domingo, 11 de maio de 2014

Você Não Me Engana......

Foto da Dani- Terreiro Vovó Benta
   Um senhor com um pouco mais de 7 décadas me parou na rua estes dias. Disse que era pra eu parar de
fumar, porque ele havia parado há mais de 30 anos e foi bom. Perguntou se eu estava achando ruim dele me aconselhar, o que neguei veemente: conselhos de gente que tem mais experiência são uma dádiva! Falou também que um lugar legal para rezar é atrás da porta da cozinha, pois ninguém atrapalha. Minha porta da cozinha é de vai e vem, já pensei com meus botões que ia ser um desastre.... Depois de um dedo de prosa ele me convidou pra tomar um café quando pudesse, pois os filhos não davam muita "bola" pra ele. Dias mais tarde soube que ele havia morrido, num cruzamento perigoso, no momento em que ia, rito diário matinal, levar flores para sua mulher no cemitério ,falecida há alguns anos.
Ser médium não é fácil não.Necessita estudo, atenção e dedicação.Além de estar sempre consciente de que nada sabemos. Temos que agir sempre com fé e amor, seguros que mãos mais precisas nos conduz. Médium, tenha sempre em mente que seus atos, algumas vezes, não são direcionados a uma só pessoa. Quando passamos mensagens de Aruanda, quando transmitimos o amor que de lá vem, não precisamos saber a quem. Fiquei comovida com meu amiguinho Arthur e fiz um texto "Passarinhos de Aruanda" que versa sobre vida e morte para uma criança de três anos, como quem me acompanha sabe.  A avó do Arthur, que comentou no texto, faleceu 4 meses depois, mas foi com a certeza que Arthur já sabia o que era o desencarne.
Não, não estou falando que ser médium é saber lidar com morte, antes falo que precisamos saber lidar com o Amor Maior, a vida que não acaba. Isto não é fácil. Médium umbandista pode decorar ponto riscado e cantado, pode saber nomes de entidades e designação e competência de cada Orixá, mas nunca, em tempo algum, conseguirá medir e pesar as almas das entidades que sustentam nossa fé e de onde vem o Amor que têm em nos auxiliar.
As entidades de Umbanda vem, no amor de Oxalá, nos auxiliam e quem sabe realmente quem são? Ninguém ! Porque para quem ajuda, com verdadeira caridade, simplesmente não importa. Para eles pelo menos não. Mas nós? Quem somos nós?
Médium é a pessoa que serve de ponte entre o lado de lá e o de cá. Só. A intenção do desenvolvimento é que ninguém se dê conta de que há pontes. O mediunidade não é importante? É sim,na medida em que nos permitimos aprender com ela. Levei anos para entender o por quê de eu ter esta "ligação" com o além. Não cheguei a uma idéia conclusiva, mas uma parte eu sei que é o entendimento da caridade.
Amor e caridade tinham que ser matérias que estudássemos com afinco. Às vezes a gente pensa uma coisa e as Entidades nos mostram outra. Somos todos crianças na Umbanda. Temos o grande prazer de nos surpreender sempre! Tenho apreendido conhecimentos na minha alma que fazem com que eu veja cores mais intensas e aí que vem o lado bom de ser médium: sentir a plenitude do Bem Maior em vida.
Não sou perfeita e posso dizer também que sou bem "reclamona". O Divino tem uma paciência ímpar comigo. Por que o Senhor fez isto-ou-por que não fez aquilo? Aí o tempo me mostra a verdade.Creio que se a maioria dos umbandistas acreditassem no Tempo as coisas seriam diferentes. O Tempo é o olhar do preto e da preta velha sobre nossas dores, dilemas, tristezas e basta um gole de café deles , um pedaço de pão, um cheiro de arruda para tudo mudar. Eu sei, eu sinto.
Neste dia 13 de maio gostaria que você que leu este texto faça uma coisa para trazer alegria ao seu lar. Pai Maneco me dizia que as pretas cozinheiras traziam alegria com seus doces. Faça um doce em sua casa e deixe a alegria do Tempo preencher todas as lacunas de sua vida: das saudades, das tristezas, da correria do dia-a-dia. Seja feliz! Saravá todos os pretos e pretas velhas! Saravá você!

