Em meados da década de 70, quando estava na casa da minha avó, os sábados pela manhã tinham um ritual muito sério. Acordávamos bem cedo e íamos para a feira. Eram muitas viagens a pé trazendo as compras para casa e voltando para feira buscar mais.No final íamos com meu avô para a Praça da França brincar e , se fosse época de pinhões ele os sapecava ali mesmo e comíamos, sempre ouvindo uma história extraordinária. As lembranças do passado, além de nos conscientizar de quem somos, de onde viemos, mexem com nossas emoções e fortalecem nossa energia vital.
Tudo é energia e tudo gera energia neste mundo, fato inegável. Há explosões de energia no nascimento de uma nova estrela, na união de um espermatozoide com um óvulo, no romper de uma semente.Há energia no romper da aurora e na hora do lusco-fusco, quando o sol se põe. Há energia no choro de emoção pela perda irreparável e na chegada de um filho ao mundo.Há energia nas mudanças de estação que sofrem um determinado lugar, como a explosão de vida que advém da primavera, como também as individuais como a saída da infância para a adolescência.
Numa das páginas de Umbanda a qual faço parte, hoje o Alexandre Fsc perguntava se era lícito ou não dar presentes para entidades. Na Umbanda Pés no Chão que pratico isto não existe e creio mesmo que entidades nenhuma precise deste tipo de coisas. Mas a questão que, pelas respostas que li dentre outras situações que ando percebendo, é muito maior.
Vou contar novamente um sonho que tive quando entrei na Umbanda. Estava no meio do terreiro ,com uma imagem imensa de Oxum e a mãe pequena Tânia fazia a entrega de um amalá para este orixá. Oxum puxava então aquela energia e a devolvia para a mãe pequena Tânia que então foi para a assistência tirar as pessoas do escuro. Oxum saiu de dentro da imagem , me abraçou e me disse: Andréa, é assim que funciona a Umbanda. Na época não entendi tão claramente, mas, mais e mais vejo o quanto é necessário cumprirmos a nossa parte.
Exercendo o livre arbítrio temos muitas escolhas nesta vida e muitos aprendizados também, o que nos faz crescer e nos aprimorarmos cada vez mais. Quem escolhe a Umbanda como religião deve ,em primeiro lugar saber como são manipuladas as energias para o bem comum. Trabalhamos nas giras em comunhão com entidades para o bem e para o consolo dos necessitados. Para que tudo ocorra da melhor maneira possível é preciso preparo, dedicação e concentração e isto também é exercício de liberdade.
Como me ensinou em primeiro lugar Oxum, temos que nos fortalecer para conseguirmos cumprir o que nos propomos. Os amalá são fontes de energias, são campos de força que usamos para os mais diversos fins. Não fazê-los ou não entender exatamente para que servem, acaba por podar nossa livre manifestação e prejudicar o bom andamento de nosso intento para com o próximo. Um amalá não é um presente para uma entidade nem para um orixá, é uma forma de construir um campo de força, de agregar energia para um determinado fim. Sinceramente? Sei que não é barato frequentar Umbanda, mas mesmo sem muito dinheiro é possível fazer um amalá mais simples. Creio que ,infelizmente, alguns filhos não o fazem por questões que vão desde a preguiça até a total falta de entendimento e vontade de aprender. Vou citar uma frase do Pai Fernando Guimarães, que, muito embora tenha sido escrita quando versava sobre outro assunto, cabe bem aqui: "Terreiro não é clube social onde cada um faz o que quer. A paixão pela Umbanda tem que ser abrandada pela vontade de se encontrar com a alta espiritualidade." Os amalás também fazem parte do nosso encontro com a alta espiritualidade e não devem jamais ser esquecidos.
A maior guerra espiritual é a que travamos com nossos próprios egos. Conhecimento também é energia e exercício de liberdade. Perguntem sempre aos responsáveis pela gira que frequentam, porque podem ser diferentes na realização de um lugar para outro, e quem não frequenta nenhuma gira ,mas curte a Umbanda e gostaria de saber como se faz um amalá indico o seguinte link:



