sexta-feira, 19 de julho de 2013

Disciplina e Umbanda

Meu querido, acho fantástico que você ajude o seu pai a fazer novas leis, mas nosso problema no momento é fazer com que você cumpra as já existentes neste Colégio...A resposta foi dada a um filho meu que quis impressionar a coordenadora, em mais uma ida ao seu gabinete. Adolescente é assim mesmo: tem que contestar, argumentar, mas ainda não tem experiência suficiente para entender seus próprios equívocos. Disciplina é um norteador importante nesta fase. Tudo tem seu tempo certo, então a quem tem mais tempo é preciso discernimento para saber explicar com paciência,não basta dizer apenas que sabe mais.
Uma outra amiga minha falou estes dias que o lado "fofo" dela era Clarice Lispector. Tive que informar que Clarice nunca foi "fofa", ela era tão intensa quanto Yansã. Não que ela fosse obrigada a saber,pois hoje se faz leitura rápida feita apenas com frases soltas no Facebook.
É neste ponto que entro no meu assunto predileto: a Umbanda. Muitos sabem da Umbanda tanto quanto minha amiga sabe da Lispector, mas o que é pior, há outro tanto de gente que age como meu filho: querendo fazer mais leis, enquanto as já existentes são renegadas, porque o que está valendo é inovar.
Não sou contra inovações, até porque em termos de espiritualidade, quase tudo já existe ou existiu. Cada um segue a linha que mais é adequada a sua energia,mas cabe ao dirigente de cada casa ensinar cada filho de corrente da melhor forma possível. Sei que ninguém, nos dias atuais, pode dispor de muito tempo para seus filhos de corrente,mas são informações essenciais que vão evitar que o médium chame alguma Pomba Gira de "fofa".
Umbanda é séria, pois envolve necessariamente o tratamento da dor do próximo, seja ela qual for. Entender que mediunidade não é qualidade e sim funcionalidade, como sempre falo, também é essencial. Há muita coisa a aprender, mas é preciso não tornar a Umbanda inacessível, porque seu fundamento é fé, caridade e humildade. É necessário saber, mas o excesso de conhecimentos também é perigoso- assim como qualquer forma de poder sem equilíbrio- pois torna os incautos em arrogantes.
Rogo aos pais e mães de santo, que sejam realmente pais e mães. Sustentem seus filhos com o pão do conhecimento que têm, para que eles multipliquem as bençãos da Umbanda em fé fundamentada. Abençoem seus filhos de corrente com o conhecimento pleno da caridade, que começa no próprio médium. Cubram cada médium com o manto do amor dos caboclos, dos pretos-velhos e dos erês.
Aos médiuns cabe também o esforço do aprendizado, as entidades ensinam muito ,mas é preciso entender o que dizem e isto leva um certo tempo. Eu sempre falo que , por fazer psicografias, sempre tive o cuidado de prestar bem atenção: "vou te cobrir de ouro" e "vou te dar um couro" soam iguais ,mas são duas coisas bem distintas. Um querido pai de santo de São Paulo estes dias postou em minha página um desabafo: os médiuns não se preparam mais para as giras, talvez "por falta de tempo". Tão importante quanto a gira é a preparação, os cuidados que antecedem e os cuidados pós gira. É necessário, e sempre será, que sejam feitas as firmezas com anjo da guarda e com seu Orixá, os banhos de ervas. Há também os jovens médiuns que ,após a gira, vão aproveitar as baladas, que acabam por resultar em problemas invariavelmente.
A Umbanda "cobra" antes de tudo firmeza em nossos propósitos. É de extrema importância que ,de vez em quando, nos perguntemos o que esperamos da nossa atuação na religião. Seja qual for nossa posição dentro de uma gira, se a resposta for diferente de uma atuação pela fé, amor e caridade através da fraternidade, da paciência e do discernimento é melhor se afastar e buscar equilíbrio ficando na corrente.

