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quinta-feira, 6 de março de 2014

Focando na Fé

Aprender é algo que me fascina, me alimenta e mata minha sede constante. Sobre Umbanda
então, nem se fala. Ok, sou apaixonada pelo tema mesmo! Há muito o que se aprender, embora seja simples sua concepção. O que agride meu aprendizado, como tenho visto que acontece a muitos também, é a banalização cometida por Umbandistas. Não sei exatamente onde isto tudo começou, porque , no começo, havia bem mais Umbandistas dispostos a manter a fé, apesar de todos os percalços que eram muito maiores do que enfrentamos hoje.
O que a Umbanda enfrenta hoje é um dragão que vive nas sombras de seus adeptos. Ele tem um nome e sobrenome: praticar o politicamente correto. Acreditar no Cristo é uma opção válida, praticar o cristianismo dentro dos rituais católicos é para católicos. Umbanda não é católica, embora possa ser considerada cristã. Vejo , sinceramente, Umbandistas adotando rituais católicos talvez com medo de assumir completamente a religião que professam com medo de aceitação. Será, penso eu, que tudo que nossos antepassados sofreram na religião, que abriram seus terreiros clandestinamente, enfrentaram polícia e todo preconceito possível em amor às entidades foi em vão? 
Eu não sou católica, nem evangélica ,nem budista. Eu sou Umbandista. Gosto da manipulação das ervas, do fogo, da água, da energia que nos cerca. Gosto também de evolução, mas evoluir não é adaptar ao que todo mundo crê ser politicamente correto e aceito. Se minha mãe estivesse viva diria o que digo aos meus filhos: você não é todo mundo.
Religião não é algo racional ela trabalha com fé. Para se manter a fé usamos de rituais, em qualquer religião. Cremos no invisível, nos conectamos à Consciência Superior e Ela, por sua vez, se comunica conosco por sinais que só nós conseguimos decifrar. Sonhamos com Caboclos, Pretos e Pretas, Ciganos, Exus e Pombas Giras, em nosso decodificador de mensagens astrais não há espaço para elementos de outras fés. 
Reza a lenda que um famoso escritor conseguiu sucesso por acender uma vela em cada religião, pedir a benção e proteção a cada religioso importante de cada fé diferente. Não sei dizer se isto é o mais correto - até porque a história pessoal dele ainda não acabou- mas no meu caminho não serve.
Estes dias uma pessoa nos pediu para dar uma carona até uma "benzedeira" evangélica. Tudo o que aquela mulher falava ,me lembrava as falsas cartomantes que aproveitam o que você fala para "adivinhar o futuro". Falei para a pessoa manter o foco em sua fé e não nos aproveitadores da religião. Quanto mais firme nos propósitos, menos erros se comete. 
Tem uma frase que gosto muito: "Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para a coisa em que você irá se focar. Mas não é nada disso. Significa dizer não às centenas de outras boas idéias que existem. Você precisa selecionar cuidadosamente."  Foi dita pelo Steve Jobs, um cara que se atreveu a ser determinado num mundo tão cheio de opções. Na religião é bem isto: temos muitas opções de ritual, muitas mesmo. Pra quê agregar outros rituais que não fazem parte de nossa história?
Somos seres ritualísticos e não há como ser diferente. Umbandista se conecta com o Superior através de cheiros, sons,cores, movimentos. A Umbanda é simples  e esta simplicidade da manipulação dos elementos me parece que é pouco para alguns, porisso a necessidade de "incrementar" com coisas que não nos pertencem. E cito de novo o Steve Jobs, que teia sido um grande Umbandista se vivesse por aqui: "Este tem sido um de meus mantras - foco e simplicidade. O simples pode ser mais difícil do que o complexo: é preciso trabalhar duro para limpar seus pensamentos de forma a torná-los simples. Mas no final vale a pena, porque, quando chegamos lá, podemos mover montanhas."
O problema é que não temos tempo. Poucos pais e mães de santo sentam com a corrente para compartilhar conhecimentos sobre ervas e elementos, entidades e Orixás. É mais fácil mandar um filho de corrente para o psicólogo do que sentar e olhar olho no olho, e perceber o que realmente aquele ser precisa.
Não Umbandistas, não estamos na quaresma. Quem está na quaresma são os católicos! O grande perigo disto tudo é perdermos nossa identidade e foco. Podem me chamar de tradicionalista, mas como diria mamãe: eu não sou todo mundo. Politicamente correto é ter identidade. Quanto mais firme estivermos em nossa concepção ritualística, mais firmes estaremos em nossa fé. Focados em nossa fé, refletiremos a Luz Divina onde os ventos de Yansã nos levar. Pise neste caminho de Ogum com respeito! Saravá a nossa fé!


