Mostrando postagens com marcador Caboclo 7 Cachoeiras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caboclo 7 Cachoeiras. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mágicos e Médiuns

Nos seus estudos de mágica, o Syrus aprendeu um grande ensinamento com seu mestre: mágica é algo para entretenimento, para fazer as pessoas felizes, para divertir. Nunca, em nenhuma apresentação, deve ser falado que é algo sobrenatural, pois mágica não é magia, e para ser mágico não é necessário ser mago. E por quê tudo isto? Porque se o mágico se desviar da função de entretenimento e dizer que tem poderes mediúnicos, em algum momento ele pode realmente acreditar nisto e aí todo seu profissionalismo estará comprometido. Um mágico pode ser um médium também, mas cada coisa a seu tempo e em seu lugar.
Achei isto interessante porque no início da nossa caminhada dentro da Umbanda  o médium também tem que se ater ao seguinte detalhe: ser médium não é ser mágico. Eu creio que até , em alguns atendimentos, possam acontecer alguns "efeitos especiais" não por vontade do médium, mas até pela necessidade da fé do consulente. Mas jamais, em tempo algum, o médium pode pensar que isto vá se repetir, ou que ele possa produzir isto sozinho. Até porque estes "efeitos  especiais"  são legais só no cinema. O que a Umbanda faz é muito maior do que isto.
Eu mesma tive um grande aprendizado esta semana. Seo Sete Cachoeiras chamou um jovem médium da corrente e pediu que segurasse a mão da consulente. Depois disse : passe para ela a mensagem meu filho. O menino, meio envergonhado, se enrolou, e seo Sete Cachoeiras falou que ele mesmo passaria: era para a senhora antes de responder qualquer coisa para o marido respirar e conversar, e no trabalho que exercia, ser mais direta em suas colocações , pois estava sendo infeliz deixando de falar o que precisava. O rapaz se espantou e disse que a mesma mensagem havia recebido só que de forma diferente: que a senhora acendesse uma vela antes de falar em casa e que no trabalho soubesse que em casa há uma vela acessa. Sabiamente, seo Sete Cachoeiras então explicou: meu filho se vem uma pessoa aqui nesta Casa e está aflita, ao ouvir seu conselho pode levar ao pé da letra. Já pensou se a pessoa realmente acender uma vela em cada momento destes? Veja: quanto mais claro e simples você for,mais resultado obterá.
A transmutação de pensamentos é algo muito ,mas muito mais espantoso que os "efeitos especiais" no meu entendimento. Ela conduz a estradas mais arejadas e luminosas. Fazer com que uma pessoa reflita e reveja seus pontos de vista por outro ângulo é também uma das grandes habilidades das entidades, e um processo que pode levar a uma cura de diversos males.Para isto o médium deve estar preparado. Eu nunca havia pensado neste ponto de vista exposto pelo seo Sete Cachoeiras e fiquei até pensando se o ensinamento não era também para mim. Como sempre escuto e presto atenção aos meus dirigentes no terreiro e leio bastante, a mensagem pode ser passada de uma forma adequada.
Como sempre falo , na Umbanda estamos todos interligados, e apesar de praticarmos rituais com diferenças ,somos muito mais unidos que pensamos. Hoje ,na postagem do blog do Ricardo Barreira ele fala como a Umbanda é ecosófica. Como o próprio nome diz , ecosofia, é ecologia aliada à filosofia. Vou deixar abaixo o link para que leiam o texto mencionado.Tem muito a ver com esta minha postagem de hoje.
Na Umbanda aprendemos a manipular campos de força com elementos da natureza, para processos de cura de uma forma geral. Mas também, aprendemos  a manipular nossos pensamentos para que possamos passar as mensagens de forma mais clara para cada indivíduo que nos procura, porque o pensamento é o elemento natural do ser humano. É através dos pensamentos, e das ações geradas por eles, que construímos nossas vidas e de nosso meio. O equilíbrio de nossas emoções e de nossas relações familiares, sociais e profissionais são conquistas inestimáveis, assim como nosso entendimento de que nossa relação com a natureza também é imprescindível. São os pequenos milagres que resultam na grande obra da Umbanda neste nosso solo brasileiro: a maravilha do bem viver.
Um médium ao acreditar que é um mágico, está correndo um sério perigo, então deixo a foto desta postagem para que não se esqueçam. E como meu lindinho diz, é preferível acreditar que vamos à gira, como médiuns,não para fazer caridade, mas sim para retribuir tudo que a Umbanda fez por nós, principalmente a nossa reconstrução como seres humanos melhores.

