.
                Aqui me atenho à Umbanda, nascida há mais de 100 anos, ainda um bebê. Aos 17 anos perambulei nas religiões para me encontrar, mesmo sendo de outra religião desde pequena. Conhecendo várias me encontrei na Umbanda. Rezo hoje mais de 6 horas seguidas sem me cansar e pasme: faço isso alegremente! Realmente amo a minha religião.
                As pessoas deveriam fazer o mesmo antes de se decidirem qual religião seguir. Muitas, se não for a maioria, acaba seguindo o que o pai ou mãe ensinou em casa. Pais estes que também seguiram o que lhes foi passado e etc. A tradição passada de geração para geração é muito bonita, desde que seja pela prática da liberdade. Hoje vemos religiões se atacando. Uma se dizendo ser melhor do que a outra. Medem a quantidade de fiéis, de bens... mas deveriam medir na verdade a quantidade de atrocidades que acontecem. É nos erros que medimos nossa valia e não nos acertos. Quanto menos errar melhor.
                Onde está a ética se uma religião prega que a outra não presta, que é do demônio? A mesma pergunta eu faço para quem fala mal de um terreiro ou de outro? O assunto é vasto, vai longe...
                Entre as religiões há sim o poder financeiro que comanda o desejo pela massa popular. Quanto mais fiéis, mais moedas caem no caixa. Obviamente é melhor ridicularizar as demais religiões já que eu não consigo ser verdadeiro e conquistar os adeptos pelos valores verdadeiros que a fé ora defendida prega. Seria mais ou menos assim: não confio no meu taco, então é melhor apedrejar a janela do vizinho.
                Entre os terreiros há algo parecido. Também no quesito financeiro como do “poder” energético. Sinceramente, não me preocupo com isso. Me preocupo com meus filhos: se estão sorrindo, se estão caminhando bem na evolução espiritual e se conseguem transpor as dificuldades da vida material. Uma pessoa que considero muito me falou, e não só uma vez, que o terreiro o qual dirijo está em evidência. Realmente, deve estar. Talvez por eu não querer nada além de abrir uma gira e terminar com alegria e ter a satisfação de ajudar meus filhos. Esta relação despreocupada com o que vão dizer ou pensar me faz ser serena e boba. Serena porque não estou preocupada com o que dizem, pois sei o que faço. Boba porque mesmo os que falam mal me procuram e ajudo da mesma maneira.
                Esta ética entre os terreiros também é muito simples: não fale mal dos outros, pois quem fala mal é espelho da maldade. Propagar verdades inerentes aos fatos é o mesmo que cuspir para cima. Muitas pessoas entram num terreiro falando mal do qual saíram. Isto é antiético. Mal sabe o médium que o pai/mãe de santo já fica com o pé atrás... Mudar é preciso, mas sair falando mal é maldade. Se algo não lhe serve, não use, mas também não saia difamando. Seja ético!
                Pai/mãe de santo que desfaz de outro é a mesma coisa, tão simples como tudo o que já descrevi até agora. É medo de não ser suficientemente bom para manter seus filhos na corrente e ajuda-los verdadeiramente na caminhada ou puramente ego elevado.
Axé

Mãe Lilian
Terreiro Vovó Benta- Curitiba
http://www.vobenta.com/

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Umbanda on Line

Lá nos idos de 1977, quando Elvis Presley morreu e eu ainda não havia completado 10 anos, estava brincando feliz na escola e uma colega me disse que eu era uma insensível, fiquei chocada. Eu , na opinião dela,deveria estar chorando pelo ídolo. De verdade ,nem sabia direito quem era e pessoas morrem sempre, pra que chorar? Três meses depois morria meu avô querido, e, confesso, chorei para não para não parecer má. Amava e ainda amo meu avô,mas fui entender mesmo que havia falecido quando achei algo que queria mostrar e ele não estava lá,neste dia sim chorei muito e então entendi o que era morrer.
Vi algumas postagens de jovenzinhos achando muito chato pessoas que não tinham parentes lá falarem e se sentirem tristes sobre as mortes de Santa Maria. Não os recrimino,pois não têm ainda entendimento do que seja a dor de uma mãe ou de um pai.Entender a dor também necessita de aprendizado.
Um médium umbandista só aprende observando, analisando e nunca julgando. Cada ser humano que anda sobre esta terra está num grau de entendimento e porisso é preciso aprender a caridade, entender que antes de vestir o branco há que se despir de conceitos e pré-conceitos. Um dia aprendi que temos atender com a mesma atenção a menina de 13 anos que teve uma decepção amorosa e a senhora que tem uma doença grave. Hoje entendo que cada um está num grau de entendimento,mas a dor pode ser a mesma.
Em termos espirituais é o que te incomoda o que te faz crescer,não o que te acomoda. Observar o fluxo da vida e ouvir os mais experientes sempre acrescenta, e  saber que, independente de nossa idade, há sempre algo que faz nossa espiritualidade melhorar.
A grande magia da transmutação feita pelas entidades é justamente passar as palavras-chaves na medida do entendimento do consulente. Há uma frase bíblica que diz o seguinte: "Senhor, não sou digno que entres na minha morada, mas diz-me uma palavra e serei salvo". Quantos e quantos não entram em terreiros em busca de uma palavra apenas? Não há fórmulas para as palavras certas, porque ,como disse antes, cada caso é um caso.Contudo é sempre necessário lembrar que a Umbanda é para ser praticada não somente na casa santa. Sabiamente seo Tiriri, numa gira que assisti nos últimos dias, disse que o umbandista deve ir onde a Umbanda chama. Com o advento das redes sociais há inegavelmente um instrumento valoroso em nossas mãos. Quantas vezes aquela palavra que você precisava estava ali, na rede, e acrescentou ao seu dia.
Tomando os devidos cuidados - como com a pólvora no terreiro- podemos torná-la cada vez mais propícia para a propagação da caridade. Nas palavras também se transmite energia e se recebe, então é necessário que se vigie sempre.
Este texto foi feito sob a grande alegria que a jornalista Marcela Marcos me proporcionou que divido aqui com todos, no link abaixo. Ela fez uma grande pesquisa entitulada "SARAVIRTUAR-Umbanda em Rede e Rituais On-line e Off-line" , um TCC para a conceituada Faculdade Casper Líbero. Ao observar e estudar a Umbanda num novo tempo Marcela, você dá condições para que ela cresça não só no entendimento dos que a amam como verdadeira religião brasileira, mas para que leigos entendam também o poder consolador desta energia que nos envolve, numa linguagem simples, mas profunda,reflexiva e respeitosa. Que todas as entidades de Umbanda iluminem sua caminhada!