sábado, 25 de maio de 2013

As 7 Encruzilhadas da Umbanda

Há algum tempo sem escrever, passeava por este blog pensando sobre o que faltava falar. E uma voz,
insistente, me dizia : ora, tudo, né Andréa? Os fatos vão se sucedendo em nossas vidas, vamos crescendo -às vezes diminuindo também- mas tudo está em constante mudança. Em Física Quântica, que pouco entendo- diz-se que tudo que se observa, muda imediatamente. Na esperança de mudanças, vamos fazer uma pipoca, sentar no sofá e observar um pouco como as coisas estão.
Impossível se falar em Umbanda sem citar, vez por outra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Está faltando uma flor aqui, então vamos colocá-la. Não sei em que momento, neste nosso caminhar, que os umbandistas resolveram intelectualizar a religião, mas assim tem sido. Em nenhum momento esta entidade falou: façam psicologia, psiquiatria, medicina ou qualquer outro curso superior e vão professar a fé. Muito ao contrário, promulgou a igualdade entre espíritos encarnados e desencarnados, que falaria aos humildes. 
O conhecimento é muito bom, eu mesma amo conhecer, saber. Mas vou te contar um segredo: nada, absolutamente nada, se compara ao prazer de conversar com uma pessoa que traz a sabedoria da vivência. A vida, meu caro leitor, é graduação para que a ela se entrega. Não pense que é fácil a entrega. Podemos nos jogar em suas águas profundas ou usar alguém ou algo de bóia. 
Num destes textos que ando lendo, está lá em letras garrafais (exagero meu ,lógico) religião é um processo de aquisição - e não a posse definitiva da verdade. Quando estreitamos o gargalo da Umbanda com intelectualidades pré-fabricadas, teorias e outras coisas do gênero numa gira, impedimos a espontaneidade dos médiuns e a credibilidade das entidades. Não estou dizendo de forma alguma que nossos saberes venham a conflitar com a Umbanda, só que eles não devem de forma alguma serem expostos dentro de um local que se dispõe a promulgar a fé para os mais humildes. 
Ser médium não é fácil para ninguém e em nenhuma religião. Ser mediador entre a fé e o Divino, não é tarefa fácil, também, para nenhum dirigente de religião. Não basta assumir que nem tudo sai como esperamos. A primeira encruzilhada é a caridade. Caridade em ouvir com o coração o médium, caridade em ouvir com o coração o dirigente, entendendo sempre que são seres humanos falíveis e em aprendizado permanente. 
A segunda encruzilhada que nos deparamos é a da coragem. As pessoas esperam que sejam salvos pela palavra que proferiremos e com as quais direcionarão suas vidas. Nem sempre estaremos prontos. Aliás, quase nunca.Coragem para receber a mensagem certa para aquele ser humano depende da entrega.
A encruzilhada de número três, é a fé. Não nas entidades, mas em nós mesmos. Ter fé em si mesmo é essencial. Porque as pessoas podem ser bem cruéis, na maioria das vezes pelo medo que sentem com relação a si mesmos.
Caminhando um pouco mais, nos deparamos com a quarta encruzilhada que tem uma placa grande e em neon: por que continuar na Umbanda? Cada um tem sua resposta, não adianta colar do vizinho. A resposta certa é que norteará seus próximos passos. A quinta encruzilhada é a da verdade. O mundo espiritual tem suas verdades e elas são irredutíveis. Se você vibrar na cor azul, só receberá de volta elementos azuis. Se você vibrar na cor branca, receberá elementos de todas as cores que o contém e precisará saber lidar com cada um. A sexta encruzilhada é a do respeito, parece fácil,mas não é. Entender porque alguns preferem a vida e outros o lado sombrio, é realmente difícil. As aparências enganam muito nesta fase. E esta vai em especial para meus amigos lá do CEUOM de São Gonçalo-RJ. Às vezes , algo que parece muito bom, como mimar um filhotinho de cão por exemplo, pode trazer consequências terríveis mais tarde- como o choro dele durante a madrugada que não nos deixará dormir. Por outro lado, as grandes tragédias, aquelas que fazem a gente pensar que tudo está perdido, num futuro não tão distante, pode ser visto como o alicerce de toda a nossa força. Não há de fato como se julgar, basta - e não é fácil,repito- respeitar os fatos.
A última encruzilhada, a qual passaremos para trilhar uma estrada sem fim em direção ao Divino, é sem dúvida a do Amor Pleno. Jesus, Buda, Chico Xavier chegaram ao amor pleno, eu creio.
Assim como nós mudamos o mundo ao olhá-lo, como falei lá no começo de nossa conversa, creio muito que mudamos quando o Divino nos olha. Espero que você desperte a atenção das hostes superiores e que a vida lhe sorria. E que, como o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse ao explicar seu nome, não haja caminhos fechados para vocês. 