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Mediunidade Inconsciente?

Todos somos médiuns em maior ou menor grau.Sinceramente? Não gosto desta frase. Equivale a dizer que
somos bons ou maus em maior ou menor grau, só uma constatação,mais nada. É preferível dizer que na vida teremos pelo menos uma experiência mediúnica.Este entendimento pode fazer diferença na visão geral do processo mediúnico.
Somos seres ritualísticos, independente de religião. Por mais céticos que possamos ser, desenvolvemos todo um ritual em nossa rotina e se, por qualquer motivo ela se quebra, ativamos toda nossa consciência em busca do que possa sair de errado.Vou ser mais clara: imagine que uma pessoa ,por anos a fio, levanta as 7 da manhã, escova os dentes, prepara o café e faz sua primeira refeição ouvindo as notícias do dia que começa. Se ,neste ritual, algo não funciona como desejado (a escova de dentes estraga, o café cai no chão,etc) imediatamente uma luz vermelha se acende no cérebro como se fosse um sinal de perigo,fazendo com que nossa consciência se expanda para descobrir o que pode dar errado durante o dia. Pode parecer engraçado, mas de fato ocorre. A Umbanda possui uma gama imensa de rituais que dependem exclusivamente da visão dos pais e mães de santo, o que para nós é uma grande Graça Divina, pois podemos escolher qual é o melhor para absorvermos e compreendermos as energias que nos regem, protegem e auxiliam no bem que possa ser realizado em nós e por nosso intermédio.
Certo dia conversava com um amigo sobre mediunidade inconsciente. Como em minha vida ,algumas vezes, moradores de rua em estado alterado de consciência vieram me dar "mensagens" que me auxiliaram muito acredito que estas pessoas sejam mensageiros inconscientes. A inconsciência na mediunidade, porém, não é algo proveitoso, além de ser perigoso: muitos umbandistas sabem que a mensagem que é passada para o consulente, muitas vezes nos servem também. Imagine você emprestando seu carro para uma pessoa dirigir vendada num trânsito pesado: não há como isto dar certo.
Mas não é a mediunidade inconsciente que me preocupa: o que me faz pensar é a consciência do umbandista. Quantas vezes você se alimenta pensando no que está ingerindo? Ou quantas vezes você anda pela rua prestando atenção no caminho? Nossa mente sempre está em movimento, mas poucas muito poucas vezes está atenta ao momento presente. Quando um filho está passando por dificuldades e tentamos ajudá-lo, nossa consciência estará onde ele estiver. Nosso pensamento gera energia para que estejamos "presentes" onde julgarmos mais importante.
Se estamos apaixonados, nossa mente estará com o ser amado e se, por algum motivo, não tenhamos informações desta pessoa ou não consigamos contato imediato, a mente já elabora situações que possam estar ocorrendo para explicarmos a ausência. São estas coisas que "achamos" que podem diminuir nossa faixa vibratória: medo de perder o amor, o emprego, a saúde. Neste ponto ocorre o que o Caboclo do Mar chama de auto-obsessão, que pode nos trazer muitos transtornos e sofrimentos desnecessários.
O ponto que eu quero chegar é: por onde anda  consciência do umbandista? O que queremos da religião de fato? São travadas guerras estúpidas pela atenção do pai ou mãe de santo, seja para ouvir que é um bom médium, para minar a confiança deles em alguém que está "aparecendo demais" ou galgar  "cargo" na hierarquia. Os que praticam estas coisas, em meu pequeno entendimento, só podem ser médiuns umbandistas totalmente inconscientes da missão da religião no Brasil.
A consciência plena em uma gira é também um grande aliado no processo de conhecimento. Observar os movimentos sem julgamento preconceituoso, observar a si mesmo e perguntar sempre que necessitar são elementos mais do que necessários para a evolução da Umbanda, que começa necessariamente em nós mesmos.
Como religiosos temos mais chances de experimentarmos grandes e maravilhosas experiências mediúnicas, independente da religião, mas é ,antes de tudo, necessário comprometimento. Uma experiência mediúnica só se tornará relevante se auxiliar a mudar o nosso padrão vibratório e do próximo em relação a problemas que tenhamos que resolver. A mediunidade pode ser um lenitivo para as dores do dia-a-dia, mas na Umbanda ela é, principalmente, um instrumento de transmutação energética e deve ser sempre levada a sério, pois somos médiuns 24 horas por dia. "Batucai" e vigiai seus pensamentos sempre!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Nanã e o DNA

Família tem umas coisas bem características às vezes, que com o tempo passam a fazer parte de nossas
memórias e da saudade também. Mãe quando fala braba que a gente é bem parecido com o pai, geralmente não é elogio. A ciência nos "apresentou" ao DNA, que nos mostra que nosso corpo é predestinado a algumas coisas. Cor de pele, cor dos olhos, traços de fisionomia, são pequenos detalhes de um enorme histórico, de milhares de séculos que trazemos, aperfeiçoamos e transmitimos aos nossos filhos.
A ciência é uma mãe que pode dizer que nosso corpo é destinado a alguns tipos de doença que têm poder de limitar nossa vida, do mesmo modo que pode nos indicar os remédios e intervenções necessárias para melhorar e aumentar nossa expectativa de longevidade. No entanto, entre uma coisa e outra, há nosso poder de decisão.Se há em nossos cromossomos a possibilidade de nos tornarmos diabéticos, haverá a possibilidade de evitarmos que a doença se instale -dependendo do grau- em nossos corpos com dietas naturais.
Note o que eu usei - haverá a possibilidade de evitarmos que a doença se instale- porque dependerá , logicamente,do pensar do indivíduo. Há uma série de variantes que pode fazer a pessoa não aceitar a verdade ,mesmo que ela tenha a verdade tatuada em seu DNA. Então no uso de seu livre arbítrio, o ser humano, pode aceitar ou não o destino que sua genética impõe, como também é detentor da possibilidade de melhorar a espécie. Meus caros leitores, quer queiramos ou não, ainda sobrevive em nós instintos que nos levam a procurar pessoas para "procriar" e "melhorar" nossa espécie geneticamente, embora seja bem sutil no meio deste mundo conturbado.
Creio que tenhamos um DNA espiritual também, que da mesma forma que o físico, nos predestine a algumas coisas,mas que nunca limitará nosso livre arbítrio. Reza a lenda que nossas almas foram moldadas no barro de Nanã, Orixá que está tanto no princípio como no final de nossas vidas, como diz este texto que eu achei mais apropriado:"Pertencem a Nanã os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, entretanto, o que a melhor sintetiza é o “grão”, pois, além de Nanã possuir domínio sobre a agricultura e desenvolvimento do homem, todo “grão” tem que morrer para germinar. Nanã é que dá nascimento às sementes permitindo transmutação e transformação contínua para que nada se perca.

Nanã é considerada a Divindade da Lua Escura, essa Lua também é chamada de fase Balsâmica que tem como atributo a energia passiva, receptiva e libertadora propiciando o esquecimento do passado para se direcionar ao futuro. Assim, como Nanã Buruquê, libertar o passado para iniciar um novo ciclo, com consciência e clareza."*
A reencarnação é a possibilidade do amadurecimento do nosso DNA espiritual. Há coisas ,em nosso espírito, que não se consolidam em uma vida só. Eu acredito em almas predestinadas, que trazem missões de amadurecimento tanto para si mesmas, como para um grupo ou uma cultura,mas também têm como principal motor propulsor o livre-arbítrio. Se Hitler houvesse usado sua grande mediunidade no sentido contrário ao que tomou a história poderia ter sido diferente, assim como se Chico Xavier houvesse se negado a entregar sua vida à caridade, ou mesmo Zélio de Morais, não estaria aqui escrevendo.
Somos todos elos do DNA infinito de Deus. Por vezes nos unimos em grupos diferentes que nossas famílias com os quais temos mais afinidade, muito embora nosso real aprendizado venha de sabermos lidar com relações difíceis.A purificação e a evolução de nosso DNA espiritual só é possível com o entendimento pela fé do que é o amor, fraternidade e a caridade, através das mais diversas experiências neste sentido.
Como umbandistas precisamos entender a energia de cada Orixá, mas também escutar a voz da sabedoria em cada entidade. Nas palavras proferidas há a energia das águas doces e salgadas, dos ventos, do fogo, da terra mãe e da solidez milenar das pedras, elementos transformadores e edificadores.
Nas comemorações à Nanã que seja nos dada a possibilidade de transmutar nossos pensamentos para que nossa haja progresso espiritual e que ele não somente nos atinja,mas à humanidade como um todo. Saluba Nanã!





terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Linhas de Umbanda

Férias. Aqueles que têm filhos em idade escolar sabem o que significa. E aqueles cujos filhos estão na pré-adolescência ou na adolescência, neste período, estão todos no meu caderninho de orações. Tenham calma que esta fase passa e vocês sobrevivem, como diria uma amiga minha, eu acho.  Aliás esta colocação: "eu acho" foi proibida pela Presidenta de nosso país.O Brasil é um país de adolescentes de várias idades, portanto creio que cada vez mais iremos escutar o dito "eu acho..."

A Umbanda é a única religião que conheço que tem férias. E são merecidas.O desgaste do corpo ,da mente e do espírito é inevitável.Mas ,mais do que repor energias, este período é propício para , ao se distanciar, rever alguns pontos. Você já parou para pensar qual é o ponto comum a todas as linhas?
Pai Fernando sempre fala que a linha dos Ciganos é uma linha que atende exclusivamente a família. Eu creio que eles são grandes protetores familiares, pois a estrutura e a conservação da cultura cigana se dá pela família. Conhecimento passado de geração a geração. Você não vê os idosos ciganos em asilos, muito menos crianças longe dos pais.A base de respeito por cada membro da composição familiar é algo digno de nossa admiração.
Os ciganos chegaram ao Brasil em 1574 e a primeira família a se estabelecer aqui, conforme constam registros, é a do cigano João Torres. Um neto de ciganos, anos mais tarde, construiu uma cidade referência em nossas vidas: Brasília. Juscelino Kubitschek , ao meu ver, deveria ter divulgado o amor dos ciganos pela família, tendo em vista que os brasileiros o amavam tanto. Creio que hoje a incidência de drogas seria muito menor.
O fato é que se os ciganos estavam aqui no início de nossa colonização, certamente dividiram sua cultura com povos também menosprezados pelo preconceito como os índios e os negros. Não consigo ver a Umbanda como religião de afrodescendentes. Umbanda é religião brasileira, feita por espíritos que iniciaram nossa colonização e que marcaram nossa cultura. Ainda vai levar um tempo para as pessoas deixarem de usar este termo.
Existem muitas linhas na Umbanda: a dos caboclos, dos baianos, dos ciganos, dos boiadeiros...Mas o que os liga? Em um primeiro momento poderíamos pensar que é justamente o preconceito do mundo dito civilizado que os uniu em uma religião. Só que é muito mais do que isto. A necessidade de exercer a liberdade plena, o respeito pela vida e a conseqüente alegria de viver estes grupos.
A beleza de olhar para um céu estrelado sem necessidade de julgar o mérito cada estrela é a tônica comum a estes grupos. Assim, cada médium que adota a Umbanda como religião se sente protegido, por estar em meio a espíritos que congregam a mesma liberdade de expressão. Não temos dogmas, não temos uma lista de pecados mortais, antes nos guiamos por pequenas palavras as quais englobam a responsabilidade de um verdadeiro umbandista: fé,amor e caridade. E estas palavras têm uma força descomunal, assim como a natureza que nos rege, quando aprendemos  a ter coragem, humildade e sabedoria frente às diferenças que nos unem. 
Talvez a maior magia que exista na Umbanda seja o convívio de diferentes culturas com o intuito de mostrar que a vida é nosso bem maior, que deve ser preservada e compartilhada da melhor forma possível. Enquanto escrevo este texto, meu amigo @poetavadio  me pergunta no twitter para que serve a mediunidade. Aproveito para responder que a mediunidade na Umbanda serve para demonstrarmos que, mesmo com as diferenças culturais entre as linhas que trabalhamos,mesmo com a diferença de rituais entre os terreiros, nós médiuns umbandistas trabalhamos para demonstrarmos que é possível construir um país livre baseados no amor ao próximo, na valorização da família e no respeito pela individualidade. A mediunidade na Umbanda é um instrumento poderoso não só na comunicação verbal, mas principalmente na comunhão de várias culturas diferentes.Na umbanda o idoso, a criança e o mais simples dos mortais têm em nós o canal de transmissão de todo seu conhecimento.Deste entendimento talvez venha a grande riqueza do povo brasileiro e a capacidade de crescermos cada vez mais. Desculpe Presidenta, eu acho. Saravá! 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quem é você?

Uma das coisas que são mais peculiares na Umbanda , dentro da minha observação, é a necessidade de saber quem são as entidades com as quais se trabalha, curiosidade bem comum no começo da caminhada. E quanto mais conhecido o nome da entidade, melhor.Equivaleria mais ou menos a dizer assim: se eu sou amiga do George Clooney porque é que eu vou ficar falando do Joãozinho da Silva que também é meu amigo, mas ninguém conhece?
Estávamos todos reunidos no aniversário do neto do meu lindinho em uma chácara aqui perto. A família dele é evangélica, portanto não conversamos sobre religião para evitar constrangimentos. A netinha mais nova  tem quatro anos, e é uma menininha linda e esperta. Meu apelido na família dele é Deca,mas ela pequena não consegue me chamar de outra coisa senão Neca. Pois bem, todos reunidos ela vem e abre os braços e fala em alto e bom tom: Veja Neca consigo dominar os ventos! Nisto alguma bexigas estouram, meus filhos gritam: Eparrey! Logicamente todos olham para mim e eu como não tinha o que dizer falei: muito bem filhinha é por aí mesmo!
Como é mágico ser criança e descobrir tudo o que conseguimos fazer. Esquecemos isto pelo caminho e achamos que conhecemos todo nosso potencial. Quando se entra na Umbanda  a primeira coisa é descobrir qual é a sua regência energética e logo depois vamos para a fase que citei, descobrir as entidades.Entre estas duas pontas há de ser construída uma ponte, mas as vezes não conseguimos enxergar esta necessidade.
Quem somos nós, o que temos a oferecer são perguntas que cabem muito bem nesta religião. Porque é com base nas respostas que vemos e descobrimos porque determinadas entidades se aproximam de nós e outras são mais distantes. Tudo neste mundo ocorre por afinidade.Nossos amigos mais queridos tem algo de nós dentro deles, pois certamente não os amaríamos se não fosse assim.
Um médium não precisa ter poderes fenomenais. Efeitos especiais cabem bem somente nas telas dos cinemas. Um médium deve entender sobre os elementos naturais, estar bem integrado com a natureza e principalmente, desenvolver mais e mais sua sabedoria.Isso leva um tempo. A sabedoria é a junção do que você testemunhou nesta vida, seus pensamentos sobre tais coisas aliado ao que você aprendeu nos livros. E isso vai crescendo continuamente.É  a ponte entre nós e as entidades.
Não creio em médiuns intelectuais. Creio em médiuns dedicados, humildes, comprometidos mesmo com a caridade.Ora, qual é o principal elemento da caridade na Umbanda? A palavra, amigos. É isto que o médium doa, porque no que tange a transformação dos elementos quem sabe perfeitamente o que está fazendo é a entidade.A Umbanda é consolodora, porque na medida em que o médium está preparado as entidades usam do seu conhecimento para melhor repassar uma idéia. E ,por incrível que possa parecer, mostrar um ponto de vista diferente para um problema , uma coisa simples, pode se tornar mágico e transformador para quem escuta.
Saber escutar é mágico. Estar aberto a todas as possibilidades desta vida, sem preconceitos, pode ser a salvação da lavoura.Estamos em constante crescimento e desenvolvimento, tenhamos 20 ou 80 anos.E vou lhes dizer que as pessoas que mais repensam suas idéias e concepções são as que têm mais de setenta. Não concordo com a idéia de que pessoas mais velhas não mudam de opinião. Elas entenderam o sentido da vida através da sabedoria e porisso se permitem mudar. Coisas que nós mais jovens, às vezes não nos permitimos por ter idéias pré estabelecidas, o que nos faz regredir em verdade.
Hoje deixo a todos um poema, que bem poderia ter sido escrito para os Umbandistas:

Ainda ontem pensava que não era

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"
Kahlil Gibran


Dedido este texto a médium Denise Zanchetta que possibilitou, com sua dedicação aos ideais umbandistas, que hoje eu esteja um pouco mais firme em meus propósitos. Saravá Dede!


Atenção twitteiros: Vamos participar? #AmigoOculto no #NatalSolidario #CAZUZA Veja as informações no Blog >>> http://bit.ly/ecTdME

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pensando Bem

Você está bem? Se você é médium há um tempo sabe o que esta pergunta pode desencadear.No meu caso, algumas pessoas respondem com um: você tá vendo alguma coisa? Geralmente estou vendo tudo. Não como há uns anos atrás ,mas só vou ao oftalmologista quando não der mais... Tem gente que não é moleza. Tipo meu filho, que usando de mais um dos seus subterfúgios expertíssimos, falou que não poderia ir para aula porque estava com muita dor nos olhos e precisava urgentemente de um ginecologista. Explicado o que era a especialidade, desistiu e foi para a escola. Mandei anotar no caderno: oftalmologista.
Um dia um senhor chega para uma entidade que recebo, muito sério, humilde e fala consternado: pode acalmar minha mulher, ela anda muito nervosa? Aí, porque ninguém engana cigana, ela fala que sim e ele poderia fazer isso facilmente parando de aprontar. Este senhor riu muito. E acho até que foi de nervoso, pois escorreram algumas lágrimas de tanto gargalhar. Virou uma conversa simples, sem pedidos e um agradecimento sem graça. Mesmo quando isto acontece, quem está lá se consultando tem a certeza absoluta que além de vigiado está sendo cuidado pelo Divino.  
Esses dias um amigo reclamava que havia queimado o chuveiro e eu , na minha inocência e sabendo que ele andava triste, falei: cuidado com energias negativas. Foi o suficiente para ele me dizer que eu o estava assustando. Médium umbandista não trabalha só para encaminhar almas perdidas e desfazer demandas. Sinto lhes informar que isso ocorre, se muito, em 10% dos atendimentos. A maioria dos casos são energias geradas pela própria pessoa que acaba por sobrecarregá-la. Quanto ao chuveiro do meu amigo, falei de energias ruins porque antigamente quando estava sobrecarregada com a minha própria tristeza, costumavam queimar os aparelhos elétricos aqui em casa, mas nada cientificamente comprovado.
Sinto uma certa decepção quando a entidade fala para a pessoa que não tem macumba contra ela. O ser humano projeta a vida inteira imagens fantásticas e fantasmagóricas sobre a realidade que vive. Não posso dizer que de vez em quando não me pego devaneando. Pai Fernando prega a Umbanda Pés no Chão, então tenho que repensar sempre no que eu estou focando. Ele é um pai de santo de Ogum com Yemanjá, portanto muito amoroso, mas se eu "viajar" muito, e não tiver os pés no chão, quem me garante que um dia não me deixe de joelhos em cima do milho atrás do congá? É bom não facilitar.
É lógico que estou brincando, mas controle é algo imprescindível a um médium. Controle de seus sentimentos, controle de suas percepções e principalmente controle de suas atitudes. É muito fácil ficar na assistência julgando, ou mesmo na gira, quem está incorporando, como e porquê. Temos um desenvolver contínuo se focarmos  em nós mesmos , em nosso aprimoramento, para melhor fazer a caridade que nos propomos.
Veja, como falei outras vezes, e isto até a física explica, uma ação corresponde a uma reação igual e no sentido contrário. Não é fácil ser médium Umbandista. São casos pesados como dependência química por exemplo. Se você consegue um avanço na cura pode ser que as energias que tomam aquele ser, de sentido contrário à cura, não gostem muito. Portanto, orai, vigiai, ter uma baita paciência consigo mesmo e muito bom humor. As trevas não se propagam na luz.
Não sou esta pessoa altamente controlada e equilibrada, nunca disse isso. Dizem que ensinamos melhor o que mais precisamos aprender. Este espaço é assim , tanto você que lê quanto eu que escrevo vamos nos modificando com o caminhar juntos. Quero agradecer muito mesmo os comentários, que enriquecem meu texto e o complementam de sobremaneira. Aprendo muito com eles sempre. E sou bem sincera em dizer que às vezes numa simples frase algumas pessoas conseguem ir além do meu texto e me sinto lisonjeada. Muito obrigada a todos! Saravá!


A foto que postei hoje pertence ao querido Fábio Klein, visitem o blog dele: http://worldcicle.blogspot.com/