domingo, 22 de setembro de 2013

Mundo das Idéias

Menino mata os pais, pai mata filhos, mãe mata as filhas. É o que há no noticiário.E tudo isto quer dizer algo,
gritar, mas o quê? Podemos botar a culpa no Governo, nos partidos políticos, podemos nos unir em passeatas divertidas ou agressivas.Não perguntei em quem por a culpa, nem o que fazer, perguntei o que isto quer dizer.
Jesus ,ao final de sua gira nesta terra, resolveu se dar em sacrifício. Seu sangue eram suas idéias que se esparramaram. Antes dele Sócrates  - o filósofo- que dizia que todos,homens ,mulheres, escravos, podiam pensar sobre as questões importantes da vida com a mesma desenvoltura, "tocou pra subir" com um copo de cicuta. A morte dos dois foi porque eram demais para época em que viviam, precisavam ser eliminados.Podiam ter pedido perdão, podiam ter fugido, mas queriam mostrar que viviam até o fim o que acreditavam. A morte dos dois nos diz que podemos sim - e devemos- mudar, com o propósito da felicidade, energia que nos impulsiona a um caminhar menos dolorido.
Zélio criou a Umbanda, as entidades ensinaram a progredir nas noções de amor,caridade e fé e os umbandistas - ah os umbandistas - estes tem é criado confusão. Sei que não são todos, mas mesmo em menor número,atrapalham. Olhando para minhas contas , da guia de Yansã, fico pensando o que realmente querem. Gostaria que quem tivesse alguns anos de religião voltasse um pouquinho no tempo e lembrasse de suas primeiras giras. Lembra da insegurança, dos dias em que era só entre você e sua banda? Dias de namoro e juras de paixão eterna, até o momento que começou a pensar que sabia mais do que quem acabou de entrar,ou que começou a fazer parte de uma "patotinha" mais "inteligente" da gira.
Sim, estou bem rabugenta. Podíamos estar aprendendo - há muito ainda o que se descobrir- podíamos estar curando, benzendo,amando, mas não. Estamos aqui participando de uma tola corrida para ver quem tem o ogã melhor, quem tem o ponto riscado mais complexo, quem faz os textos mais prolixos. 
Imagino mesmo Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas dividindo um coité com chá de capim limão, para acalmar os nervos. Como fazer para que entendam e pratiquem o  que a Umbanda se propõe? Só há uma forma: se entregar a ela!
Sócrates e Jesus não deixaram uma linha escrita pelas próprias mãos. Imagino os dois pregando suas verdades numa gira em que todos tinham vez. Gosto de pensar nas perguntas de Sócrates para os que nem imaginavam que se podia observar a vida de outro ângulo. Gosto de pensar num Jesus cuja mãe usava da água do banho para curar leprosos. Gosto de pensar numa Umbanda de chão batido, de ervas recém colhidas, no cheiro do charuto e do cachimbo que curam, da pinga jogada no chão, da água do mar e da cachoeira passada na mão dos fiéis. Gosto de pensar na pessoa aflita que tem um milagre concretizado ao som dos atabaques.
