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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Caos

 

Tenho tido sonhos pesados. Prédios caindo, terra tremendo, tsunamis e o pior: pessoas sem dar a mínima para o que ocorria. Talvez fosse o que mais me assustava e assusta. Lembro nitidamente em sentir e ver pedaços de prédio caindo e ninguém na rua ligava. No que nos tornamos?

Tem uma coisa que não gosto na Umbanda. Já percebeu que todo médium se acha um ser iluminado? Que trabalha só para o bem e emana energias de luz? Não é um mal apenas da Umbanda ,mas de muitas religiões. O fato de acreditar em algo maior não habilita nossas potencialidades angelicais, infelizmente. As coisas mais simples como o Bem, a caridade, a humildade são conceitos de tão difícil compreensão que ficam escondidos e os adeptos da nossa religião vão buscar outras coisas mais “mágicas” para estudar. Saber nome de entidades que trabalham conosco, pontos riscados, fórmulas  para entregas e “ebós” parecem mais interessantes e úteis. Parecem só, mas não tem como dar o passo dois sem o primeiro.

Dias desses, num grupo do Facebook que um amigo fez para divulgar os textos deste blog, veio um “religioso” no inbox pedir que eu mudasse o nome porque ele teria registrado o “Coisas de Umbanda” . Primeiro eu ri, depois eu vi pedras caindo do céu e todo mundo andando normalmente. Para onde tudo isto está caminhando?

Fiz este blog como forma de pensar a Umbanda, de estimular a observação e os necessários questionamentos. Não questionar o que o dirigente faz de seu culto ,mas a idéia filosófica da Umbanda em si. Aí vem um engraçadinho fazer este tipo de apontamento. Gente , Umbanda envolve muito suor, sofrimento e observação.

Não é bonitinho ser médium de verdade. Todo mundo tem uma certa mediunidade é verdade, mas são tantas formas diferentes de exercer que não dá para colocar todos na mesma forma. Quem realmente trabalha como receptor de mensagens de entidades vive em sobressalto, até que tenha maturidade para entender o mecanismo de uma egrégora, o que leva anos.

Orai e vigiai dia e noite, seus pensamentos , suas conclusões. Se você está no começo, observe. Se está a anos na Umbanda, observe. Se você faz parte de um grupo, uma egrégora, não tem esta de “eu faço minha parte e não me importo com os outros”. Queridos , se há guerra você é um soldado quer queira ou não.  Cabe a você escolher que embate quer participar apenas. Tudo é interligado.

Vou desmistificar mais uma coisa: muito embora haja normativas do que se pode ou não deixar uma entidade falar na maioria dos terreiros, se eles quiserem te passar uma mensagem ,vão fazer de uma forma muito discreta. Não seja neurótico, mas preste atenção e peça sempre explicação do que não entender.

As entidades botam sempre você em teste, a evolução é assim, eles não seriam diferentes. Fique esperto. Nós somos uma religião que combate os males dos que nos são enviados, temos que ser fortes e preparados. Certa vez vi uma médium “incorporada” correr ao ouvir do consulente que o mesmo havia assassinado uma pessoa. Umbanda não é para gente que acredita num mundo cor de rosa.

Para terminar por hoje, quero que entenda que tudo que divide não soma em sua evolução. Evoluir é condição sine qua nom  da natureza, e nós umbandistas somos regidos por ela. Axé!

sexta-feira, 6 de março de 2020

Vida Consciente!

Meu vizinho plantou milho e abóbora. Não para vender nem necessariamente usar, mas porque gosta de ter plantação. Te digo que às vezes as pessoas fazem as coisas sem um sentido muito lógico.
Pois bem ,no meio deste milharal há algumas espigas pretas. Lógico que fiquei com vontade de provar,mas o gosto é de milho normal e comum. A verdade é que o vizinho fez uma coisa pra ele que afetou a vizinhança, pelo menos no que tange a curiosidade.
Ah, senão fossemos curiosos teríamos sido extintos há muito tempo. Justamente porque quando se fala de natureza não tem como não falar de evolução. Para evoluir temos oportunidade de ter várias "encarnações" numa só vida. Você tem a oportunidade de contar como foi sua "encarnação" na infância, na adolescência, nas várias fases que temos na vida adulta.
O espírito tem que evoluir e vai buscar meios disto. Tenho lido vários relatos de pessoas que tiveram suas vidas mudadas depois que entraram para Umbanda, as vezes melhor ou pior, mas mudaram. Não posso afirmar que isto ocorra em outras religiões ,mas na minha  é certo que ocorre. Desde que entrei nesta egrégora posso afirmar que nos momentos bem tensos da nossa vida, aqueles que agente precisa tomar uma decisão, há um silêncio constrangedor por parte dos guias.
Nossas decisões têm a ver com nossa evolução. Não só na Umbanda, mas em tudo. Estes dias vi um meme que dizia: vou ouvir a opinião de todo mundo e seguir aquela que fale o que eu quero fazer. Engraçado ,mas real. Meus queridos nós precisamos da distância e de um certo isolamento para evoluir. Mais ou menos como trocar a pele, no mundo animal.
Há algo que nos conduz. Use o nome que quiser. Só não seja hipócrita. Só a sua vida, sua evolução tem a ver com você. A do outro PERTENCE ao outro. Certa vez ,aos quinze anos, resolvi que meus pais tinham que se separar porque minha mãe sofria demais. Fui atrás de advogado, falei incessantemente com todos. Até que um dia ouvi da minha mãe, chorando, que eu queria separá-la do meu pai. Fiquei em choque. Não me meti mais e sempre penso nisso quando meus filhos interrompem minhas discussões com meu marido: eu tenho o direito inalienável de me defender ou não.
Você pode pedir conselhos a entidades, aos pais, até para o motorista do Uber, mas é você quem decide o que fazer. É prerrogativa sua. Mas não vá você dar pitaco na vida dos outros se não tem experiência de vida pra isso. Vou te dizer que eu , talvez pela experiência de Terreiro sinto as pessoas e sinto a necessidade de mandar mensagens às vezes, meus filhos de corrente sabem bem disso. Falar o que o outro deve fazer, em tom autoritário, corresponde a sentar na frente da entidade e dar lição de moral a quem sabe mais que você.
Dizer a um dirigente espiritual o que ele deve ou não colocar em seu ritual é uma das coisas mais arrogantes e desnecessárias nesta vida. E não podemos desperdiçar vida. Isto é um real pecado: gastar nosso tempo com coisas que não nos dizem respeito, não dizem respeito à nossa evolução.
Médium consciente é aquele que sabe que está em constante evolução, que este evoluir depende somente dele e de suas observações, que faz parte de uma egrégora que também está evoluindo, mas que seu papel individual com seu próprio valor, também como cidadão e ser humano, é imprescindível. Entendimento é essencial. Saravá!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Justiça e Magia

Fé, caridade e amor ao próximo. Mistérios e descobertas. Deslumbramento. Felicidade na luta pelo bem, pela saúde, pela alegria, pela dedicação. É de fato tudo muito bonito dentro da Umbanda. A religião sem dogmas, a religião da liberdade, a religião dos guerreiros de Oxalá. Descobrir entidades, Orixás regentes, manipulação de energia é muito estimulante, mas você já chegou a pensar o que há além disto?
Afinal, quem somos nós? Na individualidade, sob o teto que nos abriga quando não exercemos nossa função religiosa. Aponte um médium de qualquer religião que não atravesse algumas vezes corredores escuros em sua vida pessoal  e eu lhe direi que este ainda não é um médium em pleno desenvolvimento. 
Desenvolvimento espiritual é longo e árduo, além de solitário. Não há ninguém, nem neste, nem de outro mundo que possa usar os seus pés para caminhar.
Não estou dizendo que não temos ajuda, mas é impossível saber o que é uma xícara de café, oferecendo-a somente para seu vizinho provar. Um dia Mestre Cipriano me falou que o caminho não é fácil, mas que ficar olhando os buracos em que tropeçamos não auxilia em nada nosso processo de desenvolvimento, e que ,com frequência, nesta caminhada, é comum nos confundirmos com coisas que parecem boas e com as que parecem más.
A vida de uma forma geral não é fácil e eu digo que a Umbanda não é o lugar mais correto para fugirmos da realidade.A Umbanda nos dá subsídios para transformarmos a realidade que enfrentamos em fontes de sabedoria para o engrandecimento de nosso espírito. Contudo ,em momento algum, as experiências que vivenciamos devem ser vistas com resignação. É a nossa reação aos revezes o elemento transformador essencial à nossa evolução.
Dia 21 de Dezembro é o fim do mundo. Lembro do meu filho mais velho falando há mais de dez anos atrás que achava injusto, pois cairia um dia antes de seu aniversário. Hoje eu entendo que o fim do mundo acontece várias e várias vezes nesta mesma vida. O que fomos há dez anos atrás será bem diferente se sobrevivermos a mais dez anos. Muitas e muitas vidas vivemos numa só.
Na Umbanda não há sacrifícios. É uma meia verdade. Há o nosso próprio sacrifício. Já me perguntei várias vezes sobre o porquê disto, de caminharmos às vezes como cordeiros assustados. Como o Divino deixaria coisas ruins ocorrerem a quem pratica o bem? Ah ,meus caros, uma pergunta bem "perguntada" jamais fica sem resposta pelo Universo. Em um dos meus textos falei que a representação dos grandes iluminados é sempre feita pela imagem do leão. E numa destas minhas distrações ouvi no um filme "Lutem e lutem novamente, até que cordeiros se tornem leões" (Robin Hood) 
Se as coisas não estiverem fáceis para você, tente lembrar que faz parte da sua transformação pessoal e nunca, em momento algum, desista de lutar. Há um leão dentro de cada um de nós, e aí reside a Justiça e a Grande Magia Divina. Saravá Xangô!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Lucidez não tem Preço!