sábado, 22 de março de 2014

Recado de Aruanda

Há alguns anos atrás, conheci um Pai de Santo extremamente zeloso com seus filhos de corrente e com
todos que vinham procurá-lo. Em caso de doença, além de tudo que era feito no terreiro, fazia suas entregas aos Orixás e , num período de 24 horas, a cada 3 horas , orava pedindo ao Divino piedade àquela pessoa que sofria.Acho a sua devoção uma coisa muito bonita, embora nem todos os da religião disponham de tempo para tal dedicação.
Embora simples, a Umbanda tem sempre algo a ensinar a seus seguidores de boa fé, enquanto permanecem na religião.Aprendi nestes anos que o respeito às Entidades e aos Orixás sempre nos rendem bons frutos e uma sensação de leveza, proteção e amor.Estes dias eu olhava para a mata virgem que há aqui perto de casa e fiquei imaginando como um dirigente pode se isentar das funções primárias e crer que não haverá nenhum retorno da energia  que rege a egrégora de Umbanda.
Vou ser mais específica. Li em um grupo de umbandistas que , em São Paulo, há Terreiros onde hinos evangélicos estão sendo adaptados para Umbanda. Beirando quase ao absurdo do"Foi na cruz que perdi meu Oxalá..." Nossos pontos cantados são maravilhosos e todos os dias há médiuns compondo e sendo inspirados, qual a utilidade de plagiar outras religiões?
Na exata medida que a Umbanda avança no tempo sobre esta nossa terra, em que esperamos uma real evolução ,o que se tem feito? Pais e Mães de Santo se utilizando da boa fé dos adeptos incutindo medo e se utilizando de rituais de outras religiões para obter maior aceitação. Não estranharia se viessem me falar que alguns dirigentes estão distribuindo hóstias em suas giras, porque tenho visto de tudo. O grande problema é que os que fazem estas coisas obtusas ainda alegam que estão fazendo nossa religião evoluir. É triste a insensatez desta gente.
Soube de um zelador que se vangloriava por estar "ficando" com três médiuns de sua corrente, e uma não sabia da outra.O mesmo, um tempo depois, começou a induzir seus filhos de corrente a acreditar que estavam sofrendo com uma terrível demanda, de uma forma muito sutil dizendo que todos estavam tendo sonhos terríveis e que ele era a salvação com seu ritual evoluído.
Evolução meus caros é a sabedoria centenária dos pretos e pretas velhas, é o grito do caboclo que quebra miasmas e suas ervas que desmancham mazelas, evolução é sem dúvida a sinceridade e alegria dos erês. Pais e mães de santo têm no mínimo a obrigação moral de zelar por sua gira, passar seus conhecimentos, entender os anseios dos médiuns que o fazem um dirigente. A Umbanda não precisa de gente que não gosta de gente, que despreza os princípios básicos de amor ao próximo, fé e caridade.
Fiz este texto para pedir à você que respeita as Entidades que te guiam, que seja firme em seus propósitos do bem. Apesar de tudo que se vê e escuta, há muita ,mas muita gente ainda disposta a ser umbandista de verdade. Que Yansã, Ogum e Xangô protejam a todos que agem dentro da Lei.
No meio disto tudo, visualizo um raio de Sol. Alguns curimbeiros aqui de Curitiba, de vários terreiros, formou um grupo com a finalidade de difundir os cantos de nossas Entidades e Orixás, distribuindo o Amor Divino que ecoa em nossos atabaques. TAMBORES DO PARANÁ veio iluminado pelos Orixás para, além de divulgar nossa cultura, provar que é possível o respeito entre as Casas Santas e que juntos realmente refletimos a Luz Divina.