Tem gira neste Brasil inteiro. Tem um terreiro numa cidade no interior da Bahia chamada Uauá, o nome deste ponto de oração é Templo de Umbanda Consolação dos Aflitos. Lá ninguém sabe que aqui tem terreiro tal com tantos metros quadrados, ou pai ou mãe de santo com tantos anos de estudos profundos. Não, lá ninguém tem tempo de se importar com isto. O importante lá é dar subsídios para que haja coragem e esperança no dia seguinte.
Os terreiros viraram orgãos políticos de servidores públicos. É uma comissão aqui pra ajudar não sei o que, comissão cultural para se apresentar não sei onde, tem terreiro que tem até comissão de ética. Gente, Umbanda é pra salvar e caridade não é pra divulgar. Um dia meu filho viu que meus caseiros tinham menos comida nos armários do que nós. Pegou feijão,trigo e arroz e levou para eles. É isso que é caridade. Viu que faltava e foi lá e fez. Não é porque ele é meu filho,mas porque é natural ser caridoso, só precisamos lembrar disto. 
Vou contar outra coisa e esta é íntima. Muito braba com algumas coisas que aconteciam num terreiro comecei a disparar indiretas que nem minha mãe Yansã. Cada linha um raio. Chegou do meu lado Pai Joaquim e com a doçura das suas palavras, olhou em meus olhos e disse: perdoe Andréa, não vale a pena isto. Chorei como choro agora ao escrever.Nos olhos de pai Joaquim estava a Umbanda que eu amo. Foi difícil para mim, mas perdoei a quem eu amava tanto e havia me magoado e assim, dois dias depois ele faleceu e levou junto um tanto do meu coração.
Somos todos humanos e erramos sim. Seja porque temos 5 giras de vida umbandista ou 5.000. Somos irremediavelmente todos iguais, embora passemos a vida achando que podemos nos distinguir numa multidão de bilhões de seres vivos. 
E se nós pedíssemos em uníssono pelas famílias,pedíssemos perdão pelos mal entendidos, se fizéssemos nossa caridade dentro e fora dos terreiros quietos, se não ouvíssemos e fizéssemos fofocas, nem nos metêssemos em brigas desnecessárias teríamos salvo todas estas pessoas de que falei no início do texto? Talvez sim.Porque o bem que se faz se propaga e vai muito além do terreiro, atinge pessoas que nem são de nossa religião. Porque o bem se propaga na luz de nosso entendimento.Ele existe já lá no mundo das idéias de Platão, basta trazermos para cá, bem dentro da nossa alma. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Mediunidade Inconsciente?

Todos somos médiuns em maior ou menor grau.Sinceramente? Não gosto desta frase. Equivale a dizer que
somos bons ou maus em maior ou menor grau, só uma constatação,mais nada. É preferível dizer que na vida teremos pelo menos uma experiência mediúnica.Este entendimento pode fazer diferença na visão geral do processo mediúnico.
Somos seres ritualísticos, independente de religião. Por mais céticos que possamos ser, desenvolvemos todo um ritual em nossa rotina e se, por qualquer motivo ela se quebra, ativamos toda nossa consciência em busca do que possa sair de errado.Vou ser mais clara: imagine que uma pessoa ,por anos a fio, levanta as 7 da manhã, escova os dentes, prepara o café e faz sua primeira refeição ouvindo as notícias do dia que começa. Se ,neste ritual, algo não funciona como desejado (a escova de dentes estraga, o café cai no chão,etc) imediatamente uma luz vermelha se acende no cérebro como se fosse um sinal de perigo,fazendo com que nossa consciência se expanda para descobrir o que pode dar errado durante o dia. Pode parecer engraçado, mas de fato ocorre. A Umbanda possui uma gama imensa de rituais que dependem exclusivamente da visão dos pais e mães de santo, o que para nós é uma grande Graça Divina, pois podemos escolher qual é o melhor para absorvermos e compreendermos as energias que nos regem, protegem e auxiliam no bem que possa ser realizado em nós e por nosso intermédio.
Certo dia conversava com um amigo sobre mediunidade inconsciente. Como em minha vida ,algumas vezes, moradores de rua em estado alterado de consciência vieram me dar "mensagens" que me auxiliaram muito acredito que estas pessoas sejam mensageiros inconscientes. A inconsciência na mediunidade, porém, não é algo proveitoso, além de ser perigoso: muitos umbandistas sabem que a mensagem que é passada para o consulente, muitas vezes nos servem também. Imagine você emprestando seu carro para uma pessoa dirigir vendada num trânsito pesado: não há como isto dar certo.
Mas não é a mediunidade inconsciente que me preocupa: o que me faz pensar é a consciência do umbandista. Quantas vezes você se alimenta pensando no que está ingerindo? Ou quantas vezes você anda pela rua prestando atenção no caminho? Nossa mente sempre está em movimento, mas poucas muito poucas vezes está atenta ao momento presente. Quando um filho está passando por dificuldades e tentamos ajudá-lo, nossa consciência estará onde ele estiver. Nosso pensamento gera energia para que estejamos "presentes" onde julgarmos mais importante.
Se estamos apaixonados, nossa mente estará com o ser amado e se, por algum motivo, não tenhamos informações desta pessoa ou não consigamos contato imediato, a mente já elabora situações que possam estar ocorrendo para explicarmos a ausência. São estas coisas que "achamos" que podem diminuir nossa faixa vibratória: medo de perder o amor, o emprego, a saúde. Neste ponto ocorre o que o Caboclo do Mar chama de auto-obsessão, que pode nos trazer muitos transtornos e sofrimentos desnecessários.
O ponto que eu quero chegar é: por onde anda  consciência do umbandista? O que queremos da religião de fato? São travadas guerras estúpidas pela atenção do pai ou mãe de santo, seja para ouvir que é um bom médium, para minar a confiança deles em alguém que está "aparecendo demais" ou galgar  "cargo" na hierarquia. Os que praticam estas coisas, em meu pequeno entendimento, só podem ser médiuns umbandistas totalmente inconscientes da missão da religião no Brasil.
A consciência plena em uma gira é também um grande aliado no processo de conhecimento. Observar os movimentos sem julgamento preconceituoso, observar a si mesmo e perguntar sempre que necessitar são elementos mais do que necessários para a evolução da Umbanda, que começa necessariamente em nós mesmos.
Como religiosos temos mais chances de experimentarmos grandes e maravilhosas experiências mediúnicas, independente da religião, mas é ,antes de tudo, necessário comprometimento. Uma experiência mediúnica só se tornará relevante se auxiliar a mudar o nosso padrão vibratório e do próximo em relação a problemas que tenhamos que resolver. A mediunidade pode ser um lenitivo para as dores do dia-a-dia, mas na Umbanda ela é, principalmente, um instrumento de transmutação energética e deve ser sempre levada a sério, pois somos médiuns 24 horas por dia. "Batucai" e vigiai seus pensamentos sempre!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Caminhando com Ogum