Este é o texto do Ricardo Barreira:
http://www.ricardobarreira.com.br/2011/07/umbanda-ecosofica.html?spref=tw

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ponto Riscado

Passei anos da minha infância, ao fechar os olhos antes de adormecer, vendo um semi círculo verde. Não fazia a menor idéia do que era aquilo e um dia este círculo se fechou e nunca mais o vi. Faz já um tempo razoável que minha infância acabou, mas tem certas coisas de que não esqueço.
Consumimos e decodificamos símbolos 24 horas por dia. Tudo é permeado de múltiplos sentidos e se manter são no meio de tanta informação é um ato heróico. Temos que decifrar as sensações do dia, a percepção que temos das pessoas e dos fatos, reler o que a mídia nos passa além do que ela mostra. Sinceramente estou mais convicta hoje que as crianças precisam mais do que filosofia nas escolas é de um bom entendimento de semiótica.
Até você ter certeza absoluta que está mesmo incorporando na Umbanda leva um tempo. Talvez uma das maiores provas pessoais sejam os pontos riscados, que é basicamente a assinatura da entidade por meio de símbolos. Uma das que mais marcou na minha experiência pessoal foi o do Caboclo das Sete Cachoeiras, linha de Xangô. Primeiro porque eu pensava que era um caboclo de Oxossi, segundo que na época eu não sabia da existência desta entidade maravilhosa e terceiro porque me veio à lembrança uma outra coisa que marcou minha infância.
Meu avô,o Amadeu Destefani, conhecido por todos pelo apelido de Lulo, era uma figura fantástica. Ele dizia que as 7 quedas iam acabar e todos o chamavam de louco.Ao receber seo Sete Cachoeiras lá estava a lembrança dele comigo novamente. Sempre pensei que meu avô fosse um tipo de xamã com estilo muito próprio de ser. Adorava fazer esculturas com troncos que iam dar nas areias da praia de Barra Velha. Certa vez fez uma sereia e colocou ao sol, no fundo da casa que dava para o lago, para secar o verniz. Não pôde tirar porque os pescadores iam pedir a benção a ela antes de irem ao ofício. E aí me lembra uma outra entidade que recebo, seo Beira Mar. Meu avô era de fato um cara que amava a naturezaentão é natural que todas estas coisas me lembrem dele.
Círculos e círculos. O círculo é o símbolo mais antigo para a representação de Deus em várias religiões. Me atrevo a dizer que as entidades traçam meios círculos porque eles também buscam a elevação e a comunhão completa com o Divino.Setas que indicam direção e movimento, estrelas que iluminam os caminhos, cruzes que identificam nossas encruzilhadas pessoais e são bem anteriores à cruz do cristianismo.
Ontem na gira, outro círculo em minha vida, num ritual para a energia do perdão se movimentar e eliminar mágoas que pudessemos ter, me descobri uma pessoa feliz. Nestes tantos círculos que formei com a energia das pessoas que conheci, me foram acrescentados símbolos pessoais muito marcantes.
Meus avós que já se foram, minha mãe, alguns amigos que já não andam sobre esta terra fizeram a sua função no círculo verde que via quando criança. Outros ainda que participam dela e não fecharam ainda seu círculo em minha vida,mas me acrescentam na medida exata que evoluem. Como sempre falo nada anda sozinho neste mundo e agradeço à evolução de cada um, me faz um bem danado.
Às vezes as entidades não precisam de palavras para nos fazer entender uma situação. É o que precisamos entender na Umbanda. Para fazer uma energização ou uma limpeza na aura da pessoa sendo atendida não é necessário o toque físico, mas para se acolher e se mostrar solidário à dor nada melhor do que um abraço. Sinto falta destes círculos que já se fecharam e dos abraços que não vou mais dar, apesar de tê-los transformados em elos fortes de um círculo maior que circunda meu coração espiritual e que me fortalece.
Então vou usar as palavras símbolos de nossa época para montar um ponto básico pelo qual talvez você possa se nortear, nesta curta estada sobre a terra. Seja próativo: ame.  Recicle incessantemente seus sentimentos e pensamentos ruins, antes que polua sua aura. Seja objetivo: a sua versão de felicidade pessoal é a que vale, não a dos modelos que a mídia expõe. A vida é interdisciplinar: em tudo e em todos há condições de você aprender algo novo.Cada pessoa que está na sua vida é um pequeno símbolo de sua assinatura espiritual. Deus salve a pemba* que a risca. Deixe a gira de sua vida girar, com muita música , amor e bom humor.

Esta é mais uma mandala de meu amigo querido Marcelo Dalla
@marcelodalla 
http://marcelodalla.blogspot.com/ 

*pemba é , a grosso modo, um giz  confeccionado em calcário e modulado em formato ovóide alongado, e serve para, ao riscar, estabelecer ritualisticamente o contato vibratório com as energias cósmicas dos Orixás.