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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Obsessão

Num destes dias normais por aqui  eu, ao entrar em casa,vi umas pegadas diferentes. De cara já fui pedir satisfação para meu marido: entrou algum cavalo aqui? Cavalo não, mas tem um pônei aí fora. Não demorou muito para eu ver meu cachorro correndo atrás do pônei e depois o pônei correndo atrás do cão. No dia seguinte, chegamos a conclusão que aquele ser pertencia a um vizinho, que se mudou de São Paulo para cá e ainda não se adaptou à vida do mato.
Dito e feito. Algumas horas depois ele ligou perguntando se tínhamos visto o tal fujão, que não tinha uma orelha.Toca o lindinho me chamar para ver se eu sabia se não tinha a tal da orelha mesmo. Como eu não havia reparado e esperto que é para confirmar se era o mesmo fez duas perguntas importantes : é preto? é baixinho? O fato é que nem precisava fazer tais perguntas. Gente do mato não tem pônei. Por razões bem práticas: cavalos são mais dóceis e o coice de um pônei é muito violento. Eles são estressados, talvez pela baixa "altitude' e uma falta de visão mais ampla. 
Nós todos temos algumas reações mecânicas e pensamentos condicionados também. Creio que as vezes a nossa baixa "altitude" com relação à natureza humana faça que com isto fique evidente. Vou contar outra história. Uma pessoa que conheço foi assaltada e quando recebeu a voz de assalto logo ergueu os braços. O bandido ,indignado , falou: aonde você pensa que está? No cinema? Baixa estas mãos aí...A pessoa está bem, só com a moral um pouco abalada....
Traçamos o que seria um mundo perfeito pelos referenciais que temos à disposição na mídia de uma forma geral. Invariavelmente acabamos nos deparando com verdades: os pôneis não são legais e a vida não é um filme. Mas tudo bem. O importante é reconhecer que às vezes passamos do limite com relação à nossa própria vida, nos tornando auto-obsessores.Olhamos muito para dentro em busca de elementos comuns a todos os outros seres humanos estampados na mídia e geralmente nos frustramos.
Como na vida, quando nos entregamos à Umbanda temos que dar um passo de cada vez. O conhecimento que acumulamos lá, deve estar em uso contínuo, para consolar e curar os outros e a nós mesmos. Penso hoje que,tanto as glórias e grandes conquistas na religião ,como os momentos ruins, deixam lições e são elas só que devem predominar e não os sentimentos a elas agregados como o orgulho ou a decepção.
É muito comum médiuns novos buscarem respostas para sua própria existência nesta terra. Alguns tem visões sobre vidas passadas, às vezes sem querer, e valorizam demais isto. Como é possível você fazer juízo de um livro todo lendo só uma linha? Não é certo e gera sofrimento. Então uma só pergunta, quando você tem este tipo de visão ou sonhos estranhos, pode debelar muito sofrimento: como posso ajudar alguém, ou a mim mesmo, com uma informação destas?  Se não houver resposta ou se a resposta for negativa , esqueça.
Ser médium não é fácil. Eu tenho minha receita pessoal: quando a coisa está difícil procure algo para rir. Sempre posto coisas engraçadas, mais do que textos espiritualizados. Exatamente porque o riso é algo universal, apartidário. Afinal, às vezes, o cão chupando manga não é tão feio como imaginamos.