Eu acredito em fadas e ponto. Eu acreditar não altera em nada, mas ao contrário, como reza a lenda, pode causar sérios problemas a estes pequeninos seres e não sei quanto tempo aguento batendo palmas.Na dúvida, sempre pró réu. Da mesma forma, quando um ser humano que nos admira e crê no que falamos, vê sua fé ficar manca por uma idéia proferida por nossa boca, pode perder as asas bem na nossa frente e virar um amontoado de matéria sem luz.
Entre os umbandistas há problemas muito sérios. Um deles, como relatado pelo Alexandre Cumino, é o costume de não se dar o devido crédito a quem formulou uma idéia. Eu não acho isto de todo mal,porque se for para auxiliar verdadeiramente não há problemas. O grande perigo ocorre quando o uso desta idéia é quando ela está vinculada a toda e qualquer forma de manipulação do ego.
A palavra milagre provém do Latim MIRACULUS, “causa de espanto, admiração”, de MIRARE, “olhar com espanto”, de MIRUS, “maravilhoso”. Um milagre só pode existir se houver uma fé, senão deixa de ser milagre e para  ser simplesmente ciência. É óbvio que há de se ter equilíbrio para poder enxergar uma Obra Divina.
Em algum momento você já deve ter se perguntado porque antigamente havia mais manifestações espirituais. Elas continuam acontecendo, mas a grande questão é que nos tornamos demasiado barulhentos, o que nos impede de presenciá-las. E , o barulho, meus amigos, está dentro da nossa mente, não fora. "Falei" com muitas pausas para que você realmente "ouça". E eu e você não podemos ser escravos de nossas próprias mentes. O conhecimento desordenado corrompe!
A Umbanda nasceu para ser livre e nos libertar do julgo do pseudo-conhecimento, o falso ouro da mente humana. Algumas "criaturas" de Deus vem, ao longo dos últimos anos propagando a idéia do escritor WW  da Matta e Silva que diz o seguinte em seu Livro Lições de Umbanda e Quimbanda: "....aqui é preciso que entre em jogo o discernimento, para poder separar esses neuro-anímicos, que são maioria e que não têm nenhuma mediunidade positiva, mas que querem ser médiuns de incorporação, dos que, realmente são médiuns, mas de irradiação intuitiva e que, também, pretendem ser de incorporação, por serem levados a se considerar como médiuns conscientes, embora queiram ser ou digam para os outros que são médiuns inconscientes."
A vaidade das vaidades é julgar o próximo, colocando-se sempre num patamar acima. O problema aqui não é o sr. da Matta ter suas idéias, o problema são os que piçam idéias, transformam sem nenhum critério e dizem que são suas idéias originais. Falar para um médium no início de sua caminhada que o que ele incorpora é uma energia que está dentro dele mesmo, é acabar com o milagre e retroceder à senzala que nos prendeu por anos a fio, pela simples vaidade de compor um pensamento e querer se perpetuar com ele. E estas mesmas pessoas que falam insanidades sobre o "incorporar" do próximo, relatam experiências com suas entidades como as únicas dignas de confiança.
Médium umbandista, se você faz parte de uma corrente, confie mais em seu dirigente e menos no Google. Só o seu zelador de santo pode ajudar efetivamente porque ele conhece sua energia e seu potencial. Ele ou ela podem , se necessário no início, indicar leituras ou mesmo dirimir pessoalmente dúvidas que o estejam perturbando.Não se aprende a incorporar pelo Youtube, sinto muito, só há um meio para isto: incorporando num terreiro. Não se atenha à vaidade de tentar descobrir se sua mediunidade é do tipo A,B ou C, o que importa é o resultado.
Muitas e muitas vezes em minhas psicografias entidades começavam falando para as pessoas desta forma: " Como eu te dizia...." Depois de terminada a mensagem as pessoas que a recebiam me contavam que a entidade que assinava realmente não havia terminado o atendimento em outros terreiros e ali estava a prova de que realmente  ela estava a cuidar do consulente. Portanto, não é justo tentarmos tornar nossa amada religião em ciência, onde tudo tem que ter uma explicação.
A Umbanda é livre,  não é justo arrastarmos correntes pesadas da falta de fé. Outro ponto que é pertinente nesta linha de raciocínio é o ritual. Nós precisamos de uma ritualística toda para aquietarmos o barulho que fazemos em nossa mente e ritual é algo pessoal. Se no seu terreiro foi adotado um ritual é ele que está valendo e nenhum outro, pois foi formulado a partir das experiências que seu pai ou mãe de santo tiveram até chegar na condução de uma gira. Por este motivo, só entre numa casa a partir do momento que esteja convicto que a energia que está ali vai te auxiliar no seu desenvolvimento pessoal.
O caminho é sempre o do equilíbrio, inclusive o da fé. E a nossa fé é simples, desde o seu começo, quando nos libertamos dos preconceitos que a vaidade impôs, através do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Ora, vigia e coloca em prática a fé, o amor e a caridade. Todos os caminhos de Ogum dentro da fé nos pertencem. Saravá!

domingo, 4 de agosto de 2013

Palavra de Caveira

Sempre falei pros meus filhos: vocês têm sim voz ativa nesta casa e mandam mesmo, em tudo que for menor que vocês em idade: cachorros ,galinhas e formigas. No cavalo não ,que é mais velho. Está certo que isto é meio frustrante,mas os meninos sempre parecem "galinhos" no primo canto e tem que alguém botar ordem nos impulsos da testosterona.
Cada fase da vida, seja de homens e mulheres, é recheada de questionamentos e pensamentos próprios.Quando estamos seguros do que estamos fazendo, é hora de passar de "fase". Somos testados pela vida, seja por nossos pensamentos ou hormônios, e isto é a base de todo nosso aprendizado e crescimento. Tudo é uma questão de entendimento, porque o desenvolvimento é individual e o jargão "errar é humano" tem prazo de validade.
A Umbanda está firmada e cruzada em três pontos: fé, amor e caridade. Básico ,porém não é simples.Como tudo que envolve manipulação de energia há no espelho seu lado contrário. A outra face é o poder embasado em três aspectos: dinheiro, sexo e dominação. Na Umbanda não há espaço para enriquecimento através da mediunidade, a não ser o enriquecimento da fé através de comunicações que norteiem o caminhar de quem já não consiga dar um passo. Na Umbanda não é  lugar de homens e mulheres demonstrarem sua virilidade, é lugar onde os corpos servem tão somente para transportarem o Amor Maior do Divino, através do trabalho desenvolvido em conjunto com as entidades e energias Orixás. Umbanda , por fim, não é lugar da dominação pela manipulação do conhecimento, mas da dádiva da caridade em ensinar e proporcionar o entendimento de que somos sim todos iguais perante a Lei Maior.
Estava muito chateada com coisas que tenho visto nesta religião tão amada, então tive a felicidade de receber duas mensagens que gostaria de dividir com vocês. A primeira é a seguinte:
"Filhos de Umbanda, levantai seus olhos para o Poder Maior todos os dias ao amanhecer. Peçam força, amor e verdade no cumprimento de sua missão nesta terra e os Orixás lhe responderão. Não pode passar fome aquele que sacia a fome de seu irmão, não há de passar frio o que aquece o menos favorecido, e não terá sede da palavra Divina aquele que ouve com atenção a dor de seu igual. Traçamos nosso caminhar pelas ações de fé numa Força Maior. Quem não é de fé e da fé jamais entenderá a importância destas palavras. Ao caminhar escuto meus ossos e lembro da fragilidade da minha alma, mas há muitos que caminham sem escutar a terra que se move em energia e luz. As sombras são os lugares prediletos de quem foge da Verdade, mas o farol do Bem Maior sempre as alcança e ilumina. Eu mesmo, precisei ser iluminado para enxergar minha condição e, enxergando, preferi permanecer na forma para que assim , ao me olharem, estejam certos de suas reais intenções na fé. Mudei meu conteúdo para levantar quem havia caído em erro, mas permaneci na forma,como caridade, para que cada um e eu mesmo nunca esqueça de que se desviarmos do real caminho teremos também nossa "recompensa". Todas as noites agradeçam a seus guardiões o bem que por ventura conseguiram praticar e peçam sempre proteção para que seus próprios pensamentos e intenções impeçam de continuar trilhando no caminho verdadeiro da Umbanda. Aproveitem seus dias e noites, e que o Bem Maior sempre esteja junto a vocês. Exu Caveira."
Outra mensagem foi postada pelo meu querido amigo e irmão de fé o Babalorixá Paulo Faria, filho amdo de Ogum, e que nos faz refletir também sobre nosso caminhar:
Um garoto perguntou ao pai: - Qual o tamanho de Deus?

Então ao olhar para o céu o pai avistou um avião e perguntou ao filho:

- Que tamanho tem aquele avião?

O menino disse: - Pequeno, quase não dá para ver.

Então o pai o levou a um aeroporto e ao chegar próximo de um avião perguntou:

- E agora, qual o tamanho desse?

O menino respondeu: - Nossa pai, esse é enorme!

O pai então disse: Assim é Deus, o tamanho vai depender da distância que você estiver dele.

Quanto mais perto você está dele, maior Ele será na sua vida!

Que a nossa voz ativa esteja sempre em consonância com os caminhos do Criador! Boa semana! Axé!