Confira um pouco do trabalho do Tambores do Paraná em:


Para maiores informações acessem:

ou no facebook

quinta-feira, 6 de março de 2014

Focando na Fé

Aprender é algo que me fascina, me alimenta e mata minha sede constante. Sobre Umbanda
então, nem se fala. Ok, sou apaixonada pelo tema mesmo! Há muito o que se aprender, embora seja simples sua concepção. O que agride meu aprendizado, como tenho visto que acontece a muitos também, é a banalização cometida por Umbandistas. Não sei exatamente onde isto tudo começou, porque , no começo, havia bem mais Umbandistas dispostos a manter a fé, apesar de todos os percalços que eram muito maiores do que enfrentamos hoje.
O que a Umbanda enfrenta hoje é um dragão que vive nas sombras de seus adeptos. Ele tem um nome e sobrenome: praticar o politicamente correto. Acreditar no Cristo é uma opção válida, praticar o cristianismo dentro dos rituais católicos é para católicos. Umbanda não é católica, embora possa ser considerada cristã. Vejo , sinceramente, Umbandistas adotando rituais católicos talvez com medo de assumir completamente a religião que professam com medo de aceitação. Será, penso eu, que tudo que nossos antepassados sofreram na religião, que abriram seus terreiros clandestinamente, enfrentaram polícia e todo preconceito possível em amor às entidades foi em vão? 
Eu não sou católica, nem evangélica ,nem budista. Eu sou Umbandista. Gosto da manipulação das ervas, do fogo, da água, da energia que nos cerca. Gosto também de evolução, mas evoluir não é adaptar ao que todo mundo crê ser politicamente correto e aceito. Se minha mãe estivesse viva diria o que digo aos meus filhos: você não é todo mundo.
Religião não é algo racional ela trabalha com fé. Para se manter a fé usamos de rituais, em qualquer religião. Cremos no invisível, nos conectamos à Consciência Superior e Ela, por sua vez, se comunica conosco por sinais que só nós conseguimos decifrar. Sonhamos com Caboclos, Pretos e Pretas, Ciganos, Exus e Pombas Giras, em nosso decodificador de mensagens astrais não há espaço para elementos de outras fés. 
Reza a lenda que um famoso escritor conseguiu sucesso por acender uma vela em cada religião, pedir a benção e proteção a cada religioso importante de cada fé diferente. Não sei dizer se isto é o mais correto - até porque a história pessoal dele ainda não acabou- mas no meu caminho não serve.
Estes dias uma pessoa nos pediu para dar uma carona até uma "benzedeira" evangélica. Tudo o que aquela mulher falava ,me lembrava as falsas cartomantes que aproveitam o que você fala para "adivinhar o futuro". Falei para a pessoa manter o foco em sua fé e não nos aproveitadores da religião. Quanto mais firme nos propósitos, menos erros se comete. 
Tem uma frase que gosto muito: "Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para a coisa em que você irá se focar. Mas não é nada disso. Significa dizer não às centenas de outras boas idéias que existem. Você precisa selecionar cuidadosamente."  Foi dita pelo Steve Jobs, um cara que se atreveu a ser determinado num mundo tão cheio de opções. Na religião é bem isto: temos muitas opções de ritual, muitas mesmo. Pra quê agregar outros rituais que não fazem parte de nossa história?
Somos seres ritualísticos e não há como ser diferente. Umbandista se conecta com o Superior através de cheiros, sons,cores, movimentos. A Umbanda é simples  e esta simplicidade da manipulação dos elementos me parece que é pouco para alguns, porisso a necessidade de "incrementar" com coisas que não nos pertencem. E cito de novo o Steve Jobs, que teia sido um grande Umbandista se vivesse por aqui: "Este tem sido um de meus mantras - foco e simplicidade. O simples pode ser mais difícil do que o complexo: é preciso trabalhar duro para limpar seus pensamentos de forma a torná-los simples. Mas no final vale a pena, porque, quando chegamos lá, podemos mover montanhas."
O problema é que não temos tempo. Poucos pais e mães de santo sentam com a corrente para compartilhar conhecimentos sobre ervas e elementos, entidades e Orixás. É mais fácil mandar um filho de corrente para o psicólogo do que sentar e olhar olho no olho, e perceber o que realmente aquele ser precisa.
Não Umbandistas, não estamos na quaresma. Quem está na quaresma são os católicos! O grande perigo disto tudo é perdermos nossa identidade e foco. Podem me chamar de tradicionalista, mas como diria mamãe: eu não sou todo mundo. Politicamente correto é ter identidade. Quanto mais firme estivermos em nossa concepção ritualística, mais firmes estaremos em nossa fé. Focados em nossa fé, refletiremos a Luz Divina onde os ventos de Yansã nos levar. Pise neste caminho de Ogum com respeito! Saravá a nossa fé!