Só quem tem porteira em casa sabe da tristeza que é. Ter que sair do carro abrir a dita cuja e esperar pra fechar. Tem um amigo taxista que é a favor de colocarmos um portão eletrônico. Besteira. O tempo que a máquina leva pra fechar o dito portão faria com que nosso cavalo já estivesse a uns 300 metros de distância no galope. Fora que ter a área cercada de arame farpado e um portão eletrônico não combinaria.
De fato, seria, com todo respeito, usar um belo sapato de grife e andar com a bunda de fora. É engraçado ,mas as pessoas fazem isto o tempo inteiro. Hoje a profusão de textos para lermos é enorme, embora conhecer não seja o mesmo que saber. 
Saber se adquire pela prática, conhecer pela leitura. Práticas feitas só com leitura levam a erro, pelo menos na Umbanda. De fato, trabalhamos com energia e nós próprios somos energia, então temos que necessariamente experimentar o que nos propomos a fazer. A Umbanda é vida e ,assim sendo, tem que ser vivenciada, tem que ser aberta a experiências, necessita do exercício da mente não em decorar, mas falo de novo , experimentar.
As pessoas de uma forma geral se perdem na simplicidade. Simplesmente porque não conseguem processar, a mente humana busca por desafios, por coisas complexas, como se fosse uma musculação intelectual, o que permite uma injeção de dopamina e felicidade, coisa que a simplicidade não provoca. Ser simples não faz com que nenhum hormônio seja despejado em nossas correntes sanguíneas.
O saber na Umbanda está diretamente relacionado à caridade. É na prática da caridade que aprendemos, não há como ser diferente. Como já falei outras vezes, a caridade é complexa. Incorporar uma entidade e deixar que ela atue através de nós, sem que a influenciemos com nossos conceitos, é um ato de caridade. Tem muito médium que "usa" a incorporação para colocar suas próprias idéias - e isso- é o contrário de caridade. Entidade nenhuma - seja de esquerda ou de direita- jamais atribui nenhuma ação a si própria - eu fiz, eu faço, eu aconteço-porque ela trabalha em conjunto com o Divino. Pode até falar que ela se encarrega de uma proteção específica, mas jamais em tempo algum provocará situações de conflito ou mal estar. Observar, pensar e concluir também é caridade, mesmo que sirva só para nós.
Ogum não faz "limpeza" de gente em terreiros - ou seja, não manda ninguém embora porque é melhor ou pior-, preto velho não causa discussões para acertar arestas, Pomba Gira não é vaidosa - tenha sempre a certeza que eles estão acima de nossos sentimentos terráqueos e mundanos. 
Tenho uma amiga chamada Renata Coutinho, um ser que anda irradiando luz, simplesmente porque se permitiu entrar em reflexão diante de suas observações da vida. E dela me veio o cristal bruto: lucidez não tem preço. E assim , vi nesta menina o reflexo Divino. Porque quando a pessoa se presta a refletir a Luz que vem do Alto e não de sua própria mente, tem reais condições de ajudar e prestar a real caridade.  Não pode nunca ser diferente.
A Umbanda não foi criada para adorarmos um ser humano, mas para nos reintegrarmos às energias Divinas da natureza, para elevarmos e reequilibrarmos nossas energias à energia geradora- à caridade. Fora da caridade não há salvação.É colocar portão eletrônico em cerca de arame farpado. 
Por último - e não menos importante- tenho ouvido de muitos umbandistas - muitos inclusive de renome- que oração de nada adianta. Ao escutar isto, corra amigo e muito. O Divino não deixa nenhuma conversa direta com ele sem resposta. Lucidez não tem preço, assim como nossa liberdade de expressão. Oremos. Saravá! 

domingo, 29 de abril de 2012

Quem Somos Nós?

Estes dias uma querida amiga me perguntou sobre uma invasão de formigas que havia em seu quarto. Perguntava-me se aquilo tinha a ver com o espiritual e eu neguei. Não havia porquê ter medo , porém deveria se livrar delas, pois trazem doenças a qualquer ambiente. Umbandista tem disto: nos movemos também por sinais dados pela natureza. Interpretar este sinais, que vão além de invasão de pequenos seres é preciso para que caminhemos em liberdade.
Outra coisa que todo umbandista gosta é de contar seus sonhos. Não escapo à regra, mas o farei aqui de forma diferente, vou passar o que aprendi, graças ao "start' que tive com uma conversa com minha amiga-irmã Celina Moreno Filgueiras. Afinal de contas, quem somos nós médiuns? O que buscamos no meio de tantas imagens, palavras e símbolos? Porque conseguimos ajudar alguns de forma tão fácil e outros nos sentimos com as mãos e pés amarrados?
A mediunidade não é uma brincadeira de copo feita numa sexta à noite. É muito sério pois envolve não somente nosso crescimento, mas mexe com toda a existência, sonhos e esperanças de quem nos procura. Vaidade, possessividade, promiscuidade, vícios com drogas que alterem  o padrão das ondas mentais são apenas alguns dos empecilhos que tolhem uma comunicação com esferas mais altas. Humildade é algo que não se obtém do dia para a noite, nem pelo querer, é preciso esforço e determinação para conseguir enxergá-la pelo menos. Ser perfeito é impossível, mas buscar melhorar dia-a-dia é necessário. Só conseguimos esta condição ao permitir que nosso coração entenda o sofrimento alheio e permita que consigamos estender nossa energia em busca da cura, seja lá como ela se apresente, de qual forma for necessária.
Nossas entidades na Umbanda são seres com os quais temos grande ligação espiritual, que em algum momento de outras vidas tivemos grande contato. A soma de nossa energia pessoal com a destas entidades possibilita que obtenhamos sucesso em nossa senda de caridade e fé para conosco mesmo e para com o próximo. Nada ocorre ao acaso, pois como Einstein disse " Deus não joga dados com o Universo".
Nossas palavras e atitudes interferem sim no meio.  E vou voltar às formigas da minha amiga Milly Pellegrini: elas têm sim um sentido espiritual querida. Veja como as pessoas têm se movido por idéias que não condizem com a espiritualidade que conhecemos. Repetem palavras que desconhecem o poder e se movem não como espíritos livres mas condicionados à uma única vertente. As formigas tem lá um tempo para colher e outro pra se recolher. Consomem o que precisam e só. Já os seres humanos que andam em manadas de pensamento fixo que proveito têm?
Muito se fala hoje em dia em demônios e possessões, em macumba e demandas.Igrejas, Terreiros, Barracões se tornando centros de comércio explícito, invocando forças que depois não há como segurar. Assim meus amigos vai crescendo a fé de que o poder está nas mãos de quem sabe melhor falar sobre o mal do que o que prega a paz. 
Cada médium consciente de suas funções nesta vida , independente da linha que siga ou de seu orixá natural, é, no meu ponto de vista, membro do grande exército de Ogum. Não há como ser diferente. Ogum contrói seu caminho ao pisar nele, o médium constrói seu entendimento no vivenciar. Um outro amigo, o Paulo Faria, filho legítimo e amado de Ogum, me falava que nós médiuns aprendemos também em sonhos. Deus em sua infinita sabedoria nos dá todos os elementos para que, com os dons que temos, sejamos instrumentos únicos na sua Grande Obra, para nos amparar, assim como aos que nos pedem auxílio. Só o entendimento nos equilibrará.
Então Milly Pellegriny e todos os que tem um meio de falar sobre a Umbanda ou qualquer outra religião: use seus meios para que as pessoas não se tornem apenas formigas, mas que em suas individualidades e particularidades sejam grandes no apoio à Obra Divina. Vou deixar aqui um pequeno texto de um grande médium: " Jovens: sabiam que a geração de vocês não é a primeira a aspirar por uma vida plena de beleza e de liberdade? Sabiam que todos aqueles que o precederam sentiam no coração aquilo que vocês sentem hoje e que depois foram vítimas do ódio e da infelicidade? Sabia que todos aqueles desejos ardentes que vocês possuem, somente vão se realizar se você for capaz de exercer amor e compreensão pelos homens, animais, plantas, e estrelas, de tal forma que cada alegria será também sua alegria, e cada dor também sua? Jovem, abra os olhos, o coração, abra as mãos e fuja daquele veneno que seus antecessores sugaram avidamente da História. Só então o mundo inteiro há de se tornar a pátria de todos vocês, e seu trabalho, seus esforços, se espalharão como bençãos sobre a Terra."   Albert Einstein


