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sábado, 27 de julho de 2019

De Fadas e Anjos

Sininho não é fácil. Era só alguém dizer que não acreditava em fadas e lá ia ela dar rodopios e desmaiar, era preciso bater palmas pra fazer a fada reviver. Coisas de fada.
Se você é umbandista , em algum momento vai perguntar : mas anjo da guarda precisa mesmo de vela? Já que é uma expressão do Ser Divino, realmente é uma pergunta pertinente. E Orixás precisam de velas? E entidades?
Somos todos cheios de rituais, meio como a Sininho. Não sei se fadas precisam de palmas para reviver mesmo ou se elas inventaram isso, para ver nosso desespero. O fato é que você bate palmas e pronto.
Há em nós todos uma necessidade imensa de saber os porquês, é muito mais fácil organizar a vida assim. Creio mesmo que seja pré requisito para evolução. Eu tenho minhas teorias pessoais, para organizar este caos em que nos metemos ao reencarnar: o Divino em sua imensa Sabedoria nos deu a todos o dom de buscar evolução. Encarnação após encarnação evoluímos para depois retornarmos a Ele, de onde Seremos Um só. Ora , para isso ocorrer de forma correta, sem interferencias temos que ter proteção.
Seres da natureza tem proteção (os elementais), pessoas têm proteção (anjos), instituições têm proteção, idéias têm proteção. Proteção em razão da evolução. Evolução para retornar ao lar maior e melhor. E isso meus caros não tem a ver com as noções de moral que temos, de bem ou mal, tem a ver com  processo evolutivo.
Acender uma vela é algo mágico. Envolve nossa concentração, nossa energia, nossa fé. Precisa da vela? Se não estiver concreto em nossa frente nossa intenção. se não nos movemos, se não há ação , não conseguimos sentir esta interação com o Divino. E se você pensar há todo sentido nas igrejas onde oram gritado - não que o Divino seja surdo- mas as pessoas as vezes não conseguem controlar seus pensamentos e aí é realmente preciso gritar para se ter um certo controle no propósito.
"O Todo é Mental", está lá no Caibalion, Hermes Trimegistro. Ora se o Todo é mental , nós somos também - nem tem como dissociar. Temos que estar atentos, observando o que nos move, o que nos motiva ou nos atrasa.
A magia Divina está no entendimento que só podemos lidar com nossa própria proteção, manipular a proteção do outro não é só proibido como é magia negra. Ao acender uma vela foque em sua luz, seja luz e ouça as palmas! Saravá! 

domingo, 20 de julho de 2014

Umbanda é Vida!


Foto Mathias Daniele
Vendo um destes documentários da tv a cabo, diziam que os tambores em diversas religiões do mundo tem a capacidade de alterar a estrutura do DNA. Tudo comprovado cientificamente. Dizem que cada cérebro tem a capacidade de "entender"um ritmo, uma tocada diferente. Não sei o quanto há de verdade neste estudo científico, mas sinto ,a cada vez que toca o barravento fico mais próxima do que sou.
Todo ritual religioso tem uma fundamentação, e a Umbanda é rica em detalhes e poucos tem tempo de prestar atenção.Infelizmente,na maioria das vezes, estão mais preocupados e ocupados com coisas mais "terrenas" nas giras, mas sempre há o que se aprender. Uma das nossas raízes, os nagôs, diziam que existiam nove planos. Entre os quatro superiores e os quatro inferiores, havia um plano intermediário que se localizava no espaço ocupado por nosso planeta; esse seria o plano astral terrestre. Era através desse espaço que chegavam a Terra os Orixás e ancestrais vindos dos vários outros planos.
Surgiam, pois, para os nagôs, os orixás e ancestrais de dentro da Terra. Assim, quando desejam chamar os Orixás, os nagôs tocavam três vezes o solo (após o nome de o orixá ser pronunciado).
O solo diante dos tambores também era tocado (antes ou depois de tocarem com os dedos o próprio atabaque), afinal, quem chamava (através do som) os orixás eram os tambores.O solo era sempre tocado três vezes; o três representa na cultura nagô ação, movimento e expansão… Tocar o solo três vezes era o gestual que significava o “assim seja”, o cumpra-se. Então quando, por exemplo, o nome de Ogum pronunciado, todos tocavam três vezes o solo; “assim seja”, “que Ogum venha até nós”… Diz-se que Yansã é aquele que se divide em 9 porque, evidentemente consegue "passear" nos nove planos.
No Brasil, os africanos, para consagrar o solo, para transformar o terreiro em uma pequena África, enterravam relíquias trazidas de lá, transformando ritualísticamente o solo brasileiro em solo africano ,ou seja o solo dos Orixás. Hoje as firmezas são enterradas nos terreiros com a função de proteção e irradiação destas energias, principalmente das entidades regentes.
Certa vez eu assoprei uma vela e alguém me falou que não deveria fazer aquilo, pois movimentava uma energia que não era apropriada. Falou algo sobre Yansã ,mas não tinha muita certeza. Não só na umbanda ,mas em várias religiões que utilizam velas elas jamais são apagadas com sopros e a justificativa é uma só: ao usarmos este meio para apagar as chamas, estamos querendo que a sua irradiação termine. Deus ao criar o Universo o fez com o seu sopro divino. E através desse sopro criou a luz, então, não devemos usar a mesma forma com que o Criador usou para extinguirmos a luz das velas. Ao ser extinta pelo abafador, nós simplesmente mudamos sua manifestação concentrada. Ela estará sendo absorvida na sua fonte. Quando extinguimos a chama da vela com um sopro há um simbolismo de que desejamos desintegrar a chama com a intenção de fazer com que ela não mais exista como luz. É considerada uma forma profana de extinguir a chama de uma vela. Até mesmo na antiguidade havia um simbolismo representado pela vela, no que diz respeito à sua substância. Eram confeccionadas exclusivamente de cera de abelha e que elas juntavam o mel sacrificando suas vidas.
No Terreiro da Vovó Benta, em Curitiba, após a defumação há a distribuição de pedaços de pão com ervas diferentes a cada gira, com o intuito de limpeza interna e preparação para o ritual que se inicia.É realmente muito lindo e significativo. É legal saber todas estas coisas e vivenciá-las, mas a magia verdadeira meus queridos só ocorre mediante a qualidade das emoções, das palavras e gestos, dentro e fora da gira. O que importa mesmo é fé, amor, determinação e certeza de que há muito mais entre nosso saber e o Amor que vem do Divino. Saravá!