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Orixá Regente de 2014

Fiquei um tempo sem girar por aqui. Tinha coisas a dizer, mas preferi deixar as palavras lá em Aruanda, repousando enquanto eu observava. É sempre bom fazer isto: na dúvida, observe. Faça na vida como se estivesse num destes jantares com diversos talheres: observe os outros comendo e só depois - se não tiver prática nem conhecimento - faça como os outros. É o melhor jeito de ser aceito.Depois de um tempo de prática com os talheres, seja feliz: arregace as mangas e coma pedaços de frango com a mão.Parece incoerente ,mas não é.
Estes dias li postagens de médiuns falando que o fumo e o álcool deviam ser abolidos da Umbanda. Médiuns que nunca trabalharam com estes elementos, pois estão em desenvolvimento. Também acho que a hóstia deveria se abolida e os adeptos do candomblé não deveriam fazer seus sacrifícios para os Orixás, MAS - bem assim em maiúscula, eu não tenho entendimento suficiente para dar tais "pitacos".
Eu sei da Umbanda, pouco ainda, mas já me arrisco a arregaçar as mangas e comer sem talheres. É justo um pai de santo pedir que haja menos consumo de álcool, até por problemas no pós gira, quando alguns médiuns tem que dirigir.
Sou adepta a mudanças. Mudança é condição sine qua non para evolução. Estamos atravessando um ano que, como muitos dizem, é regido pela energia de Xangô/Yansã. Ação/Reação dentro da lei para evolução. Ano passado regido por Omoluh, não foi fácil. Idéias antigas tinham que desaparecer para haver espaço para o novo. Então eu digo a vocês, Xangô vem com as leis e Yansã faz com que elas tenham êxito. Sem lei, não há como reger toda uma evolução de comportamentos.
Na Umbanda a Lei regida por Xangô não é a escrita em palavras, normatizada por nosso entendimento humano, nem tão pouco a execução de Yansã é descritível. O raio e o trovão ocorrem ao mesmo tempo,muito embora, por problemas que a física explica, são compreendidos em tempos diferentes. Raios e trovões são "compreendidos" em qualquer língua, em qualquer lugar deste planeta. Da mesma forma, com o tempo , você começa a entender a atuação destes Orixás.
Para entender Orixá é necessário absorver com a alma a natureza. Para entender uma gira, é necessário sentir com a alma os movimentos feitos pelas entidades. Leva um tempo,mas não é impossível.  É necessário observar,e aqui volto no jantar com muitos talheres. É lógico que o estudo é importante, mas a observação com a alma é instrumento edificador da fé.
Queria muito, durante este tempo que me ausentei, falar da Umbanda e sua essência, do que é necessário e do que não é. O que a gente quer de coração, vem nos ventos deste universo enorme de bençãos dos Orixás.Reza a lenda que Yansã, muito curiosa, queria saber o que havia embaixo das palhas de Omoluh. Soprou seus ventos e descobriu um moço lindo, Obaluayê.
Sopraram os bons ventos em minha vida e hoje conheci um umbandista lá de Minas, o Matheus Gonçalves, filho de Obaluayê, Orixá que aqui no sul não é cultuado na Umbanda. Ele tem um blog onde fala sobre Umbanda, fala com carinho das entidades que trabalham junto com ele, fala do amor à religião. Fiz este texto hoje em homenagem a ele, como grande aprendizado que nos traz com a sua fé e com um pedido claro para que escreva cada vez mais, pois todos nós precisamos da visão que ele tem da nossa religião.
O Matheus é deficiente visual e por isto mesmo só ele é capaz de ver quem realmente somos , trazendo a cura através de Obaluayê de nossas mazelas mais profundas: aquelas causadas por nossos egos. Que Xangô e Yansã te protejam e abençoem em todos os seus caminhos Matheus!