 Gostaria de agradecer aqui aos meus queridos amigos do CEUOM lá do berço da nossa Umbanda, em São Gonçalo/RJ que me agraciaram com a leitura de um texto aqui do blog na grande festa de Ogum que fizeram no último dia 28/04. Fico grata por uma energia tão boa como a de todos vocês daí chegar a este pequeno sítio aqui do Sul. A disciplina, a fé, a caridade e o amor que dispensam a todos interessados em seguir os verdadeiros caminhos de Ogum sejam exemplo para outras casas sempre. Saravá!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mocidade na Umbanda

Estava lá a senhorinha, sentada no ônibus falando com todo mundo que quisesse ouvir- e os que não também eram abordados. Primeiro resolvera seus problemas com o tênis, tosou as pontas para que os dedos ficassem arejados e sem dor. Ok, aqui você já percebe que ela não era um padrão indiscutível de normalidade. E foi falando ,falando e as risadinhas apareciam por todos os lados. Então disse ao motorista que queria descer no ponto de ônibus que tinha dois coqueiros gigantes. Ninguém sabia onde ficavam os dois coqueiros, embora muita gente passasse por eles todos os dias. O silêncio  que se fez foi bem grande a partir daí, acho que é assim mesmo quando se procura alguma coisa na memória.Enfim, chegamos aos dois coqueiros, que nasceram e cresceram lá e que ninguém havia dado conta, em sã consciência.
Quando se fala em Umbanda , pra quem não conhece, já vem a pergunta, mas o que fazem lá? Se você falar que manipulamos energias, é capaz da pessoa rezar pra aparecer uma madeira e ela isolar três vezes. E por quê? Porque simplesmente as pessoas vivenciam algo todos os dias e não são capazes de reconhecê-las. Descem todos os dias no ponto com os dois coqueiros e a menos que eles caiam sobre suas cabeças jamais irão vê-los.
Creio mesmo que o que nos diferencia dos animais, e não estou dizendo que somos melhores, é o poder do ser humano de manipular energia para seu bem estar ou dos que são próximos a si. Somos energia. Quantos não vão à beira mar e saem completamente refeitos? Quantos não abrem os braços numa ventania? Quantos não isolam na madeira para evitar energias ruins? É óbvio que na Umbanda não é tão simples assim, mas aprendemos rápido, seja pelo ensinamento dos dirigentes, pela observação e pelo contato com as entidades, ou, na maioria das vezes, o que é mais certo, bebemos destas três fontes.
Falo de coisas óbvias que não vemos para destacar uma inovação na Umbanda. A Camila Guimarães, mãe pequena do Terreiro do Pai Maneco, postou uma mensagem dizendo da criação do movimento Mocidade na Umbanda e o primeiro evento será uma palestra sobre Violência Sexual e Drogas no próximo dia 6 de agosto. Isto é de fato muito importante em qualquer terreiro.
Um jovem médium tem a capacidade muito grande de entender como se dá qualquer processo ritualístico na Umbanda, creio que o mais difícil seja, neste processo todo, entender a natureza humana. Somos médiuns conscientes, então quem não se choca ao ouvir um caso grave de dependência química? Quem não se chocaria em ouvir uma mãe falar de um filho doente, ou um pai chorando à sua frente por falta de oportunidade nesta vida? Temos sim a obrigação de nos inteirarmos sobre a vida e a cada dia buscarmos um pouco mais de sabedoria, se quisermos ser bons mensageiros.
Creio que o terreiro que disponibiliza um espaço para tais discussões, com palestrantes que falem a mesma língua dos jovens, se torna um berço de médiuns que conseguiram atingir com melhor qualidade suas proposições dentro da religião. Você até pode estar pensando que esta educação deveria vir de casa, ou da escola. Ela vem, sem dúvida ,mas o reforço vindo de dentro de uma instituição que eles amam é de extrema importância. Nem sempre se tem a oportunidade dentro de uma gira de falar com todos os jovens e eles não são muito de se consultar, ou perguntar sobre aspectos da vida, até porque não têm vivencia de muita coisa.  Num meio que hajam só jovens e pessoas que , como disse anteriormente, falem a mesma língua, fica mais fácil a absorção do que é proposto.
Umbanda não é lugar de doutrina, é lugar de vida e de busca por um meio de torná-la mais leve. A educação é ponto fundamental dentro dela. Falar sobre todas estas coisas loucas que acontecem em nosso mundo e dos revezes desta vida acrescenta conhecimento, imprescindível para que a entidade possa exercer plenamente sua caridade com quem  mais precisa. Imprescindível também para formação de cidadãos mais conscientes, em qualquer lugar que andem neste mundo.
Vou encerrando por aqui hoje,e já que falei em jovens, cidadãos e inovação, termino com uma saudação que é feita lá no Terreiro do Pai Maneco, no início de cada trabalho: Salve a Nação Brasileira!

Para mais detalhes sobre o projeto escreva para  mocidade.tpm@gmail.com 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mágicos e Médiuns

Nos seus estudos de mágica, o Syrus aprendeu um grande ensinamento com seu mestre: mágica é algo para entretenimento, para fazer as pessoas felizes, para divertir. Nunca, em nenhuma apresentação, deve ser falado que é algo sobrenatural, pois mágica não é magia, e para ser mágico não é necessário ser mago. E por quê tudo isto? Porque se o mágico se desviar da função de entretenimento e dizer que tem poderes mediúnicos, em algum momento ele pode realmente acreditar nisto e aí todo seu profissionalismo estará comprometido. Um mágico pode ser um médium também, mas cada coisa a seu tempo e em seu lugar.
Achei isto interessante porque no início da nossa caminhada dentro da Umbanda  o médium também tem que se ater ao seguinte detalhe: ser médium não é ser mágico. Eu creio que até , em alguns atendimentos, possam acontecer alguns "efeitos especiais" não por vontade do médium, mas até pela necessidade da fé do consulente. Mas jamais, em tempo algum, o médium pode pensar que isto vá se repetir, ou que ele possa produzir isto sozinho. Até porque estes "efeitos  especiais"  são legais só no cinema. O que a Umbanda faz é muito maior do que isto.
Eu mesma tive um grande aprendizado esta semana. Seo Sete Cachoeiras chamou um jovem médium da corrente e pediu que segurasse a mão da consulente. Depois disse : passe para ela a mensagem meu filho. O menino, meio envergonhado, se enrolou, e seo Sete Cachoeiras falou que ele mesmo passaria: era para a senhora antes de responder qualquer coisa para o marido respirar e conversar, e no trabalho que exercia, ser mais direta em suas colocações , pois estava sendo infeliz deixando de falar o que precisava. O rapaz se espantou e disse que a mesma mensagem havia recebido só que de forma diferente: que a senhora acendesse uma vela antes de falar em casa e que no trabalho soubesse que em casa há uma vela acessa. Sabiamente, seo Sete Cachoeiras então explicou: meu filho se vem uma pessoa aqui nesta Casa e está aflita, ao ouvir seu conselho pode levar ao pé da letra. Já pensou se a pessoa realmente acender uma vela em cada momento destes? Veja: quanto mais claro e simples você for,mais resultado obterá.
A transmutação de pensamentos é algo muito ,mas muito mais espantoso que os "efeitos especiais" no meu entendimento. Ela conduz a estradas mais arejadas e luminosas. Fazer com que uma pessoa reflita e reveja seus pontos de vista por outro ângulo é também uma das grandes habilidades das entidades, e um processo que pode levar a uma cura de diversos males.Para isto o médium deve estar preparado. Eu nunca havia pensado neste ponto de vista exposto pelo seo Sete Cachoeiras e fiquei até pensando se o ensinamento não era também para mim. Como sempre escuto e presto atenção aos meus dirigentes no terreiro e leio bastante, a mensagem pode ser passada de uma forma adequada.
Como sempre falo , na Umbanda estamos todos interligados, e apesar de praticarmos rituais com diferenças ,somos muito mais unidos que pensamos. Hoje ,na postagem do blog do Ricardo Barreira ele fala como a Umbanda é ecosófica. Como o próprio nome diz , ecosofia, é ecologia aliada à filosofia. Vou deixar abaixo o link para que leiam o texto mencionado.Tem muito a ver com esta minha postagem de hoje.
Na Umbanda aprendemos a manipular campos de força com elementos da natureza, para processos de cura de uma forma geral. Mas também, aprendemos  a manipular nossos pensamentos para que possamos passar as mensagens de forma mais clara para cada indivíduo que nos procura, porque o pensamento é o elemento natural do ser humano. É através dos pensamentos, e das ações geradas por eles, que construímos nossas vidas e de nosso meio. O equilíbrio de nossas emoções e de nossas relações familiares, sociais e profissionais são conquistas inestimáveis, assim como nosso entendimento de que nossa relação com a natureza também é imprescindível. São os pequenos milagres que resultam na grande obra da Umbanda neste nosso solo brasileiro: a maravilha do bem viver.
Um médium ao acreditar que é um mágico, está correndo um sério perigo, então deixo a foto desta postagem para que não se esqueçam. E como meu lindinho diz, é preferível acreditar que vamos à gira, como médiuns,não para fazer caridade, mas sim para retribuir tudo que a Umbanda fez por nós, principalmente a nossa reconstrução como seres humanos melhores.