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Umbanda do Futuro

Uma das mais importantes notícias da semana foi muito pouco divulgada: o governo americano destinará três bilhões de dólares ao estudo das sinapses  que ocorrem em nosso cérebro, mapeando o que ocorre a cada memória que temos, a cada informação que recebemos. Dentro de dez anos poderemos desvendar um pouco do quem somos, além de ter condições de ter uma infinidade de possibilidades de cura. Enquanto isto não acontece,gostaria de levá-los a uma tempestade mental, digna de uma filha de Yansã.
Lendo "O Dogma de Cristo" de Erich Fromm, publicado em 1930 as minhas sinapses quase entraram em colapso. Não é um livro que discute o aspecto espiritual, mas faz uma análise psicossocial do fenômeno e não há como não traçar um paralelo com a Umbanda. Nos primeiros cem anos do cristianismo, a religião era praticada pelos membros de classe mais baixa, de forma quase secreta, pois a perseguição que sofriam era muito grande. A comunidade era unificada apenas pelo laço comum da fé,esperança e amor, o que os dava uma liberdade de ação, pela despreocupação com instituições e fórmulas. Naquela irmandade cristã primitiva era comum a assistência econômica e o apoio mútuos, que foi essencial para o desenvolvimento da religião.Como se sentiam peregrinos e estranhos na terra, não havia necessidade de instituições permanentes.Não é o posto que faz a pessoa, mas a pessoa que prestigia o posto.E eles não precisavam disto.
A princípio o cristianismo foi uma atitude revolucionária, contra a pressão e opressão dos governantes, e do próprio judaísmo que era dividido em castas e elitizado. A partir do seu segundo século o cristianismo começou com o apoio de pessoas de pessoas mais intelectualizadas e com mais poder econômico. Aos poucos os governantes começaram a ver no cristianismo também uma excelente ferramenta de controle da população que acreditava que só por bons atos se chegaria ao paraíso espiritual. Assim começou a formação de uma hierarquia centralizada, começaram a formular questões de ordem e ingresso, fazendo que muito se perdesse ao longo de todos estes séculos da idéia original.
A idéia original da Umbanda é que o acesso ao mundo espiritual e do mundo espiritual para nós pode ser feito de maneira simples e direta. Uma religião de consolo, de luta e de cura. Uma religião em que os desvalidos, o que estão à margem da sociedade não ficariam sem uma palavra, uma mão forte que os elevasse. Nasceu justamente no seio do espiritismo que apregoava um nível intelectual mais alto para se ter acesso aos seres de luz. 
Nos primeiros 100 anos da Umbanda, fomos perseguidos, ameaçados, presos. Nos unimos em fé, caridade e esperança e ultrapassamos o primeiro século a salvo. Mas o que será de nós nos próximos cem anos? Preocupa-me de sobremaneira a possibilidade de acreditarmos que precisamos de uma hierarquia unificada, que por consequência será ditatorial. Hierarquia dentro de um terreiro é essencial, até por uma questão de segurança e organização, mas com limites no entendimento de seu poder. Não podemos nunca esquecer que a maioria das entidades que nos protegem foram escravos de alguma forma, para que hoje nos passem noções de liberdade real. A verdadeira beleza da Umbanda está na multiplicidade de rituais e a possibilidade que nos dá de servi-la onde ela nos chamar. E se há este "chamamento" é porque através do nosso potencial, poderemos agir de uma forma mais consistente na fé, caridade e amor ao próximo. Somos todos iguais e podemos ser livres se tivermos a consciência das limitações que temos ,assim como as têm também nossos pais e mães de santo, para podermos continuar vivenciando uma religião com alegria e vida longa. Saravá!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Flores da Umbanda



Há uns anos atrás, li um texto no qual Chico Xavier falava que, para melhorar a energia de um lar ,bastava plantar rosas no jardim. Comecei então a plantá-las, na casa de meus pais. Aqui no sítio bem que tentei, mas o cavalo as tratou como iguarias culinárias. Na Umbanda o uso das flores é muito importante, sendo que seu uso iniciou com a própria religião.
Todo evento da criação da Umbanda, pelo médium Zélio de Morais em 1908, começou com ele levantando,no meio de uma sessão espírita, falando: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.
Desde o início da humanidade, as flores foram associadas com o Sol, por se voltarem para ele,e , assim como ele dissiparem a escuridão, simbolizando a energia vital, o final do inverno e a vitória sobre a morte. O Lírio de Oxum por exemplo, segundo a mitologia antiga, teria nascido do leite de Hera, que gotejava na Terra no mesmo tempo em que era criada a Via Láctea. Outra lenda diz que o perfume dos lírios espanta serpentes e por parecer com um cetro aparecem em muitos brasões de famílias da Europa antiga.
Fitzgerald-1859-Morte adornada de rosas
De todas as flores talvez a que mais tenha poder em nosso espírito seja a rosa. Na antiguidade, esta flor remonta o mito de Adônis , o amado de Afrodite, de cujo sangue teriam brotado as primeiras rosas, assim se tornaram símbolo do renascimento e do amor que sobrevive a morte.No século 1a.C. os romanos faziam uma Festa das Rosas em homenagem a seus mortos, e até hoje na Itália o domingo de Pentecostes é considerada a "Páscoa das Rosas".Em contraposição no culto a Dionísio, deus do Vinho, era comum as pessoas se coroarem de rosas,pois acreditavam que abrandava o calor da bebida e impedia que alcoolizados contassem seus segredos, por este motivo ela se tornou também símbolo da reserva e da discrição. Assim esta flor começou a ser desenhada em cima dos confessionários - "sub-rosa", ou seja, sob o signo do silêncio e da discrição. Na iconografia eclesiástica tornaram-na a "Rainha das Flores" simbolo da rainha celeste,Maria.
"Da rosa sai o mel que alimenta abelhas" primeiro símbolo Rosa Cruz
Enquanto as rosas vermelhas representam desde os primórdios o amor terreno, as brancas são relatadas em sagas e lendas como a flor que simboliza a morte. Os alquimistas viam nas rosas brancas e vermelhas o sistema dualístico com elementos dos dois princípios originários: o enxofre e o mercúrio. A rosa vermelha também é considerada nas tradições antigas, um símbolo de honra nas guerras para os oficiais do exército-em especial os romanos- pois Marte (deus da guerra) teria nascido de uma rosa. 
Uma gira de umbanda tem o formato de uma flor, onde o veio principal de energia - o caule- vem do congá. São muitas as flores de Umbanda, as que representam a sabedoria, a discrição como os pretos e as pretas velhas, a vitalidade e a batalha diária pela vida como os caboclos, a alegria das cores da existência como as flores das crianças, ciganas e boiadeiras, e dos necessários resgates como os das pomba-giras.Na minha opinião ainda de aprendiz, talvez a mais importante flor que exista na Umbanda seja a que floresça no coração do médium,que deva ser sempre cuidada com verdade, amor, caridade e consciência de que nosso invólucro é provisório, porque é dela que virá o perfume que envolverá outros em seu caminhar. Saravá!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Umbanda on Line

Lá nos idos de 1977, quando Elvis Presley morreu e eu ainda não havia completado 10 anos, estava brincando feliz na escola e uma colega me disse que eu era uma insensível, fiquei chocada. Eu , na opinião dela,deveria estar chorando pelo ídolo. De verdade ,nem sabia direito quem era e pessoas morrem sempre, pra que chorar? Três meses depois morria meu avô querido, e, confesso, chorei para não para não parecer má. Amava e ainda amo meu avô,mas fui entender mesmo que havia falecido quando achei algo que queria mostrar e ele não estava lá,neste dia sim chorei muito e então entendi o que era morrer.
Vi algumas postagens de jovenzinhos achando muito chato pessoas que não tinham parentes lá falarem e se sentirem tristes sobre as mortes de Santa Maria. Não os recrimino,pois não têm ainda entendimento do que seja a dor de uma mãe ou de um pai.Entender a dor também necessita de aprendizado.
Um médium umbandista só aprende observando, analisando e nunca julgando. Cada ser humano que anda sobre esta terra está num grau de entendimento e porisso é preciso aprender a caridade, entender que antes de vestir o branco há que se despir de conceitos e pré-conceitos. Um dia aprendi que temos atender com a mesma atenção a menina de 13 anos que teve uma decepção amorosa e a senhora que tem uma doença grave. Hoje entendo que cada um está num grau de entendimento,mas a dor pode ser a mesma.
Em termos espirituais é o que te incomoda o que te faz crescer,não o que te acomoda. Observar o fluxo da vida e ouvir os mais experientes sempre acrescenta, e  saber que, independente de nossa idade, há sempre algo que faz nossa espiritualidade melhorar.
A grande magia da transmutação feita pelas entidades é justamente passar as palavras-chaves na medida do entendimento do consulente. Há uma frase bíblica que diz o seguinte: "Senhor, não sou digno que entres na minha morada, mas diz-me uma palavra e serei salvo". Quantos e quantos não entram em terreiros em busca de uma palavra apenas? Não há fórmulas para as palavras certas, porque ,como disse antes, cada caso é um caso.Contudo é sempre necessário lembrar que a Umbanda é para ser praticada não somente na casa santa. Sabiamente seo Tiriri, numa gira que assisti nos últimos dias, disse que o umbandista deve ir onde a Umbanda chama. Com o advento das redes sociais há inegavelmente um instrumento valoroso em nossas mãos. Quantas vezes aquela palavra que você precisava estava ali, na rede, e acrescentou ao seu dia.
Tomando os devidos cuidados - como com a pólvora no terreiro- podemos torná-la cada vez mais propícia para a propagação da caridade. Nas palavras também se transmite energia e se recebe, então é necessário que se vigie sempre.
Este texto foi feito sob a grande alegria que a jornalista Marcela Marcos me proporcionou que divido aqui com todos, no link abaixo. Ela fez uma grande pesquisa entitulada "SARAVIRTUAR-Umbanda em Rede e Rituais On-line e Off-line" , um TCC para a conceituada Faculdade Casper Líbero. Ao observar e estudar a Umbanda num novo tempo Marcela, você dá condições para que ela cresça não só no entendimento dos que a amam como verdadeira religião brasileira, mas para que leigos entendam também o poder consolador desta energia que nos envolve, numa linguagem simples, mas profunda,reflexiva e respeitosa. Que todas as entidades de Umbanda iluminem sua caminhada!

http://www.casperlibero.edu.br/rep_arquivos/2012/10/04/1349385591.doc.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Regente de 2013

Gente que não evolui está fadada a extinção. Eu avisei ao Dyogo, que só passou de ano em virtude do Conselho de Classe da Escola. Se agora tem uma nova chance - e chances não aparecem assim todo dia - se abrace a ela como se fosse uma namoradinha nova. Não dá pra ter quizila com o destino, ainda mais tão próximo do fim do mundo. Para quem não conhece o termo, quizila vem do termo quimbundo Kijila, que vem a ser uma proibição definitiva ou temporária, determinada pelo Orixá a seus filhos, em geral no Candomblé e em alguns terreiros de Umbanda.
Hoje me deparei com uma entrevista antiga que havia dado ao jornal Gazeta do Povo aqui em Curitiba. O que me chamou a atenção foi o título: Uma Revolução Lenta e Silenciosa - feita pelo meu querido amigo jornalista- e pela frase, quase guru José Carlos Fernandes. Pensei de imediato que estamos vivenciando isto na Umbanda e quem não se atentou ainda a este fato, conduzirá sua casa a extinção. Proibições e permissões sem esclarecimento , falta de atenção a médiuns, brigas entre seres que professam a mesma fé embora em terreiros diferentes , estão tão evidentemente ligados ao ego de cada dirigente e é inevitável que os adeptos mudem constantemente de casa- em busca da evolução.
O fato é um só: a Umbanda é uma religião. Uma religião de guerreiros em prol da caridade, em prol do amor ao próximo,não amor próprio - o que pronunciando parece ser igual, mas não é. Rituais podem divergir - e eu mesma não gosto de alguns- mas é inevitável que cada médium observe os sinais na escolha de sua casa, do local onde irá praticar o bem ao próximo.
Ficar alheio ao que acontece ao seu redor- o clássico "faço a minha parte e o resto não me interessa"- não se aplica definitivamente a um grupo que soma energia ao realizar a gira. Concordo que ninguém é perfeito- se assim fosse não haveriam médiuns- mas há que se ter cuidado. Se quer fazer algo de forma isolada faça sozinho, e se fizer sozinho não é Umbanda. É uma forma de ajudar ao próximo também e também é válida, mas não é Umbanda- porque Umbanda necessita de uma gira para promover a troca de energias.
O que me levou a pensar: o que é realmente necessário para uma gira acontecer a contento? Uma coisa é essencial e não é ritualística: o senso comum da prática do bem. Ok. Se você for como eu vai falar que o bem e o mal são relativos. E o são mesmo. Umbanda que é Umbanda é equilíbrio de energias da natureza. Nós pobres mortais- que adoramos ficar em filas em shoppings para comprar uma nova tecnologia- nos afastamos um bom tanto desta energia, e crescentemente nos afastamos de nós mesmos.
O Divino, em sua Infinita Sabedoria, sempre dá um jeito de fazer com que nos aproximemos de nossa essência e assim acontecem coisas que às vezes fogem dos padrões de nossa rotina. Às vezes nos pegamos pensando que é um mal o que nos sucede, que é isto ou aquilo. Mas se pararmos para pensar- depois que a tempestade passa- é só mais um momento de aprendizado, por vezes dolorido-mas aprendizado. Porisso devemos respeitar quem pisa num terreiro em busca de ajuda: ali está invariavelmente a última oportunidade de achar uma solução.
Caboclos, pretos velhos, erês, exus,pomba-giras incorporam e falam com consulentes por um só motivo: passar a mensagem e transmutar a energia de pensamento de quem precisar enxergar as coisas de uma outra forma- e este é um trabalho tremendo: transformar a água em vinho e fazer com que as pessoas despertem para vida. Médium inconsciente é o que não se atenta a isto e se prende a rituais - que servem na realidade para mantermos nosso foco na fé e não dispersarmos atenção.
Como mulher de fé, como médium umbandista, como defensora da religião gostaria de propor aqui que focássemos em Oxalá para o próximo ano de 2013. É ele quem trará o consolo pelas palavras das entidades aos que buscarem ajuda, os grandes aprendizados aos médiuns no próximo ano e grandes provas a todos os terreiros de boa fé. Que este mundo que estamos vivenciando dentro da religião realmente acabe dia 21, quando a maioria dos terreiros entra em férias. Que façamos a travessia dos justos, dos fiéis e principalmente dos que têm consciência que não são donos da verdade absoluta, pois a verdade está no amor do Criador e nos desígnios que Ele permite a cada filho e filha.
Termino com uma citação de Fernando Pessoa, para refletir a Luz Divina: " Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Saravá!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Justiça e Magia

Fé, caridade e amor ao próximo. Mistérios e descobertas. Deslumbramento. Felicidade na luta pelo bem, pela saúde, pela alegria, pela dedicação. É de fato tudo muito bonito dentro da Umbanda. A religião sem dogmas, a religião da liberdade, a religião dos guerreiros de Oxalá. Descobrir entidades, Orixás regentes, manipulação de energia é muito estimulante, mas você já chegou a pensar o que há além disto?
Afinal, quem somos nós? Na individualidade, sob o teto que nos abriga quando não exercemos nossa função religiosa. Aponte um médium de qualquer religião que não atravesse algumas vezes corredores escuros em sua vida pessoal  e eu lhe direi que este ainda não é um médium em pleno desenvolvimento. 
Desenvolvimento espiritual é longo e árduo, além de solitário. Não há ninguém, nem neste, nem de outro mundo que possa usar os seus pés para caminhar.
Não estou dizendo que não temos ajuda, mas é impossível saber o que é uma xícara de café, oferecendo-a somente para seu vizinho provar. Um dia Mestre Cipriano me falou que o caminho não é fácil, mas que ficar olhando os buracos em que tropeçamos não auxilia em nada nosso processo de desenvolvimento, e que ,com frequência, nesta caminhada, é comum nos confundirmos com coisas que parecem boas e com as que parecem más.
A vida de uma forma geral não é fácil e eu digo que a Umbanda não é o lugar mais correto para fugirmos da realidade.A Umbanda nos dá subsídios para transformarmos a realidade que enfrentamos em fontes de sabedoria para o engrandecimento de nosso espírito. Contudo ,em momento algum, as experiências que vivenciamos devem ser vistas com resignação. É a nossa reação aos revezes o elemento transformador essencial à nossa evolução.
Dia 21 de Dezembro é o fim do mundo. Lembro do meu filho mais velho falando há mais de dez anos atrás que achava injusto, pois cairia um dia antes de seu aniversário. Hoje eu entendo que o fim do mundo acontece várias e várias vezes nesta mesma vida. O que fomos há dez anos atrás será bem diferente se sobrevivermos a mais dez anos. Muitas e muitas vidas vivemos numa só.
Na Umbanda não há sacrifícios. É uma meia verdade. Há o nosso próprio sacrifício. Já me perguntei várias vezes sobre o porquê disto, de caminharmos às vezes como cordeiros assustados. Como o Divino deixaria coisas ruins ocorrerem a quem pratica o bem? Ah ,meus caros, uma pergunta bem "perguntada" jamais fica sem resposta pelo Universo. Em um dos meus textos falei que a representação dos grandes iluminados é sempre feita pela imagem do leão. E numa destas minhas distrações ouvi no um filme "Lutem e lutem novamente, até que cordeiros se tornem leões" (Robin Hood) 
Se as coisas não estiverem fáceis para você, tente lembrar que faz parte da sua transformação pessoal e nunca, em momento algum, desista de lutar. Há um leão dentro de cada um de nós, e aí reside a Justiça e a Grande Magia Divina. Saravá Xangô!