Para acessar o blog do Matheus:

http://www.falando-de-umbanda.blogspot.com.br/ 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Passarinhos em Aruanda

Arthur, meu querido, tenho notícias suas desde que você estava na barriga da sua mãe e ficava pensando quando poderia te dar algo que realmente fosse importante. Agora que você está chegando bem pertinho dos três anos, cheio de dúvidas sobre o que é a morte resolvi deixar de presente esta cartinha.
Sabe querido as pessoas grandes, mas bem grandes mesmo não se perguntam sobre isto nem mesmo quando encontram passarinhos mortos na rua. Vou te dizer que elas estão às vezes tão ocupadas em correr, falar no celular e buzinar que não param mesmo, nem ao ver qualquer bichinho morto. Meu querido amiguinho,te digo que ao ver este tipo de coisa eu penso: tem mais um passarinho cantando lá nas árvores de Aruanda.
Agora até pareço ver você falando: como o passarinho pode estar lá e aqui ao mesmo tempo? Arthur eu vou te contar um segredo que todo mundo sabe, mas as vezes esquece. Eu, você , as cobras e passarinhos,cavalos e cachorrinhos temos uma espécie de luz dentro da gente que se chama energia. Essa energia a gente não enxerga, mas dá para sentir. Aquele calorzinho que sai do corpo sabe? Mesmo que você tenha muito frio tem este calor que você pode sentir. Quando as pessoas ou bichos morrem não tem mais este calor e não se esquentam nem com o cobertor mais grosso do mundo e sabe por quê? Porque a energia já foi morar num outro lugar, que nós da Umbanda chamamos de Aruanda, só deixou o corpo aqui porque não consegue entrar lá deste jeito.
Nesse lugar Arthur, tem todos os bichos que você imaginar, gente grande e pequena e até plantas e árvores-porque até elas tem energia. Esta energia de vida querido, que você pode testar com suas mãozinhas, tem muita gente que chama de espírito, sabe por quê? Porque o espírito é exatamente como somos, porque o corpo é só uma casa dele.
O passarinho que foi para Aruanda não estava cantando ,não é? Então, eu sei porque o cantar dele, a música dele estava no espírito, entendeu? Nas pessoas é a mesma coisa: elas deixam o corpo e vão para Aruanda quando for o tempo certo.Cada um tem um tempo de ficar aqui e para cada um é um tempo diferente Arthur. Sabe o que é mais legal querido? A gente não sabe quando vai em espírito para Aruanda, por isto podemos ficar bem tranquilos e descobrir mais coisas legais sobre a vida.
Eu sei que em algum momento você vai perguntar sobre o calor da cobra,mas as cobras e lagartos Arthur são tão espertos que nem parecem que tem calor, energia, mas tem querido,porisso é legal vê-los só no zoológico e quando não for lá e perto de gente grande, a gente nem chega perto. Também sei que em algum momento, porque você é muito esperto, vai  perguntar se as pessoas que gostavam do passarinho não vão sentir saudade dele. Vão sim Arthur, mas lá de Aruanda o passarinho pode mandar beijos que as pessoas sentem no coração, e quando forem para Aruanda vão se encontrar de novo. Arthur todos os espíritos de tudo que é vivo um dia tem que voltar, então não há como separar por muito tempo as pessoas, bichos e plantas que gostam muito, entendeu?
Agora eu tenho uma pergunta para você: vai ter brigadeiro em seu aniversário?
Beijos de todos os passarinhos de Aruanda para você!