Este é o texto do Ricardo Barreira:
http://www.ricardobarreira.com.br/2011/07/umbanda-ecosofica.html?spref=tw

domingo, 10 de julho de 2011

Destino?

Estou ficando mais velha. Não tinha percebido isto, mas lembrei que logo terei idade nova. 44 anos. A idade da tração nas quatro rodas. Isso é muito bom, pois deve ser um sinal para que meus pensamentos não precisem mais pegar no tranco. E se isso acontecer mesmo , vou poupar muita gente da minha fiel companheira por todas estas décadas: a curiosidade.
Um outro companheiro fiel na minha caminhada sobre esta terra foi o livro. Apesar do advento da internet, livros são livros. Coisas mágicas mesmo. Não só as letras, mas seu cheiro, a textura do papel e evidentemente a mágica que os envolve. No meu entender você só consegue ler um livro se estiver preparado para seu conteúdo. Pode ser  até ignorância minha, mas não consigo pensar de outra forma. Alguns livros mudaram minha vida sem eu ter nunca lido seu conteúdo. É verdade!
Há alguns anos atrás eu fazia muitas coisas ao mesmo tempo: era assessora do Museu de Arte Contemporânea, tinha um jornal chamado Brainstorming e um programa de Tv chamado Time Out Tv. Mesmo assim, ficava buscando mais coisas para fazer. Um belo dia vi um anúncio de jornal pedindo uma pessoa para redigir um livro sobre os templários. Parecia um presente dos deuses. Falei com a pessoa e depois de algumas conversas descobri que além de não pagar pelo serviço prontamente, tinha arranjado um transtorno, pois não largavam do meu pé.
Paralelo a isto estava acontecendo um outro probleminha. Eu tinha uma coluna em meu jornal onde fazia resenhas  e ia fazer uma página dedicada a livros que falassem de anjos, moda na época. Mandaram-me um livro de nome O Anjo Guardião- Editora Madras.  Sendo sincera, não gostei da capa e não conseguia lê-lo. Invoquei que aquilo tudo tinha a ver com magia e não com anjos. O fato é que por dias ,para onde quer que eu olhasse ,lá estava aquele livro. Sou exagerada de nascença: estava quase fazendo um ritual de exorcismo na publicação em questão.Até que, sem querer, li sobre o autor: membro da Ordem dos Templários do Brasil. Fantástico, pois já resolvia um problema: mandava o rapaz que estava me incomodando para o autor e os dois que se virassem. Liguei para a editora em São Paulo e descobri que o mencionado autor era curitibano e morava num sítio em Colombo. De uma forma resumida agora vocês sabem o porquê eu tive dois filhos maravilhosos  e moro num sítio em virtude de um livro, que realmente, até hoje, não li.
Em virtude do blog e de minhas relações nas redes sociais, recebo muitos emails com pedidos, textos e um em particular me chamou a atenção. Foi o da minha amiga Melissa Georg. O texto tinha tudo a ver com o que eu havia publicado no mesmo dia aqui no blog, mas ela não havia lido ainda. Sei que ficamos rindo das "coincidências", o que chega a ser bem rotineiro dentro da Umbanda porque os pensamentos são todos interligados. O que me chamou a atenção foi uma atitude no final do texto que achei brilhante.
Quero deixar claro que se existe destino, ele existe fundamentado em nosso livre arbítrio. Se eu não quisesse ter estudado e não me interessasse tanto pela minha área, não teria conhecido meu lindinho. Se ainda, não soubesse ler ou escrever, como poderia ser uma médium que às vezes psicografa? Impossível , como diria painho, se meu computador interno não oferecesse condições para esta aptidão.O conhecimento é necessário sempre.
Neste texto que recebi da Melissa, identifiquei um elemento muito importante e evolutivo da Umbanda. O texto chamado Toques de um Preto Velho termina sendo assinado da seguinte forma: " Um Grande abraço Pai Antônio de Aruanda e Fernando Sepe (escrito por duas mentes em um só coração) " . Foi a primeira vez que vi o médium assinar junto com a entidade. Não há uma perfeita incorporação da Umbanda sem interferência do médium. A entidade não pode se expressar em sua plenitude se o médium não procurar sempre se tornar melhor. É o livre arbítrio do médium , em escolher caminhos que o edifiquem, que acaba por edificar a própria religião, além de melhorar e muito a qualidade da mensagem a ser passada. Como também é sua falta de preparo que faz com que aconteçam os erros. Por este motivo acho justo o médium assinar com a entidade. Quem sabe todos comecem a adotar esta postura definitivamente? Uma mediunidade consciente passa pela consciência da importância do aprendizado.Saravá ao Fernando Sepe e à Melissa!


quarta-feira, 29 de junho de 2011

As Janelas da Percepção

Pai Antonio incorporado em Zélio de Moraes na Cabana de Pai Antonio,
 em Boca do Mato - Cachoeiras de Macacu - RJ.
O fato se passou na linha de ônibus escolar do Uvaranal, aqui em Colombo. O motorista do turno da noite observa pelo espelho duas alunas sentadas no fundo do veículo, mais à frente quatro rapazes conversam. Na parada o motorista espera descerem. Pergunta à moça que desce por último: sua amiga não vai descer? Eu sou a única mulher que vem nessa linha, tio. A verdade é que naquela linha andam acontecendo coisas estranhas, sempre com esta moça, que volta e meia é vista também numa encruzilhada de três ruas ,lá no meio das matas do local. Passos são ouvidos dentro do ônibus e ,em algumas paradas, se escuta um tchau de alguém que ninguém vê.
Ao me contarem esta história a primeira coisa que pergunto é se o motorista é médium. A resposta é positiva, tendo em vista a sua trajetória em ver e ouvir espíritos desde pequeno. Ser médium é ,meus amigos, funcionalidade e não qualidade. Por este motivo a mediunidade não é característica encontrada em membros de uma só religião. Seu desenvolvimento e suas características variam de pessoa para pessoa, assim como tudo o que é pertinente ao ser humano- definitivamente não somos iguais,mas semelhantes.
Falava sobre assombrações. Hoje não as temo, mas tenho amigos que falam de sua extrema coragem com as ditas aparições somente uma vez por semana e em horário determinado: das 20 às 21:50 e das 22 às 23:50h. É o horário que estão na gira e no meio de muita gente, sob os olhares do pai de santo. Fora deste período a coragem também tira folga. Não é o que vemos , como diriam os matutos daqui, com estes olhos que a terra há de comer, mas o que não vemos que devemos ter atenção.
Os extremos de nossos sentimentos são capazes de nos abrir portas para as vibrações mais perigosas. Chamo de extremos aqueles momentos em que acreditamos ,com uma alegria e orgulho inenarráveis, que somos os melhores médiuns interplanetários ou , na contrapartida, que somos um fracasso total e de forma irreparável. Nestes momentos, como médiuns que somos ,se aproximam de nós espíritos com a mesma vibração, que sutilmente vão alimentar estes pensamentos catastróficos.
Primeiro temos que ter em mente que estamos numa caminhada em busca da perfeição e enquanto buscamos, teremos acertos e erros. Sempre falo que em uma mensagem espiritual é muito fácil você confundir "vou te cobrir de ouro" com " vou te dar um couro", então esteja sempre atento. Saber o que são pensamentos seus e o que não são, bem como o das pessoas que o cercam, requer observação e humildade. Para ser humilde há que se entender o amor como energia universal. Entendendo a energia universal pratica-se a verdadeira caridade.
" E é preciso ter muito cuidado, haver moral, para que a Umbanda progrida e seja uma Umbanda de humildade, amor e caridade.É  esta nossa bandeira." Estas palavras são do Caboclo das Sete Encruzilhadas, ditas através do seu médium Zélio Fernandino de Moraes fundador da Umbanda.  Os ritos podem ser diferentes nas mais diversas casas, mas a bandeira da religião é uma só, que por sinal é a base que todo médium deve ter para que a sua funcionalidade, como falei antes, obtenha êxito. É a nosso objetivo evolutivo que nos diferencia e nosso conjunto de preceitos morais que nos equilibra e proteje.
Buscar manter sempre um equilíbrio familiar, pessoal e profissional são meios de nos protegermos de influências ruins e auxiliam sim em nosso desenvolvimento espiritual. Alguns outros cuidados são também imprescindíveis: observar os pensamentos e ações dos líderes espirituais a quem você vai confiar seu desenvolvimento, se quiser usar da ferramenta da mediunidade. Ter conhecimento do que é e o que objetiva a religião a ser escolhida também é importante. Agora em especial aos médiuns umbandistas: sempre mantenha um diálogo claro e respeitoso com seu pai/mãe de santo e prefira sempre os que te mantém com os pés no chão, nos caminhos da verdadeira Umbanda. Líderes religiosos e membros de hierarquia, como médiuns mantenham-se sempre com os pés no chão, porque também o lugar em que ocupam não é uma qualidade e sim uma função, não emitindo brincadeiras sobre médiuns iniciantes, antes encaminhe-os ao verdadeiro aprendizado que sempre é com respeito, humildade  e amor, porque o que ensinares assim será perpetuado nos corações dos aprendizes. Saravá!

A foto postada aqui aparece no blog http://todomundoquerumbanda.blogspot.com/ contudo não aparece o nome do autor, quem souber por favor me conte para dar o devido crédito.
  

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Consciência

Urubu não se cria em ninho de pardal. O difícil é distinguir no meio da multidão quem é urubu e quem não é. Há muito o que aprender até conseguirmos enxergar as coisas como são e qual o caminho que elas podem tomar. Requer tempo, observação e conhecimento.
O Syrus é um doce, inteligente e lindo. Meu caçula. Pediram para que eu fosse falar com a orientadora. Chegando lá, ela me explica que o Syrus está com depressão. A professora de matemática nem fala muito com ele porque o coitado começa a chorar. Boas notas tem. Problema familiar nenhum, mas disse que quando fica sozinho em casa chora muito. Depois da conversa com a orientadora e encontrar com meu pequenino só tinha uma coisa para falar para ele: E o oscar de melhor interpretação dramática de 2011 vai para: Syrus! 
Primeiro: o Syrus nunca fica sozinho em casa, segundo a professora de matemática é a que dá mais lição (e ele é preguiçoso) e terceiro e mais importante: não importa a idade da pessoa, todas aprendem a manipular os que estão em volta para o seu próprio bem estar, é instintivo. Quando eu falei a frase para para ele sua reação foi rápida: começou a rir e agradeceu. Lógico que depois da descoberta ele parou. A orientadora se espantou por eu ter falado que ele estava manipulando todo mundo, menos a professora de geografia que não dava muita bola e ele não conseguia nada do que queria com ela.
A quinta série é difícil, tudo muda, mas estes pequenos seres têm um poder de adaptação tremendo.Como todos nós. Aliás o que nos distingue de todos os outros seres vivos neste planeta é nossa consciência, por incrível que isto possa parecer.Podemos analisar todos os dados do que nos cerca e em milésimos de segundos ter uma posição sobre o que estamos vendo ou vivenciando.
O homem conseguiu ir à Lua, mas não sabe quase nada sobre as regiões zonas  abissais,  regiões profundas dos leitos de nossos oceanos.Eu tenho uma opinião: quanto mais longe vai o olhar, menos foco você tem. O mundo espiritual é intrínseco à nossa própria essência. Não nos separamos dele, contudo pouco sabemos.
Um dos grandes mistérios é a incorporação, onde uma consciência , que é a do médium se alia à consciência da entidade. Inconsciente o médium não aprende nada, com duas consciências desligadas uma da outra, descoordenadas, as coisas se complicam um pouco. Se como seres humanos nossa condição primordial é a consciência então não é plausível que as incorporações sejam inconscientes, nem tão pouco descoordenadas.Pai Fernando sempre fala que há uma mistura como café com leite. 
Creio que é necessário sempre um bom exemplo e encontrei um no tocante à consciência. Karen Byrne, de 55 anos, norte americana sofria de epilepsia. Por complicações em uma operação resolveram cortar a ligação que havia entre o hemisfério esquerdo e direito de seu cérebro. Foi de fato curada da doença ,mas veja o que aconteceu: “Um certo dia em uma consulta médico me disse: ‘Karen, o que você está fazendo? Sua mão está te despindo’. Até ele dizer isso eu não tinha percebido que minha mão esquerda estava abrindo os botões da minha camisa”, diz. “Então eu comecei a abotoar a camisa novamente com a mão direita, mas assim que eu terminei, a mão esquerda começou a desabotoar de novo. Então o médico fez uma chamada de emergência para um outro médico e disse: ‘Mike, você precisa vir aqui imediatamente, temos um problema’.” Foi constatado que Karen Byrne havia saído da operação com uma mão esquerda que estava fora de controle. “Eu acendia um cigarro, colocava-o no cinzeiro e então minha mão esquerda jogava-o fora. Ela tirava coisas da minha bolsa sem que eu percebesse. Perdi muitas coisas até que eu percebesse o que estava acontecendo”, diz.
O problema de Byrne foi provocado por uma luta por poder dentro de sua cabeça. Um cérebro normal é formado por dois hemisférios que se comunicam entre si por meio do corpo caloso. O hemisfério esquerdo, que controla o braço e a perna direitos, tende a ser onde residem as habilidades linguísticas. O hemisfério direito, que controla o braço e a perna esquerdos, é mais responsável pela localização espacial e pelo reconhecimento de padrões.Normalmente o hemisfério esquerdo, mais analítico, é dominante e tem a palavra final nas ações que desempenhamos. A descoberta do domínio hemisférico tem sua raiz nos anos 1940, quando os cirurgiões decidiram começar a tratar a epilepsia com o corte do corpo caloso.
No início das incorporações os movimentos são desordenados. Há quase que uma "briga' interna, pela insegurança do médium iniciante. Com o tempo, o estudo, a observação e sem vergonha de sanar dúvidas com os dirigentes, desenvolvemos a habilidade de lidar com nossa mediunidade e percepções. Cada vez mais nos entregamos e há uma unidade maior entre a consciência do médium e a da entidade.
Se você leva sua mediunidade e seu trabalho no Terreiro a sério, sempre busque informações sobre os assuntos espirituais com quem é responsável pelo seu desenvolvimento e preste bastante atenção ao que acontece na gira. Evite sofrimentos infundados, porque como disse, antes na natureza é impossível um urubu passar desapercebido num ninho de pardais, mas entre nós é difícil e tolo tentar julgar pelas aparências as pessoas que nos cercam.

domingo, 20 de março de 2011

Espíritos de Umbanda

Havia passado umas três ou quatro semanas olhando para aquela pequena senhora. Como eu estava incorporada,não sei dizer ao certo quem a estava de fato observando, se eu ou seo Beira Mar, e observando todos os que trabalhavam na energia dela. Não sabia quem era, nem qual problema tinha, mas chamava a minha atenção.São mais de cem atendimentos por noite, então é difícil fixar uma fisionomia específica, mas na ultima gira  ela veio sentar bem à minha frente, quando eu estava trabalhando com Dona Antonia.
Como eu explicava ontem a um rapaz que estava meio atônito por ter ido a um terreiro pela primeira vez, nós todos somos médiuns em maior ou menor grau. Somos como rádios, daqueles antigos sabe, que só sintonizam corretamente se você estiver num lugar compatível com a sua sintonia. Tem rádios humanos que só sintonizam em canais de energia espírita, outros em templos  muçulmanos, judaicos,protestantes. Meu rádio pessoal só funciona no toque do terreiro de Umbanda, e como bom ser humano às vezes pego em AM ,às vezes em FM.
Neste dia da senhorinha, eu estava em FM, mas só soube depois. E muito curiosa ,por sinal. Mediante os problemas que ela descreveu, começou o atendimento. Num momento eu falava com um sotaque, em outro já de uma forma totalmente diferente. Estava ficando meio confusa, mas como me entrego totalmente nem parei para pensar. No final Dona Antonia avisa que ali estiveram três entidades diferentes, atendendo a situação.
A pequena senhora , um pouco mais leve em seus movimentos comenta que, durante o dia todo, a sensação que tinha era de que aquele dia era definitivo em sua busca: tudo se resolveria.A filha havia visto um médico sentado na beira de sua cama, talvez o mesmo que havia atendido naquela gira.
Conto a vocês isto, porque na verdade quero  chamar a atenção para uma observação específica. Médium igual a mim, apenas no terreiro que freqüento, há quase dois mil. Quantas entidades de fato trabalharam na restauração da saúde desta senhora? E quantas se identificaram? Eu não tenho dúvidas de que a fé e a humildade dela, aliada à persistência, aproximaram toda esta energia. Mas esta energia provinda do Divino atende prontamente sem exigir créditos ou se vangloriar.
Os espíritos trabalham em equipe, seja qual for a energia Orixá que pertençam. É um erro pensar que eles não se unam frente a um bem maior que é o Amor Divino. Talvez eu tenha prestado atenção em todo o processo desta senhorinha, porque nele se encerra um grande milagre: o da cooperação em prol do próximo, maior e mais relevante do que apenas um procedimento isolado.
Quando descobrimos nossos dons temos que ter o cuidado de entender que não somos os únicos a possuí-los, mas para que nos tornaremos ainda mais fortes se nos unirmos a pessoas com a mesma capacidade de freqüência, e que os resultados desta forma podem ser sim maravilhosos. A Natureza é sábia, se renova a cada dia e se reconstrói. As entidades sob influencia dos Orixás cósmicos compreendem que a natureza humana precisa ser constantemente renovada em propósitos e sentimentos para evoluir. 
Adoro observar e pensar sobre o que vejo. Não consigo enxergar mais a mediunidade na Umbanda de uma forma individual depois da observação desta senhora e de sua fé. Mas ela não é um caso isolado, de outra vez um senhor veio também agradecer à dona Antonia pelo trabalho que as entidades do Pai Fernando tinham dito com ele e resolvido um problema seu, e que sentiu necessidade de falar com ela sobre isso. Ela olhando fixamente para ele fala: Olha meu filho nós todos queremos saber uma coisa só de você: porque, acreditando em todos nós e sabendo o que sabe hoje, não se cuida? Por que se alimenta só de madrugada? O senhor então, até meio constrangido, fala que é o único tempo que tem para se alimentar,pois trabalha demais. Foi aconselhado a se cuidar mais para não somente ter uma vida melhor e com mais qualidade, mas como também poder retribuir com o bem a quem lhe procurasse.
Talvez o real e mais significativo sentido de haver terreiros de Umbanda seja de fato o exercício pleno da caridade. A caridade que começa na percepção que mesmo sob a influência de diferentes Orixás, nós médiuns estamos ali para nos unirmos e nos compreendermos, para aceitarmos nossas diferenças e construirmos com elas um entendimento maior do Amor Divino.  Que é na observação do movimento das entidades e na sua atuação, que temos que entender que é no equilíbrio de todas as energias, com as mais diferentes matizes,que este Amor Divino se faz presente. 
A pergunta que deixo hoje é a seguinte: em que ponto de nossa evolução espiritual conseguiremos agir em grupo da mesma forma que as entidades o fazem, em prol do amor ao próximo, em prol do nosso próprio crescimento?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desenvolvimento Espiritual

Alguns fantasmas novos me rondam. Antes que alguém venha tentar tirá-los de mim, peço que deixe-os ficar ainda e mais um pouco, para que possa decifrá-los e libertá-los, assim como minha alma. E aí Pai Fernando Guimarães posta um texto que fala sobre vida e morte no site do terreiro, então consigo saber que estou no limbo das idéias.Convido-os a visitarem ele comigo.
Vou começar do início. A Umbanda ,no princípio, tinha provas de fogo. Provas para saber se o médium estava incorporado mesmo ou não.Era um tal de andar sobre brasas, espinhos , queimar pólvora na mão, enfim uma profusão de testes absurdos mesmo e perigosos. Acredito que ninguém mais faça isso. Porém ainda percebo que os testes continuam, mas de outra forma, na  busca pelos mais fortes, e nos fortalecem para o caminho a ser seguido.
Certa vez perguntei ao pai Fernando se as entidades nos testam.Ele me respondeu que sim, mas não seria através de "pegadinhas".  A Umbanda trabalha com um elemento mágico muito importante, realmente transformador, que se chama entendimento. Para que haja entendimento você deve estar sempre consciente, o que apesar de parecer fácil não o é.
Para ser um bom umbandista você deve ser humilde, caridoso e ter fé.  Ser humilde em um mundo que preza pelo materialismo é tarefa pra Hércules nenhum botar defeito. A tudo se agrega um valor. Os nomes de entidades são um destes fatores. Há um orgulho indisfarçável em se falar que recebe tal entidade com nome mais do que conhecido no meio. Quando não é isso que importa, o que importa é a mensagem e não o mensageiro. Quando entramos numa mata escura e densa de nossas pequenas vaidades só a luz do entendimento para nos tirar de lá. Alcançar a humildade é uma prova de fogo, porque mesmo humildes podemos ter orgulho disto.
Outra prova que equivale a andar em brasas é a caridade. Ser caridoso não é só na hora em que ajudamos alguém com as mensagens e a transmutação das energias. Ser caridoso é também entender que cada um anda conforme consegue distanciar um passo do outro, o que é mais rápido para alguns é mais demorado para outros. Traçar paralelos entre os desenvolvimentos das pessoas é algo além de ridículo, vão e sem propósito. Um dia uma amiga deste meu mundo virtual da internet, me falou que sua colega de gira era muito "saidinha" e que aos olhos dela a mãe de santo nada fazia para deter aquele comportamento. Se há uma coisa que os pais e mães de santo, legítimos desenvolvedores de nossa espiritualidade, sabem é que mais cedo ou mais tarde as próprias entidades tratam de educar seus filhos no caminho da caridade. Cabe aos pais educarem, mas cabe aos filhos apreenderem a lição e incorporarem ao seu dia-a-dia.
Falo do processo educacional da Umbanda, porque ele também está presente na vida de todos sobre esta terra que querem fazer parte das falanges do bem, independente da formação religiosa. Caridade é uma palavra de sentido tão amplo que às vezes é difícil ter consciência plena dela. Caridade é saber perdoar também, é saber que todos temos limitação e que todos, enquanto vivos neste plano, ainda estamos em pleno desenvolvimento.Ser caridoso é dar a oportunidade ao próximo de ser quem ele é e de deixá-lo aprender, é ajudar quando é solicitado e principalmente não tecer julgamentos precipitados. Todo julgamento é precipitado, porque a pessoa que você é hoje pode não ser a mesma que você será daqui há um mês, como também ocorre às pessoas que estão à sua volta.Pense nisso.
Ter fé é andar sobre os espinhos desta vida. É saber que nada permanece e tudo está sempre em movimento. O calor que sente hoje será substituído pelo inverno que se aproxima, e que toda estação tem sua função. É difícil imaginar o verão nomeio de inverno rigoroso. Ser médium é saber passar esta mensagem aos que buscam conforto.
Ser médium de umbanda não é ter poderes fenomenais e irrestritos. Se assim fosse não seriam necessárias as giras. Ser médium de umbanda é saber que nada se faz sozinho e que todos fazemos parte de todos. São elos de diferentes energias Orixás que se unem formando um arco-íris de energia. 
Para ser médium de umbanda é preciso coragem. Coragem para largar velhos hábitos, e antes perceber que os possui. É se libertar dos casulos construídos com tanto carinho para nos proteger, em prol do próximo. É saber que você não é santo e como em qualquer convívio haverá conflitos pessoais, mas que o intuito disto tudo é tirar proveito e aprender a perdoar. Ah, o perdão.... Este sim é aquela mironga de congá, o grande segredo que as entidades e os altos iniciados escondem, para que aprendamos sozinhos o seu valor. Perdoando nos libertamos e almas livres alçam vôos maiores.E às vezes a pessoa mais difícil de perdoar somos nós mesmos. Como diz o texto que Pai Fernando postou , e que pertence ao Oriovisto Guimarães:" Não sabem os tolos, que imaginam se preservar, que é impossível a vida sem a morte, que o medo em excesso impossibilita o pleno viver." 
Se você crê por algum motivo, que o Divino esteja testando seus limites, pode ser que isto seja verdade. Então aconselho que ultrapasse a barreira do som e deixe seu coração falar. Escute-o com atenção. Será que é necessário mesmo sofrer? Será que não é o momento de mudar os móveis dentro de sua cabeça? Defumar as idéias e saravar um novo começo. Tudo é possível sem pré-conceitos.
"Algo só é impossível até que alguém duvida e resolve provar o contrário." Albert Einstein


Texto que citei no site do Terreiro do Pai Maneco 
 http://www.paimaneco.org.br/textos/minha-opiniao-fevereiro-2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

Estruturando 2011

Um dos maiores aprendizados que tenho com meu pai ,desde pequena, é sem dúvida prestar atenção em tudo. Tenho 43 anos e quando pequena  já ouvia ele falar sobre segurança. Prestar atenção antes de entrar em casa era uma prática bem comum. Lembro que certa vez meu pai achou estranha a presença de um rapaz que andava de muletas lá perto de casa. Chamou a polícia e o policial dizia que o pobre incapacitado não tinha condições de fazer mal a ninguém. Então, numa averiguação o coitadinho tinha uma ficha criminal duas vezes maior que sua altura e era de alta periculosidade.
Nem tudo é o que parece ser neste mundo. Estar atento não é estar desconfiado o tempo todo. Atenção faz com que nossos sentidos avancem cada vez mais, como se fossem antenas capazes de captar o menor movimento.É como respirar, com o tempo nem se nota. Ter atenção para a própria preservação é vibrar de forma positiva e nos permite não só expulsar e repelir os invasores como saber saudar as boas energias.
Quando se desenvolve a mediunidade, me desculpem os iniciantes, você não se transforma em um ser com poderes fenomenais. Você aprende a fazer uma leitura dos seus sentimentos de uma forma mais clara e definida. Não vai acertar cem por cento, mas chegará a uma porcentagem razoável, se for bem aplicado.
Vou dizer que serás mais feliz se não se meter a "rabequista". A expressão é antiga, mas encerra uma grande verdade quanto a mediunidade. Não invente, não se 'alugue' e não vá ajudar a quem não te pede ajuda. Princípio básico para ser feliz com sua mediunidade e com você mesmo.
Minha avó materna e uma sobrinha dela iam toda segunda-feira acender velas no cemitério. Um dia ,em um túmulo de uma parente a sobrinha de minha avó estava se lamentando pois havia prometido à falecida um presente e não teve tempo de cumprir. Passados alguns minutos ela começa a gritar para a minha avó desesperadamente ,pois o espírito da falecida estava puxando sua perna. O espírito da falecida devia estar é rindo, pois a meia de nylon usada pela sobrinha de consciência pesada, havia se enroscado em outro túmulo.
É engraçado rir de assombrações onde elas não existem, mas o que eu acho perigoso é ver salvadores em lugares em que eles não estão. 
Não se preocupe com os mortos, mas fique sempre alerta aos vivos. Trace parâmetros de segurança e felicidade na sua vida. A caridade real começa por nosso modo de viver. Tudo que cerceie sua liberdade de expressão ou que de alguma forma de inferiorize ou te eleve acima dos outros não é bom.Tem gente que só acredita em livre arbítrio e tem gente que só acredita em destino.Ninguém é detentor da verdade, antes buscamos sinais de que um ou outro norteia nossas vidas.
Acredito que estejamos todos em casulos, nos alimentando do que vemos através de um fino véu que nos recobre. Esse véu são nossas vaidades e todas aquelas coisas que nos impedem de nos movimentar. Faço aqui mais um pedido para 2011: que cada um saiba rasgar seus véus e alçar o vôo necessário para sua própria felicidade.

A foto pertence a Nely Rosa e foi cedida generosamente para ilustrar este texto. 


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Milagres e Enólogos

Dá uma passada lá na diretoria da escola e ,como quem não quer nada, veja se passei. Onze anos convivendo comigo e ainda não aprendeu que  para falar uma coisa destas tem que ter uma estratégia de fuga rápida.Sorte que logo me olhou com aqueles olhos castanhos, numa real preocupação e dor, e pronunciou: Mamãe preciso de um milagre! Passar para a quinta série ,meu filho, requer o milagre da dedicação e do estudo, no seu caso.Bom, mamãe, eu queria um daqueles milagres que você não precisa fazer nada e já está na quinta série.
Vou confessar que não gosto de divulgação de "milagres" em religião nenhuma.Acho ofensivo mesmo. Por mais bonito que seja.Tenho uma tendência a sempre pensar em pessoas que estão passando por momentos difíceis e que não conseguem resolvê-los, bem como em seu desespero em pensar que Deus, de alguma forma, não está presente em sua vida. Merecimento é também uma daquelas palavras capiciosas. Quem tem merecimento? Ninguém em sã consciência pode dizer que tem ou quem tem. No meu ver, a pessoa precisa chegar em um ponto de entendimento para um milagre acontecer. E isso não tem a ver com livros.
Vou reproduzir aqui um depoimento de um expertinho, com suas próprias palavras num blog sobre matérias de quarta série (não foi nenhum de meus filhos já aviso):
" Boa tarde eu preciso urgente até o fim dessa tarde o texto completo da Proclamação Da Republica
QUE eu preciso urgente para faser um trabalho escolar mande no meu Email ate o fim dessa tarde
Agradesso desde ja mas se me mandar ate o fim da tarde agradesso muito mais muito mesmo
Tchau"
Tenho cá minhas dúvidas se esta professora não desistiu de lecionar.E cada vez mais vejo professores com problemas de stress.Não tem como ficar normal. Poderia fazer um email assim para o Pai Fernando: " Hoje tem gira, então por favor até o final da tarde me fale com quais elementos a entidade que recebo trabalha, seu nome e seu ponto, alem de levar a guia dele pronta. Desde já agradeço.Se for antes do final da tarde, quando saio pro terreiro vou agradecer muito mais. Beijos,Andréa" Tenho amor à vida ainda, então não faço.
Desenvolver a compreensão sobre mediunidade para mim, tem um quê de consquista.Absorver um conhecimento é magia pura. Minto, magia é algo que não se conhece o mecanismo como fala Pai Maneco, então posso dizer que sabendo que há um tempo para entendermos, é uma aventura radical,porque não sei quanto tempo levarei para passar de fase.
Já viram especialistas degustando vinho? Eu pessoalmente acho nojento. Sorver o vinho fazendo um barulhão danado, bochechar, e depois ficar falando de modo pomposo que tem buquet de frutas vermelhas, entrecortado de couro cru e asfalto molhado é pra acabar com a paciência. Principalmente sabendo que depois de duas horas vai estar como qualquer mortal que toma várias taças de vinho.
Não gosto de gente que fala de modo complicado. Nem de quem gosta de coisas complicadas.É tão comum eu escutar: Ai,Andréa acho que vou sair do terreiro porque ninguém me explica nada. Escuto isso de gente de vários terreiros. Sempre pergunto o que a pessoa quer saber. Em 99,9% das vezes ela não sabe o que quer perguntar, porque não tem conhecimento suficiente ainda para fazer as perguntas certas.E mesmo que consiga fazer perguntas e não estiver preparado para as respostas não vai absorver conhecimento.Então vejo nestas pessoas, vítimas potenciais dos seus próprios egos.
Excesso de conhecimento não vai me tornar um médium com poderes fenômenais, até nem sei para que serviria isto, vai é me deixar mais propenso a ser conduzido como ovelha para o abate, pois se tenho conhecimento e não sei usá-lo vou ser usada.Quando era pequena gostava de caçar palavras difíceis e perguntar para o meu pai. Era uma forma de conversar com ele e conseguir sua atenção. Lembro até hoje eu ali admirada por ele falar aquelas coisas difíceis que eu realmente não entendia. Hoje se não entendo o que quiseram me dizer pergunto de forma diferente. Entendo até que as pessoas necessitem esbanjar sua retórica rebuscada para que as admirem, mas não aceito isso para minha vida hoje.
Estava fazendo umas contas aqui. Bom se o ano tem 52 semanas e eu faço em média duas perguntas por semana (por baixo pra não ficar chato para mim) para o Pai Fernando, então faço 104 perguntas por ano sobre coisas que são pertinentes ao momento que estou passando.Leio muito também.Observo e penso sobre tudo que ocorre. E por quê tudo isto, você poderia me perguntar. Para que na hora que eu esteja lá atendendo alguém que precise de um milagre seja do tamanho que for, eu seja um bom instrumento. Somos responsáveis por uma vida toda ,que ali, em um atendimento, está em nossas mãos.
Se você é médium tenha em mente que você vai acertar algumas vezes e errar outras tantas, mas sempre procure lugares onde o pai ou mãe de santo te expliquem com clareza o que você perguntar. E que quando não saibam responder no momento, falem isto também.Saiba também que pai e mãe de santo tem a mesma constituição física e espiritual que a sua, não são melhores nem piores do que nós, merecendo nosso carinho e respeito na mesma medida que se dedicam à nós e a nossa religião. Aliás em qualquer lugar de sua vida haja assim e certamente sofrerá menos.
Vou deixar aqui uma frase do Ricardo Barreira que eu gostaria de ter escrito:" A Umbanda não tem um Papa, mas tem muitos pretendentes." Elitizar não é o caminho. Fé, amor e caridade é o verdadeiro caminho que Ogum nos aponta diariamente,sob o sol de Oxalá. 
Vou falar a vocês o que o pai Fernando sempre me fala: Andréa não invente, a Umbanda é simples. SARAVÁ!

Para ler indico um dos melhores textos sobre intuição que já li na minha vida: http://www.paimaneco.org.br/filosofia/livro/grifos-e-recortes
Quer fazer perguntas? acesse: http://paimaneco.blogspot.com/

 Veja a programação da Festa Não Bata a Cabeça à Toa http://www.paimaneco.org.br/






sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pensando Bem

Você está bem? Se você é médium há um tempo sabe o que esta pergunta pode desencadear.No meu caso, algumas pessoas respondem com um: você tá vendo alguma coisa? Geralmente estou vendo tudo. Não como há uns anos atrás ,mas só vou ao oftalmologista quando não der mais... Tem gente que não é moleza. Tipo meu filho, que usando de mais um dos seus subterfúgios expertíssimos, falou que não poderia ir para aula porque estava com muita dor nos olhos e precisava urgentemente de um ginecologista. Explicado o que era a especialidade, desistiu e foi para a escola. Mandei anotar no caderno: oftalmologista.
Um dia um senhor chega para uma entidade que recebo, muito sério, humilde e fala consternado: pode acalmar minha mulher, ela anda muito nervosa? Aí, porque ninguém engana cigana, ela fala que sim e ele poderia fazer isso facilmente parando de aprontar. Este senhor riu muito. E acho até que foi de nervoso, pois escorreram algumas lágrimas de tanto gargalhar. Virou uma conversa simples, sem pedidos e um agradecimento sem graça. Mesmo quando isto acontece, quem está lá se consultando tem a certeza absoluta que além de vigiado está sendo cuidado pelo Divino.  
Esses dias um amigo reclamava que havia queimado o chuveiro e eu , na minha inocência e sabendo que ele andava triste, falei: cuidado com energias negativas. Foi o suficiente para ele me dizer que eu o estava assustando. Médium umbandista não trabalha só para encaminhar almas perdidas e desfazer demandas. Sinto lhes informar que isso ocorre, se muito, em 10% dos atendimentos. A maioria dos casos são energias geradas pela própria pessoa que acaba por sobrecarregá-la. Quanto ao chuveiro do meu amigo, falei de energias ruins porque antigamente quando estava sobrecarregada com a minha própria tristeza, costumavam queimar os aparelhos elétricos aqui em casa, mas nada cientificamente comprovado.
Sinto uma certa decepção quando a entidade fala para a pessoa que não tem macumba contra ela. O ser humano projeta a vida inteira imagens fantásticas e fantasmagóricas sobre a realidade que vive. Não posso dizer que de vez em quando não me pego devaneando. Pai Fernando prega a Umbanda Pés no Chão, então tenho que repensar sempre no que eu estou focando. Ele é um pai de santo de Ogum com Yemanjá, portanto muito amoroso, mas se eu "viajar" muito, e não tiver os pés no chão, quem me garante que um dia não me deixe de joelhos em cima do milho atrás do congá? É bom não facilitar.
É lógico que estou brincando, mas controle é algo imprescindível a um médium. Controle de seus sentimentos, controle de suas percepções e principalmente controle de suas atitudes. É muito fácil ficar na assistência julgando, ou mesmo na gira, quem está incorporando, como e porquê. Temos um desenvolver contínuo se focarmos  em nós mesmos , em nosso aprimoramento, para melhor fazer a caridade que nos propomos.
Veja, como falei outras vezes, e isto até a física explica, uma ação corresponde a uma reação igual e no sentido contrário. Não é fácil ser médium Umbandista. São casos pesados como dependência química por exemplo. Se você consegue um avanço na cura pode ser que as energias que tomam aquele ser, de sentido contrário à cura, não gostem muito. Portanto, orai, vigiai, ter uma baita paciência consigo mesmo e muito bom humor. As trevas não se propagam na luz.
Não sou esta pessoa altamente controlada e equilibrada, nunca disse isso. Dizem que ensinamos melhor o que mais precisamos aprender. Este espaço é assim , tanto você que lê quanto eu que escrevo vamos nos modificando com o caminhar juntos. Quero agradecer muito mesmo os comentários, que enriquecem meu texto e o complementam de sobremaneira. Aprendo muito com eles sempre. E sou bem sincera em dizer que às vezes numa simples frase algumas pessoas conseguem ir além do meu texto e me sinto lisonjeada. Muito obrigada a todos! Saravá!


A foto que postei hoje pertence ao querido Fábio Klein, visitem o blog dele: http://worldcicle.blogspot.com/

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Zaori



Todos aqueles que nascem em uma sexta-feira da Paixão são Zaoris. Têm o aspecto de homens comuns. Seus olhos, porém, são muito brilhantes, de um brilho mágico, misterioso. Possuem o poder de ver através de corpos opacos, terras ou montanhas, conseguindo assim localizar tesouros escondidos. Barras de ouro ou prata, jóias, pedras preciosas, armas raras, nada escapa ao olhar mágico do zaori, mesmo que esteja enterrado sob vinte metros de terra.
É mito de origem árabe, e no Brasil, ocorre principalmente no Rio Grande do Sul. Também estão presentes no fabulário da região do Rio da Prata, Chile e Paraguai, localizando as riquezas e tesouros enterrados pelos jesuítas ou por príncipes incas, na tentativa de salvaguardar seu ouro dos espanhóis. Uma vez que os proprietários originais de tais riquezas não podem mais usufruí-las, os zaoris as localizam para aquelas pessoas que ganham a sua simpatia. Contudo, não podem utilizar seu dom em uso próprio. Toda a riqueza que encontram sempre deverá reverter para benefício de outrem.
As lendas sempre trazem em si, a sabedoria da humanidade. Ao ler esta, a primeira pergunta que me veio foi: seriam os médiuns Zaoris? Não, médium não acha ouro , tesouro escondido nem nada material assim. Ele, através de comunicações entre planos, traz a tona o que há de melhor no consulente.Esse é um tesouro ainda melhor.
Os tipos de mediunidade são tantos e as formas que eles se expressam nas religiões tão diferentes, que como exemplo cito o seguinte: imagine a imensidão deste nosso país. Podemos ser todos brasileiros ,mas há diferenças enormes entre os que moram no Sul e os do Norte. De cultura a sotaque, mas não deixamos de ser brasileiros.
A Isia , uma grande amiga e curandeira/farmacêutica, me enviou um texto que disponibilizo abaixo sobre mediunidade, por J. Godinho. Concordo com ele em muitos pontos, mas uma coisa me chamou mais a atenção. Ele fala que todo médium por natureza é impressionável, sendo assim a impressionabilidade mais uma qualidade geral do que especial.
O médium por si só já é um tipo de TV a cabo. Pode sentir, se necessário for, vibrações de vários planos. Está irremediavelmente ligado 24 horas por dia. Porisso se enganar as vezes é bem comum. Porque ser médium não é ser infalível. Pai Fernando Guimarães cita em seu livro um episódio dele antes de entrar para Umbanda:Um dia, saindo de casa, olha no lado esquerdo do portão um símbolo pintado de vermelho: um circulo com uma cruz no meio.Todos os pensamentos maus passaram por sua cabeça. Pediu ajuda a um outro médium, que também lhe falou da problemática que aquilo poderia causar, devendo ser desfeito. Passaram-se os dias. Ele notou , numa manhã, que outras casas tinham aquele sinal também. Perguntou ao vizinho que regava o jardim se ele sabia do que se tratava aquele sinal: - Sei sim, foi a Companhia da Rede de Águas e Esgotos que marcou as casas onde serão mudadas as redes de águas pluviais.
A vida é assim mesmo. Como falava Paulo Mendes Campos, às vezes tomamos ratos por elefantes. O importante é a gente ter bom humor e nunca se apavorar. Meu filho do meio, como toda criança, tem a sensibilidade aflorada. Há uns anos atrás, acordava toda noite dizendo que tinha uma mãozinha que aparecia em sua cama. Só uma mãozinha mesmo e de criança. Estava em pânico. Pedi ajuda no terreiro, mas para meu filho eu falei que era impossível. Como uma pessoa desencarnaria e esqueceria de levar a mão consigo? Realmente não faz sentido né mamãe? Me dizia. Meu caçula já viu na mãozinha uma forma de ajuda: poderia organizar os brinquedos no quarto e falou de todas as coisas maravilhosas que uma mão a mais traria de benefício. Sei que a mãozinha nunca mais apareceu, com medo talvez o excesso de funções...
Meu filho do meio realmente tem muito medo de ver coisas. Certa vez acordou de madrugada com um choro e foi ver o que era.Deu de cara com uma menina chorando na cozinha. Não teve dúvidas e foi falar com o Pai Jussaro que o tranquilizou: não se preocupe vou pedir ao caboclo Tucuruvu que leve essa menina de lá. Meu filho parou um momento e pensou. Olhou bem para o pai de santo e disse: só que por favor peça pra ele que eu não quero ver índio nenhum correndo atrás de criança dentro da minha casa hein? E tudo voltou à normalidade.
Todos somos médiuns e isso é um fato. Outro fato é que não somos iguais em nossas mediunidades, nem tão pouco constantes em nossas visões. Somos falíveis, porque também somos alunos neste plano. A nossa mediunidade serve tão somente para a caridade. O médium se serve de sua mediunidade para aprendizado próprio. Por isto somos conscientes mesmo que incorporados. A experiência dos outros e as mensagens que as entidades passam nos servem de lição.
Então deixo aqui uma mensagem: estejam conectados à espiritualidade, mas vigiem seus pensamentos. Ninguém é perfeito e infalível, principalmente quando se trata de coisas que não podemos ver. E como errar sem maldade pode ser engraçado, nunca perca o bom humor. Você já viu alguma imagem de Chico Xavier em que ele apareça triste? Saravá!
Sobre o texto de mediunidade do J. Godinho
Sobre o livro Grifos do Passado, de Fernando Guimarães