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Nanã e o DNA

Família tem umas coisas bem características às vezes, que com o tempo passam a fazer parte de nossas
memórias e da saudade também. Mãe quando fala braba que a gente é bem parecido com o pai, geralmente não é elogio. A ciência nos "apresentou" ao DNA, que nos mostra que nosso corpo é predestinado a algumas coisas. Cor de pele, cor dos olhos, traços de fisionomia, são pequenos detalhes de um enorme histórico, de milhares de séculos que trazemos, aperfeiçoamos e transmitimos aos nossos filhos.
A ciência é uma mãe que pode dizer que nosso corpo é destinado a alguns tipos de doença que têm poder de limitar nossa vida, do mesmo modo que pode nos indicar os remédios e intervenções necessárias para melhorar e aumentar nossa expectativa de longevidade. No entanto, entre uma coisa e outra, há nosso poder de decisão.Se há em nossos cromossomos a possibilidade de nos tornarmos diabéticos, haverá a possibilidade de evitarmos que a doença se instale -dependendo do grau- em nossos corpos com dietas naturais.
Note o que eu usei - haverá a possibilidade de evitarmos que a doença se instale- porque dependerá , logicamente,do pensar do indivíduo. Há uma série de variantes que pode fazer a pessoa não aceitar a verdade ,mesmo que ela tenha a verdade tatuada em seu DNA. Então no uso de seu livre arbítrio, o ser humano, pode aceitar ou não o destino que sua genética impõe, como também é detentor da possibilidade de melhorar a espécie. Meus caros leitores, quer queiramos ou não, ainda sobrevive em nós instintos que nos levam a procurar pessoas para "procriar" e "melhorar" nossa espécie geneticamente, embora seja bem sutil no meio deste mundo conturbado.
Creio que tenhamos um DNA espiritual também, que da mesma forma que o físico, nos predestine a algumas coisas,mas que nunca limitará nosso livre arbítrio. Reza a lenda que nossas almas foram moldadas no barro de Nanã, Orixá que está tanto no princípio como no final de nossas vidas, como diz este texto que eu achei mais apropriado:"Pertencem a Nanã os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, entretanto, o que a melhor sintetiza é o “grão”, pois, além de Nanã possuir domínio sobre a agricultura e desenvolvimento do homem, todo “grão” tem que morrer para germinar. Nanã é que dá nascimento às sementes permitindo transmutação e transformação contínua para que nada se perca.

Nanã é considerada a Divindade da Lua Escura, essa Lua também é chamada de fase Balsâmica que tem como atributo a energia passiva, receptiva e libertadora propiciando o esquecimento do passado para se direcionar ao futuro. Assim, como Nanã Buruquê, libertar o passado para iniciar um novo ciclo, com consciência e clareza."*
A reencarnação é a possibilidade do amadurecimento do nosso DNA espiritual. Há coisas ,em nosso espírito, que não se consolidam em uma vida só. Eu acredito em almas predestinadas, que trazem missões de amadurecimento tanto para si mesmas, como para um grupo ou uma cultura,mas também têm como principal motor propulsor o livre-arbítrio. Se Hitler houvesse usado sua grande mediunidade no sentido contrário ao que tomou a história poderia ter sido diferente, assim como se Chico Xavier houvesse se negado a entregar sua vida à caridade, ou mesmo Zélio de Morais, não estaria aqui escrevendo.
Somos todos elos do DNA infinito de Deus. Por vezes nos unimos em grupos diferentes que nossas famílias com os quais temos mais afinidade, muito embora nosso real aprendizado venha de sabermos lidar com relações difíceis.A purificação e a evolução de nosso DNA espiritual só é possível com o entendimento pela fé do que é o amor, fraternidade e a caridade, através das mais diversas experiências neste sentido.
Como umbandistas precisamos entender a energia de cada Orixá, mas também escutar a voz da sabedoria em cada entidade. Nas palavras proferidas há a energia das águas doces e salgadas, dos ventos, do fogo, da terra mãe e da solidez milenar das pedras, elementos transformadores e edificadores.
Nas comemorações à Nanã que seja nos dada a possibilidade de transmutar nossos pensamentos para que nossa haja progresso espiritual e que ele não somente nos atinja,mas à humanidade como um todo. Saluba Nanã!





sexta-feira, 19 de julho de 2013

Disciplina e Umbanda

Meu querido, acho fantástico que você ajude o seu pai a fazer novas leis, mas nosso problema no momento é fazer com que você cumpra as já existentes neste Colégio...A resposta foi dada a um filho meu que quis impressionar a coordenadora, em mais uma ida ao seu gabinete. Adolescente é assim mesmo: tem que contestar, argumentar, mas ainda não tem experiência suficiente para entender seus próprios equívocos. Disciplina é um norteador importante nesta fase. Tudo tem seu tempo certo, então a quem tem mais tempo é preciso discernimento para saber explicar com paciência,não basta dizer apenas que sabe mais.
Uma outra amiga minha falou estes dias que o lado "fofo" dela era Clarice Lispector. Tive que informar que Clarice nunca foi "fofa", ela era tão intensa quanto Yansã. Não que ela fosse obrigada a saber,pois hoje se faz leitura rápida feita apenas com frases soltas no Facebook.
É neste ponto que entro no meu assunto predileto: a Umbanda. Muitos sabem da Umbanda tanto quanto minha amiga sabe da Lispector, mas o que é pior, há outro tanto de gente que age como meu filho: querendo fazer mais leis, enquanto as já existentes são renegadas, porque o que está valendo é inovar.
Não sou contra inovações, até porque em termos de espiritualidade, quase tudo já existe ou existiu. Cada um segue a linha que mais é adequada a sua energia,mas cabe ao dirigente de cada casa ensinar cada filho de corrente da melhor forma possível. Sei que ninguém, nos dias atuais, pode dispor de muito tempo para seus filhos de corrente,mas são informações essenciais que vão evitar que o médium chame alguma Pomba Gira de "fofa".
Umbanda é séria, pois envolve necessariamente o tratamento da dor do próximo, seja ela qual for. Entender que mediunidade não é qualidade e sim funcionalidade, como sempre falo, também é essencial. Há muita coisa a aprender, mas é preciso não tornar a Umbanda inacessível, porque seu fundamento é fé, caridade e humildade. É necessário saber, mas o excesso de conhecimentos também é perigoso- assim como qualquer forma de poder sem equilíbrio- pois torna os incautos em arrogantes.
Rogo aos pais e mães de santo, que sejam realmente pais e mães. Sustentem seus filhos com o pão do conhecimento que têm, para que eles multipliquem as bençãos da Umbanda em fé fundamentada. Abençoem seus filhos de corrente com o conhecimento pleno da caridade, que começa no próprio médium. Cubram cada médium com o manto do amor dos caboclos, dos pretos-velhos e dos erês.
Aos médiuns cabe também o esforço do aprendizado, as entidades ensinam muito ,mas é preciso entender o que dizem e isto leva um certo tempo. Eu sempre falo que , por fazer psicografias, sempre tive o cuidado de prestar bem atenção: "vou te cobrir de ouro" e "vou te dar um couro" soam iguais ,mas são duas coisas bem distintas. Um querido pai de santo de São Paulo estes dias postou em minha página um desabafo: os médiuns não se preparam mais para as giras, talvez "por falta de tempo". Tão importante quanto a gira é a preparação, os cuidados que antecedem e os cuidados pós gira. É necessário, e sempre será, que sejam feitas as firmezas com anjo da guarda e com seu Orixá, os banhos de ervas. Há também os jovens médiuns que ,após a gira, vão aproveitar as baladas, que acabam por resultar em problemas invariavelmente.
A Umbanda "cobra" antes de tudo firmeza em nossos propósitos. É de extrema importância que ,de vez em quando, nos perguntemos o que esperamos da nossa atuação na religião. Seja qual for nossa posição dentro de uma gira, se a resposta for diferente de uma atuação pela fé, amor e caridade através da fraternidade, da paciência e do discernimento é melhor se afastar e buscar equilíbrio ficando na corrente.

sábado, 25 de maio de 2013

As 7 Encruzilhadas da Umbanda

Há algum tempo sem escrever, passeava por este blog pensando sobre o que faltava falar. E uma voz,
insistente, me dizia : ora, tudo, né Andréa? Os fatos vão se sucedendo em nossas vidas, vamos crescendo -às vezes diminuindo também- mas tudo está em constante mudança. Em Física Quântica, que pouco entendo- diz-se que tudo que se observa, muda imediatamente. Na esperança de mudanças, vamos fazer uma pipoca, sentar no sofá e observar um pouco como as coisas estão.
Impossível se falar em Umbanda sem citar, vez por outra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Está faltando uma flor aqui, então vamos colocá-la. Não sei em que momento, neste nosso caminhar, que os umbandistas resolveram intelectualizar a religião, mas assim tem sido. Em nenhum momento esta entidade falou: façam psicologia, psiquiatria, medicina ou qualquer outro curso superior e vão professar a fé. Muito ao contrário, promulgou a igualdade entre espíritos encarnados e desencarnados, que falaria aos humildes. 
O conhecimento é muito bom, eu mesma amo conhecer, saber. Mas vou te contar um segredo: nada, absolutamente nada, se compara ao prazer de conversar com uma pessoa que traz a sabedoria da vivência. A vida, meu caro leitor, é graduação para que a ela se entrega. Não pense que é fácil a entrega. Podemos nos jogar em suas águas profundas ou usar alguém ou algo de bóia. 
Num destes textos que ando lendo, está lá em letras garrafais (exagero meu ,lógico) religião é um processo de aquisição - e não a posse definitiva da verdade. Quando estreitamos o gargalo da Umbanda com intelectualidades pré-fabricadas, teorias e outras coisas do gênero numa gira, impedimos a espontaneidade dos médiuns e a credibilidade das entidades. Não estou dizendo de forma alguma que nossos saberes venham a conflitar com a Umbanda, só que eles não devem de forma alguma serem expostos dentro de um local que se dispõe a promulgar a fé para os mais humildes. 
Ser médium não é fácil para ninguém e em nenhuma religião. Ser mediador entre a fé e o Divino, não é tarefa fácil, também, para nenhum dirigente de religião. Não basta assumir que nem tudo sai como esperamos. A primeira encruzilhada é a caridade. Caridade em ouvir com o coração o médium, caridade em ouvir com o coração o dirigente, entendendo sempre que são seres humanos falíveis e em aprendizado permanente. 
A segunda encruzilhada que nos deparamos é a da coragem. As pessoas esperam que sejam salvos pela palavra que proferiremos e com as quais direcionarão suas vidas. Nem sempre estaremos prontos. Aliás, quase nunca.Coragem para receber a mensagem certa para aquele ser humano depende da entrega.
A encruzilhada de número três, é a fé. Não nas entidades, mas em nós mesmos. Ter fé em si mesmo é essencial. Porque as pessoas podem ser bem cruéis, na maioria das vezes pelo medo que sentem com relação a si mesmos.
Caminhando um pouco mais, nos deparamos com a quarta encruzilhada que tem uma placa grande e em neon: por que continuar na Umbanda? Cada um tem sua resposta, não adianta colar do vizinho. A resposta certa é que norteará seus próximos passos. A quinta encruzilhada é a da verdade. O mundo espiritual tem suas verdades e elas são irredutíveis. Se você vibrar na cor azul, só receberá de volta elementos azuis. Se você vibrar na cor branca, receberá elementos de todas as cores que o contém e precisará saber lidar com cada um. A sexta encruzilhada é a do respeito, parece fácil,mas não é. Entender porque alguns preferem a vida e outros o lado sombrio, é realmente difícil. As aparências enganam muito nesta fase. E esta vai em especial para meus amigos lá do CEUOM de São Gonçalo-RJ. Às vezes , algo que parece muito bom, como mimar um filhotinho de cão por exemplo, pode trazer consequências terríveis mais tarde- como o choro dele durante a madrugada que não nos deixará dormir. Por outro lado, as grandes tragédias, aquelas que fazem a gente pensar que tudo está perdido, num futuro não tão distante, pode ser visto como o alicerce de toda a nossa força. Não há de fato como se julgar, basta - e não é fácil,repito- respeitar os fatos.
A última encruzilhada, a qual passaremos para trilhar uma estrada sem fim em direção ao Divino, é sem dúvida a do Amor Pleno. Jesus, Buda, Chico Xavier chegaram ao amor pleno, eu creio.
Assim como nós mudamos o mundo ao olhá-lo, como falei lá no começo de nossa conversa, creio muito que mudamos quando o Divino nos olha. Espero que você desperte a atenção das hostes superiores e que a vida lhe sorria. E que, como o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse ao explicar seu nome, não haja caminhos fechados para vocês.