sábado, 5 de outubro de 2013

O Senhor das Almas

Hoje é um daqueles dias que não tenho dinheiro nem para o picolé. Tudo bem, nem está tão quente assim. Cada um de nós, entre os bilhões de seres humanos que permeiam todos os cantos deste mundo redondo tem sua história pessoal. O ponto crucial quando passamos por uma dificuldade é o entendimento. Nem tudo é colheita do que semeamos, porque as leis espirituais ditadas pelo ser humano às vezes parecem muito perfeitas diante pelas imperfeições que vemos, a todo momento, nos noticiários.
O grande diferencial da Umbanda se nota pelas histórias ditadas por entidades. Se você colocar de lado o apreço que tem pelo espírito protetor, pode notar que sua história – dentro da época vivida-é até bem comum .Alguns contam sua experiência pós desencarne, mas todas tem algo em comum: o ponto em que conseguem visualizar o entendimento e “passar de fase”. Este despertar é concretizado com muito esforço ,pois esta fé em um novo caminho tem que estar entranhada em sua convicção.
Sem convicção ,meus caros, nossos passos não são tão firmes e nossa postura não é tão compatível com o que está proposto. Não conseguimos, com passos cambaleantes, projetar um caminho mais firme. Aqui abro um espaço para a mensagem do seo Tranca Ruas das Almas:
“ Que a paz ,o amor e a caridade estejam em suas mentes e palavras. A tratativa do espírito é tão importante quanto a do corpo e mente. Não há como separar um do outro na vivência terrena. Os que o fazem desequilibram a balança que é regiamente vigiada. O espírito, que um dia se reunirá a alma, não pode se macular, então se esforça em permanecer íntegro. O corpo é necessário para manutenção da alma e da mente, então nele se expressam todo tipo de movimento feito pelos dois últimos. A quem muito interessa o espírito e a mente e- por achar que é vaidade cuidar do corpo- desequilibra a balança. A quem muito interessa o corpo- perde-se no equilíbrio mente-espírito.
Muito poucos entenderam a importância deste triângulo na Umbanda. É necessário uma mente voltada ao amor, um espírito realizador projetando frequentemente os passos a seguir, para que o corpo corresponda e efetue o que o conjunto se determinou. Estive na construção das pirâmides, estive em grandes incursões a novos horizontes, estive nas grandes pestes que assolaram a humanidade e nenhum daqueles que não acreditou sobreviveu. Quando eu digo sobreviver quero me referir ao projeto maior a que cada alma - em sua pureza- é destinada. Algumas almas foram forjadas para adquirir o entendimento do Amor Maior pela humanidade, então seu espírito é levado a viver em épocas mais difíceis e assim entender a utilidade e aplicação do Amor Maior. Outras almas têm o dom da Coragem, outras da Inovação, da Beleza, enfim partículas importantes de algo maior. Estes espíritos se misturam em comunidades, cidades, religiões entrelaçando seus entendimentos.
Cada gota de água que vem nos rios do real conhecimento formam este grande mar que nos une. É só a partir deste saber que, por mim, foi muito resumido, é que um espírito pode se agregar às mais diferentes congregações de almas e prestar o real auxílio como entidade. Nosso trabalho não se restringe à uma facção do entendimento da fé de vocês, mas antes procuramos unir espíritos ao seu real caminho, sempre lembrando da enorme necessidade da saúde física e mental.
Reitero que sem uma fé firme, um grande propósito na caridade- que é o elemento integrador de almas, e um propósito sério no entendimento do que é o real amor ao próximo, e todas as suas variantes, é impossível evoluir e evolução é e sempre será a meta a que se propõe todo espírito que encarna.
Em paz os encontro, e em paz eu vos deixo.

Exu Tranca Ruas das Almas, a serviço de Oxalá.”

domingo, 22 de setembro de 2013

Mundo das Idéias

Menino mata os pais, pai mata filhos, mãe mata as filhas. É o que há no noticiário.E tudo isto quer dizer algo,
gritar, mas o quê? Podemos botar a culpa no Governo, nos partidos políticos, podemos nos unir em passeatas divertidas ou agressivas.Não perguntei em quem por a culpa, nem o que fazer, perguntei o que isto quer dizer.
Jesus ,ao final de sua gira nesta terra, resolveu se dar em sacrifício. Seu sangue eram suas idéias que se esparramaram. Antes dele Sócrates  - o filósofo- que dizia que todos,homens ,mulheres, escravos, podiam pensar sobre as questões importantes da vida com a mesma desenvoltura, "tocou pra subir" com um copo de cicuta. A morte dos dois foi porque eram demais para época em que viviam, precisavam ser eliminados.Podiam ter pedido perdão, podiam ter fugido, mas queriam mostrar que viviam até o fim o que acreditavam. A morte dos dois nos diz que podemos sim - e devemos- mudar, com o propósito da felicidade, energia que nos impulsiona a um caminhar menos dolorido.
Zélio criou a Umbanda, as entidades ensinaram a progredir nas noções de amor,caridade e fé e os umbandistas - ah os umbandistas - estes tem é criado confusão. Sei que não são todos, mas mesmo em menor número,atrapalham. Olhando para minhas contas , da guia de Yansã, fico pensando o que realmente querem. Gostaria que quem tivesse alguns anos de religião voltasse um pouquinho no tempo e lembrasse de suas primeiras giras. Lembra da insegurança, dos dias em que era só entre você e sua banda? Dias de namoro e juras de paixão eterna, até o momento que começou a pensar que sabia mais do que quem acabou de entrar,ou que começou a fazer parte de uma "patotinha" mais "inteligente" da gira.
Sim, estou bem rabugenta. Podíamos estar aprendendo - há muito ainda o que se descobrir- podíamos estar curando, benzendo,amando, mas não. Estamos aqui participando de uma tola corrida para ver quem tem o ogã melhor, quem tem o ponto riscado mais complexo, quem faz os textos mais prolixos. 
Imagino mesmo Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas dividindo um coité com chá de capim limão, para acalmar os nervos. Como fazer para que entendam e pratiquem o  que a Umbanda se propõe? Só há uma forma: se entregar a ela!
Sócrates e Jesus não deixaram uma linha escrita pelas próprias mãos. Imagino os dois pregando suas verdades numa gira em que todos tinham vez. Gosto de pensar nas perguntas de Sócrates para os que nem imaginavam que se podia observar a vida de outro ângulo. Gosto de pensar num Jesus cuja mãe usava da água do banho para curar leprosos. Gosto de pensar numa Umbanda de chão batido, de ervas recém colhidas, no cheiro do charuto e do cachimbo que curam, da pinga jogada no chão, da água do mar e da cachoeira passada na mão dos fiéis. Gosto de pensar na pessoa aflita que tem um milagre concretizado ao som dos atabaques.
Tem gira neste Brasil inteiro. Tem um terreiro numa cidade no interior da Bahia chamada Uauá, o nome deste ponto de oração é Templo de Umbanda Consolação dos Aflitos. Lá ninguém sabe que aqui tem terreiro tal com tantos metros quadrados, ou pai ou mãe de santo com tantos anos de estudos profundos. Não, lá ninguém tem tempo de se importar com isto. O importante lá é dar subsídios para que haja coragem e esperança no dia seguinte.
Os terreiros viraram orgãos políticos de servidores públicos. É uma comissão aqui pra ajudar não sei o que, comissão cultural para se apresentar não sei onde, tem terreiro que tem até comissão de ética. Gente, Umbanda é pra salvar e caridade não é pra divulgar. Um dia meu filho viu que meus caseiros tinham menos comida nos armários do que nós. Pegou feijão,trigo e arroz e levou para eles. É isso que é caridade. Viu que faltava e foi lá e fez. Não é porque ele é meu filho,mas porque é natural ser caridoso, só precisamos lembrar disto. 
Vou contar outra coisa e esta é íntima. Muito braba com algumas coisas que aconteciam num terreiro comecei a disparar indiretas que nem minha mãe Yansã. Cada linha um raio. Chegou do meu lado Pai Joaquim e com a doçura das suas palavras, olhou em meus olhos e disse: perdoe Andréa, não vale a pena isto. Chorei como choro agora ao escrever.Nos olhos de pai Joaquim estava a Umbanda que eu amo. Foi difícil para mim, mas perdoei a quem eu amava tanto e havia me magoado e assim, dois dias depois ele faleceu e levou junto um tanto do meu coração.
Somos todos humanos e erramos sim. Seja porque temos 5 giras de vida umbandista ou 5.000. Somos irremediavelmente todos iguais, embora passemos a vida achando que podemos nos distinguir numa multidão de bilhões de seres vivos. 
E se nós pedíssemos em uníssono pelas famílias,pedíssemos perdão pelos mal entendidos, se fizéssemos nossa caridade dentro e fora dos terreiros quietos, se não ouvíssemos e fizéssemos fofocas, nem nos metêssemos em brigas desnecessárias teríamos salvo todas estas pessoas de que falei no início do texto? Talvez sim.Porque o bem que se faz se propaga e vai muito além do terreiro, atinge pessoas que nem são de nossa religião. Porque o bem se propaga na luz de nosso entendimento.Ele existe já lá no mundo das idéias de Platão, basta trazermos para cá, bem dentro da nossa alma.