http://www.casperlibero.edu.br/rep_arquivos/2012/10/04/1349385591.doc.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Regente de 2013

Gente que não evolui está fadada a extinção. Eu avisei ao Dyogo, que só passou de ano em virtude do Conselho de Classe da Escola. Se agora tem uma nova chance - e chances não aparecem assim todo dia - se abrace a ela como se fosse uma namoradinha nova. Não dá pra ter quizila com o destino, ainda mais tão próximo do fim do mundo. Para quem não conhece o termo, quizila vem do termo quimbundo Kijila, que vem a ser uma proibição definitiva ou temporária, determinada pelo Orixá a seus filhos, em geral no Candomblé e em alguns terreiros de Umbanda.
Hoje me deparei com uma entrevista antiga que havia dado ao jornal Gazeta do Povo aqui em Curitiba. O que me chamou a atenção foi o título: Uma Revolução Lenta e Silenciosa - feita pelo meu querido amigo jornalista- e pela frase, quase guru José Carlos Fernandes. Pensei de imediato que estamos vivenciando isto na Umbanda e quem não se atentou ainda a este fato, conduzirá sua casa a extinção. Proibições e permissões sem esclarecimento , falta de atenção a médiuns, brigas entre seres que professam a mesma fé embora em terreiros diferentes , estão tão evidentemente ligados ao ego de cada dirigente e é inevitável que os adeptos mudem constantemente de casa- em busca da evolução.
O fato é um só: a Umbanda é uma religião. Uma religião de guerreiros em prol da caridade, em prol do amor ao próximo,não amor próprio - o que pronunciando parece ser igual, mas não é. Rituais podem divergir - e eu mesma não gosto de alguns- mas é inevitável que cada médium observe os sinais na escolha de sua casa, do local onde irá praticar o bem ao próximo.
Ficar alheio ao que acontece ao seu redor- o clássico "faço a minha parte e o resto não me interessa"- não se aplica definitivamente a um grupo que soma energia ao realizar a gira. Concordo que ninguém é perfeito- se assim fosse não haveriam médiuns- mas há que se ter cuidado. Se quer fazer algo de forma isolada faça sozinho, e se fizer sozinho não é Umbanda. É uma forma de ajudar ao próximo também e também é válida, mas não é Umbanda- porque Umbanda necessita de uma gira para promover a troca de energias.
O que me levou a pensar: o que é realmente necessário para uma gira acontecer a contento? Uma coisa é essencial e não é ritualística: o senso comum da prática do bem. Ok. Se você for como eu vai falar que o bem e o mal são relativos. E o são mesmo. Umbanda que é Umbanda é equilíbrio de energias da natureza. Nós pobres mortais- que adoramos ficar em filas em shoppings para comprar uma nova tecnologia- nos afastamos um bom tanto desta energia, e crescentemente nos afastamos de nós mesmos.
O Divino, em sua Infinita Sabedoria, sempre dá um jeito de fazer com que nos aproximemos de nossa essência e assim acontecem coisas que às vezes fogem dos padrões de nossa rotina. Às vezes nos pegamos pensando que é um mal o que nos sucede, que é isto ou aquilo. Mas se pararmos para pensar- depois que a tempestade passa- é só mais um momento de aprendizado, por vezes dolorido-mas aprendizado. Porisso devemos respeitar quem pisa num terreiro em busca de ajuda: ali está invariavelmente a última oportunidade de achar uma solução.
Caboclos, pretos velhos, erês, exus,pomba-giras incorporam e falam com consulentes por um só motivo: passar a mensagem e transmutar a energia de pensamento de quem precisar enxergar as coisas de uma outra forma- e este é um trabalho tremendo: transformar a água em vinho e fazer com que as pessoas despertem para vida. Médium inconsciente é o que não se atenta a isto e se prende a rituais - que servem na realidade para mantermos nosso foco na fé e não dispersarmos atenção.
Como mulher de fé, como médium umbandista, como defensora da religião gostaria de propor aqui que focássemos em Oxalá para o próximo ano de 2013. É ele quem trará o consolo pelas palavras das entidades aos que buscarem ajuda, os grandes aprendizados aos médiuns no próximo ano e grandes provas a todos os terreiros de boa fé. Que este mundo que estamos vivenciando dentro da religião realmente acabe dia 21, quando a maioria dos terreiros entra em férias. Que façamos a travessia dos justos, dos fiéis e principalmente dos que têm consciência que não são donos da verdade absoluta, pois a verdade está no amor do Criador e nos desígnios que Ele permite a cada filho e filha.
Termino com uma citação de Fernando Pessoa, para refletir a Luz Divina: " Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Saravá!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Justiça e Magia

Fé, caridade e amor ao próximo. Mistérios e descobertas. Deslumbramento. Felicidade na luta pelo bem, pela saúde, pela alegria, pela dedicação. É de fato tudo muito bonito dentro da Umbanda. A religião sem dogmas, a religião da liberdade, a religião dos guerreiros de Oxalá. Descobrir entidades, Orixás regentes, manipulação de energia é muito estimulante, mas você já chegou a pensar o que há além disto?
Afinal, quem somos nós? Na individualidade, sob o teto que nos abriga quando não exercemos nossa função religiosa. Aponte um médium de qualquer religião que não atravesse algumas vezes corredores escuros em sua vida pessoal  e eu lhe direi que este ainda não é um médium em pleno desenvolvimento. 
Desenvolvimento espiritual é longo e árduo, além de solitário. Não há ninguém, nem neste, nem de outro mundo que possa usar os seus pés para caminhar.
Não estou dizendo que não temos ajuda, mas é impossível saber o que é uma xícara de café, oferecendo-a somente para seu vizinho provar. Um dia Mestre Cipriano me falou que o caminho não é fácil, mas que ficar olhando os buracos em que tropeçamos não auxilia em nada nosso processo de desenvolvimento, e que ,com frequência, nesta caminhada, é comum nos confundirmos com coisas que parecem boas e com as que parecem más.
A vida de uma forma geral não é fácil e eu digo que a Umbanda não é o lugar mais correto para fugirmos da realidade.A Umbanda nos dá subsídios para transformarmos a realidade que enfrentamos em fontes de sabedoria para o engrandecimento de nosso espírito. Contudo ,em momento algum, as experiências que vivenciamos devem ser vistas com resignação. É a nossa reação aos revezes o elemento transformador essencial à nossa evolução.
Dia 21 de Dezembro é o fim do mundo. Lembro do meu filho mais velho falando há mais de dez anos atrás que achava injusto, pois cairia um dia antes de seu aniversário. Hoje eu entendo que o fim do mundo acontece várias e várias vezes nesta mesma vida. O que fomos há dez anos atrás será bem diferente se sobrevivermos a mais dez anos. Muitas e muitas vidas vivemos numa só.
Na Umbanda não há sacrifícios. É uma meia verdade. Há o nosso próprio sacrifício. Já me perguntei várias vezes sobre o porquê disto, de caminharmos às vezes como cordeiros assustados. Como o Divino deixaria coisas ruins ocorrerem a quem pratica o bem? Ah ,meus caros, uma pergunta bem "perguntada" jamais fica sem resposta pelo Universo. Em um dos meus textos falei que a representação dos grandes iluminados é sempre feita pela imagem do leão. E numa destas minhas distrações ouvi no um filme "Lutem e lutem novamente, até que cordeiros se tornem leões" (Robin Hood) 
Se as coisas não estiverem fáceis para você, tente lembrar que faz parte da sua transformação pessoal e nunca, em momento algum, desista de lutar. Há um leão dentro de cada um de nós, e aí reside a Justiça e a Grande Magia Divina. Saravá Xangô!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Havia uma Perda no meio do Caminho

Todo e qualquer religioso dá atenção a seus sonhos. Eu não sou diferente. A vida não é fácil então ficamos rastreando o Divino para ver se ,pelo menos em sonhos, ele nos dá um sinal que as coisas vão melhorar para o nosso lado ou pelo menos que elas têm solução. Esta noite tive um sonho que me levou a uma série de questionamentos e isso, antes do café da manhã. Vou ser sucinta para não incomodar ninguém e também para que partilhem comigo e acrescentem com suas idéias. 
Sonhei que estava tirando uma série de espíritos ruins de uma mulher e eles me enchiam muito a paciência com efeitos especiais que -como sempre falo- são só legais no cinema. Briguei e esbravejei muito com eles e pensei: é um porre ter que fazer tudo sozinha! Então, no sonho, mesmo cansada pensei: a Umbanda na verdade só pode ser isto: um conjunto,eu sozinha não sou Umbanda. Simples né? Mas acredite que muita gente ainda não descobriu isto. Não só a Umbanda ,mas toda e qualquer religião se não formar um grupo em prol de um bem maior, não é religião, mas apenas a tratativa do ego da própria pessoa.
Ego, aliás, não tem a ver com nenhuma religião enquanto "link" para acessar Deus. Religião não é para dar poderes ilimitados, é para partilhar a energia que você possui e formar uma força maior. E esta força maior dissipa-se quando de dedo em riste apontamos para a religião do outro. Tem muito umbandista preconceituoso por aí que fala dos evangélicos, católicos e espíritas e dos próprios irmãos de religião. Isto dissipa a força maior que poderiam ter.
Todos nós umbandistas somos guerreiros em potencial. Primeiro temos que guerrear para manter o próprio equilíbrio, depois combater o ego das conquistas e a frustração das perdas. Acredito porém que nossa maior batalha é parar de acreditar que tudo é demanda. Quem somos nós para sermos alvos do mal? Só se acreditarmos que temos uma força benigna tão grande que temos que ser eliminados. É, de fato, um contrassenso: a religião dos humildes ter tanta gente com o ego inflado.
Tocar a Umbanda sozinho é impossível. Neste caso você não é um umbandista e sim um manipulador de energias solitário.Não que não tenha valor, temos todos os benzedores aí para provar isto. O que quero dizer é que Umbanda é a unidade das diversidades em prol de uma finalidade só: o equilíbrio energético de quem a procura afinizando com a Lei Maior.
 Se você for analisar as próprias entidades em algum momento entenderam que em conjunto têm muito mais força. Nenhuma delas tem nome próprio, antes se identificam ao grupo a que pertencem. Sabemos muito pouco sobre o que são na realidade e quais caminhos usam para o bem comum. Muitos umbandistas ainda as vêm como guarda-costas pessoais ou pior, como oráculos dispostos a nos fazer previsões sem um sentido prático. Na verdade não sabemos escutá-las.
Invariavelmente queremos saber das coisas que nos darão prazeres imediatos: se ficaremos com aquele amor, se conseguiremos isto ou aquilo, mas me parece que eles falam uma língua e nós outra. Eles nos falam de coisas que podem mudar o rumo de nossos pensamentos e principalmente nosso nível vibracional. Eles nos falam de nossa evolução enquanto queremos só saber do próximo capítulo de nossa Avenida Brasil pessoal. Temos que prestar atenção ao que nos falam e refletir sobre isto, afinal nosso hino não é " Refletiu a  Luz Divina....."?
Eu estou num processo de reflexão. Os poucos contatos que tenho tido com entidades incorporadas tem sido extremamente significativos, porque tenho que absorvê-los com calma. Vou partilhar com vocês três coisas que ouvi, vi e vivenciei e que me foram trazidas por Mestre Cipriano - incorporado em um médium completamente entregue à Umbanda , o qual não citarei o nome por razões óbvias.
Primeiro ele me falou de uma grande surpresa em meu retorno à minha casa, depois falou-me da ligação espiritual que tenho com uma grande amiga-irmã e por último de como deve agir um médium ao cair em sua caminhada.
A surpresa foi o reencontro do meu companheiro com um filho que buscava a 34 anos - que ocorreu uma semana após a minha volta. A ligação com minha amiga-irmã se deu ainda no plano astral, onde nos ajudamos e nos comprometemos a nos encontrar aqui. E a lição que me deu foi a que todo médium cai frequentemente na sua caminhada, mas que ao cair deve se levantar e erguer a cabeça,não dando muita atenção ao buraco em que caiu. 
A você meu leitor digo que o Divino é um só. Mestre Cipriano foi o incumbido de me trazer uma mensagem, de me fazer ver uma realidade nova, então transformar o que sei e que sinto numa mensagem para você. Experimentamos uma série de perdas durante toda nossa vida nesta terra. Algumas eternas outras transitórias,mas todas sem exceção nos conduzem ao entendimento que a vida espiritual não é algo transitório e de consumo rápido. Tudo o que vivenciamos nos fortalece se temos em mente nosso aperfeiçoamento em prol de uma unidade maior. A unidade maior é o Amor, porque este sim é eterno e unificador.  Onde há muitos unidos pelo verdadeiro amor haverá sempre vida. Saravá!


A foto que postei aqui é do site da fotógrafa http://www.daniellarosario.com.br 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Da Qualidade do Umbandista

Eu não sei você,mas eu tenho uma coisa que acontece  às vezes: fico meio de "mal" comigo mesma. É estranho, mas acontece. Aqueles dias em que você começa a analisar as coisas que faz e que deveriam ser diferentes. É duro conviver consigo mesmo, com os outros então é missão quase impossível.
Na Umbanda a diversidade de rituais é enorme e rica, mas alguns pontos são exatamente iguais, principalmente no que diz respeito a aprendizados pessoais.
A convivência é a grande obrigação a que todos são submetidos e é inevitável no processo de desenvolvimento mediúnico. Se você não é capaz de aceitar seu irmão de gira com todos os defeitos, como -me diga- vai aceitar um estranho que senta na sua frente- mesmo você estando incorporado- contando suas desventuras sem o julgar? Ninguém é melhor ou pior que ninguém,mas antes disto somos todo um universo à parte. A caridade começa conosco e dentro de nós.
Estive na festa de Cosme e Damião do Centro Espírita de Umbanda Ogum Megê e Oxum do Mar no berço da umbanda, em São Gonçalo- Rio de Janeiro e ali vi alguns pontos essenciais da Umbanda que deveriam ser praxe em todos os terreiros independente da linha que sigam. Para uma gira "girar" há que se respeitar a troca que há neste plano entre médiuns antes e depois do ritual. Se você nunca varreu o terreiro que você frequenta não sabe o que está perdendo. a verdadeira casa do umbandista é o terreiro que frequenta, então aquele que não se "mistura" , aquele que não se integra à esta vibração fatalmente não terá seu desenvolvimento pleno.

Como toda família, mesmo com toda a parceria possível e imaginável, haverá sempre momentos de tensão, em que as palavras serão trocadas com mais aspereza e os ânimos estarão exaltados. Não se enganem ,pois o principal lugar em que as entidades testarão sua evolução será sempre em seu coração, pois nossas maiores provas acontecem dentro da gente. As vezes não há até uma má intenção, apenas um excesso de amor que pode ser prejudicial. Para quem não conhece a Umbanda, devo contar que pai e mãe de santo sofrem igualzinho aos nossos pais, porque dentro de uma gira todos os filhos querem atenção e querem mostrar que são melhores nisto ou naquilo,justamento por excesso de amor.Porisso digo: não obsidiem seus pais de santo, antes sejam colaboradores em Oxalá.

O caminho do equilíbrio é sempre o melhor caminho. Pense antes de falar ,de escrever, de expor seus pensamentos porque ali, naquele seu irmão de corrente há sim um pedaço de você, e as vezes pode ser justamente aquele pedaço que você não aprecia. Nos confrontamos todos os dias com nossos defeitos, espelhados nos outros para que consigamos transmutá-los, afinal estamos na religião das transmutações. 
Hoje estou mais completa e queria dividir isto também com vocês. Encontrei no Centro Espírita de Umbanda Ogum Megê e Oxum do Mar em cada um um pouco de mim e confirmei elos espirituais que sei que me acompanharão até o final de meus dias. Fiz questão de gravar cada rosto, cada tom de voz para que em momentos de solidão eu lembre que faço parte também desta família, porque esta é um dos grandes segredos da religião: dentro da nossa individualidade somos um só. Saravá!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Lucidez não tem Preço!

Só quem tem porteira em casa sabe da tristeza que é. Ter que sair do carro abrir a dita cuja e esperar pra fechar. Tem um amigo taxista que é a favor de colocarmos um portão eletrônico. Besteira. O tempo que a máquina leva pra fechar o dito portão faria com que nosso cavalo já estivesse a uns 300 metros de distância no galope. Fora que ter a área cercada de arame farpado e um portão eletrônico não combinaria.
De fato, seria, com todo respeito, usar um belo sapato de grife e andar com a bunda de fora. É engraçado ,mas as pessoas fazem isto o tempo inteiro. Hoje a profusão de textos para lermos é enorme, embora conhecer não seja o mesmo que saber. 
Saber se adquire pela prática, conhecer pela leitura. Práticas feitas só com leitura levam a erro, pelo menos na Umbanda. De fato, trabalhamos com energia e nós próprios somos energia, então temos que necessariamente experimentar o que nos propomos a fazer. A Umbanda é vida e ,assim sendo, tem que ser vivenciada, tem que ser aberta a experiências, necessita do exercício da mente não em decorar, mas falo de novo , experimentar.
As pessoas de uma forma geral se perdem na simplicidade. Simplesmente porque não conseguem processar, a mente humana busca por desafios, por coisas complexas, como se fosse uma musculação intelectual, o que permite uma injeção de dopamina e felicidade, coisa que a simplicidade não provoca. Ser simples não faz com que nenhum hormônio seja despejado em nossas correntes sanguíneas.
O saber na Umbanda está diretamente relacionado à caridade. É na prática da caridade que aprendemos, não há como ser diferente. Como já falei outras vezes, a caridade é complexa. Incorporar uma entidade e deixar que ela atue através de nós, sem que a influenciemos com nossos conceitos, é um ato de caridade. Tem muito médium que "usa" a incorporação para colocar suas próprias idéias - e isso- é o contrário de caridade. Entidade nenhuma - seja de esquerda ou de direita- jamais atribui nenhuma ação a si própria - eu fiz, eu faço, eu aconteço-porque ela trabalha em conjunto com o Divino. Pode até falar que ela se encarrega de uma proteção específica, mas jamais em tempo algum provocará situações de conflito ou mal estar. Observar, pensar e concluir também é caridade, mesmo que sirva só para nós.
Ogum não faz "limpeza" de gente em terreiros - ou seja, não manda ninguém embora porque é melhor ou pior-, preto velho não causa discussões para acertar arestas, Pomba Gira não é vaidosa - tenha sempre a certeza que eles estão acima de nossos sentimentos terráqueos e mundanos. 
Tenho uma amiga chamada Renata Coutinho, um ser que anda irradiando luz, simplesmente porque se permitiu entrar em reflexão diante de suas observações da vida. E dela me veio o cristal bruto: lucidez não tem preço. E assim , vi nesta menina o reflexo Divino. Porque quando a pessoa se presta a refletir a Luz que vem do Alto e não de sua própria mente, tem reais condições de ajudar e prestar a real caridade.  Não pode nunca ser diferente.
A Umbanda não foi criada para adorarmos um ser humano, mas para nos reintegrarmos às energias Divinas da natureza, para elevarmos e reequilibrarmos nossas energias à energia geradora- à caridade. Fora da caridade não há salvação.É colocar portão eletrônico em cerca de arame farpado. 
Por último - e não menos importante- tenho ouvido de muitos umbandistas - muitos inclusive de renome- que oração de nada adianta. Ao escutar isto, corra amigo e muito. O Divino não deixa nenhuma conversa direta com ele sem resposta. Lucidez não tem preço, assim como nossa liberdade de expressão. Oremos. Saravá! 

terça-feira, 27 de março de 2012

Brainstorming

Quando comecei este blog tinha tão apenas a intenção de escrever com mais frequência, para aliviar minha mente e partilhar da minha vida. E como a gente nunca sabe pra onde o vento vai, acabei conseguindo aqui muito mais do que era a minha intenção principal. Ao me expor e expor as poucas coisas que entendi da vida e da Umbanda aproximei vibrações mais altas que a minha própria, de gente que hoje faz parte da minha vida e me alimenta alma. Chegando agora ao total de 100 mil visitas me sinto lisonjeada com os parceiros brilhantes que consegui. Formamos hoje uma corrente que não é fria, não é de ferro nem de aço, mas quente como os laços espirituais que nos fortalecem e engrandecem.
Sempre falo para os meus filhos e há anos já: a verdade sempre aparece, seja lá a forma que você tente escondê-la. Não sou perfeita e tenho sim lá meus problemas de aprendizado de vida, mas me esforço. Disseram estes dias que de mim se pode esperar qualquer coisa e espero que eu possa falar sempre o mesmo de meus leitores: de vocês eu espero qualquer coisa! Por quê? Porque vocês questionam e assim, sendo questionadores natos, são imprevisíveis, podem inclusive o impossível. Não gosto de pessoas previsíveis, elas são muito chatas.
Gosto do mar, das marés que se alternam e mostram uma praia diferente todos os dias. Assim como o pôr-do-sol  aqui no sítio, sempre é diferente.Podemos até prever que algo vá acontecer, mas a sua forma pode nos surpreender. Quando você estimula o pensamento de uma pessoa, seu potencial de questionamento, está auxiliando a evolução. Eu tive um jornal há uns anos atrás que se chamava Brainstorming, que tratava de coisas culturais. Nele fazia editoriais parecidos com os textos deste blog, sempre questionando onde  as marés da vida vão nos levar. Recebia muitas cartas e as tenho guardadas até hoje de pessoas pensando nos seus porquês. 
Estes dias, um dirigente de um Terreiro me procurou, muito preocupado com os jovens médiuns que postavam em um grupo vários textos diferentes e como fazer para acabar com aquilo. Não sei se a pessoa gostou da minha resposta, mas o fato é que se você tem uma filosofia tem que explicá-la aos novos porque senão eles vão procurar várias vertentes e vão se perder. Umbanda também não é fundamentada nestes folhetins de internet que apregoam que o médium tal só pode receber tais entidades, ela vai além. Quem está começando a descobrir como funciona sua própria mediunidade precisa de respostas maiores que uma linha por escrito. E conteúdo que se leva pra vida, a sabedoria, só vem com a prática e a palavra compartilhada, discutida.
Umbanda não é ciência exata, não tem dogmas. Vem do pensamento com emoção, com vivência.
Assim como é descrita a criação do mundo por Deus na Bíblia, creio que  na medida que pensamos criamos um novo mundo. Deus disse: faça-se a luz e a luz foi feita....Mais do que pensar em encarnações anteriores temos que pensar: nesta vida mesmo estamos sempre morrendo e renascendo dentro do aprendizado. Pare e pense: há dez anos atrás como você era? Como via a vida? Como vê hoje? Se tudo está igual,há algo errado porque a natureza necessita de evolução. Isto não se mede pelos bens que adquiriu,mas pelo que seu espirito compreendeu. Se de sua vida inteira, você conseguir deixar uma marca em outra alma, com algo que você vivenciou e conseguiu ensinar, tudo já terá valido a pena.
Nunca um Terreiro será como o outro, porque ele é a marca de quem o dirige, são seus pensamentos e emoções, sua visão pessoal. Assim como a natureza e a vida que a gente tem.  Ela só tem três fundamentos que devem ser iguais em todos os locais em que se proponha praticá-la: fé, amor e caridade.
Gostaria muito que cada um postasse abaixo como vê a vida, para que assim, sua própria visão seja um complemento do que postei hoje e , como tudo é imprevisível, quem sabe poder ajudar alguém com um ponto de vista diferente? Agradeço a todos as visitas e principalmente as amizades que fiz por aqui!Saravá!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Guerra Santa

Às vezes , me dá uma vontade de colocar o mundo no colo e, delicadamente, com uma lixa de unha, aparar algumas arestas. Creio que todo mundo tem este desejo. Nossa este ano passou tão depressa - um amigo um dia me falou. Então, expliquei que quando se conhece o caminho ele fica aparentemente mais curto, assim ,na medida que os anos passam, nós sabemos - mais ou menos- o que teremos pela frente. Sabemos que alegrias e tristezas se sucedem e nenhuma delas é para sempre. O que fazemos com estas experiências sim, é o que importa realmente e que torna qualquer espaço - físico ou de tempo-mais suave.
Na última segunda-feira, estava assistindo o SBT Repórter. Não assisti inteiro, mas o que vi foi o suficiente para me vir a tal vontade de aparar arestas. O programa era dedicado à desvendar os mistérios da ‘Bahia de Todos os Santos’. Mostraram uma senhora , filha de Yansã - adepta do candomblé- fazendo seu acarajé para a venda. Acarajé é  uma comida dedicada à este Orixá. Como contra-ponto a entrevista mostrou numa outra parte de Salvador, uma igreja evangélica que colocou uma barraquinha em frente ao seu templo para vender os "bolinhos de Jesus" - que nada mais era que o próprio acarajé. Um outro pastor - evangélico também - brilhantemente discursou sobre a falta de ética de tal procedimento, como de outros em que igrejas entoam em atabaques nos ritmos consagrados a Yemanjá, Oxum ,Yansã com coreografias dedicadas a Jesus.
Quer queiram ou não, o Brasil é a terra dos Orixás, pois como diria a música é abençoado por Deus e bonito por natureza. Cada um têm o direito indiscutível de acreditar e ver Deus da maneira que mais o apraz. Nunca ,em tempo nenhum, veremos o mundo movido por uma fé única, porque é na diversidade de credos que ele foi moldado. Porém, tenho observado correntes religiosas de diferentes filosofias proferindo uma necessidade única: a Ética.
Poderíamos sim, ter um código de Ética único, talvez isto seja viável, muito embora creia que uma pessoa que serve ao Divino não precisasse disto. Prioridades como o atendimento espiritual aos doentes e desvalidos, aos que buscam força e consolo, não precisassem de normativa nenhuma.A ética não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética. Lobos disfarçados de cordeiros têm a capacidade de disparar algo que qualifico como mais uma guerra santa, e ela está tomando proporções assustadoras. Conforme um link que uma amiga me enviou (que coloco à disposição abaixo do texto) diz que dados preliminares do estudo "Mapeamento das Casas de Religiões de Matriz Africana no Rio de Janeiro", que identificou 847 templos, revelam que 451 - mais da metade - foram vítimas de algum tipo de ação que pode ser classificada como intolerância em razão da crença ou culto.
Vou um pouco mais além. Quem entra em uma religião - seja qual for- vai porque necessita de algo que ela proporciona. Na Umbanda as pessoas vão pela dor - da alma ou do corpo - ou pelo amor. Depois que passa o período inicial e , se for o caso, há um desenvolvimento mediúnico. Pela fé e pelo amor ao ser humano nos entregamos como mensageiros de entidades evoluídas. Esta comunhão entre nós médiuns e entidades, impulsionados pela fé no Divino - Zambi - faz com que tenhamos forças para aprender e manipular energias da natureza para várias finalidades - principalmente para quem precisa de algum tipo de cura.
Ontem em um atendimento - e faço questão de frizar que foi incorporada com o exu Capa Preta (linha que é estigmatizada por leigos) ouvi uma verdade indiscutível, proferida a um consulente: o orgulho é a porta larga por onde entra tudo que é ruim e destrói tudo que as pessoas possam ter conquistado. 
Umbandista que faz distinção em seus atendimentos, por pré julgamento , pré conceito está na religião errada. Um Terreiro sempre tem que ter as portas abertas a qualquer um que venha pedir ajuda e todos os que pedem têm que ter o mesmo tratamento. E isto não está condicionado ao espaço material. Na medida em que há um bom desenvolvimento mediúnico, uma boa comunicação entre médium e entidade,e que todo o trabalho feito tem um resultado positivo, não pode ser , de forma alguma, um motivo de júbilo pessoal.Assim como o pai ou mãe de santo que ao ver que sua gira tem resultados positivos tem que entender que é por mérito do conjunto e não apenas do esforço individual. 
Fico feliz quando ouço histórias de pessoas que através da fé na Umbanda, junto sempre com tratamentos médicos profissionais, curaram-se de doenças terríveis. Assim como me deixa feliz saber que os que passam necessidades materiais encontraram a dignidade  em novos empregos e até aqueles que encontram consolo e aprendizado em minha fé. Porém nada disto faz com que eu sinta orgulho, porque sei que logo em seguida virá alguém com algum outro problema a ser resolvido e o tempo que se gasta alisando velhas medalhas de honra é o mesmo que se pode usar fazendo caridade.
Umbandista de fé e coração não precisa agradar ninguém, precisa é aprender para curar. E quanto mais andamos por estas estradas de Ogum e vemos pessoas buscando ajuda, mais precisamos ficar conscientes para não cair nas armadilhas de nossos próprios egos, em cada vitória ou derrota. Creio que o entendimento deva ser a palavra mais importante que um umbandista deva carregar em sua mente do que a palavra merecimento. Porque não somos aptos a enxergar o merecimento, mas temos sim o dever de ter um bom entendimento- que levará a uma ação mais eficaz. Saravá! 

O link citado acima: 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Médiuns de Umbanda

Dona Andréa a senhora já reparou como a gente gosta da gente mesmo? As pessoas me chocam às vezes com seus pensamentos.Esta flecha certeira veio pelo arco dos pensamentos de seo Dirceu, um taxista aqui da cidade. De fala mansa , me contou que havia levado uma senhora na casa de uma amiga. No meio do caminho , a mulher se confundiu com as ruas e falou: seo Dirceu "tamo" perdido! E ria sem parar. Conhecedor do jeito da freguesa e taxista há muito tempo por aqui, perguntou sobre algumas características desta amiga dela, que por sinal era muito parecida com a passageira,  pessoa de bom humor e de bem com a vida. E pronto: seo Dirceu sabia de quem se tratava e onde morava. Porisso este taxista com um GPS filosófico afirma que nos aproximamos de quem tem características iguais as nossas simplesmente porque gostamos muito de nós mesmos, e passeou pelas memórias  explicando sobre pessoas de temperamentos idênticos que conhecia.
Hoje, pelas contas da ONU, chegamos à conta de 7 bilhões de habitantes.Então , nesse momento há essa enormidade de gente pensando em como pode ser mais feliz. A menina que nasceu hoje sabe , instintivamente, que a felicidade dela está na mãe. Quem está doente , projeta  sua esperança de cura nos remédios, nos médicos e no Divino. Quem está sozinho, molda um par perfeito para caminharem de mãos dadas. E cada um destes sete bilhões de seres na busca de algo que os complete.
Nós médiuns de Umbanda temos a grata satisfação de interagirmos com inteligências diversas das nossas. As entidades que recebemos, logicamente, tem a ver com nosso nível vibracional, mas não as escolhemos. A natureza é tão perfeita que agrega energias para trabalhar com mais eficácia. Esta junção de inteligências escolhidas pela natureza do que realmente somos é uma manifestação Divina que nos leva a um ponto muito importante, se nos ativermos à entrega em prol da fé, do amor e da caridade.
A Umbanda não funcionaria como uma religião de consolo e cura se usássemos somente nossos dons individuais. Há um escritor chamado Clive Staples Lewis , conhecido pela maioria pelo livro Crônicas de Nárnia, que diz o seguinte: " Deus só pode mostrar-se como realmente é a homens reais. E isto significa não apenas a homens que sejam individualmente bons, mas a homens reunidos num só corpo, que se amem uns aos outros, que se ajudem uns aos outros e mostrem Deus uns aos outros." Portanto é na entrega à incorporação, no exercício da tentativa de sermos a cada gira um pouco mais humildes, que interagiremos com mais clareza com as entidades que atuam em nossa religião e permitiremos, tanto a nós, como a todas as energias que nos circundam e aos que buscam ajuda uma visão mais clara do Divino.
Quando alguém vem buscar ajuda e se senta em frente à qualquer entidade ali se misturam muitas energias. Sentimos o que a entidade sente, as nossas próprias idéias sobre o problema e as do consulente, além da energia do cambone. Naquele momento somos um elo de uma corrente maior que é a própria gira. Se fosse possível fotografar somente a energia, com certeza teríamos a reprodução quase que exata, no meu entender, de fotos como esta que postei de uma galáxia. 
Estar na Umbanda é exercer o amor. Porque atendemos pessoas desconhecidas e abraçamos a dor de estranhos ao nosso dia-a-dia. Talvez nosso maior passo em direção à verdadeira caridade é entender uma outra frase deste mesmo autor que citei acima: "Você não tem uma alma. Você é uma alma. Você tem um corpo."  Por vezes somos impulsionados por nossos egos que se inflam nos sucessos e esvaziam nossa felicidade nos fracassos. Quando se trata de energia e de todo um movimento da natureza, não há como qualificar sucessos e fracassos, simplesmente porque não temos uma visão completa. Independente do que possamos supor sobre os reais resultados, o importante é estarmos sempre dispostos à entrega e à felicidade de fazermos parte de uma energia maior.

domingo, 8 de maio de 2011

13 de Maio- Entre Memórias e Sonhos

Tem certeza que não tem cães aí? Tenho, pode vir buscar suas fotos. Minha mãe desliga o telefone e depois de uma meia hora a porta da sala é quase que derrubada com socos violentos: A senhora falou que não tinha cães, mas por favor podia avisar que tinha um jacaré? 
O primeiro texto que escrevi foi sobre este homem que havia ido buscar uma encomenda de fotos lá em casa. Eu tinha 7 anos. O dito jacaré já tinha feito estragos assustando as galinhas. Enfim, era empalhado.De noite todos os jacarés empalhados parecem vivos mesmo. O coitado do homem tremia tanto que pensei que ia morrer ali mesmo. Encontrei esta lembrança vasculhando as gavetas da minha memória.
Quando minha avó morreu, eu encontrei sobre esta história do jacaré escrito num pedaço de papelão, que era usado na época nas embalagens de camisas. Escrever me liberta desde pequena. Neste blog acho que consigo ser meio abolicionista  às vezes, penso comigo.Porque às vezes livro outros junto comigo. Então ,por este motivo plantei uma foto de camélia na postagem de hoje. Talvez me liberte um pouco das saudades que tenho.
Pois vou falar dos meus sonhos. Queria ,numa noite destas, que desse um pé de vento e me levasse até a casa do Pai Maneco, entidade dona do Terreiro que freqüento. Não sei a história dele, mas gostaria de passar em sua casa em Aruanda e primeiro ver se tem pés de camélia em seu jardim. Creio que os tenha. Para quem não sabe, todo abolicionista brasileiro tinha plantado em sua casa um pé desta flor exótica em sua casa. A Princesa Isabel vivia recebendo ramalhetes desta flor subversiva. No livro de Eduardo Silva , que abaixo deixo um link para lerem na íntegra um dos textos, diz o seguinte "Na verdade, a hoje aparentemente insuspeita camélia, fosse natural ou artificial, era um dos símbolos mais poderosos do movimento abolicionista. A flor servia, inclusive, como uma espécie de código através do qual os abolicionistas podiam ser identificados, principalmente quando empenhados em ações mais perigosas, ou ilegais, como o apoiamento de fugas e a obtenção de esconderijo para os fugitivos. Um escravo de São Paulo, por exemplo, que desse às de vila-diogo e viesse parar no Rio de Janeiro, podia identificar imediatamente os seus possíveis aliados, já na plataforma de desembarque da Estação D. Pedro II, simplesmente pelo uso de uma dessas flores ao peito, do lado do coração. "
Creio no Pai Maneco como abolicionista antes de escravo. Quando um ser se preocupa em livrar a tristeza dos outros, os grilhões que a falta de fé e de coragem para enfrentar este mundo que prendem o desenvolvimento das pessoas, este ser só pode ser um abolicionista. Em meu sonho iria tomar um café com ele demoradamente. Imagino ele sorrindo e respondendo a todas as minhas perguntas sobre as dores do mundo com um:"acontece Andréa porque as pessoas têm livre arbítrio". É tanto sofrimento neste mundo e tantas pessoas precisando de ajuda que é bem fácil a gente se perder no meio de tanto serviço. Na verdade iria até a casa do Pai Maneco só pra retomar o fôlego e colher umas camélias. Todo médium umbandista têm que ter em mente que é um abolicionista, porque sua principal função é passar a mensagem de que somos livres, inclusive para escolher uma nova ressurreição nesta vida mesmo. Gostaria que todo terreiro tivesse pés de camélia.
Já estava com estas idéias na cabeça, quando assisti uma entrevista com o escritor uruguaio Eduardo Galeano na Tv Cultura. Dizia ele que ouviu a melhor definição de utopia e com ela encerro meu texto de hoje:
 "A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."


AS CAMÉLIAS DO LEBLON E A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA