segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pensamento - A Criatura

Criação de Rafael Arrais
"No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.' A palavra verbo deriva do latim verbum que significa palavra.É lógico que na frase o verbo tem um sentido mais amplo. Nunca em momento algum, em nenhuma religião (brincando um pouco) disseram que Deus usaria do gerúndio. Eu realmente não gosto, mas alguém algum dia instituiu que os atendentes de telemarketing poderiam abusar dele.Não imagino Deus respondendo às minhas orações com um: Estaremos atendendo seu pedido em breve.
Estes dias me perguntaram o que nós Umbandistas fazemos num terreiro. Praticamos magia, é claro, mas daquelas mais difíceis. Usamos de todos os campos vibracionais da natureza para transformar os pensamentos das pessoas e com isso elevar seu campo vibracional. Infelizmente, quando isto acontece, não aparecem fogos de artifício ,nem nada materialmente que demonstre na hora tal milagre.
Creio que todo ser humano deveria ter algo na escola que ensinasse um pouco como é o pensamento e como lidar com ele. Como na Teoria da Evolução um pensamento nasce, cresce, se reproduz, sofre mutações e eventualmente morre.Esta idéia vem de William S. Burroughs que em 1959, em seu livro Naked Lunch, onde diz também que a “Linguagem é um Vírus”.Encontrei isto no brilhante texto do Rafael Arrais, em seu blog que disponibilizo logo abaixo o link para leitura. Lá ele versa sobre os vírus mentais que nos afetam hoje e é imprescindível para membros de qualquer religião, inclusive os ateus.
Os pensamentos nos dominam, se deixarmos que isto ocorra. Em meu livro Terapia do Pensar falo que é impossível, como queria Jean Piaget, que tenhamos um pensamento linear. Sempre haverá algo, no meu entender, dentro ou fora de nós que nos distraia, nos tire o foco. Estamos, internamente, em constante luta para manter a consciência.
Se nos entregarmos a pensamentos derrotistas uma simples gripe é capaz de dar cabo à nossa vida. O contrário também ocorre: podemos ser curados por nossos pensamentos. Uma pessoa triste, com pensamentos sombrios afeta toda sua composição química e hormonal, baixa sua imunidade. As idéias que coloco aqui são de conhecimento geral, mas a prática é muito difícil às vezes. Daí o trabalho dos Terreiros ser tão importante.
Quebrar uma linha de pensamento estabelecida há anos requer determinação e muita força. Neste sentido o apoio das entidades e dos campos vibracionais dos Orixás são essenciais dentro da Umbanda. Imagine que tudo que está à sua volta, de material e concreto, começou com um pensamento que evoluiu. Não há nada deste mundo ,criado pelos seres humanos, que não tenha sido um pensamento. Num plano menos sólido, da nossa relação com o mundo que vivemos, eles atuam da mesma forma. Criam situações nas quais nos aprofundamos sem nos dar conta.
Falar do pensamento como algo à parte do nosso corpo, como um ser vivo, às vezes soa como falar no gerúndio. Totalmente desagradável, mas deve ser dito. Todos os dependentes químicos sofrem mais dependência por causa dos pensamentos recorrentes. Assim como relacionamentos conturbados, vida financeira difícil. Quebrar estas correntes de pensamentos que nos prendem a situações complicadas requer reconhecer o pensamento, força de vontade, fé e magia.
Reconhecer que algo não nos faz bem, por incrível que possa parecer, é um passo difícil ,mas imprescindível. Tenho um amigo que falava: Andréa, a pessoa que passa a vida comendo mamão estragado passa a achar que aquele é o normal da fruta e quando come uma boa estranha. Este é um passo que só podemos dar sozinhos. Querer mudar a situação requer força de vontade e nisto há um grande aprendizado, talvez o motivo pelo qual nos metemos em situações ruins. O nosso espírito precisa aprender e ele só o faz, na maioria das vezes, na prática. 
Entender o que é bom ou ruim leva tempo , às vezes, pelo menos para as coisas realmente importantes. Correr para qualificá-las é um erro. Sempre cito o exemplo do falecimento de minha mãe. Passei dois anos chorando a morte dela e ainda tenho saudades. Contudo, se naquele momento, isto não tivesse acontecido, outros momentos que me fizeram crescer, que foram muito bons, também não ocorreriam. A humildade na prática da fé é um sustentáculo importante, pois é com ela que quebramos nosso ego e os pensamentos derrotistas.
A magia, como diria Pai Maneco, é só o nome que damos a algo que ainda não sabemos explicar. Vou citar uma frase que creio ser interessante no contexto e que foi muito veiculada hoje no facebook e creditada à tribo norte americana Seneca : “Quanto mais esperto o homem se julga, mais precisa de proteção divina para defender-se de si mesmo”. Vigiai seus pensamentos dia e noite, sempre com bom humor! Boa semana!

O texto que citei do Rafael Arrais

Peço mais uma vez o apoio de todos vocês. Adquiram meu ebook, veja na coluna à direita. Grata!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Encantamento!

Roberta Cavalcanti e Paula Moraes quebrando a 'barreira do som" interno 
Falar da vida é tão fácil quanto ensinar uma receita de bolo, não é? Faça assim ou assado, a pessoa copia a receita e pronto. Dependendo da fé, o bolo pode ficar melhor do que aquele feito por quem criou ou embatumar. Fazer comida é assim, como diria meu lindinho, um ato religioso.
Sempre quando eu falo de Umbanda, ou da vida mesmo, coloco uma pitadinha disto ou daquilo, para que você possa montar sua receita sozinho. Faço isso porque tenho em mente que a Umbanda é livre. Ninguém pode ser conceituado mais ou menos umbandista por este ou aquele ingrediente que coloca na concepção de sua fé. Os elementos básicos que não podem faltar são: os Caboclos, os Pretos e as Crianças, por consequência o amor , a fé e a caridade. 
Para exemplificar, não há nada melhor do que os índios: cada tribo tem uma forma diferente de fazer suas orações, suas curas, mas, em momento nenhum deixam de ser índios , ou serem melhores uns em detrimento de outros. Lembro até hoje o dia que tive a oportunidade de ir a uma tribo. há uns três anos atrás, e participar de seu ritual. Ali , em termos espirituais, é um mundo infinitamente mais rico que o nosso, pois eles vivenciam a fé.
Sempre falei que o principal dom de um médium de umbanda deve ser o da observação, e vai ser bem difícil eu mudar de opinião. A responsabilidade é tão grande, conosco mesmo, com os guias com os quais trabalhamos e com as pessoas que são atendidas por nós, que trilhar o caminho do aprendizado se estende por toda a vida. Muito embora possamos ler e estudar, a nossa experiência, dentro de nossa capacidade pessoal de discernimento pela prática é fundamental. Daí voltamos para a imagem da receita de bolo: a mesma fórmula fica diferente conforme quem a faz, por diversas variantes: dos ingredientes ao forno, da temperatura ambiente até nossa própria energia.
Por tantas variantes, não podemos nos condicionar à receita original. E não estou dizendo isto para que se rebelem contra qualquer tipo de rito, antes o enriqueçam com seu próprio entendimento. Esta semana conversando com minha amiga Roberta Cavalcanti, da gira que frequento, ela me contava sobre sua experiência em conjunto com a Paula Moraes na viagem que fizeram à Índia. Estar em uma terra em que vivenciam a espiritualidade a qualquer hora do dia, com naturalidade é surpreendente, me contava Roberta. O que eu senti é que nela algo mudara: ultrapassou a barreira do som interno e provavelmente está em outro plano de conhecimento.
 Todo mundo pode ultrapassar as próprias barreiras e ir além, e basta se permitir observar, sem pré-julgamentos. Cada vez que observo a natureza aqui em casa é como se ela me observasse também, me modificasse. A maioria tem uma vida dura e considera difícil este tipo de desenvolvimento. Você pode tentar observar as pessoas que o cercam, as pessoas que pegam o ônibus, que caminham nas ruas. Em tudo há aprendizado para quem quer de fato melhorar. E por mais estranho e rude que possa parecer, cada um de nós que possui mediunidade, que pratica a Umbanda, ou que não faça nenhum dos dois, está nesta terra para aprender e não salvar a humanidade. Talvez tenhamos é que salvar a humanidade dentro de nós mesmos.


Achei muito relevante colocar esta foto também , que o Dênis Petuco postou em seu Facebook com a seguinte mensagem: " O estranhamento diante da diferença não precisa ser vivido na forma do racismo; é possivel vivê-lo como ENCANTAMENTO! E que não nos esqueçamos: o preconceito - ou sua negação - são aprendidos na cultura."


Nota: Gostaria que vissem, na coluna ao lado, a nota que coloquei sobre a venda do meu ebook. Grata!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Metamorfose

Andei meio sumida da civilização. Às vezes, isto é bem necessário para sabermos por onde continuar a andar. Embora não tenha tido contato com ninguém, reciclei minhas idéias sobre a vida e a Umbanda.
Nada e nenhum evento existem por si só. Uma pedra abriga, no lugar em que repousa, uma vida imensa e necessária para alimentar outras vidas. A própria morte é necessária para que desperte a  vida em alguém, assim como a vida abriga em si a possibilidade de repouso eterno para algo. Assim que viemos a este mundo ,embora não pareça a princípio, nos envolvemos numa rede de expectativas e ansiedade com tudo que nos relacionamos,porque fomos alimentados automaticamente dentro do ventre e estivemos acolhidos em águas quentes- tudo perfeito. Então ao encontrar uma pessoa que diga que não cria expectativas com relação a nada, primeiro ela pode ter o dom de fantasiar sobre a realidade e segundo não se deu conta que realmente tem expectativa com relação a si própria: de não criar expectativas em sua relação com o mundo.
Há uma rede muito grande na simplicidade da Umbanda que torna necessária a observação.  Quando se aceita a possibilidade de ser médium, aceita-se também, mesmo que sutilmente, a possibilidade de que seja uma missão assumida antes da reencarnação, e muito provavelmente não se encontre um médium que não pense assim. Não digo que isto é correto, apenas observo isto. Este contrato velado com o Divino, a mediunidade, tem em sua escrita cláusulas que se esperam ser éticas e imutáveis : uma certa regalia na vida por auxiliar o próximo, nem que seja a completa e total proteção do Divino a intempéries próprias da existência.
Como em um namoro, acreditamos no amor recíproco com nossas entidades. A devoção e a lealdade são obviamente recíprocas. Se restringirmos em 180 graus nossa visão, perderemos a noção completa do que é a mediunidade e o relacionamento com os seres espirituais. Quem está a mais tempo na religião sabe o quanto é comum encontrar indivíduos que, apesar de estarem há décadas  professando a mesma fé, desistem de tudo por fatalidades. Não avisar que perderemos entes queridos é considerado falta grave no relacionamento com as entidades, na restrita visão humana, e assim, alguns desistem no meio do caminho sentindo-se traídos.
Como seres humanos nossa visão é parca. Entendemos sim que a morte é, para o mundo espiritual, uma passagem de plano apenas, até que aconteça conosco. Portanto até que se entenda, e se passe adiante, que mediunidade é uma forma para se desenvolver o espírito, no sentido de fazê-lo treinar a visão interna, ninguém terá a segurança de entender a relação do umbandista com as entidades. Todo umbandista que incorpora ou se comunica com as entidades conforme suas habilidades pessoais, está , no mínimo, ligado a quatro tipos de espíritos: o Caboclo, o Preto, a Criança e o Exu. Quatro visões diferentes do mundo para que o médium conheça e estruture sua própria verdade sobre seu espírito. Auxiliar ao próximo, nada mais é do que a possibilidade de ter mais um ponto de reconhecimento desta verdade e nunca uma forma de barganha com o Divino.
Nosso senso de justiça é restrito, pois temos como advogado principal nosso próprio ego, quer aceitemos ou não. É ele quem dita à nossa mente as retribuições devidas a cada ato nosso sobre esta terra. Entretanto, um médium não deve ser um ser resignado, antes tivesse a capacidade de se reconhecer como um pesquisador cujos resultados podem não ser obtidos em uma só vida.
Tudo tem um propósito, até o movimento das nuvens no céu e da lava no interior da terra, quem dirá que não há nos passos de um ser que se diz filho de Deus, provido de uma alma imortal. Só se pode entender o passado no futuro e ele, o futuro, está sempre um passo adiante da nossa idéia no presente. Portanto a única certeza sobre os fatos que pode mudar é a do passado, nunca a do presente, nem tão pouco a do futuro. Ao nascer, o bebê, em seu desespero do nascimento, deve imaginar que outras “desgraças” podem ocorrer além do ar que queima - lhe os pulmões, e daquela sensação de sua pele sendo “lixada”- ao ser enxuto após o primeiro banho, jamais pensaria que o ar é necessário para viver neste mundo e enxugar seu corpo é condição para que não morra de frio. Para um bebê a primeira mamada é o maior milagre do mundo, depois do tenebroso início e alguns anos mais tarde nem lembra este evento. 
Somos lagartas em busca da transformação plena, enquanto caminhamos pelo mundo, seja lá a idade que tenhamos.Enquanto vivos, neste plano, estamos nos transformando. Portanto creio que o melhor meio é buscarmos sempre a nossa própria verdade e não a que é imposta pelo outro. A descoberta da paisagem no meio do caminho e nossa visão sobre ela é que fazem a viagem se tornar inesquecível. Axé a todos!




Nota: Gostaria que vissem, na coluna ao lado, a nota que coloquei sobre a venda do meu ebook. Grata!





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Milagre na Umbanda

Férias. Creio que deveríamos ter o direito de nos afastar de tudo, uma vez por ano, para descansar e reavaliar (principalmente) nossos caminhos nesta vida. De longe, creio, podemos ver com mais nitidez e enxergando melhor, descobrir as bifurcações que as estradas podem ter. 
Todo umbandista deveria reler a história da criação da religião a cada período de férias. Embora a história nunca mude, nós mudamos o jeito de enxergá-la. Temos o privilégio de, depois de um ano de atuação e aprendizado mediúnico, utilizar o tempo de folga para ponderar sobre a religião, baseados num extenso ano. Primeiro é entender porquê a Umbanda foi criada. A pergunta é uma só, mas a resposta pode ter vários lados e todos verdadeiros. Pode ser como meio mais simples de atender os necessitados, pode ser a forma menos intelectualizada de fazer caridade, dentre tantas outras coisas. A Umbanda é simples e por isso dela jorra amplo entendimento sobre o Divino.
Como toda religião, a Umbanda é baseada na fé. Quando podemos entender todo o processo de qualquer  de qualquer fenômeno, isto deixa de ser religião e passa a ser ciência. Ora, se buscamos uma religião é porque na verdade queremos as benesses da fé, ou seja , os milagres. Aquelas coisas maravilhosas que nos ocorrem sem uma explicação lógica e que nos apontam , que Deus sabe de nossa existência.  O que é milagre para mim, pode não ser para você, e aí está a beleza da vida. Analisar nosso percurso dentro da religião é como olhar um caleidoscópio demoradamente : vamos vendo a cada movimento desenhos novos se formarem.
A Umbanda é a única religião brasileira. Isso é um fato. Assim sendo, até mesmo nesta simples frase há o que pensar. Se somos praticantes de uma religião nova, num país novo, há que se inovar também a mentalidade dos integrantes. Dirigente nenhum tem o direito de dizer isto ou aquilo das outras religiões. Tem que estar ocupado em entender a sua própria forma de ver este "corpo cristalino" que vem se formando pela fé e daí tirar subsídios para compartilhar com os membros de seu próprio Terreiro. Quer falar mal da igreja católica? Retire todas as imagens de santo do congá. Quer criticar o jeito do candomblé? Esqueça os Orixás. 

É tempo de enriquecer a Umbanda. E como se faz isso? Dando voz às entidades. Ensinando médiuns sobre caridade, fé e humildade. E como? Com o próprio exemplo. Antes de fazer uma campanha externa de captação de alimentos e roupas para ajudar alguma comunidade, veja se um dos filhos de corrente não está precisando destas mesmas coisas. O próximo é, invariavelmente aquele que está do nosso lado.
“Vaidade é definitivamente meu pecado favorito” Quem não lembra desta frase do todo poderoso John Milton (em mais uma interpretação inigualável de Al Pacino) em "O Advogado do Diabo"? O maior inimigo de uma pessoa que trabalha com manipulação de energia é a vaidade, sem sombra de dúvida. As virtudes, tanto nas religiões como nas pessoas demoram a crescer, mas , infelizmente, os pontos negativos crescem como mato com raízes fundas, portanto é preciso vigiar sempre.
Tudo é fonte de aprimoramento, quando se está determinado a crescer. Talvez o maior de todos os milagres que existam seja a forma pela qual a crença nos transforma, nos aprimora.  Meu amigo Marcelo Dalla agora há pouco escreveu, num ato de sincronia com o que estava escrevendo: "Não é a crença de alguém que lhe garante nada espiritualmente. É o seu caráter, sua atitude diante das pessoas e da vida." Meu amigo e leitor, é a sua receptividade às mudanças internas, de aprimoramento, que faz com que os melhores e mais necessários milagres pessoais aconteçam. No meio deste caminho, algumas coisas são inevitáveis e alguém, como o chapeleiro de Alice no País da Maravilhas sempre vai te perguntar:  "Por que você está sempre grande demais ou pequena demais?" O importante é sempre saber o que você quer ser e o que espera de sua religião, sabendo que até conseguir o equilíbrio é normal que se caia , às vezes. O importante é saber levantar.
Por mais que tenhamos uma visão perfeita, não enxergamos tudo de uma só vez. Prova disto é a imagem que coloquei aqui neste texto hoje. A fotógrafa canadense, Tara Miller, 39 anos, foi a vencedora do concurso nacional de fotografia promovido pelo Canadian National Institute com a fotografia denominada “Crespúsculo Fortuito”, que relata a aproximação de uma tempestade sobre uma plantação de girassol em um entardecer em Starbuck/Canadá.Miller sofre de glaucoma há 20 anos e tem apenas 10% de sua visão. “Estava tão emocionada e ansiosa para chegar em casa e ver o que havia captado. Rezava para que tudo tivesse saído bem”, declarou sobre o dia que clicou a imagem vencedora.
Cada um , a seu tempo, consegue analisar o que vê com mais clareza. Mantenha-se sempre atento, com a proteção de suas entidades e sob a luz de seu Orixá, quem sabe não acontece com você o milagre de ter captado uma visão única do Divino? Axé para todos!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Umbanda 2012 - Mensagem Ogum Beira Mar

Centro Espirita Cosme Damião comandado pelo Pai de Santo Paulo Faria,
esta foi uma gira na Praia do Vilatur, no RJ
Pensei em falar muitas coisas nesta postagem. Pedi aos amigos fotos de suas giras.Ia falar como são bonitas as famílias dos pequenos terreiros e que apesar dos problemas, são sólidas na fé, porque não são apenas um número, um conhece bem o outro. Então, senti que não apenas eu, mas seo Beira Mar tinha algo a dizer. Não costumo fazer isto, mas cedi ao meu mentor, porque sei que através dele muitos encontram a luz de que necessitam. Como em toda psicografia que faço, não altero nada em seu conteúdo. Nem tudo está bem claro para mim, pois creio que ainda não tenha conhecimento pleno. Se você ler e quiser postar alguma concepção nova que teve, ou opinião que queira compartilhar será extremamente bem vindo, pois juntos aprenderemos mais. Gostaria que notassem também cada sorriso de cada membro das giras que postei aqui. Ser de Umbanda também é sinônimo de alegria.

Aldeia Mata Virgem comandada pelo Pai de Santo Kiko Codina,
em São Sebastião- São Paulo
" Na qualidade de representante de muitas vozes, externo a todos o carinho e o amor divino que nos enlaça na Umbanda. Esta religião, criada em comum acordo entre seres de vários planos tem particularidades que devem ser pensadas. Uma delas é  a sua necessidade de uma corrente vibratória, tanto interna (médiuns), quanto externa (assistência). A partir da formação desta comunidade é que se desenrolam todas as funções espirituais de uma casa. Apesar desta aparência, a Umbanda também foi criada com outra necessidade, ou função, não menos importante que prestar assistência ao próximo.
Na qualidade de Ogum, a Umbanda foi criada para  proporcionar um caminho claro a cada ser, a cada indivíduo e assim, com a possibilidade de trilhar pela luz do conhecimento favorecer os que estão próximos.
Esta turma é do Centro Espiríta de Umbanda Ogum Mege e Oxum do Mar  comandado
pelos Pais de Santo  Eriich A. dos Santos Silva  e Celina Moreno Filgueiras ,
em São Gonçalo/RJ

Na qualidade de Yemanjá, foi criada para mostrar ao indivíduo que do mar da Criação Divina sempre poderá encontrar um meio de se renovar e crescer em harmonia com sua Origem.
Na qualidade de Oxum, foi estabelecida a religião na qual cada um tenha a possibilidade de enxergar em seu próximo a centelha Divina que há em si próprio, bem como a interligação de todos os seus atos refletidos no espelho das intenções do Criador.
Na qualidade de Yansã, a Umbanda firma no indivíduo a visão do Tempo como aliado às suas realizações íntimas de transformação, no vórtice da caridade plena, no momento em que consegue visualizar que é na base de seu ser que há uma fonte de onde jorra toda e qualquer energia de que necessite.
Na qualidade de Xangô, a religião dos mais simples, ensina ao adepto que é na falta de orgulho pessoal que há a verdadeira fortaleza , onde mal algum penetra.
Na qualidade de Oxóssi, a verdadeira Umbanda mostra a todo ser que busque a verdade, que ela está ,invariavelmente na alegria de cada fração de tempo vivida em harmonia com a sua própria natureza.
Na qualidade de Omoluh e Nanã, há a condição do ser descobrir os grandes mistérios do nascer e morrer, da reencarnação, dos propósitos mais íntimos do espírito e a realidade em que está embasada toda a fé.
Um delicioso café da manhã no
 Centro Espiríta de Umbanda Ogum Mege e Oxum do Mar 
Na qualidade de Oxalá, por fim, aquele que escolheu a Umbanda como morada há de descobrir que a felicidade é um meio e não um fim de sua busca pela integração com o Divino.
Falo a quem tem ouvidos na alma, a quem busca socorrer antes de pedir socorro, a quem sabe que a missão a que se determinou é anterior à esta vida. Estejamos todos em harmonia com a Luz Divina que vem de dentro, sob a eterna benção dos Orixás."
Caboclo de Ogum Beira Mar.




Finalizando , gostaria de desejar a todos um ótimo 2012, com a consciência de que é na individualidade que entramos em contato com os Orixás e nossos mentores espirituais. Faço uso desta foto linda do Alexandre Cumino, num "papo especial" com Xangô. Saravá a todos, Saravá 2012!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Orixá de 2012

Conheci uma senhora, há alguns anos atrás, que me falava em sua sabedoria de benzedeira, que só podemos dizer que conhecemos um pouco alguém  depois de ter comido juntos uma arroba de sal, cada um. Uma arroba pra quem não sabe é aproximadamente 15 quilos, e devemos consumir somente 5 gramas por dia de tal elemento. São quase três mil dias, um tempo considerável.
Alguns dias atrás comecei a pensar sobre o próximo ano - o tão falado 2012- , iniciando meu planejamento.Como algumas pessoas me perguntaram o que elas podem esperar, achei justo perguntar a um legítimo representante do tempo: um caboclo de Xangô. Com caneta e papel na mão ,fui buscar a resposta numa gira de Umbanda, numa quarta feira à tarde, no Terreiro do Pai Maneco. A gira conduzida pela Mãe Elirian Mirian de Souza Britto, ou simplesmente Mãe Eli de Xangô. Tive o imenso prazer de ser uma das últimas a ser atendida, porque pude observar mais atentamente o desenrolar da gira comandada pelo Caboclo da Pedra Roxa, representante de Xangô. A preocupação deste caboclo com cada um que estava sendo atendido e com a assistência me emocionaram. Vi, entre outras coisas, ele chamar da assistência uma mãe com um bebê com Síndrome de Down, perguntando se ela já havia sido atendida, enquanto a criança sorria para a energia Divina que estava ali em sua frente.
Xangô é detentor da Justiça Divina porque, em meu entendimento, ele sabe que todos nós somos pedra bruta e que cada um tem a propriedade de se auto-lapidar com aprendizado, fé,amor e caridade. Ele nos mostra este caminho, que não tem nada a ver com a justiça dos homens. Finalmente sentada na frente desta entidade perguntei qual seria o foco mais importante para o próximo ano, pois as pessoas por vezes precisam de algum norteamento para suas vidas.
Muito sério, o Caboclo da Pedra Roxa olhou em meus olhos e disse: " Diga às pessoas que parem de pensar que não têm tempo. Tudo hoje tem que ser muito rápido para elas, inclusive e principalmente os relacionamentos. Ficam um pouco juntos e ,sem pensar já montam uma família, que é lógico em pouco tempo se desfaz.Gostam de construir suas bases na areia e o mar leva tudo que construíram, porque não pensam no lugar certo de montar suas próprias casas. Se acham que o tempo é rápido demais, que façam uma experiência: sentem-se no chão, sem fazer absolutamente nada e vejam o quanto demora a passar."
Tudo o que temos nesta vida é baseado no tempo que nos dispomos para vivenciar. Para convivermos com pessoas que amamos, independente do tipo de relacionamento, temos que ter o tempo como aliado na construção das bases de algo que pode ser para a vida inteira. Esta história de que os opostos se atraem é besteira. Sempre vamos buscar algo parecido com o que houver dentro de nós mesmos. Relacionamentos sejam eles quais forem são pedras que são lapidadas muito, mas muito lentamente. É na alegria de dividir a refeição, nas "brigas" para dividir as contas, no tempo gasto para escutar os sonhos do outro, ou simplesmente no ato de ficar juntos, em alguns momentos, sem falar nada, dentre tantas outras coisas, que construímos os elos mais fortes.
Quem tem filhos sabe que é no dia-a-dia que descobrimos quem é este ser que geramos. Não vai ser nem no primeiro, nem no segundo ano de vida da criança que saberemos profundamente como aquele espírito que está dividindo a vida conosco vê a vida. E assim também ocorre com aqueles que não têm o nosso sangue. Temos o dever sim de amar a todos incondicionalmente, porque amando respeitamos e entendemos que todos têm direito à diversidade de pensamentos, mas isto também leva tempo para aprender. Impor um ritmo acelerado para conhecer o próximo e amá-lo é construir sobre a areia.
Embora acredite que cada energia Orixá existente se manifesta na vida das pessoas conforme as necessidades individuais, peço que adotem as palavras do caboclo de Xangô - seo Pedra Roxa- como ato de caridade para 2012 - pois se nos movermos pelo tempo com respeito -a nós e ao próximo- este ano será sim um marco do fim de uma era de ansiedade, para o início de uma vida mais plena. Kaô Cabecillé.  

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Guerra Santa

Às vezes , me dá uma vontade de colocar o mundo no colo e, delicadamente, com uma lixa de unha, aparar algumas arestas. Creio que todo mundo tem este desejo. Nossa este ano passou tão depressa - um amigo um dia me falou. Então, expliquei que quando se conhece o caminho ele fica aparentemente mais curto, assim ,na medida que os anos passam, nós sabemos - mais ou menos- o que teremos pela frente. Sabemos que alegrias e tristezas se sucedem e nenhuma delas é para sempre. O que fazemos com estas experiências sim, é o que importa realmente e que torna qualquer espaço - físico ou de tempo-mais suave.
Na última segunda-feira, estava assistindo o SBT Repórter. Não assisti inteiro, mas o que vi foi o suficiente para me vir a tal vontade de aparar arestas. O programa era dedicado à desvendar os mistérios da ‘Bahia de Todos os Santos’. Mostraram uma senhora , filha de Yansã - adepta do candomblé- fazendo seu acarajé para a venda. Acarajé é  uma comida dedicada à este Orixá. Como contra-ponto a entrevista mostrou numa outra parte de Salvador, uma igreja evangélica que colocou uma barraquinha em frente ao seu templo para vender os "bolinhos de Jesus" - que nada mais era que o próprio acarajé. Um outro pastor - evangélico também - brilhantemente discursou sobre a falta de ética de tal procedimento, como de outros em que igrejas entoam em atabaques nos ritmos consagrados a Yemanjá, Oxum ,Yansã com coreografias dedicadas a Jesus.
Quer queiram ou não, o Brasil é a terra dos Orixás, pois como diria a música é abençoado por Deus e bonito por natureza. Cada um têm o direito indiscutível de acreditar e ver Deus da maneira que mais o apraz. Nunca ,em tempo nenhum, veremos o mundo movido por uma fé única, porque é na diversidade de credos que ele foi moldado. Porém, tenho observado correntes religiosas de diferentes filosofias proferindo uma necessidade única: a Ética.
Poderíamos sim, ter um código de Ética único, talvez isto seja viável, muito embora creia que uma pessoa que serve ao Divino não precisasse disto. Prioridades como o atendimento espiritual aos doentes e desvalidos, aos que buscam força e consolo, não precisassem de normativa nenhuma.A ética não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética. Lobos disfarçados de cordeiros têm a capacidade de disparar algo que qualifico como mais uma guerra santa, e ela está tomando proporções assustadoras. Conforme um link que uma amiga me enviou (que coloco à disposição abaixo do texto) diz que dados preliminares do estudo "Mapeamento das Casas de Religiões de Matriz Africana no Rio de Janeiro", que identificou 847 templos, revelam que 451 - mais da metade - foram vítimas de algum tipo de ação que pode ser classificada como intolerância em razão da crença ou culto.
Vou um pouco mais além. Quem entra em uma religião - seja qual for- vai porque necessita de algo que ela proporciona. Na Umbanda as pessoas vão pela dor - da alma ou do corpo - ou pelo amor. Depois que passa o período inicial e , se for o caso, há um desenvolvimento mediúnico. Pela fé e pelo amor ao ser humano nos entregamos como mensageiros de entidades evoluídas. Esta comunhão entre nós médiuns e entidades, impulsionados pela fé no Divino - Zambi - faz com que tenhamos forças para aprender e manipular energias da natureza para várias finalidades - principalmente para quem precisa de algum tipo de cura.
Ontem em um atendimento - e faço questão de frizar que foi incorporada com o exu Capa Preta (linha que é estigmatizada por leigos) ouvi uma verdade indiscutível, proferida a um consulente: o orgulho é a porta larga por onde entra tudo que é ruim e destrói tudo que as pessoas possam ter conquistado. 
Umbandista que faz distinção em seus atendimentos, por pré julgamento , pré conceito está na religião errada. Um Terreiro sempre tem que ter as portas abertas a qualquer um que venha pedir ajuda e todos os que pedem têm que ter o mesmo tratamento. E isto não está condicionado ao espaço material. Na medida em que há um bom desenvolvimento mediúnico, uma boa comunicação entre médium e entidade,e que todo o trabalho feito tem um resultado positivo, não pode ser , de forma alguma, um motivo de júbilo pessoal.Assim como o pai ou mãe de santo que ao ver que sua gira tem resultados positivos tem que entender que é por mérito do conjunto e não apenas do esforço individual. 
Fico feliz quando ouço histórias de pessoas que através da fé na Umbanda, junto sempre com tratamentos médicos profissionais, curaram-se de doenças terríveis. Assim como me deixa feliz saber que os que passam necessidades materiais encontraram a dignidade  em novos empregos e até aqueles que encontram consolo e aprendizado em minha fé. Porém nada disto faz com que eu sinta orgulho, porque sei que logo em seguida virá alguém com algum outro problema a ser resolvido e o tempo que se gasta alisando velhas medalhas de honra é o mesmo que se pode usar fazendo caridade.
Umbandista de fé e coração não precisa agradar ninguém, precisa é aprender para curar. E quanto mais andamos por estas estradas de Ogum e vemos pessoas buscando ajuda, mais precisamos ficar conscientes para não cair nas armadilhas de nossos próprios egos, em cada vitória ou derrota. Creio que o entendimento deva ser a palavra mais importante que um umbandista deva carregar em sua mente do que a palavra merecimento. Porque não somos aptos a enxergar o merecimento, mas temos sim o dever de ter um bom entendimento- que levará a uma ação mais eficaz. Saravá! 

O link citado acima: